China lança últimos satélites Yaogan-30

A China levou a cabo um novo lançamento orbital ao colocar em órbita quatro novos satélites a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Xichang, província de Sichuan, incluindo os três últimos satélites da série Yaogan-30 cujo primeiro lançamento teve lugar a 30 de Setembro de 2017. Nete lançamento foi também testado um sistema de pára-quedas para a recuperação das carenagens de protecção, bem como para limitação da sua área de impacto no solo.

O novo tripleto de satélites Chuangxin-5 que constitui a missão Yaogan Weixing-30-10 foi lançado pelo foguetão Chang Zheng-2C (Y49) às 0019UTC do dia 19 de Julho de 2021, a partir do Complexo de Lançamento LC3. Os satélites também têm a designação de Chuangxin-5 (28), Chuangxin-5 (29) e Chuangxin-5 (30). A bordo também se encontrava o pequeno Tianqi-15.

Como é usual, os media Chineses referem este tipo de missão como uma missão dedicada a tarefas de detecção remota, com os satélites a serem utilizados para a realização de análises electromagnéticas e outras experiências.

 

 

Tal como no caso de lançamentos anteriores na série Yaogan Weixing (em Mandarin, ‘Yaogan’ significa ‘Detecção Remota’), os analistas acreditam que este tipo de satélites é utilizado para aplicações militares, em particular formando uma constelação de pequenos satélites com uma capacidade de revisitação muito elevada para missões SIGINT ou para actividades de observação.

Tal como no caso da União Soviética (e numa escala menor também por parte da Rússia), a utilização da designação ‘Cosmos’ teve como objectivo esconder o verdadeiro propósito de muitos satélites. O mesmo se passará com a utilização do termo ‘Yaogan’ por parte da China.

Os satélites Chuangxin-5 foram desenvolvidos pelo Centro de Pequenos Satélites da Academia de Ciências da China. Em Mandarim, ‘Chuangxin’ significa ‘Inovação’.

A primeira missão na série CX-5 foi a Yaogan-30 Grupo-01 lançada a 29 de Setembro de 2017. Nesta missão, o foguetão Chang Zheng-2C (Y29) colocou em órbita os satélites Chuangxin-5 (1) a Chuangxin-5 (3). Os três satélites foram injectados numa órbita com uma altitude média de 600 km e uma inclinação orbital de 35,00º, estando agora espaçados 120.º nas suas órbitas. A segunda missão na série, Yaogan-30 Grupo-2, foi lançada a 24 de Novembro de 2017. O foguetão Chang Zheng-2C (Y33) colocou em órbita os satélites Chuangxin-5 (4) a Chuangxin-5 (6). Os parâmetros orbitais foram semelhantes aos dos três satélites iniciais, mas colocados numa plano orbital 119.º a Oeste dos primeiros satélites.

Os três satélites da missão Yaogan-30-03 Grupo-03 – Chuangxin-5 (7) a Chuangxin-5 (9) – foram colocados em órbita pelo foguetão Chang Zheng-2C (Y34) a 25 de Dezembro de 2017. Orbitando a uma altitude média de 600 km e com uma inclinação orbital de 35,00.º, os satélites foram colocados numa plano orbital a 120.º a Este do grupo inicial. A missão Yaogan-30-03 Grupo-04 – Chuangxin-5 (10) a Chuangxin-5 (12) – foi lançada a 25 de Janeiro de 2018 pelo foguetão CZ-2C Chang Zheng-2C (Y36).

A 26 de Julho de 2019 deu-se o lançamento da missão Yaogan-30 Grupo-05 – Chuangxin-5 (13) a Chuangxin-5 (15) – e o Grupo-06 na série – Chuangxin-5 (16) a Chuangxin-5 (18) – foi lançado a 24 de Março de 2020. A 26 de Outubro de 2020 era lançado o Grupo-07 – Chuangxin-5 (19) a Chuangxin-5 (21) e a 6 de Maio era lançado o Grupo-08 – Chuangxin-5 (22) a Chuangxin-5 (24). O Grupo-09 – Chuangxin-5 (25) a Chuangxin-5 (27) – foi lançado a 18 de Junho de 2021.

O lançamento de tripletos numa só missão não é novidade para a China. Anteriormente ocorreram várias missões com três satélites similares lançados num único vector em missões similares ao sistema Naval Ocean Surveillance System (NOSS) operado pelos Estados Unidos. Estas missões foram designadas Yaogan-9, 16, 17, 20 e 25, sendo lançadas por foguetões CZ-4C Chang Zheng-4C a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan. Crê-se que estes sejam satélites com a designação militar JB-8 Jianbing-8 a operar em órbitas com altitudes médias de 1.100 km com inclinações orbitais de 63.º.

O Tianqi-15

O satélite Tianqi-15 destinado a comunicações de banda curta foi desenvolvido pela Guotse Gaoke Technology Co., Ltd..

O satélite será utilizado na rede da IoT (Internet of Things), monitorização hidrológica mineira, gestão de serviços marítimos e gestão de contentores, monitorização ambiental, prevenção de fogos florestais, mineração ecológica, agricultura inteligente, etc.

O Tianqin-15 também é designado como ‘Ruijin-1’.

 

O foguetão Chang Zheng-2C

O desaire com o foguetão lançador Chang Zheng-2A levou a uma intervenção política de alto nível por parte das autoridades chinesas em meados dos anos 70. Em resultado, deu-se total prioridade ao controlo de qualidade no desenvolvimento dos componentes dos lançadores. Todos os sistemas eléctricos foram reforçados e realizou-se uma CZ-2C_2014-03-30_22-10-05nova campanha de testes de vibração de componentes chave do veículo no solo que teve uma duração de dez meses. As alterações ao foguetão foram tão importantes que o novo veículo recebeu uma nova designação, o CZ-2C Chang Zheng-2C (长征二号丙).

Este veículo é o lançador chinês por excelência para missões para a órbita terrestre baixa, sendo o foguetão mais utilizado pela China. Para responder às necessidades dos clientes internacionais, a Academia Chinesa de Tecnologia de Foguetões Lançadores desenvolveu um novo estágio superior, o SD (Smart Dispenser), que começou a ser utilizado comercialmente em finais de 1990 e que levou a cabo sete missões bem sucedidas para colocar em órbita satélites da rede Iridium. O foguetão CZ-2C Chang Zheng-2C está disponível em três versões:

a) A versão básica: lançador CZ-2C a dois estágios para missões em órbitas baixas, inferiores a 500 km de altitude, e com uma capacidade de carga de 3.366 kg (altitude de 200 km, inclinação orbital de 63.º em relação ao equador terrestre);

b) A versão de três estágios: lançador CZ-2C/SD, CZ-2C/SM e o veículo CZ-2C utilizado em Abril de 2004. De acordo com recentes observações, estas versões parecem compartilhar o primeiro e segundo estágio. Comparado com a versão original, o segundo estágio é mais alongado com o primeiro estágio a permanecer com o mesmo comprimento. Pode haver no entanto, mCZ-2C_2014-03-30_22-09-45elhorias nos motores utilizados nestes lançadores. As diferenças nestes veículos situam-se ao nível da utilização ou não de diferentes estágios superiores e que estágios superiores são utilizados. Uma designação alternativa para a versão de três estágios do CZ-2C é “CZ-2C Modelo 2”, denominando “CZ-2C/2” a versão de dois estágios. Estes lançadores são utilizados para colocar satélites em órbitas baixas ou órbitas sincronizadas com o Sol (polares) superiores a 500 km de altitude com uma capacidade de carga de 1.456 kg (altitude de 900 km, polar e sincronizada com o Sol).

c) CZ-2C Modelo 3 ou simplesmente “CZ-2C/III”, pela primeira vez utilizada a 29 de Agosto de 2004. Comparada com versões anteriores apresenta um primeiro estágio mais alongado e quatro estabilizadores aerodinâmicos colocados no fundo do primeiro estágio. O seu comprimento total é de 42 metros.

O lançador CZ-2C proporciona interfaces mecânicas e eléctricos flexíveis e uma ogiva capaz de ser ajustada no seu comprimento consoante o comprimento do satélite a ser lançado. O ambiente a que o satélite é submetido no lançamento (vibrações, choque, pressão, acústica, aceleração e ambiente térmico), atinge os requisitos comuns no mercado do lançamento comercial de satélites.

CZ-2C_2014-03-30_22-09-28

Descrição técnica

Sem ter em conta a versão do CZ-2C Cheng Zheng-2C lançada a 29 de Agosto de 2004, as duas configurações deste lançador partilham o primeiro estágio, segundo estágio e carenagem de protecção. O comprimento total do lançador é de 42 metros com um diâmetro de 3,35 metros. Consome tetróxido de azoto e UDMH, desenvolvendo uma força de 2.962 kN no lançamento e tendo uma massa de 233.000 kg. A seguinte tabela mostra as principais características do CZ-2C Chang Zheng-2C.

O sistema do CZ-2C é composto pela estrutura do foguetão lançador, sistema de propulsão, sistema de controlo, sistema de telemetria, sistema de rastreio e segurança, sistema de controlo de atitude, sistema de separação, etc.

Lançamento Veículo Data Hora (UTC) Local Lançamento Carga
2018-054 Y44 27/Jun/18 03:30:05,854 Xichang, LC3

07-89

Xinjishu Shiyan-A

Xinjishu Shiyan-B

2018-068 Y39 07/Set/18 03:15:05 Taiyuan, LC9

05-61

Haiyang-1C
2018-083 Y22 29/Out/18 00:43:13,576 Jiuquan, LC43/94

01-97

CFOSAT

Zhaojin-1 / ‘Tongchuan-1’

Xiaoxiang-1 (02) (TY1-02)

Xinghe ‘Tianfuguoxing-1’ TY1-03

Changshagaoxin

Tiangue-1

?????

CubeBel-1 (BSUSat-1)

2019-045 Y37 26/Jul/20 03:57:35,195 Xichang, LC3

07-105

Yaogan Weixing-30 Grupo-05
2020-021 Y42 24/Mar/20 03:43:05,331 Xichang, LC3

07-116

Yaogan Weixing-30 Grupo-06
2020-036 Y40 10/Jun/20 18:31:24 Taiyuan, LC9 Haiyang-1D
2020-076 Y43 26/Out/20 15:19:05,115 Xichang, LC3

07-118

Yaogan Weixing-30 Grupo-07

Tianqi-6

2021-039 Y47 06/Mai/21 18:07 Xichang, LC3 Yaogan Weixing-30 Grupo-08

Tianqi-12

2021-055 Y48 18/Jun/21 06:30 Xichang, LC3 Yaogan Weixing-30 Grupo-09

Tianqi-14

2021-065 Y49 19/Jul/21 00:19 Xichang, LC3 Yaogan Weixing-30 Grupo-10

Tianqi-15

A estrutura do foguetão actua de forma a suportar as várias cargas internas e externas no lançador durante o transporte, elevação (colocação na plataforma de lançamento) e voo. A estrutura do foguetão também combina todos os subsistemas em conjunto. A estrutura do foguetão é composta pelo primeiro estágio, segundo estágio e carenagem de protecção. O primeiro estágio inclui a secção inter-estágio, tanque de oxidante, secção inter-tanque, tanque de combustível, secção de trânsito posterior, secção posterior, sistema de alimentação de propolente, etc. O segundo estágio inclui o adaptador do veículo lançador, secção de equipamento, tanque de oxidante, secção inter-tanque, tanque de combustível, sistema de alimentação de combustível, etc. o adaptador do veículo lançador liga a carga com o segundo estágio do lançador e deriva as cargas entre eles. Para o CZ-2C são fornecidos os adaptadores internacionais 937B e 1194A. A carenagem de protecção, com duas metades, é composta por uma secção abobadada, pela secção cónica frontal e secção cilíndrica.

O sistema de propulsão, incluindo motores e sistema de fornecimento / pressurização, gera a força dianteira e de controlo necessária para o voo. O primeiro estágio e o segundo estágio, utilizam propelentes armazenáveis, isto é tetróxido de azoto (N2O4) e dimetil hidrazina assimétrica (UDMH). Os tanques de propolente são pressurizados pelos sistemas de propulsão regenerativos. Existem quatro motores em paralelo no primeiro estágio. Os motores podem ser orientados em direcções tangenciais. A força de cada motor é de 740,4 kN e a força total desenvolvida é de 2.961,6 kN. Existe um motor principal e quatro motores vernier no segundo estágio, desenvolvendo uma força total de 798,1 kN. O CTS utiliza um motor de combustível sólido como motor principal e um sistema de controlo de reacção para ajustamentos de atitude. Nas páginas seguintes são mostrados os diagramas esquemáticos dos sistemas de propulsão do primeiro e do segundo estágio.

O sistema de controlo é utilizado para manter a estabilidade do voo do lançador e para levar a cabo a navegação e / ou orientação segundo o programa de voo pré-estabelecido. O sistema de controlo consiste de uma unidade de orientação, sistema de controlo de atitude, sequenciador, distribuição de energia, etc.

A unidade de orientação fornece dados de movimento e de atitude do lançador e controla o voo tendo em conta a trajectória predeterminada. O sistema de controlo de atitude controla a atitude de voo para garantir a estabilização e a atitude de injecção ao satélite a colocar em órbita. Para a configuração de dois estágios do Chang Zheng-2C, o sistema de controlo reorienta o CZ-2C após o final da queima dos motores vernier do segundo estágio. O lançador pode induzir uma rotação no satélite de acordo com os requerimentos do utilizador. A rotação pode atingir as 10 rpm. O sequenciador e o distribuidor de energia fornecem a energia eléctrica ao sistema de controlo, sendo também utilizada para iniciar os sistemas pirotécnicos e para gerar os sinais temporais para determinados eventos.

O sistema de telemetria funciona para medir e transmitir alguns parâmetros dos sistemas do lançador. O sistema de telemetria consiste de dois segmentos: sistemas de bordo e sistemas no solo. Os sistemas de bordo incluem sensores / conversores, dispositivos intermédios, bateria, distribuidores de energia, transmissores, sinalizador de rádio, etc. O sistema no solo está equipado com antenas, modem, gravador e processador de dados. O sistema de telemetria fornece os dados iniciais de injecção e gravação em tempo real aos dados de telemetria. No total, cerca de 300 parâmetros estão disponíveis para o CZ-2C. O CTS tem o seu próprio sistema de telemetria.

O sistema de rastreio e de segurança trabalha em conjunto com as estações terrestres para medir a trajectória e os parâmetros de injecção orbital finais. O sistema também fornece informação para meios de segurança. A auto-destruição do foguetão lançador pode ser levada a cabo de forma remota ou manual caso ocorresse alguma anomalia em voo. O desenho da medição de trajectória e de segurança são integrados em conjunto.

Durante a fase de voo do Chang Zheng-2C existem três eventos de separação: a separação entre o primeiro e o segundo estágio, a separação da carenagem e a separação entre a carga e o segundo estágio; Separação entre o primeiro e o segundo estágio – a separação entre o primeiro e o segundo estágio é uma separação a quente, isto é o segundo estágio entra em ignição em primeiro lugar e depois o primeiro estágio é separado com a força dos gases de exaustão após o accionamento de 12 parafusos explosivos; Separação da carenagem – durante a separação da carenagem, os 8 parafusos explosivos que ligam a carenagem e o segundo estágio são accionados em primeiro lugar e depois 12 parafusos que seguram as duas metades da carenagem são accionados 10 ms mais tarde, separando-a longitudinalmente. A carenagem volta-se para fora apoiada em dobradiças devido à força exercida por molas; Separação entre a carga e o segundo estágio – após o final da queima dos motores vernier, o conjunto é orientado para a atitude requerida. A carga está geralmente fixa com o lançador ao longo de uma banda de fixação ou com dispositivos explosivos não contaminantes. Após a separação, a carga é empurrada pela acção de molas. A velocidade de separação é de entre 0,5 m/s a 0,9 m/s.

Para o lançador CZ-2C/CTS existem uma separação entre o satélite e o CTS após a separação deste conjunto do segundo estágio: Separação entre a carga e o CTS – Tipicamente, os satélites estão ligados ao CTS por parafusos explosivos e molas de separação. Após o final da queima do CTS, os parafusos explosivos são detonados, libertando a carga que é empurrada pelas molas de separação.

O CTS é um estágio superior compatível com o foguetão Chang Zheng-2C. O CTS consiste num adaptador de carga e num sistema de manobra orbital. O CZ-2C/CTS pode lançar satélites para órbitas terrestres baixas superiores a 500 km de altitude ou para órbitas sincronizadas com o Sol.

O conjunto é colocado em órbita pelos estágios inferiores do CZ-2C (apogeu entre 400 km e 2.000 km de altitude, perigeu a 200 km de altitude). O CTS entra então em ignição no apogeu e reorienta o conjunto segundo os requisitos da missão, procedendo à separação da carga em seguida. O CTS é capaz de se retirar de órbita após a separação da sua carga.

O adaptador de carga funciona para instalar e transportar os satélites. O conjunto CZ-2C/CTS fornece um adaptador de carga específico segundo os requisitos do utilizador.

O sistema de separação do CTS pode separar a carga após a inserção na órbita desejada. O sistema de separação será desenhado para cumprir os requisitos do cliente na velocidade de separação, direcção de separação e níveis angulares, etc. A carga é geralmente ligada ao CTS através de unidades explosivas de fraca intensidade. A mola de separação fornece a velocidade relativa. Os parafusos explosivos podem ser fornecidos pelo fabricante do satélite ou pela Academia Chinesa de Tecnologia de Foguetões Lançadores.

O sistema de manobra orbital do CTS consiste na sua estrutura principal, motor de propulsão sólida, sistema de controlo, sistema de controlo a reacção e sistema de telemetria. A estrutura principal é composta por um painel central, estrutura de suporte de cargas e longarina. A parte inferior do painel está ligada ao motor de propulsão sólida e a parte superior está ligada com o suporte de cargas, formando um painel de apoio para os sistemas aviónicos. O cilindro tem uma forma estrutural de semi-monocoque. O motor de propulsão sólida fornece a força para as manobras do CTS. O impulso total do motor vai depender dos requerimentos específicos de cada missão. As características típicas estão referidas na seguinte tabela.

CZ-2C_2014-03-30_22-10-38O CTS está equipado com um sistema de controlo independente que tem as seguintes funções: manter a estabilização do voo durante a fase de deriva e proporciona a orientação do conjunto para a atitude de queima do motor de propulsão sólida; activar o motor de propulsão sólida e controlar a atitude durante a queima; levar a cabo a correcção de velocidade terminal segundo os requisitos da missão; reorientar o conjunto e separar os veículos; e ajustar a orientação do CTS e iniciar a remoção de órbita. O sistema independente de telemetria funciona para medir e transmitir alguns parâmetros ambientais do CTS no solo e durante o voo. A telemetria também fornece alguns dados orbitais na separação da carga. O sistema de controlo de reacção executa os comandos do sistema de controlo. Os motores utilizam hidrazina pressurizada controlada por válvulas solenóides. Existem quatro tanques, dois tanques de gás e 16 motores.

O sistema de coordenadas do foguetão lançador (OXYZ) tem origem no centro de massa instantâneo do veículo, isto é no centro de massa integrado da combinação carga / veículo lançador, incluindo o adaptador, propelentes e carenagem, etc., caso seja aplicável. O eixo OX coincide com o eixo longitudinal do foguetão. O eixo OY é perpendicular ao eixo OX e está no interior do plano de lançamento oposto ao azimute de lançamento. Os eixos OX, OY e OZ formam um sistema ortogonal que segue a regra da mão direita.

A atitude de voo do eixo do veículo lançador está definida na figura ao lado. O fabricante do satélite define o sistema de coordenadas do satélite. A relação ou orientação entre o veículo lançador e os sistemas do satélite serão determinados ao longo da coordenação técnica para projectos específicos.

Missões que podem ser realizadas pelo CZ-2C

O foguetão Chang Zheng-2C é um veículo capaz de colocar cargas em órbitas terrestres baixas com uma capacidade de lançamento de 3.366 kg (para uma órbita a uma altitude de 200 km e uma inclinação de 63º). Adaptado com estágios superiores distintos, o CZ-2C pode levar a cabo várias missões: Injectar cargas em órbitas terrestres baixas, que é a principal missão do CZ-2C de dois estágios; Colocar cargas em órbitas terrestres baixas ou sincronizadas com o Sol, caso esteja equipado com o CTS.

A tabela seguinte mostra as especificações típicas para várias missões que podem ser levadas a cabo pelo foguetão CZ-2C Chang Zheng-2C.

CZ-2C_2014-03-30_22-10-55
Performance do CZ-2C

O foguetão CZ-2C Chang Zheng-2C de dois estágios é principalmente utilizado para levar a cabo missões destinadas à órbita terrestre baixa (altitude inferior a 500 km) e o Chang Zheng-2C/CTS é utilizado para colocar cargas em órbitas circulares em altitudes iguais ou superiores a 500 km, ou para missões em órbitas sincronizadas com o Sol.

O CZ-2C pode ser lançado desde o Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan (base principal), podendo também ser lançado desde o Centro de Lançamento de Satélites de Xichang e do Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan.

O quadro seguinte mostra a sequência de voo típica para o Chang Zheng-2C (também para a versão CTS).

CZ-2C_2014-03-30_22-11-05

CZ-2C_2014-03-30_22-11-20 CZ-2C_2014-03-30_22-11-31

CZ-2C_2014-03-30_22-11-42

O Centro de Lançamento de Satélites de Xichang

O Centro de Lançamento de Satélites de Xichang é um dos polígonos de lançamentos espaciais da China para missões de lançamento geostacionário e exploração lunar. Estando operacional desde Abril de 1984, o centro de lançamento foi utilizado desde então pela família de lançadores CZ-3, e pelos lançadores CZ-2C e CZ-2E nas suas duas plataformas de lançamento. Como outros locais de lançamento espacial na China, Xichang também está sob a jurisdição militar, conhecida como a Base de Treino e Teste Exército de Libertação do Povo nº 27 na sua designação militar.

O centro de lançamento está localizado a 28° 14 ‘N 102° 02’ E, num vale a aproximadamente 85 km a noroeste da cidade de Xichang, na província de Sichuan. É de clima subtropical típico, com temperatura média anual de 16ºC e vento suave. O complexo de lançamento é composto por duas plataformas de lançamento, uma torre de serviço móvel e uma área técnica para abastecimento e verificação de veículos. Outras instalações incluem a sede, o centro de comunicações, o centro de controle de lançamento e três estações de rastreio.

O Aeroporto de Xichang está localizado nos subúrbios ao norte de Xichang, com uma pista de 3.600 m capaz de aceitar grandes aeronaves de carga, como Boeing 747 e An-124. Existe uma linha férrea dedicada e estradas que ligam o centro de lançamentos com a ferrovia Chengdu-Kunming e a auto-estrada Sichuan-Yunnan. Os lançadores são transportados em segmentos através da linha ferroviária directamente para as instalações de processamento de veículos na área técnica. O edifício de processamento tem a capacidade de montar e testar um veículo de lançamento enquanto armazena outro ao mesmo tempo.

A ideia de um local de lançamento espacial dedicado no sul da China nasceu no final dos anos 60, no contexto do agravamento das relações e de uma guerra iminente com a União Soviética. Preocupados com a segurança dos mísseis existentes e das instalações de lançamento espacial na Mongólia Interior (Jiuquan), que fica a apenas algumas centenas de quilómetros das fronteiras do Norte, os projectistas militares chineses decidiram construir um novo local de lançamento para as missões espaciais tripuladas e não tripuladas em montanhas profundas do Sul da China. Após o levantamento de 81 locais localizados em 25 regiões de nove províncias foram examinados, a equipa de pesquisa finalmente seleccionou um vale de montanha chamado Songlin, perto de Xichang.

A construção do novo local de lançamento começou no Inverno de 1970 sob o nome de código “Projecto 7210”. Parte das instalações, incluindo os armazéns de propulsores, foram construídas em cavernas subterrâneas e montanhosas para evitar a detecção pelos inimigos. Originalmente, um único complexo de lançamento (LC1) foi planeado para suportar o lançamento da cápsula tripulada Shuguang-1 (Projecto 714). A construção do local de lançamento parou em meados da década de 1970, após o cancelamento do programa tripulado, e só foi retomada em 1978, quando foi tomada a decisão de lançar o satélite de comunicações geoestacionário DFH-2 (Projecto 331) a partir de Xichang.

Lançamento Veículo Missão

Plataforma

Data Hora (UTC) Carga
2020-076 Chang Zheng-2C

(Y43)

07-118

LC3

26/Out/2020 15:19:05,115 Yaogan Weixing-30 Grupo-07

Tianqi-6

2020-082 Chang Zheng-3B/G2

(Y73)

07-120

LC2

12/Nov/2020 15:59:04,115 Tiantong-1 (02)
2020-092 Chang Zheng-3B/G5

(Y70)

07-121

LC3

06/Dez/2020 03:58:14,250 Gaofen-14
2020-094 Chang Zheng-11

(Y9)

07-122 09/Dez/20 20:14::43,253 GECAM-A (Xiaoji)

GECAM-B (Xiaomu)

2021-003 Chang Zheng-3B/G3

(Y74)

07-123 (?)

LC2

19/Jan/21 16:25:04,723 Tiantong-1 (03)
2021-010 Chang Zheng-3B/G3

(Y77)

07-124 (?)

LC3

04/Fev/21 15:36:04,286 Tongxin Jishi Shyan Weixing-6
2021-039 Chang Zheng-2C

(Y47)

07-125 (?)

LC3

06/Mai/21 18:11:04,959 Yaogan Weixing-30 Grupo-08

Tianqi-12

2021-047 Chang Zheng-3B/G3

(Y72)

07-???

LC2

02/Jun/21 16:17 Fengyun-4B
2021-055 Chang Zheng-2C

(Y48)

07-???

LC3

18/jun/21 06:30 Yaogan Weixing-30-09

Tianqi-14

2021-065 Chang Zheng-2C

(Y49)

07-???

LC3

19/Jul/21 00:19 Yaogan Weixing-30-10

Tianqi-15

O Complexo de Lançamento 3 (LC3) entrou em operação em 1983 e o primeiro lançamento com um foguetão CZ-3 ocorreu a 8 de Abril de 1984. Um total de quatro satélites DFH-2 foram colocados com sucesso na órbita geostacionária entre 1986 e 1990. Para apoiar o lançamento de veículos de lançamento mais pesados, o Complexo de Lançamento 2 (LC2) foi adicionado em 1990, com o primeiro lançamento usando um veículo de lançamento CZ-2E em 16 de Julho de 1990.

O centro de lançamento de Xichang foi desclassificado em termos militares em 1984 e foi usado para fornecer serviços de lançamento comerciais para clientes estrangeiros usando foguetões chineses durante os anos 90. No entanto, esses lançamentos sofreram várias falhas de alto perfil. O acidente mais fatal ocorreu a 15 de Fevereiro de 1996, quando um veículo de lançamento CZ-3B se desviou da trajectória e atingiu uma colina a 1.200 metros da plataforma de lançamento logo após a descolagem, destruindo sua carga (o satélite Intelsat-708). A violenta explosão do foguetão matou seis pessoas e feriu outras 57 e também destruiu mais de 80 prédios numa aldeia próxima.

Em 2004, Xichang recebeu uma revisão de modernização que incluiu 25 modificações nos seus sistemas de lançamento, telemetria e rastreio, comunicações, meteorologia e suporte logístico, a fim de apoiar o programa robótico lunar. A LC3 foi completamente demolida e reconstruída.

Em 2010, a China anunciou seu plano para construir um novo polígono de lançamentos para missões geostacionárias e planetárias na ilha de Hainan. Depois do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang se tornar operacional, as actividades de lançamento desde Xichang diminuirão gradualmente, e o centro tornar-se-à um centro de apoio e será apenas utilizado para missões militares.

Os Complexos de Lançamento

No Centro de Lançamento de Satélites de Xichang existem dois complexos de lançamento designados LC2 e LC3.

O Complexo de Lançamento 3 é composto por uma torre umbilical fixa com braços oscilantes, uma mesa de lançamento de aço e um orifício de aterramento de formato arredondado que leva a um único deflector de chamas em cimento armado. O veículo de lançamento é montado verticalmente no bloco, usando um guindaste no topo da torre umbilical para içar cada estágio e a carga no local. O veículo de lançamento é verificado na vertical no bloco, abastecido e depois lançado. O é capaz de suportar todas as variantes da família de veículos de lançamento CZ-3.

O Complexo de Lançamento 2 possui uma torre umbilical estruturada em aço que fornece suprimento de gás, líquido e electricidade para o lançador durante o procedimento final de verificação. O ar limpo com ar condicionado do nível de limpeza classe 100.000 é continuamente alimentado na carga útil até 30 segundos antes do lançamento. A torre possui plataformas giratórias e braços oscilantes para permitir o acesso ao lançador. Uma “sala limpa” com ar condicionado está localizada no topo da torre para operações de check-out por satélite. O veículo de lançamento fica numa plataforma de lançador fixa, abaixo da qual existe orifício redondo que leva a um único deflector de chamas em cimento armado.



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