Crew Dragon Resilience regressa da Estação Espacial Internacional

No domingo dia 15 de Novembro de 2020 a SpaceX lançou num Falcon-9 a primeira missão operacional da Crew Dragon C207 – Resilience a partir do Complexo de Lançamento 39A (LC-39A) – Centro Espacial Kennedy, Florida, que no dia seguinte acoplou autonomamente no laboratório orbital.

Após uma estadia de seis meses na Estação Espacial Internacional a Crew Dragon Resilience com os astronautas Mike Hopkins, Victor Glover, Shannon Walker. da NASA, e o astronauta Soichi Noguchi, da JAXA, autonomamente separou-se da porta a Zenite da ISS – IDA (International Docking Adapter) 3 – do módulo Harmony pelas 0035UTC do dia 2 de Maio de 2021. De recordar que no dia 5 de Abril de 2021, a Resilience precisou de ser recolocada noutro IDA do mesmo módulo, pois esse adaptador era necessário para que a Crew Dragon 2 ‘Endeavour’ acoplasse no dia 23 de Abril. Logo pelas 1030UTC, a Crew Dragon 1 separou-se do IDA-2, levando consigo toda a sua tripulação, para reacoplar no IDA-3 pelas 1108UTC.

A decisão de se proceder à separação da Resilience a 1 de Maio em vez do dia programado (28 de Abril) deveu-se exclusivamente a questões meteorológicas na zona de amaragem, pois estas eram muito desfavoráveis. A 28 de Abril o mar encontrava-se muito agitado e os ventos muito fortes para uma amaragem segura.

Aproximadamente seis horas e cinquenta minutos mais tarde, depois da separação da zona de carga e reentrar na atmosfera terrestre, a Dragon amarou no Golfo do México ao largo da costa da praia do Panamá, Florida, pelas 0657UTC no dia 2 de Maio, trazendo consigo para além da tripulação, 250 kg de abastecimentos tais como comida, água e snacks bem como experiencias, algumas refrigeradas, que retornaram à Terra para análise.

De notar que na reentrada todas as comunicações entre a estação terrestre e a tripulação são perdidas, sendo isso expectável durante um período não superior a 10 minutos.

Depois de amarar a Crew Dragon Resilience foi inspeccionada por barcos com equipas treinadas para o efeito em busca de resíduos hipergólicos da utilização dos motores Draco. Esta inspecção é necessária, pois a presença desses resíduos a partir de um certo nível coloca em perigo a vida da tripulação e das equipas de extracção. Não havendo níveis perigosos a equipa dos barcos “snifadores” deu luz verde para a embarcação Go Navigator aproximar-se da cápsula e iça-la, para então já na embarcação extrair os astronautas. Após a extração segura da tripulação da cápsula, esta entrou a bordo de um helicóptero que a encaminhou até Florida. Já na Florida a tripulação voou num avião da NASA até a Base Militar de Ellington.

Esta foi a primeira vez que a SpaceX recuperou uma tripulação durante a noite. A equipa de resgate treinou para este evento com a cápsula Cargo Dragon CRS-21 fazendo todos os procedimentos como se de uma cápsula tripulada se tratasse.

Desde a amaragem da Apollo-8 a 27 de Dezembro de 1968 que não se tinha efectuado mais regressos com amaragens nocturnas.

A SpaceX também tinha apostos uma equipa medica para alguma eventualidade e outra equipa para recuperar os paraquedas.

Se não fosse possível por qualquer motivo fazer com que a Crew Dragon amarasse durante as quase 7 horas previstas, a tripulação teria comida, água e snacks disponíveis para um período de 3 dias.

Texto: Salomé T. Fagundes

Imagem: NASA



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