STS-126 – “Extreme Home Improvements”

A missão STS-126 marcou o início de uma nova fase da utilização da estação espacial internacional ao prepará-la para uma ocupação de seis elementos a partir de 2009. O vaivém espacial OV-105 Endeavour transportou sistemas chave de suporte de vida e de habitabilidade que iriam permitir as operações a longo prazo e auto sustentáveis após o final das missões dos vaivéns.

A NASA anunciou a composição da tripulação para a missão STS-126 a 1 de Outubro de 2007. Na tripulação original estava incluída a astronauta Joan Elizabeth Miller Higginbotham que a 21 de Novembro desse mesmo ano seria substituída pelo astronauta Donald Roy Pettit após ter decidido terminar a sua carreira como astronauta e prosseguir profissionalmente no sector privado.

A tripulação do vaivém espacial Endeavour foi constituída por sete elementos. Da esquerda para a direita: Sandra Hall Magnus (Especialista de Missão e Engenheira de Voo da Expedição 18), Stephen Gerard Bowen (Especialista de Missão), Donald Roy Pettit (Especialista de Missão), Christopher John Ferguson (Comandante), Eric Allen Boe (Piloto), Robert Shane Kimbrough (Especialista de Missão) e Heidemarie Martha Stefanyshyn-Piper (Especialista de Missão).

Dos sete astronautas, três (Eric Boe, Stephen Bowe e Robert Kimbrough) levaram a cabo a sua primeira missão espacial tripulada.

Após uma contagem decrescente sem grandes problemas, o vaivém espacial Endeavour iniciou a sua 22.ª missão espacial às 0055:39,052UTC do dia 15 de Novembro de 2008. A separação dos dois propulsores laterais de combustível sólido ocorreu às 0057UTC e a separação do tanque exterior de combustível ET-127 ocorreu às 0104UTC logo após o final da ignição dos três motores principais. O vaivém ficou colocado numa órbita com um apogeu a 230 km de altitude e perigeu a 158 km de altitude.

A missão STS-126 teria vários objectivos principais. Por um lado, permitiria um intercâmbio de membros da tripulação permanente da ISS: Sandra Magnus ficaria no complexo orbital, ocupando o lugar de Gregory Chamittoff. Por outro lado, levar-se-iam a cabo quatro actividades extraveículares durante aos quais tentar-se-ia reparar a articulação SARJ no grupo de painéis solares exteriores, além de se aplicar medidas preventivas no outro grupo de painéis. O Endeavour transportou assim um módulo logístico carregado com mantimentos e equipamentos. A tripulação iria montar os equipamentos de forma a tornar a ISS apta para uma tripulação permanente de seis elementos. Por exemplo, iria ser activado um novo sistema de reciclagem de água e de geração de oxigénio, uma espécie de cozinha, e pontos de descanso e dormida para os futuros astronautas e cosmonautas.

Finalmente, a meteorologia não foi obstáculo para o lançamento do Endeavour. O vaivém espacial foi lançado desde a Plataforma de Lançamento LC39A às 0055UTC do dia 15 de Novembro, num espectáculo nocturno com algumas nuvens que impediram de ver na totalidade a ascensão do veículo. A missão iniciava-se assim sem dificuldades e o Endeavour alcançava a órbita terrestre pelas 0103UTC. Como já é rotineiro, o tanque externo de combustível líquido foi separado e os astronautas manobraram o Endeavour para que o pudessem fotografar, documentando assim o estado do seu sistema de protecção térmica. A órbita do Endeavour era ajustada pouco depois com os motores de manobra OMS.

As horas seguintes estariam dedicadas a adoptar a configuração adequada para o voo orbital. Com as portas do porão de carga abertas, o Endeavour teria de ser vistoriado em busca de possíveis danos causados por impactos de espuma isoladora procedente do tanque externo de combustível líquido. Toda a tripulação iria trabalhar nestas tarefas antes do período do descanso.

O braço robot do Endeavour, Canadarm, foi unido a uma extensão Orbiter Boom Sensor System (OBSS) e utilizado para a cuidadosa vistoria dos bordos das asas e de outras zonas sensíveis do vaivém espacial. Por outro lado, foi instalada uma câmara no centro do sistema de acoplagem e foi estendido o anel de união que seriam utilizados durante a chegada à estação espacial internacional. Os astronautas também procederam à vistoria dos trajes extraveículares que seriam utilizados nos quatro passeios espaciais.

A informação obtida durante a inspecção ao Endeavour foi enviada para a Terra para ser analisada pelos especialistas da NASA. DE forma preliminar. Verificou-se que uma pequena manta térmica da zona posterior do Endeavour poderia ter-se desprendido durante o lançamento. Não se esperava que tal colocasse problemas, mas os astronautas fotografaram a área afectada para se poderem levar a cabo estudos mais detalhados. Posteriormente, concluiu-se que a manta tinha permanecido no seu lugar, de modo que o objecto detectado poderia ter sido um pedaço de gelo.

Na ISS, os três membros da Expedição 18, que observaram o lançamento do Endeavour através de uma ligação vídeo, conversaram durante vários minutos para preparar os procedimentos de acoplagem. Durante a manobra, teriam de fotografar o Endeavour em todos os ângulos. Estavam previstas cerca de 300 fotografias com câmaras de 800 mm e 400 mm, a ser obtidas desde as janelas do módulo Zvezda.

Como estava previsto, o vaivém espacial aproximou-se até cerca de 200 metros de distância e iniciou uma rotação completa sobre si mesmo, permitindo que os tripulantes da ISS fotografassem o escudo térmico. Finalizada a manobra, continuou-se a aproximação que culminou com uma união com o adaptador PMA-2 junto do módulo Harmony (Node-2) pelas 2201UTC do dia 16 de Novembro.

Após assegurar a boa união entre os dois veículos, a correcção de um pequeno desalinhamento e a equalização das respectivas pressões, foram abertas as escotilhas de acesso às 0016UTC do dia 17 de Novembro, e Micael Fincke, Yuri Lonchakov e Gregory Chamittoff recebiam os tripulantes do Endeavour a bordo da ISS.

Foi celebrada uma pequena cerimónia de boas-vindas televisionada e depois Michael Fincke procedeu à usual palestra de segurança. O passo seguinte seria a instalação na cápsula Soyuz TMA-13 do assento individual de Sandra Magnus, com o qual passava a ser membro da Expedição 18.

Outras tarefas a realizar foram a ligação eléctrica entre o Endeavour e o complexo orbital para aproveitar a electricidade gerada pelos painéis solares e assim poupar energia.

A passagem de mantimentos foi iniciada de imediato, exceptuando os mantimentos armazenados na cabina do vaivém espacial. O módulo logístico MPLM Leonardo seria transferido do porão de carga para a estação permitindo assim o acesso aos contentores no seu interior. O Leonardo transportava sete toneladas de carga divididas em vários ‘racks‘ (dois habitáculos para astronautas, uma cozinha, dois sistemas de reciclagem de água, um módulo de experiências e vários abastecimentos diversos).

Deverá referir-se que o veículo de carga russo Progress M-65 separou-se da ISS às 1617UTC do dia 14 de Novembro, transportando lixo e detritos da ISS. O Progress M-65 permaneceria em órbita até ao dia 7 de Dezembro levando a cabo a experiência Plasma-Progress.

O primeiro dia completo de trabalhos na ISS estaria assim protagonizado pela acoplagem do Leonardo com a ISS. O grande cilindro italiano foi extraído do porão de carga do Endeavour utilizando-se para tal o Canadarm2. O módulo seria acoplado ao porto de acoplagem inferior (nadir) do módulo Harmony. Pouco tempo depois as escotilhas eram abertas e os astronautas podiam assim começar a transferência da sua carga.

Entretanto, Sandra Magnus e Gregory Chamitoff avançavam com a tarefa de intercâmbio de responsabilidades. Chamitoff informou Magnus acerca de tudo o que era relacionado com a manutenção da estação espacial, das experiências, etc.

Na Terra, o exame das imagens enviadas pela tripulação da ISS permitiu certificar que o Endeavour não tinha problemas no seu sistema de protecção térmica, pelo que não seria necessária uma inspecção específica durante a missão. O tempo reservado para esta inspecção seria assim utilizado noutros trabalhos.

Pela ‘noite’ Heide Stafanyshyn-Piper e Steven Bowen passaram para o interior do módulo Quest onde dormiram a pressão mais baixa, preparando assim os seus corpos para a primeira actividade extraveícular.

A primeira saída para o espaço teve início às 1809UTC e teria uma duração de 6 horas e 52 minutos. A primeira tarefa consistiu na remoção de um tanque de nitrogénio vazio que se encontrava unido a uma plataforma de armazenamento e depois foi transferido para o porão de carga do Endeavour no qual seria trazido de volta para a Terra. Os astronautas levaram para a mesma plataforma de armazenamento uma peça de substituição para o sistema de refrigeração da ISS. Unida ao extremo do Canadarm2, Heide Stafanyshyn-Piper efectuou os movimentos sem dificuldades, assistida pelos astronautas Donald Pettit e Sandra Magnus desde o interior da ISS. De seguida, Stephen Bowen encarregou-se de retirar algumas mantas isoladoras do mecanismo de acoplamento do laboratório japonês Kibo.

O passo seguinte, ao qual será dedicada a maior parte desta actividade extraveícular, seria trabalho na articulação SARJ de um dos grupos de painéis solares norte-americanos. Os SARJ contêm mecanismos que permitem a rotação dos painéis em vários sentidos permitindo assim que os painéis sigam o movimento do Sol enquanto a ISS percorre a sua órbita em torno da Terra. O trabalho dos astronautas consistiria na limpeza e lubrificação de parte da articulação, bem como desmontar dois dos sistemas de rolamentos que sofreram danos.

Durante este trabalho Heide Stafanyshyn-Piper sofreu uma importante contrariedade. Uma das pistolas de lubrificação que a astronauta ia utilizar sofreu uma fuga sujando o interior da bolsa de ferramentas. A astronauta tentou limpar a bolsa, sem no entanto se precaver para que esta não se soltasse utilizado um cabo de fixação. Sem poder remediar o que iria acontecer, a bolsa acabou por se separar de forma excessiva da astronauta e esta acabou por perde-la no espaço com as ferramentas no seu interior. A partir desse momento os dois astronautas tiveram de compartir a bolsa restante que estava na posse de Bowen.

Finalizada a tarefa de limpeza e de lubrificação, voltaram a ser colocadas as correspondentes mantas térmicas de protecção, deixando assim tudo pronto para a instalação dos substitutos dos sistemas de rolamentos durante a seguinte actividade extraveícular.

A primeira saída para o espaço terminava às 0101UTC do dia 19 de Novembro com o fecho da escotilha do módulo Quest e a sua repressurização.

Entretanto, dentro da estação espacial, o resto da tripulação continuou com a transferência de mantimentos e equipamentos desde o módulo logístico Leonardo. Em concreto, transferiram-se dois ‘racks’ de reciclagem de água e uma das novas cabinas individuais para dormir.

Finalizada a primeira saída extraveícular da missão, os astronautas da estação dedicaram o dia 19 de Novembro a prosseguir a transferência de mantimentos e a instalação de dois novos equipamentos provenientes do módulo Leonado. Sandra Magnus e Gregory Chamittoff, por exemplo, levaram outras duas cabinas individuais para dormir para o módulo Harmony, colocando-as na suas posições. Também colocaram dentro do módulo Leonardo vários equipamentos que teriam de regressar à Terra.

Por seu lado, Donald Pettit e Michael Fincke passaram quase todo o dia a configurar os elementos do novo sistema de reciclagem de água, Watter Recicling System (WRS). Este sistema terá como função tratar a água residual gerada a bordo da ISS e torna-la potável para consumo humano. O plano inicial era o de conseguir que a unidade ficasse operacional em dois dias para depois analisar a primeira amostra de água obtida a partir da urina. Algumas amostras seriam levadas para a Terra para uma análise mais profunda antes de ser autorizado o seu uso.

Heidemarie Stafanyshyn-Piper e Shane Kimbrough prepararam a segunda actividade extraveícular, preparando os fatos pressurizados e as ferramentas a serem utilizadas. Os dois teriam de passar a noite no interior do módulo Quest numa pressão inferior à normal (10,2 psi em vez dos normais 14,7 psi). O procedimento é utilizado para purgar o nitrogénio do sangue que poderia provocar danos durante a despressurização.

Deu-se também um falso alarme de incêndio quando um par de detectores de fumo no módulo Zvezda foi activado de forma incorrecta.

Heidemarie Stafanyshyn-Piper e Steven Bowen participaram numa entrevista com vários meios de comunicação social. Durante a entrevista os dois astronautas relataram a actividade extraveícular que haviam levado a cabo e lamentaram a perda da bolsa de ferramentas. Bowen quiz compartilhar a culpa como responsável de uma última revisão do estado dos cabos de segurança.

O Endeavour transportou para a ISS um instrumento que não seria colocado a funcionar durante a missão. Tratou-se do ENose, um sensor que os astronautas instalariam a 9 de Dezembro e que é capaz de ‘cheirar’ substâncias químicas perigosas presentes no ar da ISS. Este sensor aumenta assim a segurança da tripulação já que poderá detectar amoníaco, mercúrio, metanol e formaldeído, entre outras substâncias. Estas substâncias eram anteriormente detectadas quando os astronautas já haviam sido expostos às mesmas. O ENose funciona de forma autónoma e contínua, podendo detectar as substâncias quando as fugas têm lugar mesmo em concentrações baixas. Com o tamanho de uma caixa de sapatos, o ENose possui 32 sensores que podem identificar e quantificar substâncias orgânicas e inorgânicas, incluindo dissolventes, aerossóis, vapores e outras que possam sinalizar o começo de fogos eléctricos. Os sensores são películas de polímeros que alteram a sua condutividade eléctrica em resposta às diferentes substâncias. A sua sensibilidade alcança as 10000 ppm.

A segunda actividade extraveícular da missão foi protagonizada por Heidemarie Stafanyshyn-Piper e Shane Kimbrough e foi levada a cabo com sucesso total. Os astronautas activaram as baterias dos seus fatos extraveículares dentro da escotilha do módulo Quest às 1758UTC do dia 20 de Novembro, abrindo pouco depois a escotilha de acesso ao exterior.

A primeira tarefa foi recolocar os dois pequenos veículos CETA (Crew and Equipment Translation Aid), extraindo-os dos seus railes e levando-os para o extremo oposto. Os CETA são utilizados para trasladar equipamentos e os próprios astronautas ao largo da grande viga central da estação espacial. Em Fevereiro deverão ser instalados os últimos painéis solares (a bombordo) e para tal será necessário ter via livre para que o Mobile Transporter (outro veículo de maiores dimensões) possa deslocar-se até ao extremo com os painéis.

A seguinte operação consistiu em lubrificar o LEE (Latching End Effector), a ‘mão’ do braço Canadarm2 e também lubrificar a articulação SARJ de estibordo e proceder à sua limpeza de restos metálicos. O atrito inadequado dos seus mecanismos provocou danos profundos que impediram a mobilidade deste grupo de painéis solares. Finalmente, substituíram-se outros quatro dos doze TBA (Trundle Bearing Assemblies) disponíveis, mecanismos equipados com rolamentos que permitem a rotação da articulação SARJ.

Já na parte final da actividade extraveícular, o controlo em Terra ordenou o regresso de Kimbrough ao interior do módulo Quest com uns minutos de avanço devido à detecção de níveis de CO2 mais elevados do que o normal. Quando Piper o seguiu, a EVA foi finalizada de forma definitiva, 6 horas e 45 minutos depois do seu início.

O dia, que serviu também para celebrar o 10.º aniversário da ISS, foi finalizado com mais transferências de mantimentos e a instalação de equipamentos.

O dia 21 de Novembro seria dedicado a continuar a transferência de mantimentos e a activar alguns equipamentos transportados para a estação espacial pelo Endeavour, bem como a preparar a terceira actividade extraveícular da missão e a realizar outras tarefas previstas. Michael Fincke e Sandra Magnus testaram o sistema de fixação do módulo japonês Kibo o qual será utilizado para acoplar uma plataforma científica externa. Magnus também participou na instalação de um componente do sistema de suporte de vida regenerativo. Em concreto, o Total Organic Carbon Analyzer (TOCA) será utilizado para analisar as amostras procedentes do novo sistema de reciclagem de água. Este sistema começou a dar problemas aos astronautas quando uma vez colocado no seu lugar, procedeu de forma pouco satisfatória durante os testes de funcionamento. Um segmento do WRS utiliza um sistema de destilação por rotação que separa a água da urina. No entanto, o motor da centrifugadora mostrou sintomas de na funcionar correctamente. A falha fez com que a unidade parasse de funcionar de forma automática.

Enquanto se procedia à analise da anomalia na Terra, Christopher Fergusson e Eric Boe utilizaram os motores auxiliares do Endeavour para elevar ligeiramente a altitude do complexo orbital, facilitando assim a acoplagem do veículo de carga Progress M-01N que seria colocado em órbita dias mais tarde.

Por seu lado Heidemarie Stafanyshyn-Piper e Stevem Bowen prepararam as ferramentas e os seus fatos extraveículares para a terceira saída para o exterior da estação, passando também a noite no interior do módulo Quest a baixa pressão.

Toda a tripulação levou a cabo uma conferência de imprensa com os jornalistas acreditados em Terra desde o interior do módulo Harmony.

O dia 22 de Novembro estaria dedicado á terceira actividade extraveícular, a qual se iniciou às 1801UTC. A principal tarefa de Piper e Bowen consistiria em continuar a limpeza da articulação SARJ e a substituição de mais peças TBA. Os astronautas abandonaram o módulo Quest e dirigiram-se de imediato para a zona de trabalho. Ali, limparam e lubrificaram a zona prevista, e Piper substituiu um dos sistemas de rolamentos TBA. Quanto a zona foi coberta com material térmico isolante, os astronautas continuaram os trabalhos noutras zonas da articulação. No total foram substituídos cinco TBA deixando pendente um dos sistemas para a actividade extraveícular seguinte.

Depois os dois astronautas regressaram ao módulo Quest, finalizando a sua saída pelas 0058UTC do dia 23 de Novembro. No total, passaram 6 horas e 57 minutos no exterior.

Dentro da estação tinham prosseguido os trabalhos de transferência de mantimentos e também se tinham examinado os problemas no sistema de reciclagem de água. Os engenheiros pensavam inicialmente que o motor da centrifugadora reduzia a sua velocidade devido a um sensor que roçava com o dispositivo.

No dia 23 de Novembro, os astronautas tiveram várias horas em tempo livre mas Michael Fincke dedicou parte do tempo a continuar a observação do comportamento da unidade de recuperação de urina. Os diversos testes mostravam uma vibração, seguramente causada por uma interferência física, que aumentava o consumo energético e provocava a sua desactivação automática. Tanto Fincke como Donald Pettit desmontaram alguns dos componentes (uns amortecedores para as vibrações), e reactivaram a unidade. Esta funcionou durante mais tempo, mas depois voltaram-se a registar problemas. Os engenheiros em Terra recolheram toda a informação e dedicaram-se a encontrar uma solução para o problema.

A NASA decidiu no dia 24 de Novembro prolongar por mais 24 horas a missão do Endeavour junto da ISS, proporcionando assim mais tempo para a resolução dos problemas que haviam dificultado a activação do sistema de reciclagem de água.

Michael Fincke trabalhou duramente com o dispositivo que realiza o processamento da urina (UPA), fixando melhor a secção de destilação para reduzir ao máximo as vibrações. Quando a unidade foi novamente reactivada, funcionou aparentemente sem problema apesar de produzir um ruído que um dos astronautas comparou ao ruído de uma máquina de lavar roupa.

Paralelamente a estes esforços, Steven Bowen e Shane Kimbrough levaram a cabo a quarta e última saída extraveícular da missão. A AEV iniciou-se às 1824UTC e teve uma duração de 6 horas e 7 minutos. A principal tarefa dos dois astronautas foi continuar a manutenção e reparação das articulações SARJ. Em primeiro lugar, os astronautas dirigiram-se para a articulação SARJ de bombordo onde aplicaram lubrificante e obtiveram fotografias do estado dos seus mecanismos. Ali descobriram que estes mecanismos estavam a mostrar um certo desgaste em alguns pontos, mas sem dificultar o seu funcionamento. A lubrificação adicional iria actuar como medida preventiva. Mais tarde, Bowen regressou à articulação de estibordo e procedeu à instalação do último TBA. Os mecanismos TBA desta articulação foram assim substituídos na totalidade.

Para completar a actividade extraveícular, Bowen deslocou-se ao módulo japonês Kibo onde trabalhou na unidade de acoplamento e reinstalou a sua cobertura térmica. Por último, instalou uma câmara de vídeo no segmento P1 e uma antena GPS sobre o Kibo que irão auxiliar na aproximação do veículo de carga japonês HTV que será capturado pelo Canadarm2 e posteriormente acoplado ao Kibo.

A última actividade extraveícular da missão STS-126 terminava às 0031UTC do dia 25 de Novembro.

O dia 25 esteve sobretudo dedicado à transferência de equipamentos, materiais e resultados de experiências da ISS para o Endeavour. Os mantimentos transportados pelo vaivém espacial já haviam sido transferidos na sua totalidade para o complexo orbital. Além do mais, os astronautas receberam boas notícias ao início do dia. Por um lado, a articulação SARJ de estibordo, inactiva durante mais de um ano, voltara a funcionar sem dificuldades. O teste foi efectuado durante duas órbitas e demonstrou que as reparações haviam tido êxito. De todas as maneiras, os resultados seriam analisados em Terra durante as semanas seguintes juntamente com outros resultados obtidos de testes posteriores. Por outro lado, o equipamento dedicado ao processamento da urina tinha finalizado o seu segundo período de funcionamento, funcionando durante cinco horas. Após mais duas horas de inactividade para permitir o seu arrefecimento, procedeu-se a um segundo ensaio que também teve êxito.

Durante o dia os astronautas submeteram o UPA a um terceiro período de funcionamento. Como todo decorreu como esperado, o centro de controlo autorizou a tripulação a deixar na ISS o equipamento. Os astronautas trariam para a Terra amostras de água reciclada para ser analisada nos laboratórios. O sistema continuará a produzir amostras nos meses seguintes até que se certifique totalmente que a água pode ser consumida.

Entretanto, tudo estava pronto para o encerramento da escotilha de acesso ao módulo logístico Leonardo que seria desacoplado e trasladado para o porão de carga do Endeavour no dia seguinte. Donald Pettit e Shane Kimbrough utilizaram o Canadarm2 para separar o Leonardo e levá-lo de volta para o porão de carga do vaivém espacial às 2252UTC do dia 26 de Novembro.

Por seu lado, Heidemarie Stefanyshyn-Piper trasladou para o Endeavour os equipamentos que tinham sido utilizados durante as quatro actividades extraveículares da missão. Sandra Magnus trabalhou no sistema de reciclagem de água, optimizando o seu funcionamento e obtendo novas amostras para análise antes de voltar a desactivá-lo. No módulo Zvezda, Michael Fincke e Yuri Lonchakov praticaram o acoplamento de naves Progress com o sistema TORU.

Todos os astronautas celebraram o tradicional Dia de Acção de Graças com um plano de trabalhos menos intenso do que é habitual. Como estava previsto após a ceia, que serviu também como despedida formal entre as duas tripulações, os astronautas do Endeavour retiraram-se para o vaivém espacial e fecharam as escotilhas de acesso à ISS, concluindo assim 11 dias e 15 minutos de actividades conjuntas.

Preparando já a sua separação da ISS, os astronautas do Endeavour colocaram a câmara de proporcionaria uma boa visão da fase de separação, e embalaram e seguraram os últimos elementos que não seriam utilizados durante o regresso à Terra.

Às 1447UTC do dia 28 de Novembro o Endeavour separava-se da ISS. O Piloto Eric Boe dirigiu a manobra, levando o veículo a realizar uma volta completa em torno do complexo orbital durante a qual se efectuaram várias fotografias da ISS. A separação definitiva entre os dois veículos foi atrasada ligeiramente para evitar o cruzamento em órbita com lixo espacial.

Posteriormente, Boe, Pettit e Kimbrough utilizaram o Canadarm para efectuar uma inspecção rotineira das zonas de protecção térmica mais sensíveis do Endeavour, enviando os resultados para a Terra para análise. Entretanto, o controlo da missão estava a avaliar as condições atmosféricas na zona de aterragem do Centro Espacial Kennedy onde os prognósticos não eram muito favoráveis.

Às 2033UTC do dia 29 de Novembro foi libertado do porão de carga do Endeavour um pequeno satélite tecnológico denominado PicoSat Solar Cell Testbed Experiment (PSSC Testbed) com somente 7 kg de massa. Como o seu nome indica, o pequeno satélite realizará experiências sobre a utilização de várias células solares avançadas. O satélite é propriedade do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Com as notícias de que o escudo térmico do Endeavour se encontrava em boas condições, a NASA só tinha de decidir o local de aterragem do vaivém espacial. Em órbita, os astronautas recolheram a antena de comunicações de banda Ku e testaram os motores auxiliares e as superfícies aerodinâmicas. Foi também instalado um assento declinável para Gregory Chamittoff que assim poderia resistir mais confortavelmente à desaceleração e ao regresso à gravidade terrestre após seis meses no espaço.

Donald Pettit informou o controlo da missão que havia observado um objecto a abandonar o vaivém espacial, que aparentemente se tratava de uma etiqueta de temperatura / pressão que se teria desprendido do porão de carga.

Finalmente, às 2019UTC, o vaivém espacial utilizava os seus motores OMS para diminuir a sua velocidade orbital e iniciar desta forma a reentrada atmosférica. Como as condições meteorológicas no Centro Espacial Kennedy não eram aceitáveis, o Endeavour iria regressar à Terra com uma aterragem na Base Aérea de Edwards, Califórnia. A aterragem deu-se na pista 04L às 2125UTC. Esta pista é mais curta do que é habitual e substitui a pista principal que está a ser reparada. A missão foi concluída com uma duração de 15 dias 20 horas 30 minutos e 34 segundos. Chamitoff finalizava a sua missão com uma duração de 183 dias no espaço, 179 dos quais a bordo da ISS.

Imagens: NASA

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