China lança satélite de comunicações APStar-6E

A China colocou em órbita um novo satélite de comunicações às 1810UTC do dia 12 de Janeiro de 2023.

O lançamento do satélite APStar-6E foi realizado pelo foguetão Chang Zheng-2C (Y61) a partir do Complexo de Lançamento LC3 do Centro de Lançamento de Satélites de Xichang, província de Sichuan.

O APStar-6E é baseado na plataforma DFH-3E e irá fornecer serviços de comunicações de alta velocidade para o Sudeste Asiático, efectivamente preenchendo uma falha no mercado de serviços de banda larga naquela região do globo. A plataforma DFH-3E tem uma massa entre 1.800 kg e 2.100 kg, com uma carga que varia entre 300 kg e 450 kg. O novo satélite está equipado com 25 feixes de banda-Ku e 3 feixes de portas, tendo uma capacidade de comunicações total superior a 30Gbps.

No lançamento, a carga total era de cerca de 4.300kg, sendo 2.090 kg correspondentes ao APStar-6E e 2.210kg correspondentes ao módulo de propulsão.

O APStar-6E irá utilizar o seu sistema de propulsão eléctrica para atingir a órbita geossíncrona nos próximos meses. O satélite foi colocado numa órbita inicial com um perigeu a 200 km de altitude, apogeu a 500 km de altitude e inclinação orbital de 28,5.º. Os parâmetros orbitais serão elevados com a ajuda de um módulo de propulsão acoplado, mas que será separado no final da manobra de elevação orbital que terá uma duração de 10 meses. O satélite estará operacional na órbita geossíncrona a 134.º de longitude Este.

Compatíveis com veículos de lançamento de baixo custo, os pequenos satélites geoestacionários baseados na plataforma DFH-3E visam o mercado de satélites de comunicação de pequeno e médio porte com baixo investimento de capital.

O mercado global de satélites passou por interessantes mudanças nos últimos anos. Um número crescente de países com capacidades financeiras limitadas precisa dos seus próprios satélites de comunicação, porém, estes geralmente têm recursos e demandas limitadas. Em comparação com outros produtos de satélites geoestacionários no mercado, a plataforma DFH-3E pode oferecer uma economia significativa aos usuários.

a plataforma DFH-3E é descrita pela Corporação Industrial Grande Muralha da China como uma pequena plataforma geoestacionária com propulsão totalmente elétrica e com uma carga útil de tamanho pequeno desenvolvida com tecnologia já testada. A plataforma tem uma massa de cerca de 1.300 kg com uma massa de carga útil de 300 kg a 450 kg. Tem uma potência de carga útil de 3-4 quilowatts e uma vida útil de 15 anos.

A sua pequena massa permite que seja lançado para a órbita de transferência geossíncrona pelo foguetão Chang Zheng-2C. A maioria das plataformas geoestacionárias chinesas requer as variantes maiores do veículo de lançamento Chang Zheng-3B.

O foguetão Chang Zheng-2C

O desaire com o foguetão lançador Chang Zheng-2A levou a uma intervenção política de alto nível por parte das autoridades chinesas em meados dos anos 70. Em resultado, deu-se total prioridade ao controlo de qualidade no desenvolvimento dos componentes dos lançadores. Todos os sistemas eléctricos foram reforçados e realizou-se uma CZ-2C_2014-03-30_22-10-05nova campanha de testes de vibração de componentes chave do veículo no solo que teve uma duração de dez meses. As alterações ao foguetão foram tão importantes que o novo veículo recebeu uma nova designação, o Chang Zheng-2C (长征二号丙).

Este veículo é o lançador chinês por excelência para missões para a órbita terrestre baixa, sendo o foguetão mais utilizado pela China. Para responder às necessidades dos clientes internacionais, a Academia Chinesa de Tecnologia de Foguetões Lançadores desenvolveu um novo estágio superior, o SD (Smart Dispenser), que começou a ser utilizado comercialmente em finais de 1990 e que levou a cabo sete missões bem sucedidas para colocar em órbita satélites da rede Iridium. O foguetão Chang Zheng-2C está disponível em três versões:

a) A versão básica: lançador CZ-2C a dois estágios para missões em órbitas baixas, inferiores a 500 km de altitude, e com uma capacidade de carga de 3.366 kg (altitude de 200 km, inclinação orbital de 63.º em relação ao equador terrestre);

b) A versão de três estágios: lançador CZ-2C/SD, CZ-2C/SM e o veículo CZ-2C utilizado em Abril de 2004. De acordo com recentes observações, estas versões parecem compartilhar o primeiro e segundo estágio. Comparado com a versão original, o segundo estágio é mais alongado com o primeiro estágio a permanecer com o mesmo comprimento. Pode haver no entanto, mCZ-2C_2014-03-30_22-09-45elhorias nos motores utilizados nestes lançadores. As diferenças nestes veículos situam-se ao nível da utilização ou não de diferentes estágios superiores e que estágios superiores são utilizados. Uma designação alternativa para a versão de três estágios do CZ-2C é “CZ-2C Modelo 2”, denominando “CZ-2C/2” a versão de dois estágios. Estes lançadores são utilizados para colocar satélites em órbitas baixas ou órbitas sincronizadas com o Sol (polares) superiores a 500 km de altitude com uma capacidade de carga de 1.456 kg (altitude de 900 km, polar e sincronizada com o Sol).

c) CZ-2C Modelo 3 ou simplesmente “CZ-2C/III”, pela primeira vez utilizada a 29 de Agosto de 2004. Comparada com versões anteriores apresenta um primeiro estágio mais alongado e quatro estabilizadores aerodinâmicos colocados no fundo do primeiro estágio. O seu comprimento total é de 42 metros.

d) CZ-2C/YZ-1S, com o estágio superior Yuanzheng-1S (YZ-1S). Este estágio utiliza o motor YF-50D que tem a capacidade de múltiplas ignições, permitindo assim a colocação de cargas em diferentes órbitas (polar, GEO, MSO, entre outras). Com o estágio YZ-1S o lançador possuí 315,5 segundos adicionais de queima para colocar as cargas nas respectivas órbitas, aumentando a capacidade de carga do CZ-2C em duas toneladas.

O lançador CZ-2C proporciona interfaces mecânicas e eléctricos flexíveis e uma ogiva capaz de ser ajustada no seu comprimento consoante o comprimento do satélite a ser lançado. O ambiente a que o satélite é submetido no lançamento (vibrações, choque, pressão, acústica, aceleração e ambiente térmico), atinge os requisitos comuns no mercado do lançamento comercial de satélites.

CZ-2C_2014-03-30_22-09-28

Descrição técnica

Sem ter em conta a versão do Cheng Zheng-2C lançada a 29 de Agosto de 2004, as duas configurações deste lançador partilham o primeiro estágio, segundo estágio e carenagem de protecção. O comprimento total do lançador é de 42 metros com um diâmetro de 3,35 metros. Consome tetróxido de azoto e UDMH, desenvolvendo uma força de 2.962 kN no lançamento e tendo uma massa de 233.000 kg. A seguinte tabela mostra as principais características do Chang Zheng-2C.

O sistema do CZ-2C é composto pela estrutura do foguetão lançador, sistema de propulsão, sistema de controlo, sistema de telemetria, sistema de rastreio e segurança, sistema de controlo de atitude, sistema de separação, etc.

Lançamento Veículo Data Hora (UTC) Local Lançamento Carga
2021-065 Y49 19/Jul/21 00:19 Xichang, LC3 Yaogan Weixing-30 Grupo-10

Tianqi-15

2021-076 Y51/Y2 24/Ago/21 11:15 Jiuquan, LC43/94 Ronghe Tongxin Shiyan Weixing 01

Ronghe Tongxin Shiyan Weixing 02

Tongxin Jishu Shiyan Weixing

2021-099 Y41/Y4 03/Nov/21 07:43 Jiuquan, LC43/94 Yaogan Weixing-32 Grupo-02
2022-023 Y62 05/Mar/22 06:01 Xichang, LC3 Yinhe-2 01 ‘Nantong-1’

Yinhe-2 02 ‘Yituhao Xingyuan’

Yinhe-2 03 ‘Xuancheng-1’

Yinhe-2 04 ‘Beiyou Yinhe’

Yinhe-2 05

Yinhe-2 06

Xuanming Xingyuan

2022-043 Y70 29/Abr/22 04:11:33 Jiuquan, LC43/94 Siwei Gaojing-1 01

Siwei Gaojing-1 01

2022-056 Y53/Y5 20/Mai/22 10:30 Jiuquan, LC43/94 Digui Tongxin Shiyan 1

Digui Tongxin Shiyan 2

Digui Tongxin Shiyan 3

2022-058 Y65 02/Jun/22 04:00 Xichang, LC3 GeeSAT-1 01 / Jili-1 Group-1 01 ‘Yayun Zhongguoxing’

GeeSAT-1 02 / Jili-1 Group-1 02

GeeSAT-1 03 / Jili-1 Group-1 03

GeeSAT-1 04 / Jili-1 Group-1 04

GeeSAT-1 05 / Jili-1 Group-1 05

GeeSAT-1 06 / Jili-1 Group-1 06

GeeSAT-1 07 / Jili-1 Group-1 07

GeeSAT-1 08 / Jili-1 Group-1 08

GeeSAT-1 09 / Jili-1 Group-1 09

2022-082 Y71 16/Jul/22 22:57 Taiyuan, LC9 Siwei Gaojing-2 01

Siwei Gaojing-2 02

2022-132 Y66 12/Out/22 22:53 Taiyuan, LC9 Huanjing-2E
2023-005 Y61 12/Jan/23 18:20 Xichang, LC3 APStar-6E

A estrutura do foguetão actua de forma a suportar as várias cargas internas e externas no lançador durante o transporte, elevação (colocação na plataforma de lançamento) e voo. A estrutura do foguetão também combina todos os subsistemas em conjunto. A estrutura do foguetão é composta pelo primeiro estágio, segundo estágio e carenagem de protecção. O primeiro estágio inclui a secção inter-estágio, tanque de oxidante, secção inter-tanque, tanque de combustível, secção de trânsito posterior, secção posterior, sistema de alimentação de propolente, etc. O segundo estágio inclui o adaptador do veículo lançador, secção de equipamento, tanque de oxidante, secção inter-tanque, tanque de combustível, sistema de alimentação de combustível, etc. o adaptador do veículo lançador liga a carga com o segundo estágio do lançador e deriva as cargas entre eles. Para o CZ-2C são fornecidos os adaptadores internacionais 937B e 1194A. A carenagem de protecção, com duas metades, é composta por uma secção abobadada, pela secção cónica frontal e secção cilíndrica.

O sistema de propulsão, incluindo motores e sistema de fornecimento / pressurização, gera a força dianteira e de controlo necessária para o voo. O primeiro estágio e o segundo estágio, utilizam propelentes armazenáveis, isto é tetróxido de azoto (N2O4) e dimetil hidrazina assimétrica (UDMH). Os tanques de propolente são pressurizados pelos sistemas de propulsão regenerativos. Existem quatro motores em paralelo no primeiro estágio. Os motores podem ser orientados em direcções tangenciais. A força de cada motor é de 740,4 kN e a força total desenvolvida é de 2.961,6 kN. Existe um motor principal e quatro motores vernier no segundo estágio, desenvolvendo uma força total de 798,1 kN. O CTS utiliza um motor de combustível sólido como motor principal e um sistema de controlo de reacção para ajustamentos de atitude. Nas páginas seguintes são mostrados os diagramas esquemáticos dos sistemas de propulsão do primeiro e do segundo estágio.

O sistema de controlo é utilizado para manter a estabilidade do voo do lançador e para levar a cabo a navegação e / ou orientação segundo o programa de voo pré-estabelecido. O sistema de controlo consiste de uma unidade de orientação, sistema de controlo de atitude, sequenciador, distribuição de energia, etc.

A unidade de orientação fornece dados de movimento e de atitude do lançador e controla o voo tendo em conta a trajectória predeterminada. O sistema de controlo de atitude controla a atitude de voo para garantir a estabilização e a atitude de injecção ao satélite a colocar em órbita. Para a configuração de dois estágios do Chang Zheng-2C, o sistema de controlo reorienta o CZ-2C após o final da queima dos motores vernier do segundo estágio. O lançador pode induzir uma rotação no satélite de acordo com os requerimentos do utilizador. A rotação pode atingir as 10 rpm. O sequenciador e o distribuidor de energia fornecem a energia eléctrica ao sistema de controlo, sendo também utilizada para iniciar os sistemas pirotécnicos e para gerar os sinais temporais para determinados eventos.

O sistema de telemetria funciona para medir e transmitir alguns parâmetros dos sistemas do lançador. O sistema de telemetria consiste de dois segmentos: sistemas de bordo e sistemas no solo. Os sistemas de bordo incluem sensores / conversores, dispositivos intermédios, bateria, distribuidores de energia, transmissores, sinalizador de rádio, etc. O sistema no solo está equipado com antenas, modem, gravador e processador de dados. O sistema de telemetria fornece os dados iniciais de injecção e gravação em tempo real aos dados de telemetria. No total, cerca de 300 parâmetros estão disponíveis para o CZ-2C. O CTS tem o seu próprio sistema de telemetria.

O sistema de rastreio e de segurança trabalha em conjunto com as estações terrestres para medir a trajectória e os parâmetros de injecção orbital finais. O sistema também fornece informação para meios de segurança. A auto-destruição do foguetão lançador pode ser levada a cabo de forma remota ou manual caso ocorresse alguma anomalia em voo. O desenho da medição de trajectória e de segurança são integrados em conjunto.

Durante a fase de voo do Chang Zheng-2C existem três eventos de separação: a separação entre o primeiro e o segundo estágio, a separação da carenagem e a separação entre a carga e o segundo estágio; Separação entre o primeiro e o segundo estágio – a separação entre o primeiro e o segundo estágio é uma separação a quente, isto é o segundo estágio entra em ignição em primeiro lugar e depois o primeiro estágio é separado com a força dos gases de exaustão após o accionamento de 12 parafusos explosivos; Separação da carenagem – durante a separação da carenagem, os 8 parafusos explosivos que ligam a carenagem e o segundo estágio são accionados em primeiro lugar e depois 12 parafusos que seguram as duas metades da carenagem são accionados 10 ms mais tarde, separando-a longitudinalmente. A carenagem volta-se para fora apoiada em dobradiças devido à força exercida por molas; Separação entre a carga e o segundo estágio – após o final da queima dos motores vernier, o conjunto é orientado para a atitude requerida. A carga está geralmente fixa com o lançador ao longo de uma banda de fixação ou com dispositivos explosivos não contaminantes. Após a separação, a carga é empurrada pela acção de molas. A velocidade de separação é de entre 0,5 m/s a 0,9 m/s.

Para o lançador CZ-2C/CTS existem uma separação entre o satélite e o CTS após a separação deste conjunto do segundo estágio: Separação entre a carga e o CTS – Tipicamente, os satélites estão ligados ao CTS por parafusos explosivos e molas de separação. Após o final da queima do CTS, os parafusos explosivos são detonados, libertando a carga que é empurrada pelas molas de separação.

O CTS é um estágio superior compatível com o foguetão Chang Zheng-2C. O CTS consiste num adaptador de carga e num sistema de manobra orbital. O CZ-2C/CTS pode lançar satélites para órbitas terrestres baixas superiores a 500 km de altitude ou para órbitas sincronizadas com o Sol.

O conjunto é colocado em órbita pelos estágios inferiores do CZ-2C (apogeu entre 400 km e 2.000 km de altitude, perigeu a 200 km de altitude). O CTS entra então em ignição no apogeu e reorienta o conjunto segundo os requisitos da missão, procedendo à separação da carga em seguida. O CTS é capaz de se retirar de órbita após a separação da sua carga.

O adaptador de carga funciona para instalar e transportar os satélites. O conjunto CZ-2C/CTS fornece um adaptador de carga específico segundo os requisitos do utilizador.

O sistema de separação do CTS pode separar a carga após a inserção na órbita desejada. O sistema de separação será desenhado para cumprir os requisitos do cliente na velocidade de separação, direcção de separação e níveis angulares, etc. A carga é geralmente ligada ao CTS através de unidades explosivas de fraca intensidade. A mola de separação fornece a velocidade relativa. Os parafusos explosivos podem ser fornecidos pelo fabricante do satélite ou pela Academia Chinesa de Tecnologia de Foguetões Lançadores.

O sistema de manobra orbital do CTS consiste na sua estrutura principal, motor de propulsão sólida, sistema de controlo, sistema de controlo a reacção e sistema de telemetria. A estrutura principal é composta por um painel central, estrutura de suporte de cargas e longarina. A parte inferior do painel está ligada ao motor de propulsão sólida e a parte superior está ligada com o suporte de cargas, formando um painel de apoio para os sistemas aviónicos. O cilindro tem uma forma estrutural de semi-monocoque. O motor de propulsão sólida fornece a força para as manobras do CTS. O impulso total do motor vai depender dos requerimentos específicos de cada missão. As características típicas estão referidas na seguinte tabela.

CZ-2C_2014-03-30_22-10-38O CTS está equipado com um sistema de controlo independente que tem as seguintes funções: manter a estabilização do voo durante a fase de deriva e proporciona a orientação do conjunto para a atitude de queima do motor de propulsão sólida; activar o motor de propulsão sólida e controlar a atitude durante a queima; levar a cabo a correcção de velocidade terminal segundo os requisitos da missão; reorientar o conjunto e separar os veículos; e ajustar a orientação do CTS e iniciar a remoção de órbita. O sistema independente de telemetria funciona para medir e transmitir alguns parâmetros ambientais do CTS no solo e durante o voo. A telemetria também fornece alguns dados orbitais na separação da carga. O sistema de controlo de reacção executa os comandos do sistema de controlo. Os motores utilizam hidrazina pressurizada controlada por válvulas solenóides. Existem quatro tanques, dois tanques de gás e 16 motores.

O sistema de coordenadas do foguetão lançador (OXYZ) tem origem no centro de massa instantâneo do veículo, isto é no centro de massa integrado da combinação carga / veículo lançador, incluindo o adaptador, propelentes e carenagem, etc., caso seja aplicável. O eixo OX coincide com o eixo longitudinal do foguetão. O eixo OY é perpendicular ao eixo OX e está no interior do plano de lançamento oposto ao azimute de lançamento. Os eixos OX, OY e OZ formam um sistema ortogonal que segue a regra da mão direita.

O fabricante do satélite define o sistema de coordenadas do satélite. A relação ou orientação entre o veículo lançador e os sistemas do satélite serão determinados ao longo da coordenação técnica para projectos específicos.

Missões que podem ser realizadas pelo CZ-2C

O foguetão Chang Zheng-2C é um veículo capaz de colocar cargas em órbitas terrestres baixas com uma capacidade de lançamento de 3.366 kg (para uma órbita a uma altitude de 200 km e uma inclinação de 63º). Adaptado com estágios superiores distintos, o CZ-2C pode levar a cabo várias missões: Injectar cargas em órbitas terrestres baixas, que é a principal missão do CZ-2C de dois estágios; Colocar cargas em órbitas terrestres baixas ou sincronizadas com o Sol, caso esteja equipado com o CTS.

A tabela seguinte mostra as especificações típicas para várias missões que podem ser levadas a cabo pelo foguetão CZ-2C Chang Zheng-2C.

CZ-2C_2014-03-30_22-10-55
Performance do CZ-2C

O foguetão CZ-2C Chang Zheng-2C de dois estágios é principalmente utilizado para levar a cabo missões destinadas à órbita terrestre baixa (altitude inferior a 500 km) e o Chang Zheng-2C/CTS é utilizado para colocar cargas em órbitas circulares em altitudes iguais ou superiores a 500 km, ou para missões em órbitas sincronizadas com o Sol.

O CZ-2C pode ser lançado desde o Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan (base principal), podendo também ser lançado desde o Centro de Lançamento de Satélites de Xichang e do Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan.

O quadro seguinte mostra a sequência de voo típica para o Chang Zheng-2C (também para a versão CTS).

CZ-2C_2014-03-30_22-11-05

CZ-2C_2014-03-30_22-11-20 CZ-2C_2014-03-30_22-11-31

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O Centro de Lançamento de Satélites de Xichang

O Centro de Lançamento de Satélites de Xichang é um dos polígonos de lançamentos espaciais da China para missões de lançamento geostacionário e exploração lunar. Estando operacional desde Abril de 1984, o centro de lançamento foi utilizado desde então pela família de lançadores CZ-3, e pelos lançadores CZ-2C e CZ-2E nas suas duas plataformas de lançamento. Como outros locais de lançamento espacial na China, Xichang também está sob a jurisdição militar, conhecida como a Base de Treino e Teste Exército de Libertação do Povo n.º 27 na sua designação militar.

O centro de lançamento está localizado a 28° 14 ‘N – 102° 02’ E, num vale a aproximadamente 85 km a noroeste da cidade de Xichang, na província de Sichuan. É de clima subtropical típico, com temperatura média anual de 16 °C e vento suave. O complexo de lançamento é composto por duas plataformas de lançamento, uma torre de serviço móvel e uma área técnica para abastecimento e verificação de veículos. Outras instalações incluem a sede, o centro de comunicações, o centro de controlo de lançamento e três estações de rastreio.

O Aeroporto de Xichang está localizado nos subúrbios ao norte de Xichang, com uma pista de 3.600 m capaz de aceitar grandes aeronaves de carga, como Boeing 747 e An-124. Existe uma linha férrea dedicada e estradas que ligam o centro de lançamentos com a ferrovia Chengdu-Kunming e a auto-estrada Sichuan-Yunnan. Os lançadores são transportados em segmentos através da linha ferroviária directamente para as instalações de processamento de veículos na área técnica. O edifício de processamento tem a capacidade de montar e testar um veículo de lançamento enquanto armazena outro em simultâneo.

A ideia de um local de lançamento espacial dedicado no sul da China nasceu no final dos anos 60, no contexto do agravamento das relações e de uma guerra iminente com a União Soviética. Preocupados com a segurança dos mísseis existentes e das instalações de lançamento espacial na Mongólia Interior (Jiuquan), que fica a apenas algumas centenas de quilómetros das fronteiras do Norte, os projectistas militares chineses decidiram construir um novo local de lançamento para as missões espaciais tripuladas e não tripuladas em montanhas profundas do Sul da China. Após o levantamento de 81 locais localizados em 25 regiões de nove províncias foram examinados, a equipa de pesquisa finalmente seleccionou um vale de montanha chamado Songlin, perto de Xichang.

A construção do novo local de lançamento começou no Inverno de 1970 sob o nome de código “Projecto 7210”. Parte das instalações, incluindo os armazéns de propulsores, foram construídas em cavernas subterrâneas e montanhosas para evitar a detecção pelos inimigos. Originalmente, um único complexo de lançamento (LC1) foi planeado para suportar o lançamento da cápsula tripulada Shuguang-1 (Projecto 714). A construção do local de lançamento parou em meados da década de 1970, após o cancelamento do programa tripulado, e só foi retomada em 1978, quando foi tomada a decisão de lançar o satélite de comunicações geoestacionário DFH-2 (Projecto 331) a partir de Xichang.

Lançamento Veículo  Plataforma Data Hora (UTC) Carga
2022-102 Kuaizhou-1A (Y?) LC4 (?) 23/Ago/22 02:36 Chuangxin-16A

Chuangxin-16B

2022-109 Chang Zheng-2D (Y67) LC3 06/Set/22 04:19 Yaogan-35 Grupo-05A

Yaogan-35 Grupo-05B

Yaogan-35 Grupo-05C

2022-120 Chang Zheng-2D (Y68) LC3 26/Set/22 13:38 Yaogan-36 Grupo-01A

Yaogan-36 Grupo-01B

Yaogan-36 Grupo-01C

2022-133 Chang Zheng-2D (Y69) LC3 14/Out/22 19:12 Yaogan-36 Grupo-02A

Yaogan-36 Grupo-02B

Yaogan-36 Grupo-02C

2022-148 Chang Zheng-3B/G3 (Y91) LC2 05/Nov/22 11:50 Zhongxing-19
2022-160 Chang Zheng-2D (Y89) LC3 27/Nov/22 12:23 Yaogan-36 Grupo-03A

Yaogan-36 Grupo-03B

Yaogan-36 Grupo-03C

2022-171 Chang Zheng-2D (Y80) LC3 14/Dez/22 18:25 Yaogan-36 Grupo-04A

Yaogan-36 Grupo-04B

Yaogan-36 Grupo-04C

2022-172 Chang Zheng-11 (Y12) LC4 16/Dez/22 06:17 Shiyan-21
2022-178 Chang Zheng-3B/G2 (Y88) LC2 29/Dez/22 04:43 Shiyan-10 02
2023-005 Chang Zheng-2C (Y61) LC3 12/Jan/23 18:10 APStar-6E

O Complexo de Lançamento 3 (LC3) entrou em operação em 1983 e o primeiro lançamento com um foguetão CZ-3 ocorreu a 8 de Abril de 1984. Um total de quatro satélites DFH-2 foram colocados com sucesso na órbita geoestacionária entre 1986 e 1990. Para apoiar o lançamento de veículos de lançamento mais pesados, o Complexo de Lançamento 2 (LC2) foi adicionado em 1990, com o primeiro lançamento usando um veículo de lançamento CZ-2E em 16 de Julho de 1990.

O centro de lançamento de Xichang foi desclassificado em termos militares em 1984 e foi usado para fornecer serviços de lançamento comerciais para clientes estrangeiros usando foguetões chineses durante os anos 90. No entanto, esses lançamentos sofreram várias falhas de alto perfil. O acidente mais fatal ocorreu a 15 de Fevereiro de 1996, quando um veículo de lançamento CZ-3B se desviou da trajectória e atingiu uma colina a 1.200 metros da plataforma de lançamento logo após a descolagem, destruindo a sua carga (o satélite Intelsat-708). A violenta explosão do foguetão matou seis pessoas e feriu outras 57 e também destruiu mais de 80 prédios numa aldeia próxima.

Em 2004, Xichang recebeu uma revisão de modernização que incluiu 25 modificações nos seus sistemas de lançamento, telemetria e rastreio, comunicações, meteorologia e suporte logístico, de modo a apoiar o programa robótico lunar. A LC3 foi completamente demolida e reconstruída.

Em 2010, a China anunciou o seu plano para construir um novo polígono de lançamentos para missões geoestacionárias e planetárias na ilha de Hainan. Depois do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang se tornar operacional, as actividades de lançamento desde Xichang diminuirão gradualmente, e o centro tornar-se-à um centro de apoio e será apenas utilizado para missões militares.

Os Complexos de Lançamento

No Centro de Lançamento de Satélites de Xichang existem dois complexos de lançamento designados LC2 e LC3.

O Complexo de Lançamento 3 é composto por uma torre umbilical fixa com braços oscilantes, uma mesa de lançamento de aço e um orifício de aterramento de formato arredondado que leva a um único deflector de chamas em cimento armado. O veículo de lançamento é montado verticalmente no bloco, usando um guindaste no topo da torre umbilical para içar cada estágio e a carga no local. O veículo de lançamento é verificado na vertical no bloco, abastecido e depois lançado. O complexo é capaz de suportar todas as variantes da família de veículos de lançamento CZ-3.

O Complexo de Lançamento 2 possui uma torre umbilical estruturada em aço que fornece suprimento de gás, líquido e electricidade para o lançador durante o procedimento final de verificação. O ar limpo com ar condicionado do nível de limpeza classe 100.000 é continuamente alimentado na carga útil até 30 segundos antes do lançamento. A torre possui plataformas giratórias e braços oscilantes para permitir o acesso ao lançador. Uma “sala limpa” com ar condicionado está localizada no topo da torre para operações de check-out por satélite. O veículo de lançamento fica numa plataforma de lançador fixa, abaixo da qual existe orifício redondo que leva a um único deflector de chamas em cimento armado.

Dados estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 6356

– Lançamento orbital China: 510 (8,02%)

– Lançamento orbital Xichang: 184 (2,89% – 36,08%)

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC):

6357 – 13 Jan (0652:??) – Chang Zheng-2? – Jiuquan, LC43/? – ??

6358 – 14 Jan (2255:??) – Falcon Heavy-05 (B1064.2, B1070.1, B1065.2) – CE Kennedy, LC-39A/LZ-1, x, LZ-2 – USSF-67: CBAS-2, LDPE-3A (ROOSTER-3A)

6359 – 15 Jan (0320:??) – Chang Zheng-2D – Taiyuan, LC9 – ??, Qilu-2, Qilu-3, ??

6360 – 15 Jan (1618:40) – Falcon 9-197 (1075.1) – Vandenberg SFB, SLC-4E/OCISLY – Starlink G2-4 (x51) F68 [v1.5 L38]

6361 – 16 Jan (????:??) – Terran-1 – Cabo Canaveral SFS, SLC-16 – #GLHF (#GoodLuckHaveFun)



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