“That’s A Funny Looking Cactus” da RocketLab lança a missão STP-27RD

Texto de Salomé T. Fagundes / Rui C. Barbosa

Foto inicial de Sam Toms


O lançamento teve lugar às 0600UTC do dia 4 de Maio de 2019 e foi levado a cabo desde o Complexo de Lançamento LC-1 do Centro de Lançamentos de Máhia, Nova Zelândia. O lançador Electron/Curie usado para esta missão foi o F6 “That’s A Funny Looking Cactus”.

A STP (Space Test Program – Programa de Teste Espacial) é uma organização governamental americana responsável por missões de projecto, aquisição de carga, integração, lançamento e operações em orbita das missões espaciais mais inovadoras, tecnologias e demonstrações para o Departamento da Defesa. Muitas das tecnologias cruciais para o funcionamento da sociedade de hoje em dia começaram como experiencias de redução de risco através com o programa de teste espacial, incluindo o sistema de posição global (GPS) e o o sistema conjunto de satélites polares capazes de monitorizar o clima. A STP permitiu missões pioneiras que aceleram o desenvolvimento de tecnologias inovadoras como a monitorização da ionosfera, comunicações a laser, sistemas de aviso de tempestades solares, monitorização de lixo espacial, ventos solares e a próxima geração de relógios atómicos.

A missão STP-27RD é a quinta missão orbital da Rocket Lab e a segundo lançamento da empresa em 2019. A carga consiste em três satélites: SPARC-1, Falcon ODE e o Harbringer, que irão ser injectados numa sequência precisa.

O SPARC-1 (Space Plug-and-play Architecture Research Cubesat-1) é um nanossatélite de investigação militar baseado no modelo CebuSat-6U. O satélite servirá como uma plataforma de demonstração tecnológica.

O Falcon-ODE (Falcon Orbital Debris Experiment) é um CubeSat-1U desenvolvido pela Academia da Força Aérea dos Estados Unidos e irá levar a cabo estudos sobre a densidade atmosférica, permitindo a calibração de sensores no solo.

O satélite Harbinger foi desenvolvido pela York Space Systems (plataforma de satélite) e pela ICEYE (carga) e tem como missão testar o conceito da plataforma York Yes-class. Tendo uma massa de 150 kg, o satélite está equipado com um subsistema melhorado de fornecimento de energia, um sistema de propulsão eléctrica de efeito de campo (FEEP – Field-Effect Electric Propulsion) e um terminal de comunicações laser de alto ganho. O satélite transporta também como carga de demonstração o radar SAR de banda-X desenvolvido pela ICEYE com uma resolução de 10 metros, herdado da missão ICEYE-X1, além da carga de comunicações óptica do BridgeSat e o sistema Enpulsion da FEEP (Áustria).

Lançamento

O foguetão Electron era colocado na sua posição vertical a T-4h 00m e iniciava-se o processo de abastecimento de querosene. O pessoal de apoio na plataforma de lançamento deixava a área a T-2h 30m e o abastecimento de oxigénio líquido (LOX) iniciava-se a T-2h 00m.

As autoridades de aviação locais eram informadas sobre o lançamento a T-30m para assim poderem avisar os aviadores naquele espaço aéreo. Os preparativos finais para o lançamento iniciam-se a T-18m. A sequência automática de lançamento inicia-se a T-2m, com o computador de bordo do Electron a tomar conta das operações. A ignição dos motores do lançadores inicia-se a T-2s.

O foguetão abandona a plataforma de lançamento a T=0s, com uma ascensão lenta nas fases iniciais e ganhando velocidade à medida que ganha altitude. O final da queima do primeiro estágio termina a T+2m 31s e a sua separação ocorre três segundos mais tarde. A ignição do motor do segundo estágio ocorre a T+2m 37s. A separação da carenagem de protecção ocorre a T+3m 8s.

O segundo estágio atinge a órbita terrestre a T+8m 51s, terminando a sua ignição a T+8m 55s. A separação entre o segundo estágio e o estágio Curie ocorre e T+8m 59s, com a sua ignição a ter lugar a T+49m 12s. O final da queima do estágio Curie ocorre a T+51m 55s. A T+54m 14s os satélites começam a ser separados do último estágio.

O foguetão Electron

O Electron é um lançador a dois estágios com um comprimento de 17 metros e um diâmetro de 1,2 metros. É capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 150 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico, o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.

O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e super leve. Da mesma forma, os tanques de propolente são fabricados em materiais compósitos.

O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford e tem uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 303 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.

O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, e que foi especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alta performance que reduzem a sua massa e que substituem hardware por software. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alta performance alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.

O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para uma excelente performance em condições de vácuo. É capaz de desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 333 s.

O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo a nível mundial operado de forma privada. A localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.

Dados estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 5834

– Lançamento orbital EUA: 1661 (28,47%)

– Lançamento orbital desde Máhia: 6 (0,10% – 0,36%)

Os quadro seguinte mostra os lançamentos previstos e realizados em 2019 por polígono de lançamento.

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC):

5835 – 22 Maio (????:??) – PSLV-C47 – Satish Sawan SHAR, FLP – RISAT-2BR1

5836 – 27 Mai (????:??) – 14A14-1B Soyuz-2.1b/Fregat-M – GIK-1 Plesetsk, LC43/4 – Glonass-M №58

5837 – 29 Mai (1700:00) – 8K82KM Proton-M/Briz-M (93569/99564) – Baikonur, LC81 – PU-24 – Yamal-601

???? – ?? Maio (????:??) – SQ-1 Shuang Quxian-1 – Jiuquan – ????

???? – ?? Maio (????:??) – JL-1 Jielong-1 – Jiuquan – ????

 

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