Nova missão da RocketLab

A RocketLab levou a cabo a sua segunda missão em 2021 ao colocar em órbita oito satélites.

O lançamento teve lugar às 2230UTC do dia 22 de Março e foi levado a cabo desde a Plataforma A do Complexo de Lançamento LC-1 do Centro de Lançamentos de Máhia, em Onenui – Nova Zelândia.

Esta foi a missão “They Go Up So Fast” e os satélites lançados pelo Electron F19′ incluíram uma vasta gama de operadores comerciais e governamentais, bem como a próxima geração do estágio Photon. Cada satélite foi integrado no Photon, que inicialmente agiu como estagio impulsionador para circularizar a órbita e colocar os satélites nas suas órbitas precisas.

Depois de ter colocado os primeiros cinco satélites numa órbita circular de cerca de 550 km, o motor do Photon Curie entrou em ignição para baixar a altitude e colocar o satélite final numa órbita baixa de cerca de 450 km.

Esta 19.ª missão da RocketLab viu o número de satélites lançados pelo Electron subir para 104. Não foi tentada a recuperação do Electron nesta missão.

A carga da missão “They Go Up So Fast”

A bordo estavam os satélites BlackSky-7 (BlackSky Global 9), Centauri-3, Myriota-7, RAAF-M2 A, RAAF-M2 B, Gunsmoke-J (Jacob’s Ladder), Veery Hatchling e Pathstone.

A constelação de satélites BlackSky é um conjunto de microsatelites da BlackSky para observação terrestre, com uma resolução de 1 metro.

Estes satélites possuem um sistema de imagens SpaceView-24 construído pela Exelis da Harris Corp com uma abertura de 24 cm. Conseguem imagens do solo com uma resolução de 0,9 a 1,1 a uma altura orbital de 500 km. São munidos de uma propulsão a bordo para 3 anos. Os satélites são construídos pela Spaceflight Services e são baseados no modelo SCOUT.

Os satélites operacionais Block2 são caracterizados pelas suas melhorias em relação aos pioneiros Block 1. Têm painéis solares maiores e podem produzir imagens em quatro bandas e em modo pancromático. Cada um pode produzir 1000 imagens por dia, quer em modo de fotografia, quer em modo de vídeo.

O satélite Centauri-3 é parte de um conjunto de satélites iniciais da Fleet Space Technologies para uma rede planeada de 140 satélites de conectividade global da Internet das Coisas (IoT – Internet-of-Things) projectados para serem usados na energia, utilidades e industria de recursos.

Sendo baseado no modelo CubeSat-6U, o Centauri-3 tem uma massa inferior a 10 kg. Tem 119 vezes a capacidade de armazenamento comparado com os precursores Centauri-1 e Centauri-2, e está integrado no modelo de satélites numa corrente colaboração com a construtora de nanosatelites americana Tyvak Nano-Satellite Systems, Inc..

A constelação de picossatelites Myriota é utilizada para a comunicação da Internet das Coisas (IoT) da empresa com o mesmo nome.

A constelação é estabelecida numa órbita terrestre baixa e irá consistir eventualmente de 50 satélites. As operações iniciais começam com 4 satélites comprados em órbita provenientes da ExactEarth (EV1, EV6, EV9 e EV11).

Os satélites são baseados no factor CubeSat-3U e permitirão aos clientes para comunicar entre dispositivos de qualquer lado do planeta usando o serviço seguro e de bateria de longa duração da Myriota.

A RAAF M2 (em cima) é uma missão australiana consistindo de dois CubeSat-6U projectados e construídos pela Universidade da Nova Gales do Sul para a Academia das Forças de Segurança Australiana da Força Aérea Real Australiana.

Os satélites testarão as capacidades na observação terrestre, monitorização marítima, computação quântica, inteligência artificial avançada e comunicação por laser.

Os satélites Gunsmoke- J (anteriormente designados como Jacob’s Ladder) são CubeSat-3U experimentais projectados pela US Army SMDC (Space Missile Defense Command) para demonstrar uma recolha avançada de informação no suporte directo nas operações de combate do exército.

Os satélites consistem num CubeSat Prometheus Block-2 construido no Laboratório Nacional de Los Alamos que apresenta em anexo o modulo experimental Gunsmoke-J. A energia e as comunicações são dadas pela plataforma Prometheus. O Gunsmoke-J usa electrónicos avançados emergentes para permitir o uso de recursos de inteligência dedicados para fornecer aos combatentes de uma forma responsiva e temporalmente persistente, dados de segmentação tacticamente accionávies.

O pequeno Veery Hatchling v0.2 é um picosatélite desenvolvido pela Care Weather Technologies tendo por base o factor CubeSat-1U, sendo um demonstrador tecnológico para a frota de satélites Veery de medição de dispersão. O Hatchling v0.2 irá demonstrar a utilização de um robusto sistema de fornecimento de energia até 125 watts instantâneos, múltiplos sensores para determinar a orientação do satélite, um sistema de controlo de atitude para orientar o satélite, um micropropulsor iónico para a realização de manobras orbitais, um sistema de rádio para o envio em up-link de comandos e envio de dados para a Terra, e um sistema de computador de bordo para monitorizar e controlar o satélite.

O Pathstone constitui a segunda missão Photon, também projectada para operar em órbita como uma missão de demonstração de redução de riscos também para acumular experiência de voo em antecipação da missão lunar da RocketLab para a NASA em finais de 2021.

Lançamento

O foguetão Electron era colocado na sua posição vertical a T-4h 00m e iniciava-se o processo de abastecimento de querosene. O pessoal de apoio na plataforma de lançamento deixava a área a T-2h 30m e o abastecimento de oxigénio líquido (LOX) iniciava-se a T-2h 00m.

As autoridades de aviação locais eram informadas sobre o lançamento a T-30m para assim poderem avisar os aviadores naquele espaço aéreo. Os preparativos finais para o lançamento iniciam-se a T-18m. A sequência automática de lançamento inicia-se a T-2m, com o computador de bordo do Electron a tomar conta das operações. A ignição dos motores do lançador inicia-se a T-2s.

O foguetão abandona a plataforma de lançamento a T=0s, com uma ascensão lenta nas fases iniciais e ganhando velocidade à medida que ganha altitude. O final da queima do primeiro estágio termina a T+2m 25s e a sua separação ocorre trêsd segundos mais tarde. A ignição do motor do segundo estágio ocorre a T+2m 31s. A separação da carenagem de protecção ocorre a T+2m 59s. A T+5m 48s ocorre a troca de baterias eléctricas que dão o impulso eléctrico necessário a ignição do motor Rutherford Vacuum.

O segundo estágio atinge a órbita terrestre a T+8m 30s. A separação entre o segundo estágio e o estágio superior ocorre a T+8m 39s. Entra-se neste momento numa fase não propulsionada de cerca de 36 minutos, iniciando-se a primeira ignição a T+49m 15s e terminando a T+50m 56s. A separação dos cinco primeiros satélites ocorre a T+54m 56s.

A segunda ignição ocorre entre T+1h 0m 41s e T+1h 1m 15s, enquanto que a terceira ignição ocorre entre T+1h 48m 19s e T+48m 53s. A separação da última carga ocorre a T+1h 49m.

Texto: Salomé T. Fagundes, Rui C. Barbosa

O foguetão Electron

O Electron é um lançador a três estágios com um comprimento de 18 metros e um diâmetro de 1,2 metros. Tem uma massa de 13.000 kg no lançamento e é capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 200 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico (fibra de carbono compósito e estrutura monocoque), o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.

O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e super leve. Da mesma forma, os tanques de propolente são fabricados em materiais compósitos.

O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford e tem uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 311 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.

O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, e que foi especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alta performance que reduzem a sua massa e que substituem hardware por software. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alta performance alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.

O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para uma excelente performance em condições de vácuo. É capaz de desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 343 s.

A sua carenagem tem um comprimento de 2,5 metros com um sistema de separação pneumático e por molas.

Lançamento Missão Veículo Lançador Data de Lançamento Hora

(UTC)

Carga
2019-084 F10 Running Out Of Fingers 6 / Dez / 19 08:18 ATL-1FossaSat-1

NOOR-1A

NOOR-1B

SMOG-P

TRSI-Sat

ALE-2

2020-007 F11 Birds of a Feather 31 / Jan / 20 02:56 NROL-151
2020-037 F12 Don’t Stop Me Now 13 / Jun / 20 05:13 ELaNa 32: ANDESITEANDESITE Node-1

ANDESITE Node-2

ANDESITE Node-3

ANDESITE Node-4

ANDESITE Node-5

ANDESITE Node-6

ANDESITE Node-7

ANDESITE Node-8

NRO Satellite 1

NRO Satellite 2

NRO Satellite 3

RAAF M2 Pathfinder

2020-F05 F13 Pics Or It Didn’t Happen 05/Jul/20 21:13 CE-SAT-1BFlock-4e (1) a Flock-4e (5)

Faraday-1

2020-060 F14 I Can’t Believe It’s Not Optical 31/08/20 03:05:47 Sequoia
2020-077 F15 In Focus 28/Out/20 21:21 CE-SAT-2B

Flock-4e’ (1)

a

Flock-4e’ (9)

2020-085 F16 Return To Sender 20/Nov/20 02:20 Dragracer-A (Alchemy)

Dragracer-B (Augury)

BRO-2

BRO-3

SpaceBEE-22

a

SpaceBEE-45

APSS-1

Gnome Chomski

2020-098 F17 The Owl’s Night Begins 15/Dez/20 10:09:27 StriX-α
2021-004 F18 Another One Leaves The Crust 20/Jan/21 07:26  GMS-T
2021-023 F19 They Go Up So Fast 22/Mar/21 22:30 BlackSky-7 (BlackSky Global 9)

Centauri-3

Myriota-7

RAAF-M2 A

RAAF-M2 B

Gunsmoke-J (Jacob’s Ladder)

Veery Hatchling (Veery RL1 v0.1)

Pathstone

O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia, entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo a nível mundial operado de forma privada.

Equipado com duas plataformas de lançamento, a localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.

Texto e tabela: Rui C. Barbosa

Dados estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 6045

– Lançamento orbital EUA: 1733 (28,67%)

– Lançamento orbital desde Onenui (Máhia): 19 (0,31% – 1,10%)

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC):

6046 – 24 Mar (0858:??) – Falcon 9-112 (B1060.6) – Cabo Canaveral SFS, SLC-40 – Starlink F23 (x60) [v1.0 L22]

6047 – 25 Mar (1226:??) – 14A14-1B Soyuz-2.1b/Fregat-M (V15000-005/123-05 (ST30)) – Vostochniy, LC-1S – OneWeb (x36)

6048 – 28 Mar (????:??) – GSLV – Satish Dawan SHAR, SLP – EOS-03 (GISAT-1)

6049 – 09 Abr (0742:??) – 14A14-1A Soyuz-2.1a – Baikonur, LC-31 PU-6 – Soyuz MS-18

6050 – 20 Abr (0150:??) – Vega (VV18) – CSG Kourou, ZLV – Pleiades Neo 1, EIRSAT-1, ELO, Lemur-2, Myriota-1, Myriota-2, Myriota-3, NORSAT-3, NanoAvionics SAT



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