RocketLab lança missão para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e da Austrália

A RocketLab realizou com sucesso o lançamento da missão NROL-199, uma missão militar para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

O lançamento teve lugar às 0500UTC do dia 4 de Agosto de 2022 sendo realizado pelo foguetão Electron/Curie (F29) a partir da Plataforma de Lançamento B do Complexo de Lançamento LC-1 de Máhia (Onenui), Nova Zelândia. A missão foi designada “Antipodean Adventure”, foi a quarta missão no âmbito do seu programa ‘Responsive Space Program‘ que permite um acesso rápido ao espaço. Este programa pode permitir o rápido lançamento (num espaço de 24 horas) tanto de missões comerciais como missões governamentais.

O lançamento estava inicialmente previsto para ocorrer em Julho, sendo adiado devido a problemas técnicos. Uma tentativa de lançamento a 2 de Agosto foi adiada devido à ocorrência de ventos fortes em altitude.

A NROL-199 foi a segunda de duas missões para o National Reconnaissance Office (NRO) em parceria com o Departamento de Defesa da Austrália (AUS DoD), depois da missão NROL-162 lança a 13 de Julho de 2022. Estas duas missões gémeas são uma demonstração do lançamento responsivo de segurança nacional para os Estados Unidos – uma capacidade crítica que se tornará o cunho das futuras operações espaciais.

Não foram divulgadas as características do satélite a bordo da missão RASR-4.

Lançamento

Com o encerramento das vias de acesso ao local de lançamento a ocorrer a T-6h, o foguetão Electron era colocado na sua posição vertical a T-4h e iniciava-se o processo de abastecimento de querosene. O pessoal de apoio na plataforma de lançamento deixava a área a T-2h 30m e o abastecimento de oxigénio líquido (LOX) iniciava-se a T-2h.

As autoridades de aviação locais eram informadas sobre o lançamento a T-30m para assim poderem avisar os aviadores naquele espaço aéreo. Os preparativos finais para o lançamento iniciam-se a T-18m. A sequência automática de lançamento inicia-se a T-2m, com o computador de bordo do Electron a tomar conta das operações. A ignição dos motores do lançador inicia-se a T-2s.

O foguetão abandona a plataforma de lançamento a T=0s, com uma ascensão lenta nas fases iniciais e ganhando velocidade à medida que ganha altitude. O final da queima do primeiro estágio termina a T+2m 27s e a sua separação ocorre três segundos mais tarde. A ignição do motor Rutherford do segundo estágio ocorre a T+2m 33s e a separação da carenagem de protecção ocorre a T+3m 4s. A T+6m 44s ocorre a troca de baterias eléctricas que dão o impulso eléctrico necessário a ignição do motor Rutherford Vacuum.

O segundo estágio atinge a órbita terrestre a T+9m 17s. A separação entre o segundo estágio e o estágio Curie ocorre e T+9m 25s, com a ignição do seu motor a ocorrer a cerca de T+1h. Terminada a ignição do estágio Curie a separação da carga da missão NROL-199 ocorre pouco depois.

O foguetão Electron

O Electron é um lançador a três estágios com um comprimento de 18 metros e um diâmetro de 1,2 metros. Tem uma massa de 13.000 kg no lançamento e é capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 200 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico (fibra de carbono compósito e estrutura monocoque), o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.

O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e super leve. Da mesma forma, os tanques de propelente são fabricados em materiais compósitos.

O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford e tem uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 311 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.

O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, sendo especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alto desempenho que reduzem a sua massa, substituindo assim hardware por software. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alto desempenho alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.

O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para um excelente desempenho em condições de vácuo. Consegue desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 343 s.

A sua carenagem tem um comprimento de 2,5 metros com um sistema de separação pneumático e por molas.

Lançamento Missão Veículo Lançador Data de Lançamento Hora

(UTC)

Carga
2021-F02 F20 Running Out of Toes 15/Mai/21 11:11 BlackSky-8 (BlackSky Global 10)

BlackSky-9 (BlackSky Global 11)

2021-068 F21 It’s A Little Chile Up Here 29/Jul/21 06:00 STP-27RM: Monolith
2021-106 F22 Love At First Insight 18/Nov/21 01:38:13 BlackSky-10 (BlackSky Global 12)

BlackSky-11 (BlackSky Global 13)

2021-120 F23 A Data With Destiny 09/Dez/21 00:02 BlackSky-14 (BlackSky Global 16)

BlackSky-15 (BlackSky Global 17)

2022-020 F24 The Owl’s Night Continues 28/Fev/22 20:37 StriX-β
2022-034 F25 Without Mission A Beat 02/Abr/22 12:41 BlackSky-16 (BlackSky Global 18)

BlackSky-17 (BlackSky Global 19)

2022-044 F26 There and Back Again 02/Mai/22 22:49:52 AuroraSat-1

Unicorn-2

TRSI-2

TRSI-3

MyRadar-1

E-Space 1

E-Space 2

E-Space 3

BRO-6

Copia

SpaceBEE (vários)

2022-070 F27 CAPSTONE 28/Jun/22 09:55:52 CAPSTONE

‘Lunar Photon’

2022-079 F28 Wise One Looks Ahead 13/Jul/22 06:30 NROL-162 (RASR-3)
2022-091 F29 Antipodean Adventure 04/Ago/22 05:00 NROL-199 (RASR-4)

O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia, entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo a nível mundial operado de forma privada.

Equipado com duas plataformas de lançamento, a localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor-chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.



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