Solar Orbiter para estudar o Sol

A United Launch Alliance levou a cabo com sucesso o lançamento da sonda solar Solar Orbiter, uma missão conjunta da ESA e da NASA, para estudar a nossa estrela-Mãe.

O lançamento teve lugar às 04:03:00,155UTC do dia 10 de Fevereiro de 2020 e foi realizado pelo foguetão Atlas-V/411 (AV-087) a partir do Complexo de Lançamento SLC-41 do Cabo Canaveral AFS.

A Solar Orbiter (SolO – LWS-5 Living With a Star mission-5) é a 7.ª sonda construída pela Agência Espacial Europeia para estudar o Sol e a forma como ele afecta a Terra. A missão segue o trilho das missões Ulysses, SOHO e a missão dos quatro satélites Cluster com uma diferença notável: a Solar Orbiter será a primeira sonda a capturar fotografias e vídeos dos pólos solares.

A Solar Orbiter, com uma massa de 1.800 kg, foi construída pela Airbus Defence and Space e é uma missão conjunta da agência espacial europeia (ESA) e da agência espacial norte-americana NASA. A missão terá uma duração de 7 anos, incluindo a fase de viagem até à órbita solar.

A Solar Orbiter é a primeira missão de classe média do Programa Cosmic Vision 2015-2025 da Agência Espacial Europeia, que procura responder a perguntas sobre o desenvolvimento dos planetas e o surgimento da vida, como funciona o Sistema Solar, as origens do Universo e a física fundamental em acção no Universo. O Solar Orbiter procurará responder ao segundo objectivo principal do Programa Cosmic Vision, examinando como o Sol cria e controla a heliosfera, a vasta bolha de partículas carregadas que passam pelo Sistema Solar no que se designa como “vento solar” e que se estende até cerca de 120 unidades astronómicas do Sol (1 unidade astronómica equivale a 149,59 milhões de quilómetros).

A sonda Voyager-1 atravessou a heliosfera a uma distância de 121 UA em Agosto de 2012, e a Voyager-2 saiu a uma distância de 119 UA em Novembro de 2018. Enquanto que estas sondas demoraram 35 e 41 anos, respectivamente, para sair da heliosfera, a região começa e é gerada no Sol, assim como o vento solar.

Porém, questões importantes sobre exactamente como o Sol cria e sustenta a heliosfera e como o vento solar é formado e ejectado do Sol em todas as direcções a uma velocidade que é rápida e vasta e acelerada dentro da coroa solar? Juntamente com a sonda Parker Solar Probe, da NASA, que foi lançada em 2018, a Solar Orbiter procurará obter novos entendimentos e informações sobre como o vento solar é gerado, como o campo magnético heliosférico é gerado pelo Sol, sobre as partículas energéticas solares, sobre os distúrbios interplanetários transitórios no vento solar e a heliosfera entre Mercúrio, Vénus e Terra, e o campo magnético do Sol.

Enquanto a Parker Solar Probe procura responder perguntas semelhantes, mergulhando na coroa do Sol, a região onde o vento solar é formado e acelerado, o Solar Orbiter procurará responder às mesmas perguntas observando de cima e também examinando o papel que os pólos solares têm na criação e sustentabilidade da heliosfera e do vento solar.

Para cumprir a sua missão, o Solar Orbiter usará múltiplos vôos assistidos pela gravidade de Vénus e da Terra para alterar sua inclinação orbital em relação ao plano equatorial do Sol, de modo que ele seja inclinado em relação ao equador solar em 24.º até ao final de sua missão principal e até 33.º até ao final de sua missão prolongada. A órbita da sonda também será altamente elíptica, graças às manobras de assistência gravitacional na passagem por Vénus e pela Terra, chegando a apenas 0,28 UA do Sol no periélio e atingindo 1,2 AU no afélio.

A sonda levará dois anos para atingir sua órbita operacional, que será seguida por cinco anos de uma missão científica primária. O Solar Orbiter transporta suficiente propelente a bordo para que sua missão possa ser prolongada por pelo menos dez anos.

Para sua missão científica primária, a Solar Orbiter terá apenas 10 dias de operações activas de recolha cientifica a cada órbita – o que corresponde a cada passagem do Sol no periélio de 0,28 UA. Durante esses períodos de 10 dias, as portas na frente do escudo térmico da sonda são abertas, expondo alguns dos instrumentos à intensidade directa do calor e da luz de nossa estrela-Mãe.

 

Os instrumentos que serão directamente expostos ao Sol durante cada mergulho no periélio são o Energetic Particle Detector (EPD), o Magnetómetro, o Radio and Plasma Waves (RPW), e o Solar Wind Plasma Analyser. O EPD (desenvolvido na Espanha, Alemanha, Estados Unidos e pela Agência Espacial Europeia) medirá a composição, o tempo, a distribuição, as fontes, o mecanismo de aceleração e os processos de transporte de partículas supratermais e energéticas.

O magnetómetro (fornecido pelo Reino Unido) fornecerá medições de alta precisão do campo magnético heliosférico e facilitará estudos detalhados sobre a maneira como o campo magnético do Sol se liga ao espaço e evolui ao longo do ciclo solar; a forma como as partículas são aceleradas e se propagam ao redor do Sistema Solar, inclusive para a Terra; e como a coroa e o vento solar são aquecidos e acelerados.

O RPW (França, Suécia, República Checa e Áustria) medirá os campos magnéticos e eléctricos usando vários sensores e antenas para determinar as características das ondas electromagnéticas e electrostáticas no vento solar. O RPW estará constantemente em execução, realizando medições activas durante operações no periélio e de detecção remota durante todos os outros períodos das órbitas.

O SWPA (fornecido pelo Reino Unido, Itália, França e Estados Unidos) é um conjunto de sensores que medem a densidade, velocidade e temperatura dos iões e electrões, velocidade e temperatura do vento solar. Os instrumentos ajudarão a caracterizar a composição do vento solar no grupo Carbono, Nitrogénio, e Oxigénio, bem como Ferro, Silício ou Magnésio. O mais impressionante é que, pela primeira vez, esses instrumentos poderão comunicar entre si em tempo real, informando se encontrarem algo interessante para que os outros possam examinar de imediato. Após cada passagem do periélio de 10 dias científicos do Sol, os instrumentos de detecção remota da sonda continuarão constantemente recolhendo informações e medições.

Estes instrumentos incluem um sistema de observação de ultravioletas extremos, um coronografo, um sistema de observação polalimétrica e heliossísmica, um sistema de observação heliosférica, um sistema de observação espectral do ambiente da coroa solar, e um telescópio / espectrómetro de Raios-X.

O Extreme Ultraviolet Imager é uma colaboração entre Bélgica, Reino Unido, França, Alemanha e Suíça e fornecerá sequências de imagens das camadas atmosféricas solares acima da fotosfera (o envelope luminoso de uma estrela da qual irradia luz e calor). Segundo a ESA, “este instrumento fornecerá uma ligação indispensável entre a superfície solar e a coroa externa que molda as características do meio interplanetário.” Irá também fornecer as primeiras imagens ultravioletas dos pólos do Sol.

Sendo uma parceria da Itália, Alemanha e República Checa, o coronografo irá observar de forma simultânea as emissões visível, ultravioleta e ultravioleta estremo da coroa solar para determinar, com cobertura e resolução sem precedentes, a estrutura e dinâmica da coroa solar completa – uma região crítica na ligação dos fenómenos solares atmosféricos à sua evolução na heliosfera interna.

O sistema de observação polalimétrica e heliossísmica (desenvolvido pela Alemanha, Espanha e França) irá obter medições em disco completo de alta resolução do vector fotosférico do campo magnético, bem como medições de velocidade na linha de visão para permitir investigações sem precedentes na zona de convecção solar.

O Heliospheric Imager (EUA) investigará e fotografará o fluxo quase constante e as perturbações transitórias no vento solar sobre um amplo campo de visão, observando a luz solar visível dispersa pelos electrões do vento solar. Este instrumento deve permitir que os heliofísicos identifiquem as ejeções de massa coronal que podem prejudicar a nossa tecnologia no solo e no espaço.

O sistema de observação espectral do ambiente da coroa solar (Reino Unido, Alemanha, França, Suíça e Estados Unidos) procurará examinar as propriedades do plasma da corona em disco do Sol para combinar as assinaturas de composição em tempo real do vento solar com as suas regiões de origem na superfície do Sol.

Desenvolvido pela Suíça, Polónia, Alemanha, República Checa e França, o telescópio / espectrómetro de Raios-X irá fornecer imagens espectroscópicas de emissões solares térmicas e não térmicas de raios-X para fornecer detalhes sobre tempo, localização, intensidade e espectros de electrões acelerados e plasma de alta temperatura associados a explosões solares ou micro-explosões.

Lançamento

O lançamento decorreu sem problema com os motores do primeiro estágio do foguetão Atlas-V/411 a entrarem em ignição a T-2,7s e com o lançador a abandonar a plataforma de lançamento a T+1,1s. A manobra de arfagem, colocando o veículo na trajectória ideal para a missão, teve lugar a T+5,2s. O Atlas-V/411 atingia a velocidade do som a T+57,6s e a zona de máxima pressão dinâmica a T+1m 9,2s.

Equipado com um propulsor lateral de combustível sólido, este é descartado após terminar a sua queima. O propulsores é separado a T+2m 19,8s.

O final da queima do estágio Atlas (Booster Engine CutOff – BECO) ocorre a T+4m 3,4s e a separação entre o estágio Atlas e o estágio Centaur dá-se a T+4m 9,4s, com a primeira ignição do estágio Centaur (Main Engine Start – MES) a ocorrer a T+4m 19,4s. Esta primeira queima termina (Main Engine Cutoff – MECO) a T+12m 14,1s – MECO-1. Entretanto, a separação da carenagem de protecção, agora também desnecessária, ocorre a T+4m 27,4s.

A segunda queima (MES-2) do estágio Centaur ocorre entre T+42m 57,9s e T+49m 50,8s.

A separação do Solar Orbiter ocorre a T+52m 39,9s.

O foguetão Atlas-V

A 2 de Maio de 2005 a Boeing Company e a Lockheed Martin Corporation anunciaram a intenção de formar uma empresa conjunta denominada United Launch Alliance (ULA) que juntava assim duas das mais experientes e bem sucedidas companhias que suportaram a presença americana no espaço por 50 anos. Em conjunto os lançadores Atlas (Lockheed Martin) e Delta (Boeing) transportaram mais de 850 cargas para a órbita terrestre e não só, desde satélite meteorológicos, de telecomunicações, veículos militares, satélites científicos e sondas interplanetárias que alargaram o nosso conhecimento do Universo.

A ULA proporciona assim dois veículos capazes de proporcionar um acesso seguro, económico, fiável e eficiente ao espaço para as missões governamentais americanas, continuando assim uma tradição de apoio às iniciativas espaciais estratégicas norte-americanas com soluções de lançamento avançadas e robustas.

A equipa da ULA engloba mais de 3.800 funcionários que trabalham em locais espalhados pelos Estados Unidos. A sede da empresa está situada em Denver, Colorado, com a maior parte das actividades de engenharia e administrativas consolidadas nas instalações da Lockheed Martin Space Systems Company. As operações de integração e montagem estão localizadas nas instalações de fabrico e montagem da Boeing em Decatur, Alabama. As estruturas mecânicas do Atlas-V, fabrico da ogiva de protecção, do sistema de adaptação e montagem são levadas a cabo em Harlingen, Texas.

As instalações de lançamento utilizadas pela ULA são o SLC-37 (foguetões Delta-4) e o SLC-41 (Atlas) no Cabo Canaveral, e SLC-6 (Delta-4) e o SLC-3E (Atlas-V) na Base Aérea de Vandenberg.

O míssil balístico Atlas teve a sua origem requisição feita pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) em Outubro de 1945, que conduziu ao desenvolvimento durante a década de 50 dos mísseis Atlas, Navaho, Snark, Matador e Mace. Em 10 de Janeiro de 1946 foram submetidas duas propostas para a construção de mísseis com um alcance de 11.100 km, sendo uma das proposta a de um míssil alado e propulsionado a jacto e a outra proposta e de um míssil supersónico, de trajectória balística e propulsionado por foguetão. A proposta do míssil balístico incluía o aparecimento de novas tecnologias, tal como o desenho de uma estrutura de peso reduzido através  do uso de tanques de combustível de parede única e incluídos numa única estrutura monocoque que seria mantida rígida através da pressão interna. A performance deste míssil era quase do tipo “single-stage-to-orbit” ao se dar a separação dos motores de ignição inicial durante a ascensão.

A 19 de Abril de 1946 a Consolidated Vultee Aircraft Corporation (Convair) foi incumbida de construir e testar dez mísseis MX-774 Hiroc de forma a verificar e validar as propostas do novo míssil. Os testes do MX-774 iniciaram-se em San Diego em 1947, mas em Junho desse ano a Convair, empresa que propusera as duas propostas iniciais à USAF era informada que havia perdido o concurso para o novo míssil, sendo os contratos atribuídos às empresas Northrop e Martin que deveriam desenvolver a tecnologia dos mísseis alados e sub-sónicos.

Os cortes no orçamento para a defesa dos Estados Unidos forçaram a USAF a terminar o contrato com a Convair em Julho de 1947, e isto a apenas três meses da data prevista para o primeiro voo. Porém, os fundos ainda disponíveis permitiram a realização de três testes do MX-774 no White Sands Proving Ground entre Julho e Dezembro de 1947. Posteriormente, a Convair prosseguiu estudos auto-financiados do projecto.

Porém, o início da Guerra da Coreia e o surgimento da Guerra Fria fizeram com que se desse um aumento nos fundos para a defesa e a Convair recebeu um novo contrato em Setembro de 1951 para desenvolver o MX-1593, por forma a iniciar o desenho de um míssil balístico incorporando as características já validadas pelo MX-774. Em 1953 a General Dynamics, uma nova divisão da Convair, apresenta à USAF um programa acelerado de desenvolvimento do novo míssil. O anúncio público do desenvolvimento do Atlas só surge a 16 de Dezembro de 1954.

Nos primeiros anos da década de 50 um problema que atrasava o desenvolvimento da tecnologia era a baixa fiabilidade dos motores de combustível líquido. Este problema conduziu posteriormente ao conceito de «um estágio e meio» no qual todos os motores entram em ignição antes  da decolagem e os motores principais são separados numa determinada fase do voo, sendo este mantido por motores de sustentação. Este método permitia a verificação do bom funcionamento de todos os motores antes  do veículo deixar a plataforma de lançamento.

A ordem para o desenvolvimento em grande escala do Atlas surge em Janeiro de 1955, sendo designado WS107A-L (Weapons System 107A-L). Na Convair o projecto era designado Modelo-7, curiosamente o mesmo número que, na União Soviética, Korolev dava ao seu míssil. Em Setembro de 1955 o projecto de desenvolvimento do Atlas recebe a classificação de prioridade nacional quando os relatórios dos serviços secretos indicam que a União Soviética está adiantada no desenvolvimento da tecnologia dos mísseis balísticos intercontinentais. O projecto torna-se num dos programas mais complexos de desenvolvimento, produção e teste jamais levados a cabo nos Estados Unidos e em certa parte comparável ao Projecto Manhatan.

O primeiro teste do sistema de propulsão tem lugar a 21 Junho de 1956 na Base Aérea de Edwards e resulta num fracasso. Um novo teste realizado no dia seguinte, no qual o motor teve uma ignição de 4s, é coroado de sucesso. Os primeiros veículos de teste são terminados no final desse ano. O primeiro voo do Atlas-A (Atlas-A 4A) tem lugar a 11 de Junho de 1957 e o veículo é destruído devido a uma falha no sistema de abastecimento de combustível. Um segundo teste (Atlas-A 6A) tem lugar a 25 de Setembro de 1957 e o veículo é novamente destruído, desta vez aos três minutos de voo devido novamente a uma falha no sistema de abastecimento de combustível. O primeiro voo com sucesso do Atlas-A (Atlas-A 12A) ocorre a 17 de Dezembro de 1957 com o míssil a atingir o alvo localizado a 965 km.

O primeiro míssil operacional, o Atlas-D, constituiu a base do lançador das cápsulas tripuladas do Programa Mercury. Utilizando os estágios superiores Agena e Centaur, o Atlas tornou-se no lançador médio por excelência dos Estados Unidos sendo utilizado para lançar veículos para a órbita geossíncrona e sondas planetárias.

A família de lançadores Atlas-V oferece diferentes versões do mesmo veículo que podem ser utilizadas para colocar em órbita todo o tipo de cargas. O Atlas-V foi desenvolvido de forma a satisfazer as necessidades da USAF ao abrigo  do programa EELV (Evolved Expendable Lauch Vehicle) e da demanda internacional por parte da ILS (International Launch Services) para satisfazer os seus clientes comerciais e governamentais.

Tendo como base o denominado CCB (Common Core Booster), o Atlas-V divide-se em duas versões: o Atlas-V 400 e o Atlas-V 500. Estas versões podem ser facilmente distinguidas pela utilização da ogiva normal utilizada em anteriores Atlas e este será a versão 400. Por seu lado a versão 500 utiliza uma ogiva muito maior e com um diâmetro de 5,0 metros, sendo baseada na ogiva utilizada pelo lançador europeu Ariane-5. A versão Atlas-V 500 pode ainda incorporar até cinco propulsores laterais de combustível sólido, aumentado assim a sua capacidade de carga útil.

Tanto a versão 400 como a versão 500 utilizam como segundo estágio uma versão alongada do estágio Centaur (CIII). O CIII pode ser utilizado com somente um motor (Single-Engine Centaur) ou então com dois motores (Dual- Engine Centaur).

Na versão Atlas-V/N, utilizada com a Starliner, o lançador não está equipado com a sua carenagem de protecção, Em vez disso, as próprias superfícies protectoras da Starliner protegem o veículo durante o lançamento.

O Atlas-V pode ser lançado a partir do SLC-41 (Space Launch Complex-41) do Cape Canaveral Air Force Station ou então do SLC-3W (Space Launch Complex-3W) da Vandenberg Air Force Base.

De forma geral o Atlas-V é um lançador a dois estágios podendo ser auxiliado por um máximo de cinco propulsores sólidos acoplados ao primeiro estágio. Pode colocar 12.500 kg numa órbita terrestre baixa a 185 km de altitude ou então 5000 kg numa órbita de transferência para a órbita geossíncrona. Durante o lançamento é capaz de desenvolver 875.000 kgf, tendo um peso de 546.700 kg. O seu comprimento total é de 58,3 metros e o seu diâmetro base atinge os 5,4 metros.

O primeiro estágio do Atlas-V, o CCB, tem um comprimento de 32,5 metros e um diâmetro de 3,8 metros, tendo um peso bruto de 306.914 kg e um peso sem combustível de 22.461 kg. No lançamento desenvolve uma força de 423.286 kgf, tendo um Ies de 338 s e um Ies-nm de 311 s, o seu Tq é de 253 s. O CCB está equipado com um motor RD-180 de fabrico russo que consome oxigénio líquido (LOX) e querosene. O RD-180 tem duas câmaras de combustão, tendo um comprimento de 3,6 metros e um diâmetro de 3,0 metros, tendo um peso de 5.393 kg. No lançamento desenvolve uma força de 423.050 kgf, tendo um Ies de 338 s e um Ies-nm de 311 s, o seu Tq é de 150 s.

O RD-180 é o único motor que tem a capacidade de aumentar e diminuir a sua potência durante o voo e que é utilizado em lançadores americanos (não tendo em conta o SSME utilizado nos vaivéns espaciais). Durante o primeiro voo do Atlas-3 (no qual o RD-180 também foi utilizado), o motor utilizou somente 74% do máximo de 423.286 kgf que pode desenvolver na fase inicial do lançamento e nos três minutos seguintes aumentou a potência até 92% do total, voltou a diminuir para 65% e a aumentar para 87%. Assim, a capacidade de aumentar e diminuir a potência do motor significa uma viagem mais suave tanto para o foguetão como para a carga que transporta, permitindo também uma utilização mais eficiente do combustível. O RD-150 foi certificado para a utilização no Atlas-V através de uma série intensiva de testes levados a cabo pela NPO Energomash, Khimky, e sob a direcção da Lockheed Martin.

Podendo usar até cinco propulsores laterais de combustível sólido, pesando cada um 40.824 kg e tendo um comprimento de 17,7 metros e um diâmetro de 1,6 metros. Desenvolvidos pela Aerojet, cada propulsor desenvolve no lançamento uma força de 130.000 lgf, tendo um Ies de 275 s e um Ies-nm de 245 s e um Tq de 94 s.

O segundo estágio do Atlas-V, Centaur V1, tem um comprimento de 12,7 metros e um diâmetro de 3,1 metros, tendo um peso bruto de 22825 kg e um peso sem combustível de 2.026 kg. Desenvolve uma força de 10.115 kgf, tendo um Ies de 451 s e um Tq de 894 s. O Centaur V1 está equipado com um motor RL-10A-4-2 fabricado pela Pratt & Whitney, consumindo LOX e LH2. O RL-10A-4-2 tem uma câmara de combustão, tendo um peso de 167 kg. No lançamento desenvolve uma força de 10.110 lgf, tendo um Ies de 451 s e um Tq de 740 s.

A designação que é dada a cada versão do lançador é composta por uma numeração em três dígitos. O primeiro dígito indica o diâmetro da ogiva utilizada pelo lançador (em metros). Assim, por exemplo quando temo um veículo Atlas-V/400, significa que estamos na presença de uma ogiva com 4 metros de diâmetro. O segundo dígito indica o número de propulsores sólidos utilizados no lançador e pode variar entre 0 (zero) e 5 (de salientar que a versão Atlas-V/400 não usa propulsores laterais de combustível sólido e por isso só veremos este número na versão Atlas-V/500). Finalmente, o terceiro dígito indica o número de motores presentes no estágio Centaur e que pode variar entre 1 ou 2 motores.

A construção do SLC-41 foi iniciada em Abril de 1965 e terminada nesse mesmo ano. Foram necessários mais de 6,5 milhões de metros cúbicos de terra provenientes do Rio Banana, para se fazerem as fundações do complexo, composto por uma torre de serviço móvel MST (Mobile Service Tower) e por uma torre umbilical UT (Umbilical Tower) que faziam parte das instalações de lançamento dos foguetões Titan. A MST tinha uma altura de 80,7 metros e pesava mais de 2.268 t. Por seu lado a UT atingia os 53,3 metros de altura e pesava 907,2 t.

A USAF aceitou o complexo a 12 de Dezembro de 1965 e utilizou-o pela primeira vez no dia 21 de Dezembro de 1965 para lançar um foguetão Titan-IIIC . Nos anos seguintes o complexo e a plataforma foram utilizados como ponto de partida para várias missões históricas como a Voyager-1, Voyager-2, Viking-1 e a Mars Pathfinder.

Em 1986 o complexo sofreu uma renovação para albergar o lançamento dos foguetões Titan-IV. O primeiro lançamento desta nova versão do Titan deu-se a 14 de Junho de 1989  e o último a 9 de Abril de 1999 .

De forma a compreender a natureza do SLC-41 ajudará visualizando o tamanho do foguetão Titan-IV. Atingindo mais de 34 metros de altura, 10 metros de diâmetro, pesando mais de 861,8 t e gerando mais de 635 t de força no lançamento, o Titan-IV equipado com um estágio superior Centaur era capaz de colocar uma carga de 5,4 t numa órbita geossíncrona. Cargas ainda mais pesadas poderiam ser colocadas em órbitas mais baixas ou em órbitas polares.

TDRS-L_2014-01-23_18-21-51A evolução da tecnologia levou a que o Titan-IV fosse considerado obsoleto, tendo a USAF contratado a Lockheed Martin para desenvolver um novo sistema de lançamento que é agora o Atlas-V. Os engenheiros da Lockheed foram encarregues de desenvolver não só o novo lançador, mas também as instalações de lançamento do novo veículo. Assim, o SLC-41 teve de sofrer uma transformação para albergar o seu novo vector de lançamento. A primeira fase da transformação do complexo passou pela remoção das velhas torres para que as novas torres pudessem ser construídas. A empresa Olshan Demolishing Management foi contratada par desmantelar e demolir o velho complexo. O plano inicial previa que as torres fossem desmontadas peça por peça, porém devido ao facto que o calendário dos trabalhos foi progressivamente atrasado devido às investigações relacionadas com acidentes com o Titan-IV, a Olshan optou por contratar a empresa Dykon, Inc., para demolir as torres utilizando explosivos. Nesta fase colocava-se o receio das explosões danificarem de qualquer de uma maneira ou de outra o Complexo de Lançamento 39 utilizado pelos vaivéns espaciais, pois estas estruturas localizam-se muito perto do SLC-41.

Depois de serem asseguradas todas as medidas de segurança, a USAF deu luz verde para a demolição das torres que veio a acontecer a 14 de Outubro de 1999. Depois  das torres serem abatidas, a Olshan iniciou um processo de reciclagem. Durou mais de oito semanas para cortar a torre em pedaços que pudessem ser manejáveis e posteriormente transportados para um edifício situado em Port Canaveral, onde foram recicladas.

Actualmente o SLC-41 é um dos mais sofisticados existentes no planeta e representa a maior alteração na filosofia da indústria de foguetões dos Estados Unidos nos últimos anos. O SLC-41 foi transformado na primeira “clean pad” a ser utilizada pelos americanos. Este conceito passa por montar o foguetão num edifício de montagem em vez de se montar o lançador por estágios na própria plataforma de lançamento como se fazia desde os primórdios do programa espacial americano. Sendo montado no edifício de montagem, o lançador é posteriormente transportado para a plataforma de lançamento algumas horas antes da ignição. A “clean pad” significa também que a utilização de grandes torres de serviço na plataforma de lançamento deixam de ser necessárias. Da mesma forma, o espaço de tempo gasto na preparação dos lançadores fica mais reduzido e deixam de existir problemas relacionados com as convencionais plataformas de lançamento que podem atrasar o início de uma missão por vários meses.

O centro nevrálgico do SLC-41 é o denominado Atlas-V Spaceflight Operations Center (ASOC), combinando num só lugar o que anteriormente estava espalhado por diversos locais. O edifício onde está localizado o ASOC era anteriormente utilizado para processar os propulsores laterais de combustível sólido utilizados pelo Titan-IV, sendo completamente reformulado e expandido pela Lockheed. Situado a 6,6 km da plataforma de lançamento, é neste edifício multiusos para onde o estágio Atlas-V e o estágio superior Centaur são transportados logo após a chagada ao Cabo Canaveral e vindos das oficinas em Denver, Colorado. Aí, os técnicos da Lockheed podem realizar vários testes nos estágios e depois armazená-los temporariamente até ser altura de serem transportados para o edifício de montagem para serem preparados para o lançamento. No interior do ASOC também está situado o centro de controlo de lançamento que alberga os técnicos oficiais da missão, as equipas de engenheiros da Lockheed, clientes e os técnicos que controlam a contagem decrescente.

O centro de controlo possui doze consolas de controlo no primeiro andar destinadas à equipa que dirige o lançamento. Entre estas consolas encontra-se a posição do Director de Lançamento, do Assistente do Director do Lançamento, as posições de controlo e monitorização dos propolentes do Atlas e do Centaur, a posição do controlo de voo e de sistemas eléctricos do lançador, a posição de controlo do software no solo, a posição de controlo das instalações eléctricas, posição de controlo ambiental, de segurança e do monitor que controla os limites de emergência que podem ser atingidos. Ainda no primeiro andar do edifício existem duas salas, situadas à direita  da equipa que controla o lançamento, onde está localizada a rede de informática do computador principal e uma estação de controlo operacional por satélite.

No segundo andar do edifício existem três salas que albergam a equipa de engenheiros responsáveis pelo lançador, a equipa que controla a carga transportada e a equipa principal de directores do lançamento. É nesta sala que se toma a decisão final de lançar ou não lançar o Atlas-V. Ainda neste piso existem duas salas com lugares sentados e pontos de observação para engenheiros e clientes observarem o decorrer da contagem decrescente e do lançamento.
A parede frontal da sala do centro de controlo está equipada com vários relógios, mostradores da contagem regressiva, emblemas e um ecrã de vídeo que mostra várias imagens da plataforma de lançamento recolhidas de diferentes ângulos, além de vários gráficos de diferentes dados.

Sendo controlados a partir do ASOC, o Atlas-V é montado no interior do VIF (Vertical Integration Facility). Este edifício, que começou a ser construído em Janeiro de 1999, tem uma altura máxima de 90 metros e está localizado a 550 metros da plataforma de lançamento. No seu interior está situado um guindaste de 60 t com uma capacidade de levantar os diferentes segmentos do Atlas-V e colocá-los na plataforma móvel de lançamento. Após a verificação dos diferentes estágios no ASOC, estes são transportados na horizontal para o VIF. O CCB segue em primeiro lugar, seguido pela secção cilíndrica que compõe o inter-estágio e do estágio Centaur. A última peça deste lego é a secção “boat-tail”. As missões futuras serão também aqui colocados os propulsores laterais de combustível sólido.

Após a montagem, o lançador passa por mais uma série de testes antes da carga a transportar ser entregue no VIF para montagem. O satélite é processado e abastecido do seu combustível de manobra num local separado do VIF e que tanto pode ser as instalações comerciais da Astrotech localizadas em Titusville, a 35 km de distância, ou então num edifício governamental caso se tratem de cargas militares ou da NASA. Após o processamento o satélite é colocado no interior de um contentor de segurança e protecção antes de deixar o e edifício de processamento e de iniciar a sua viagem até ao SLC-41. No SLC-41 é levantado até ao nível superior do estágio Centaur e colocado no seu topo. Segue-se um teste IST (Integration Systems Test) entre o foguetão lançador e a sua carga para confirmar uma boa ligação entre os dois e que ambos estão prontos para o lançamento. Segue-se o transporte até à plataforma de lançamento.

O VIF foi construído de forma a suportar ventos de furacão até uma velocidade de 225 km/h. Possui várias plataformas móveis que possibilitam o acesso às diferentes zonas do foguetão e está equipado com uma porta reforçada com uma largura de 12,5 metros e uma altura de 84 metros que se recolhe na vertical, permitindo o transporte dos vários estágios do Atlas-V para o interior do edifício e a posterior saída do lançador para a plataforma de lançamento. Na construção do VIF foram utilizados 200 camiões de cimento (que equivaleram a 1.376 m3 de cimento) para a construção das suas fundações e 3.250 t de aço para a construção das suas paredes.

Dados estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 5918

– Lançamento orbital EUA: 1682 (28,42%)

– Lançamento orbital desde Cabo Canaveral AFS: 769 (12,99% – 45,72%)

Os quadro seguinte mostra os lançamentos previstos e realizados em 2020 por polígono de lançamento.

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC):

5918 – 12 Fev (XXXX:XX) – GSLV MkII F10 – Satish Dawan SHAR, SLP – GISAT-1

5919 – 13 Fev (2106:XX) – Antares-230+ – MARS Wallops Isl., LP-0A – Cygnus NG-13 (CRS-13) “SS Robert H. Lawrence”

5920 – 15 Fev (1546:XX) – Falcon 9-081 – Cabo Canaveral AFS, SLC-41 – Starlink v1.0 (x60) F4

5921 – 18 Fev (2214:07) – Ariane-5ECA (L5111/VA252) – CSG Kouoru, ELA3 – JCSat-17, GEO-KOMPSAT-2B

5922 – 20 Fev (????:??) – Soyuz-ST-A/Fregat-M (VS24) – CSG Kouoru (Sinnamary), ZLS – Falcon Eye-2

%d blogueiros gostam disto: