O quase desastre da Chang’e-4

Um livro recentemente publicado revela que a sonda lunar Chang’e-4 passou por problemas sérios a caminho do lado oculto da Lua, estando a sua missão em risco de ser perdida.

A Chang’e-4 alunou na superfície do nosso satélite natural às 0226UTC do dia 3 de Janeiro de 2019, tendo a alunagem ocorrido na cratera de Von Kármán, situada na bacia Pólo Sul-Aitken. Este foi um feito sem precedentes na história da exploração da Lua, sendo a primeira vez que uma sonda aluna no lado que nos é oculto do nosso satélite natural, pois todas as anteriores missões que exploraram a superfície lunar foram levadas a cabo no lado visível a partir da Terra.

Na manhã do dia 30 de Dezembro, a Chang’e-4 entrava na órbita a partir da qual iniciou a sua descida. A manobra foi realizada às 0055UTC e a sonda ficou colocada numa órbita com um perigeu a 15 km de altitude e apogeu a cerca de 100 km de altitude.

Desde que a Chang’e-4 entrou na órbita lunar a 12 de Dezembro, o centro de controlo da missão em Pequim refinou a órbita da sonda duas vezes e testou as comunicações entre a sonda e o satélite de retransmissão Queqiao que opera numa órbita de halo em torno do segundo ponto Lagrange (L2) do sistema Terra-Lua.

A missão é composta por dois elementos distintos: o veículo de descida e o veículo de exploração robótica (rover). O módulo de aterragem estava equipado com um gerador termoeléctrico radioisótopo (RTG) para alimentar as operações lunares durante a missão de três meses. A energia será usada para alimentar a carga científica de sete instrumentos e câmaras. O veículo lunar que explora a superfície lunar está equipado com um painel solar para alimentar o veículo durante o dia lunar numa missão de três meses. Com 1,5 m de altura, o rover tem uma capacidade de carga de 20 kg, e é capaz de transmitir vídeo em tempo real, sendo também capaz de escavar e realizar análises simples de amostras de solo.

A sonda está equipada com uma importante carga científica, um espectrómetro de rádio de baixa frequência, especialmente projectado para o outro lado da lua.

O quase desastre da Chang’e-4

Uma recente publicação Chinesa sobre o programa de exploração lunar não tripulado confirmou que existiu um problema sério na Chang’e-4 entre o seu lançamento e a sua descida na superfície lunar.

O problema esteve relacionado com um dos dois tanques de combustível que sofreu uma fuga sete horas após o lançamento a 7 de Dezembro de 2018. A preocupação dos controladores da missão não estava somente relacionada com a fuga de combustível, mas também devido às alterações no centro de gravidade do veículo.

Esta situação levou a que as manobras de inserção em órbita lunar e as alterações de órbita antes da alunagem fossem alteradas de forma significativa. Assim, em vez de ser colocada numa órbita inicial circular a 100 km de altitude, a manobra de inserção na órbita lunar foi levada a cabo a 12 de Dezembro para que a sonda ficasse colocada numa órbita com um perigeu a 200 km de altitude e apogeu a 400 km de altitude. Esta manobra foi levada a cabo utilizando o motor de 7.500 N.

Após a inserção na órbita lunar a sonda terá feito uma (ou duas) manobras em órbita com os motores de controlo de reacção de 150 N para eventualmente baixar a altitude orbital para uma órbita com um perigeu a 15 km de altitude e apogeu a 100 km de altitude. Esta manobra foi realizada a 30 de Dezembro. Estas queimas utilizaram combustível proveniente do tanque que não apresentava fugas para assim estabilizar o centro de massa da Chang’e-4.

Este novo plano de manobras terá deixado a Chang’e-4 com apenas 3 kg de combustível e uma alteração de 19 segundos na sequência de descida para a superfície lunar. De notar haver o receio de que a utilização do motor principal da Chang’e-4 pudesse trazer problemas para a missão durante a viagem até à órbita lunar, pois uma pequena ignição de teste do motor foi cancelada durante esta fase.



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