Rússia lança novos satélites de detecção remota

O lançamento do foguetão 14A14-1A Soyuz-2.1a/Fregat-M (Ya15000-003/122-06) com os satélites Kanopus-V n.º 5 (Канопус-В №5) e Kanopus-V n.º 6 (Канопус-В №6), juntamente com outros 26 pequenos satélites, teve lugar às 0207UTC do dia 27 de Dezembro de 2018 a partir do Complexo de Lançamento LC-1S do Cosmódromo de Vostochniy.

Juntamente com a carga principal seguiram os satélites GRUS, Flock-k (1) a Flock-k (12), Lemur-2 (88) a Lemur-2 (95), UWE-4, ZACUBE 2 (ZA 004), LUME-1, D-Star ONE iSat e D-Star ONE Sparrow.

Todas as fases do lançamento decorreram como previsto com o lançador a abandonar a plataforma de lançamento às 0207:18UTC. A separação do primeiro estágio ocorre ás 0209:19UTC, seguindo-se a separação das duas metades da carenagem de protecção às 0211:01UTC. A separação do segundo estágio ocorre às 0216:07UTC, com o estágio Fregat-M a entrar numa trajectória balística antes de iniciar a sua primeira queima.

A primeira queima do estágio Fregat-M decorre entre as 0216:12UTC e as 0217:07UTC. A sua segunda queima decorre entre as 0303:10UTC e as 0304:35UTC. Esta segunda queima coloca o conjunto na órbita na qual se dará a separação dos satélites Kanopus-V n.º 5 e Kanopus-V n.º 6, que ocorre entre entre as 0306:15UTC e as 0312:05UTC.

A terceira queima do estágio Fregat-M ocorre entre as 0343:58UTC e as 0345:05UTC, enquanto que a quarta queima decorre entre as 0426:28UTC e as 0427:34UTC. Nesta altura o conjunto encontra-se na órbita na qual se dá a separação das cargas secundárias. A separação sequencial dos quatro satélites S-Net ocorre entre as 0433:02UTC e as 0433:32UTC. Por sua vez, os quatro satélites Lemur-2 e o satélite D-Star ONE v.1.1 Phoenix separam-se entre as 0437:12UTC e as 0450:32UTC.

O estágio Fregat-M ainda leva a cabo duas novas queimas entre as 0518:08UTC e as 0609:48UTC, realizando uma última queima entre as 0658:58UTC e as 0700:46UTC para iniciar a sua remoção orbital, ocorrendo a sua reentrada por volta das 0734:44UTC sobre o Oceano Pacífico.

Os satélites Kanopus-Vulkan-5 (Канопус-В №5) e Kanopus-Vulkan-6 (Канопус-В №6) são dois veículos de detecção remota que serão utilizado pelo ministério russo para a Defesa Civil, pelo departamento de Emergências e Eliminação de Consequências de Desastres Naturais, pelo Ministério dos Recursos Naturais da Federação Russa, pelos Serviços Federais de Hidrometeorologia e Monitorização Ambiental e pela Academia de Ciências da Rússia.

Os principais objectivos dos satélites, tal como os seus antecessor Kanopus-Vulkan-1 (Канопус-В №1) lançado a 22 de Julho de 2012, são a monitorização de emergências naturais e originadas pelo homem, incluindo fenómenos meteorológicos naturais; mapeamento; detecção de bolsas de fogos florestais e emissões de poluentes no ambiente; registo de fenómenos anormais para a previsão de terramotos; monitorização da agricultura, clima e recursos costeiros; e utilização do solo.

Os satélites são construídos pela NPO VNII Elektromekhaniki que subcontratou o desenvolvimento dos sistemas aviónicos à SSTL. Os satélites deverão operar durante cinco anos e estão equipados com dois painéis solares que fornecem energia que é armazenada em baterias. As suas massas no lançamento são de 490 kg.


A bordo dos satélites encontram-se três instrumentos, nomeadamente o PSS (um sistema de observação pancromático), o MSS (um sistema de observação multiespectral) e o MSU-200 (uma unidade de rastreio multiespectral). O PSS é um instrumento que deverá fornecer imagens pancromáticas para monitorização ambiental, agricultura e florestação. Fornece imagens de alta resolução de 2,5 metros com uma largura de 20 km. O instrumento funciona num leque espectral entre 0,5 e 0,8 µm. O MSS irá fornecer imagens multiespectrais do solo e das superfícies costeiras, além da cobertura de gelo. Proporciona uma resolução espectral de 12 metros com uma largura de 20 km, funcionando em quatro bandas espectrais: 0,5 a 0,6 µm / 0,6 a 0,7 µm / 0,7 a 0,8 µm / 0,8 a 0,9 µm. O instrumento MSU-200 irá fornecer imagens do solo, das superfícies costeiras e da cobertura de gelo. A sua resolução espacial é de 25 metros com uma largura de 250 km. O instrumento funciona num leque espectral entre 0,54 e 0,86 µm.

Os satélites GRUS constituem uma constelação de três micro-satélites de observação terrestre de 80 kg desenvolvidos pela Axelspace. Estão equipados com telescópios ópticos de alto desempenho, que permitem a obtenção de imagens com resolução de 2,5 m no solo e mais de 50 km de faixa de largura.

O GRUS pode obter imagens pancromáticas (com sensibilidade em todas as bandas do visível ao infravermelho próximo e normalmente expressas em formato de escala de cinza) e imagens multi-espectrais (tendo sensibilidade apenas numa banda específica; azul, verde, vermelho, vermelho e infravermelho próximo respectivamente). A resolução do solo é de 2,5 m para imagens pancromáticas e 5,0 m para imagens multi-espectrais.

Os satélites GRUS são equipados com telescópios de alto desempenho com sensores de imagem de última geração e a faixa de sua imagem estende-se por mais de 50 km para obter cobertura eficiente de todo o globo. Ao lançar vários satélites GRUS, é possível actualizar todas as informações ao redor do planeta todos os dias e aplicar esses dados a vários sectores, incluindo agricultura, silvicultura, pesca, mapeamento, GIS e monitorização de desastres.

Os três satélites GRUS de primeira geração estavam previstos para serem lançados em 2018, com mais satélites planeados a seguir para formar a constelação AxelGlobe. Os satélites foram inicialmente previstos para serem lançados com os satélites de detecção remota Kanopus-V n.º 3 e Kanopus-V n.º 4 a 1 de Fevereiro de 2018, mas foram substituídos por modelos de massa no lançamento. Os satélites GRUS-2 e GRUS-3 serão lançados em 2020.

A constelação de satélites de observação terrestre Flock, é construida e operada pela Planet Labs (antigamente conhecida por Comosgia Inc.).

A maioria dos satélites desta constelação contem um sistema de imagens RGB padrão. Todos os satélites da Planet Labs possuem um telescópio e uma camera CCD de quadro equipada com filtro Bayer-mask. O sensor CCD converte os fotões filtrados em electrões, que são então amplificados para produzir um número digital correspondente a cada pixel em cada banda. A Planet Labs produziu três gerações de instrumentos ópticos: Planet Scope 0 (PS0), Planet Scope 1 (PS1) e Planet Scope 2 (PS2). As imagens têm atributos diferentes dependendo da altitude do satélite e do tipo de instrumento.

PS0 possui um sistema óptico de 2 elementos Maksutov Cassegrain emparelhado com um detector CCD de 11MP. Esses elementos ópticos são montados em relação à estrutura do satélite. O PS1 possui o mesmo sistema óptico do PS0, alinhado e montado num telescópio isolado de fibra de carbono / titânio. Este telescópio é combinado com um detector CCD de 11MP. O PS2 possui um sistema óptico de cinco elementos que oferece um campo de visão mais amplo e uma qualidade de imagem superior. Este sistema óptico é emparelhado com um detector CCD de 29MP.

Os satélites fornecem imagens com uma resolução de 3 a 5 metros e operam numa órbita de vida relativamente curta, de 400 km com uma inclinação de 52°. São baseados no modelo CubeSat-3U e têm uma massa de 5 kg.

Nesta missão foram colocados em órbita os satélites Flock-3k (1) a Flock-3k (12).

Desenvolvidos pela Spire, os satélites Lemur-2 são satélites de observação da Terra a nível meteorológico e de monitorização de tráfego. São baseados na plataforma CubeSat-3U e têm uma massa de 4 kg. A bordo transportam uma carga de ocultação de sinal de GPS (STRATOS) e uma carga AIS (SENSE). Neste lançamento foram colocados em órbita os satélites Lemur-2 (88) a Lemur-2 (95).

O satélite Bayerische Julius-Maximilians-Universität Würzburg UWE-4 (University of Würzburg Experimental) irá demonstrará a aplicação de propulsão eléctrica para controlo de atitude e órbita na classe de satélites CubeSat-1U, empregando os propulsores NanoFEEP (Nano Effect Effect Electric Propulsion) desenvolvidos pela TU (Universidade Técnica) Dresden – Alemanha.

Os satélites D-Star ONE iSat e D-Star ONE Sparrow fazem parte de uma futura rede de comunicações. São CubeSat-3U com uma massa de 4 kg, projectados e construídos pela German Orbital Systems GmbH. Os satélites estão equipados com dois módulos de comunicações D-Star que serão inteiramente dedicados para a utilização pela comunidade de rádio-amadores.

Um satélite semelhante foi perdido a 28 de Novembro de 2017 juntamente com o satélite meteorológico Russo Meteor-M (2-1) lançado a partir do Cosmódromo de Vostochniy devido a um erro de programação do estágio superior Fregat-M.

 

 

 

O CubeSat-3U ZACube-2 (ZA 004) da África do Sul é a segunda missão da série F’SATI. Foi desenvolvido no Instituto Francês de Tecnologia da África do Sul (French South African Institute of Technology – F’Sac), do CPUT (Cape Peninsula University of Technology), Cidade do Cabo, África do Sul.

O satélite servirá como demonstrador de tecnologia para subsistemas essenciais e formará a base sobre a qual uma inovadora plataforma de Software Defined Radio (SDR) será desenvolvida como principal carga útil. O satélite tem uma massa de 4 kg.

O SDR é altamente flexível para atender a uma ampla gama de necessidades de comunicação e será um banco de testes para validar a detecção de embarcações. Além disso, o satélite conta com um sistema de observação de resolução média como carga secundária para demonstrar a viabilidade de futuras aplicações de detecção remota, como monitorização de cores oceânicas e rastreamento de incêndios em grande escala.

A missão aumentará ainda mais a expertise central da CPUT e seus parceiros de tecnologia e validará as inovações tecnológicas resultantes dela. O ZACube-2 será um banco de testes para carga útil de navios e será usado para validar o caso de uso de nanossatélites na detecção de vasos oceânicos por meio do protocolo do Sistema Automático de Identificação AIS (Automatic Identification System).

O lançamento foi originalmente previsto para ter lugar em 2018 a bordo de uma missão PSLV-V, mas foi posteriormente transferido para um Falcon-9, sendo novamente transferido para a actual missão.

O Lume-1 é um CubeSat-2U com uma massa de 2 kg desenvolvido para o projecto FIRE-RS conjuntamente pela Universidade de Vigo, pelo Centro Nacional da Investigação Científica e pela Universidade do Porto, para auxiliar o combate aos incêndios florestais.

O objetivo do sistema FIRE-RS é fornecer o satélite Lume-1 para receber alertas de incêndios florestais de sensores terrestres. O satélite transmite esses alertas para um segmento de terra, que envia os UAV direccionados para a posição do incêndio. O UAV poderá então carregar seus dados para o satélite Lume-1 para retransmiti-lo à estação terrestre.

A carga útil do Lume-1 é composta pelo transmissor de rádio TOTEM UHF M2M definido por software, pelo transmissor S-Band e pela HUMP Humsat System Payload, que também é um receptor UHF M2M.

 

O foguetão 14A14 Soyuz-2

O foguetão 14A14 Soyuz-2 (14A14-1A Союз-2.1А) representa a mais recente evolução do épico míssil balístico intercontinental R-7 desenvolvido por Sergei Korolev nos anos 50 do século passado. O novo lançador apresenta motores melhorados, modernosSoyuz-2_2014-03-23_14-08-06 sistemas aviónicos digitais e uma reduzida participação de componentes de fabrico não russo.

O lançador é também conhecido pela designação Soyuz-ST (quando lançado desde o CSG Kourou) e foi especialmente desenhado para uma utilização comercial aumentando a sua performance geral apesar de o desenho básico do veículo permanecer o mesmo. As alterações foram realizadas ao nível de uma melhoria da performance dos motores do primeiro e do segundo estágio com novos injectores e alteração da mistura dos propolentes; aumento na performance do terceiro estágio; introdução de um novo sistema de controlo permitindo uma alteração do plano orbital já durante o voo ; introdução de um novo sistema de telemetria digital para a monitorização do lançador e a introdução de uma nova ogiva de protecção de carga com um diâmetro de 3,6 metros.

O foguetão 14A14 Soyuz-2 pode ser equipado com um quarto estágio, nomeadamente o estágio Fregat, utilizando as carenagens de protecção do tipo ST e SF.

Este lançador é capaz de colocar uma carga de 7.800 kg numa órbita terrestre a 240 km de altitude com uma inclinação de 51,80º. No lançamento desenvolve uma força de 4.144.700 kN. A sua massa total é de 310.000 kg, o seu diâmetro no estágio principal é de 2,95 metros e o seu comprimento total é de 43,40 metros.

O primeiro estágio do 14A14 Soyuz-2 é composto pelos quatro propulsores laterais (Blok B, V, G e D) com uma massa bruta de 44.400 kg, tendo uma massa de 3.810 kg sem combustível. Cada propulsor tem um motor RD-107A (14D22) que desenvolve uma força de 1.021.097 kN (vácuo), com um Ies 310 s e um Tq de 120 s. Têm um comprimento de 19,60 metros, um diâmetro de 2,69 metros e consomem LOX e querosene.

O segundo estágio (Blok-A) tem um comprimento de 27,80 metros, um diâmetro de 2,95 metros, um peso bruto de 105400 kg e um peso sem combustível de 6.975 kg. Está equipado com um motor RD-108A que no lançamento desenvolve 999.601 kgf (vácuo), com um Ies de 311 s e um Tq de 286 s. Consome LOX e querosene.

O terceiro estágio (Blok-I) tem um comprimento de 6,74 metros, um diâmetro de 2,66 metros, um peso bruto de 25.200 kg e um peso sem combustível de 2.355 kg. Está equipado com um motor RD-0110 que no lançamento desenvolve 294.000 kgf (vácuo), com um Ies de 359 s e um Tq de 300 s. Consome LOX e querosene.

As modificações introduzidas no novo lançador foram sendo testadas em duas versões do mesmo veículo o 14A14-1A Soyuz-2-1A e o 14A14-1B Soyuz-2-1B. Este último veículo é um lançador a três estágios no qual o motor RD-0124 é já empregado no último estágio.

Soyuz-2-1a 1

Com dimensões semelhantes ao motor RD-0110 utilizado nas versões anteriores dos lançadores Soyuz, o motor RD-0124 apresenta como principal diferença a introdução de um sistema de ciclo fechado no qual o gás do oxidante que é utilizado para propulsionar as bombas do motor é então direccionado para a câmara de combustão onde é queimado com restante propolente em vez de ser descartado. Esta melhoria no motor aumenta a performance do sistema e, como consequência, aumenta a capacidade de carga do lançador em 950 kg. Um propolente especial de ignição é utilizado para activar a combustão do motor e são utilizados dispositivos pirotécnicos para controlar o funcionamento do motor. Cada uma das quatro câmaras de combustão pode ser movimentada ao longo de eixos para manobrar o veículo.


Em 1996 tiveram início os testes do motor RD-0124 e foram finalizados em Fevereiro de 2004 nas instalações da Khimavtomatika em Voronezh. Nesta altura previa-se que a produção em série do novo motor teria início em 2005. A 27 de Dezembro de 2005 teve lugar outro teste do motor, abrindo caminho para os ensaios em grupo de todo o terceiro estágio do lançador 14A14-B Soyuz-2-1B nas instalações da NIIKhimMash em Sergiev Posad.

No início de 2005 a Arianespace anunciava que a primeira missão de teste do foguetão 14A14-1B Soyuz-2-1B teria lugar desde o Cosmódromo GIK-5 Baikonur para colocar em órbita o satélite astronómico CoRoT. Este lançamento dependeria dos resultados de novos ensaios do motor RD-0124 que tiveram lugar em Março e Abril de 2006. Um último teste teve lugar a 20 de Outubro de 2006 e o satélite CoRoT acabaria por ser lançado a 21 de Dezembro desse ano.

Dados estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 5803

– Lançamento orbital Rússia: 3234 (55,73%)

– Lançamento orbital desde Vostochniy: 4 (0,12%)

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC):

29 Dez (????:??) – CZ-2D Chang Zheng-2D/YZ-3 – Jiuquan, LC43/94 – Hongyan-1

30 Dez (????:??) – Delta IV-Heavy (D381) – Vandenberg AFB, SLC-6 – NROL-71 (KH-11 17)

?? Dez (????:??) – CZ-4B Chang Zheng-4B – Taiyuan, LC9 – ZY-2D Ziyuan-2D, Tianyi MV-1, BNU-1

07 Jan (1553:00) – Falcon-9 (B1049.2) – Vandenberg AFB, SLC-4E – Iridium-NEXT (167), Iridium-NEXT (168), Iridium-NEXT (169), Iridium-NEXT (170), Iridium-NEXT (171), Iridium-NEXT (172), Iridium-NEXT (173), Iridium-NEXT (175), Iridium-NEXT (176), Iridium-NEXT (180)

17 Jan (0050:20) – Epsilon-2CLPS (ε-4) – Uchinoura (Kagoshima), M – RAPIS-1, Hodoyoshi-2 (RISESAT), ALE-1, MicroDragon, OrigamiSat-1, Aoba VELOX-IV, NEXUS

 

%d blogueiros gostam disto: