“I Can’t Believe It’s Not Optical” da RocketLab lança Sequoia

Depois da 13.ª missão mal sucedida devido a problemas eléctricos no segundo estagio que originou a perda total dos satélites a bordo do Electron “Pics Or It Didn’t Happen”, a RocketLab voltou aos lançamentos orbitais.

O lançamento teve lugar às 0305 UTC do dia 31 de Agosto de 2020 e foi levado a cabo desde o Complexo de Lançamento LC-1 do Centro de Lançamentos de Máhia, em Onenui, Nova Zelândia. O lançador Electron/Curie usado para esta missão foi o F14 “I Can’t Believe It’s Not Optical”.

Esta foi uma missão dedicada para a Capella Space, uma empresa de serviços de informação que fornece dados de observação terrestre quando requisitada. A carga, “Sequoia” é um único micro-satélite de 100 kg que será o primeiro satélite a tornar-se publicamente disponível na constelação comercial de radares de abertura sintética. Colocando o satélite numa inclinação de 45.º, a Capella Space irá maximizar a cobertura sobre importantes áreas como o Médio Oriente, Coreia, Japão, Europa, Sudeste Asiático, África e nos Estados Unidos.

O nome desta missão é em honra à tecnologia que a Capella possui de radares de abertura sintética que oferecem imagens terrestres de alta resolução e qualidade diurnas ou nocturnas em qualquer condição climatérica. O radar pode detectar mudanças de 0.5 m na superfície da Terra, oferecendo informação muito detalhada e dados que pode ser usada para segurança, agricultura, monitorização de infraestruturas, bem como em emergências causadas por incidentes ou desastres e resgate.

O Sequoia foi colocado em orbita a 500 km de altitude.

Lançamento

O foguetão Electron era colocado na sua posição vertical a T-4h 00m e iniciava-se o processo de abastecimento de querosene. O pessoal de apoio na plataforma de lançamento deixava a área a T-2h 30m e o abastecimento de oxigénio líquido (LOX) iniciava-se a T-2h 00m.

As autoridades de aviação locais eram informadas sobre o lançamento a T-30m para assim poderem avisar os aviadores naquele espaço aéreo. Os preparativos finais para o lançamento iniciam-se a T-18m. A sequência automática de lançamento inicia-se a T-2m, com o computador de bordo do Electron a tomar conta das operações. A ignição dos motores do lançador inicia-se a T-2s.

O foguetão abandona a plataforma de lançamento a T=0s, com uma ascensão lenta nas fases iniciais e ganhando velocidade à medida que ganha altitude. O final da queima do primeiro estágio termina a T+2m 36s e a sua separação ocorre três segundos mais tarde. A ignição do motor do segundo estágio ocorre a T+2m 43s. A separação da carenagem de protecção ocorre a T+3m 16s. A T+06m 28s ocorre a troca de baterias eléctricas que dão o impulso eléctrico necessário a ignição do motor Rutherford Vacuum.

O segundo estágio atinge a órbita terrestre a T+8m 52s. A separação entre o segundo estágio e o estágio Curie ocorre e T+9m 01s. Entra-se neste momento numa fase não propulsionada de cerca de 40 minutos. O estagio Curie entra em ignição pelos T+52m 52s. O final da queima do estágio Curie ocorre a T+55m 18s. A separação do Sequoia dá-se pelos T+60m 00s.

Texto: Salomé T. Fagundes

O foguetão Electron

O Electron é um lançador a dois estágios com um comprimento de 17 metros e um diâmetro de 1,2 metros. É capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 150 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico, o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.

O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e super leve. Da mesma forma, os tanques de propolente são fabricados em materiais compósitos.

O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford e tem uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 303 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.

O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, e que foi especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alta performance que reduzem a sua massa e que substituem hardware por software. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alta performance alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.

Lançamento Missão Veículo Lançador Data de Lançamento Hora

 

(UTC)

Carga
2019-016 F5 Two Thumbs Up 28 / Mar / 2019 23:27 R3D2
2019-026 F6 That’s A Funny Looking Cactus 05 / Mai / 2019 06:00 Harbinger (ICEYE-X3)

 

SPARC-1

Falcon-ODE

2019-037 F7 Make it Rain 29 / Jun / 2019 04:30 BlackSky Global-3

 

Prometheus-2 (5)

Prometheus-2 (6)

ACRUX-1

SpaceBEE-8

SpaceBEE-9

Painani-1

2019-054 F8 Look Ma, No Hands 19 / Ago / 2019 12:12 BlackSky Global-4

 

BRO-1

Pearl White-1

Pearl White-2

2019-069 F9 As The Crow Flies 17 / Out / 2019 01:22 PALISADE (Demo-1)
2019-084 F10 Running Out Of Fingers 6 / Dez / 2019 08:18 ATL-1

 

FossaSat-1

NOOR-1A

NOOR-1B

SMOG-P

TRSI-Sat

ALE-2

2020-007 F11 Birds of a Feather 31 / Jan / 20 02:56 NROL-151
2020-037 F12 Don’t Stop Me Now 13 / Jun / 20 05:13 ELaNa 32: ANDESITE

 

ANDESITE Node-1

ANDESITE Node-2

ANDESITE Node-3

ANDESITE Node-4

ANDESITE Node-5

ANDESITE Node-6

ANDESITE Node-7

ANDESITE Node-8

NRO Satellite 1

NRO Satellite 2

NRO Satellite 3

RAAF M2 Pathfinder

2020-F05 F13 Pics Or It Didn’t Happen 05/Jul/20 21:13 CE-SAT-1B

 

Flock-4e (1) a Flock-4e (5)

Faraday-1

2020-060 F14 I Can’t Believe It’s Not Optical 31/08/2020 03:05:47 Sequoia

O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para uma excelente performance em condições de vácuo. É capaz de desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 333 s.

O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo a nível mundial operado de forma privada. A localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.

Texto de Rui C. Barbosa



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