“Make It Rain” da RocketLab lança para a Spaceflight

Texto de Salomé T. Fagundes / Rui C. Barbosa

O lançamento da missão “Make It Rain” teve lugar às 0430UTC do dia 29 de Junho de 2019 e foi levado a cabo desde o Complexo de Lançamento LC-1 do Centro de Lançamentos de Máhia, Nova Zelândia. O lançador Electron/Curie usado para esta missão foi o F7 “Make It Rain”


A missão “Make It Rain” é a sétima missão da RocketLab e do Electron e a terceira do ano de 2019.

Esta missão em viagem partilhada, adquirida pela Spaceflight, irá ver múltiplos satélites a serem lançados para uma orbita de 450km x 450km num Electron a partir do complexo de lançamento 1 da RocketLab, na Nova Zelândia peninsula de Máhia.

A carga da missão “Make It Rain”

A bordo do Electron seguiam os seguintes satélites BlackSky Global-3, Prometheus-2 (6), Prometheus-2 (7), ACRUX-1, SpaceBEE-8, SpaceBEE-9 e um satélite não identificado, numa massa total é de 80kg..

A constelação de satélites BlackSky é um conjunto de microsatelites da BlackSky para observação terrestre munidos de resolução de 1 m.

Estes satélites possuem um sistema de imagens SpaceView-24 construído pela Exelis da Harris Corp com uma abertura de 24 cm. Conseguem imagens do solo com uma resolução de 0,9 a 1,1 a uma altura orbital de 500 km. São munidos de uma propulsão a bordo para 3 anos. Os satélites são construídos pela Spaceflight Services e são baseados no modelo SCOUT.

Os satellites operacionais Block-2 são caracterizados pelas suas melhorias em relação aos pioneiros Block 1. Têm painéis solares maiores e podem produzir imagens em quatro bandas e em modo pancromático. Cada um pode produzir 1000 imagens por dia, quer em modo de fotografia quer em modo de vídeo.

Os satélites Prometheus são uma serie de CubeSats para demonstração e desenvolvimento de tecnologia. Foi desenvolvido pelo Los Alamos National Laboratory (LANL) com o duplo objectivo de avaliar novos desenvolvimentos e metodologias de operações mais baratos enquanto averigua a utilidade operacional que pode ser fornecida pela tecnologia de um CubeSat. Foi fundado pelo Departamento da Defesa.

O sistema Prometheus consiste em CubeSats com uma base suportável e equipamento de campo segmentado, todo desenhado como um sistema integrado. LANL serve de construtor primario e integrador de sistemas e irá realizar testes em orbita e avalia-los.

Os satélites foram baseados nos iniciais Prometheus e Perseus. Os Prometheus custam menos de $100.000 cada um e espera-se que durem uma vida entre três a cinco anos. Cada satélite possui quatro painéis solares e uma antena em espiral.

O ACRUX-1 é um CubeSat-1U construido por alunos e desenvolvido pela organização sem fins lucrativos Melbourne Space Program.

O propósito do projecto ACRUX-1 é desenvolver, construir e lançar um CubeSat construido por alunos desde o principio para testar a funcionalidade de subsistemas, para desenvolver os básicos para futuras missões. O satélite usa a validade forma de 1U com uma antena baixo ganho e habilidades de controlo de voo mínimas. O satélite é primeiramente um modelo de demonstração em orbita.

Os quatro picossatélites SpaceBEE anteriormente conhecidos por BEE (Basic Electronic Elements) construidos sob a forma 1U servem para demonstrar comunicações bidirecionais de dados por satélite para a Swarm Technologies Inc. sendo um seguimento dos primeiros pequenos quatro satélites SpaceBEE 1 a 4.

Esta missão servirá para testar se os mais pequenos satélites de comunicações bidireccionais do mundo servem como uma solução de baixo custo e de baixa densidade de dados para conectividade de rede para sensores remotos e móveis das Internet of Things (IoT). Estes satélites usam banda VHF para comunicar entre si. Será também implantada uma base terrestre para operar estes satélites. Estima-se que esta missão começará a ser operada logo após o lançamento. Esta missão durará entre 6 meses a 2 anos.

Lançamento

O foguetão Electron era colocado na sua posição vertical a T-4h 00m e iniciava-se o processo de abastecimento de querosene. O pessoal de apoio na plataforma de lançamento deixava a área a T-2h 30m e o abastecimento de oxigénio líquido (LOX) iniciava-se a T-2h 00m.

As autoridades de aviação locais eram informadas sobre o lançamento a T-30m para assim poderem avisar os aviadores naquele espaço aéreo. Os preparativos finais para o lançamento iniciam-se a T-18m. A sequência automática de lançamento inicia-se a T-2m, com o computador de bordo do Electron a tomar conta das operações. A ignição dos motores do lançadores inicia-se a T-2s.

O foguetão abandona a plataforma de lançamento a T=0s, com uma ascensão lenta nas fases iniciais e ganhando velocidade à medida que ganha altitude. O final da queima do primeiro estágio termina a T+2m 34s e a sua separação ocorre três segundos mais tarde. A ignição do motor do segundo estágio ocorre a T+2m 44s. A separação da carenagem de protecção ocorre a T+3m 05s.

O segundo estágio atinge a órbita terrestre a T+8m 52s, terminando a sua ignição a T+8m 55s. A separação entre o segundo estágio e o estágio Curie ocorre e T+8m 59s, com a sua ignição a ter lugar a T+50m 27s. O final da queima do estágio Curie ocorre a T+51m 11s. A T+53m 26s os satélites são separados do último estágio.

O foguetão Electron

O Electron é um lançador a dois estágios com um comprimento de 17 metros e um diâmetro de 1,2 metros. É capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 150 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico, o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.

O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e super leve. Da mesma forma, os tanques de propolente são fabricados em materiais compósitos.

O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford e tem uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 303 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.

O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, e que foi especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alta performance que reduzem a sua massa e que substituem hardware por software. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alta performance alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.

O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para uma excelente performance em condições de vácuo. É capaz de desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 333 s.

O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo a nível mundial operado de forma privada. A localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.

Dados estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 5846

– Lançamento orbital EUA: 1665 (28,48%)

– Lançamento orbital desde Máhia: 7 (0,12% – 0,42%)

Os quadro seguinte mostra os lançamentos previstos e realizados em 2019 por polígono de lançamento.

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC):

5847 – 5 Jul (0541:00) – 14A14-1B Soyuz-2.1b/Fregat-M (L15000-020/122-04) – Vostochniy, LC-1S – Meteor-M №2-2, ICEYE-X4, ICEYE-X5, CarboNIX, El Camino Real, Lemur-2 (100), Lemur-2 (101), Lemur-2 (102), Lemur-2 (103),Lemur-2 (104), Lemur-2 (105), Lemur-2 (106), Lemur-2 (107), NSLSat-1, SEAM-2.0, SONATE, JAISAT-1, EXOCONNECT, LightSat, UTE-Ecuador, Aurora-Amikal (AMICal Sat), Lucky-7, MOVE-2b, MTCube (ROBUSTA-1C), TTÜ100 (TTÜSat, MektorySAT-1, Hämarik), BeeSat-9, BeeSat-10, BeeSat-11, BeeSat-12, BeeSat-13, AmGU-1 (AmurSat), Sokrat, VDNH-80

5848 – 6 Jul (0153:00) – Vega (VV15) – CSG Kourou, ZLV – Falcon Eye-1

5849 – 9 Jul (1000:00) – Atlas-V/551 (AV-084) – Cabo Canaveral AFS, SLC-41 – AEHF-5; EZ-1

5850 – 12 Jul (????:??) – 8K82KM Proton-M/DM-03 (1.1) (4924837975 53547/4L) – Baikonur, LC81 PU-24 – Spektr-RG

5851 – 14 Jul (2121:00) – GSLV MkIII M1 – Satish Dawan SHAR, SLP – Chandrayaan-2, Vikram, Pragyam

 

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