StriX-1 lançado desde a Nova Zelândia

A Rocket Lab USA Inc. colocou em órbita o satélite StriX-1 no dia 15 de Setembro de 2022 a partir do centro de lançamentos orbitais na Nova Zelândia.

O lançamento teve lugar às 2038UTC e foi levado a cabo pelo foguetão Electron/Curie (F30) a partir da Plataforma de Lançamento B do Complexo de Lançamento LC-1 de Onenui (Màhia). Esta foi a missão “The Owl Spreads Its Wings” e teve como objectivo colocar a sua carga uma órbita a uma altitude de 563 km com uma inclinação de 97.º.

A missão “The Owl Spreads Its Wings” foi uma missão especial para a Rocket Lab, sendo a 3.ª para um cliente já usual, a Synspective, no 30.º voo de um foguetão Electron, transportando o 300.º motor Rutherford e o 150.º satélite para o espaço.

Esta é a segunda missão num contrato de três lançamentos com a Synspective, após a missão “The Owl’s Night Continues” (realizada a 28 de Fevereiro de 2022) e a missão “The Owl’s Night Begins” (lançada a 15 de Dezembro de 2020).

O satélite StriX-1 é um primeiro de uma série de veículos japoneses equipados com radar SAR de banda-X e que foram construídos pela Synspective.

Os satélites têm uma massa de 100 kg, sendo mais leves do que os dois protótipos (StriX-α e StriX-β com uma massa de 150 kg). Os satélites possuem dois painéis implantáveis, um lado transportando células solares, enquanto o outro transporta a antena de radar de banda-X.

A constelação de satélite StriX pode obter dados de um determinado alvo com uma resolução no solo de 1 a 3 metros, com polarização única (VV), e uma largura de varrimento de entre 10 km a30 km. Os modos de observação dos satélites são ‘Stripmap’ e ‘Sliding Spotlight’ e cada satélite tem uma antena SAR com um comprimento de 5 metros, sendo armazenada no lançamento.

A Synspective espera ter seis satélites em órbita em finais de 2023 e cerca de 30 em finais dos anos 20.

Lançamento

Com o encerramento das vias de acesso ao local de lançamento a ocorrer a T-6h, o foguetão Electron era colocado na sua posição vertical a T-4h e iniciava-se o processo de abastecimento de querosene. O pessoal de apoio na plataforma de lançamento deixava a área a T-2h 30m e o abastecimento de oxigénio líquido (LOX) iniciava-se a T-2h.

As autoridades de aviação locais eram informadas sobre o lançamento a T-30m para assim poderem avisar os aviadores naquele espaço aéreo. Os preparativos finais para o lançamento iniciam-se a T-18m. A sequência automática de lançamento inicia-se a T-2m, com o computador de bordo do Electron a tomar conta das operações. A ignição dos motores do lançador inicia-se a T-2s.

O foguetão abandona a plataforma de lançamento a T=0s, com uma ascensão lenta nas fases iniciais e ganhando velocidade à medida que ganha altitude. O lançador atinge a velocidade do som (Mach 1) a T+56s, passando a zona de máxima pressão dinâmica (MaxQ) a T+1m 8s.

O final da queima do primeiro estágio ocorre a T+2m 26s e a sua separação ocorre três segundos mais tarde. A ignição do motor Rutherford do segundo estágio ocorre a T+2m 32s e a separação da carenagem de protecção ocorre a T+3m 9s. A T+6m 13s ocorre a troca de baterias eléctricas que dão o impulso eléctrico necessário a ignição do motor Rutherford Vacuum.

A queima do segundo estágio ocorre a T+9m 20s. A separação entre o segundo estágio e o estágio Curie ocorre e T+9m 24s. Estando numa órbita de parqueamento, a ignição do seu motor Curie terá lugar a T+50m 35s, terminando a T+53m 18s. A separação do satélite StriX-1 ocorre a T+54m 18s.

O foguetão Electron

O Electron é um lançador a três estágios com um comprimento de 18 metros e um diâmetro de 1,2 metros. Tem uma massa de 13.000 kg no lançamento e é capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 200 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico (fibra de carbono compósito e estrutura monocoque), o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.

O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e super leve. Da mesma forma, os tanques de propelente são fabricados em materiais compósitos.

O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford e tem uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 311 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.

O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, sendo especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alto desempenho que reduzem a sua massa, substituindo assim hardware por software. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alto desempenho alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.

O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para um excelente desempenho em condições de vácuo. Consegue desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 343 s.

A sua carenagem tem um comprimento de 2,5 metros com um sistema de separação pneumático e por molas.

Lançamento Missão Veículo Lançador Data de Lançamento Hora

(UTC)

Carga
2021-068 F21 It’s A Little Chile Up Here 29/Jul/21 06:00 STP-27RM: Monolith
2021-106 F22 Love At First Insight 18/Nov/21 01:38:13 BlackSky-10 (BlackSky Global 12)

BlackSky-11 (BlackSky Global 13)

2021-120 F23 A Data With Destiny 09/Dez/21 00:02 BlackSky-14 (BlackSky Global 16)

BlackSky-15 (BlackSky Global 17)

2022-020 F24 The Owl’s Night Continues 28/Fev/22 20:37 StriX-β
2022-034 F25 Without Mission A Beat 02/Abr/22 12:41 BlackSky-16 (BlackSky Global 18)

BlackSky-17 (BlackSky Global 19)

2022-044 F26 There and Back Again 02/Mai/22 22:49:52 AuroraSat-1

Unicorn-2

TRSI-2

TRSI-3

MyRadar-1

E-Space 1

E-Space 2

E-Space 3

BRO-6

Copia

SpaceBEE (vários)

2022-070 F27 CAPSTONE 28/Jun/22 09:55:52 CAPSTONE

‘Lunar Photon’

2022-079 F28 Wise One Looks Ahead 13/Jul/22 06:30 NROL-162 (RASR-3)
2022-091 F29 Antipodean Adventure 04/Ago/22 05:00 NROL-199 (RASR-4)
2022-113 F30 The Owl Spreads Its Wings 15/Set/22 20:38 StriX-1

O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia, entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo a nível mundial operado de forma privada.

Equipado com duas plataformas de lançamento, a localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor-chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.

Dados estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 6280

– Lançamento orbital EUA: 1829 (7,66%)

– Lançamento orbital Onenui (Máhia): 30 (0,48% – 1,64%)

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC):

6281 – 16 Set (0127:??) – Falcon 9-176 (B1067.6) – Cabo Canaveral SFS, SLC-40/JRTI – Starlink G4-34 (x53) F61 (v1.5 L32)

6282 – 19 Set (0700:??) – Firefly Alpha (FLTA002 “To The Black”) – Vandenberg SFB, SLC-2W – Serenity, TechEdSat-15 (TES-15), PicoBus, Firefly Capsule

6283 – 19 Set (1756:??) – Falcon-9 – Cabo Canaveral SFS, SLC-40/ASOG – Starlink G4-35 (x53) F62 (v1.5 L33)

6284 – 20 Set (2315:??) – Chang Zheng-2D – Jiuquan, LC43/94 – ??

6285 – 21 Set (1354:??) – 14A14-1A Soyuz-2.1a (S15000-051) – Baikonur, LC31 PU-6 – Soyuz MS-22



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