China inicia permanência de seis meses em órbita

A China deu um novo passo triunfante para uma presença permanente na órbita terrestre com o lançamento do que se espera seja a sua mais longa missão espacial tripulada até à data e que irá ocupar a estação espacial Tiangong e o módulo Tianhe.

A Shenzhou-13 (神舟13号) foi colocada em órbita com uma tripulação constituída por Zhai Zhigang, Wang Yaping e Ye Guangfu.

O lançamento foi levado a cabo pelo foguetão Chang Zheng-2F/G (Y13) às 1623:56,469UTCUTC do dia 15 de Outubro de 2021 a partir da Plataforma de Lançamento 91 do Complexo de Lançamento LC43 do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, Mongólia Interior.

A acoplagem suave com o módulo Tianhe teve lugar às 2248:39UTC do mesmo dia do lançamento, com Zhai Zhigang a ingressar no Tianhe às 0141UTC do dia 16 de Outubro.

A missão da Shenzhou-13 deverá ter uma duração de seis meses e durante a permanência em órbita serão levadas a cabo múltiplos testes de movimentação dos futuros módulos experimentais utilizando o sistema de manipulação robótica no exterior do Tianhe (nomeadamente, movimentos que simulem o deslocamento dos módulos a partir do porto de acoplagem frontal para os portos laterais utilizando o veículo de carga Tianzhou-2), além do controlo remoto do braço robótico a partir do solo.

A tripulação irá também levar a cabo duas ou três actividades extraveículares para a instalação de dispositivos de fixação adicionais e sistemas de conexão com o futuro segundo braço rebótico que será lançado no interior do móculo Wentian em 2022.

Será também realizada a validação contínua dos sistemas de suporte de vida a bordo da estação espacial para permitir a execução de missões prolongadas de seis meses, além da realização de múltiplas actividades biomédicas, físicas no âmbito da realização de experiências em micro-gravidade e actividades educacionais.

Os três novos elementos a bordo do Tianhe irão ainda levar a cabo a validação final dos sistemas de integração da estação espacial em termos de capavidade, performance e compatiubilidade dos seus diferentes sistemas.

Saiba mais sobre a cápsula espacial Chinesa: Shenzhou, o divino barco dos deuses.

Finalizada a expedição de seis meses – e com a partida da Shenzhou-13 e dos veículos de carga Tianzhou-2 e Tianzhou-3 – terá lugar o lançamento do veículo Tiznhou-4 já em 2022, seguindo o lançamento da missão tripulada Shenzhou-14. A tripulação da Shenzhou-14 terá como missão, na sua permanência em órbita de seis meses, de supervisionar a fase de expansão do complexo orbital Tiangong. Assim, os dois módulos experimentais – Wentian e Mengtian – serão lançados enquanto que a tripulação da Shenzhou-14 se encontra a bordo do Tianhe, realizando várias tarefas e actividades extraveículares de adaptação dos novos módulos.

O veículo de carga Tianzhou-5 será lançado antes do lançamento da missão espacial tripulada Shenzhou-15 que irá acoplar com a estação espacial Tiangong enquanto que a tripulação da Shenzhou-14 ainda se encontra a bordo. Esta será a primeira vez que uma expedição irá substituir a anterior enquanto se encontra na estação espacial.

A tripulação da Shenzhou-12

A tripulação da Shenzhou-13 é composta por Zhai Zhigang, Wang Yaping e Ye Guangfu.

Zhai Zhigang (翟志刚) nasceu a 21 de Novembro de 1966 na cidade de Longjiang, província de Heilongjiang. Após a sua formação académica inicial, ingressou na Força Aérea do Exército de Libertação do Povo e tornou-se piloto de caça.

Após ter sido seleccionado para testes no âmbito do programa espacial tripulado da China, foi seleccionado a 5 de Janeiro de 1998 para o primeiro grupo de taikonautas, sendo um dos três candidatos para a primeira missão espacial tripulada da China que eventualmente foi tripulada por Yang Liwei, sendo Zhai Zhigang o seu suplente. Seria seleccionadio para a tripulação principal da Shenzhou-7, servindo como Comandante e sendo lançado a 12 de Outubro de 2005. Esta missão teve uma duração de 2 dias 20 horas 27 minutos e 35 segundos, com Zhai Zhigang a tornar-se no 480º ser humano e no 4.º taikonauta da China (juntamente com Jing Haipeng e Liu Boming) e realizar um voo espacial orbital. A 27 de Setembro de 2008 tornava-se no primeiro taikonauta a realizar uma actividade extraveícular.

Serviu como Comandante suplente na missão Shenzhou-12.

Esta é a segunda missão espacial para Zhai Zhigang que assim se torna no 361.º ser humano e no 4.º taikonauta a realizar duas missões espaciais orbitais (juntaente com Wang Yaping).

Nascida a 27 de Janeiro de 1980 em Yantai, província de Shandong, Wang Yaping (王亚萍) tornou-se na segunda chinesa a voar no espaço a bordo da Shenzhou-10 em Junho de 2013. Foi piloto de aviões de carga antes de ser seleccionada para o programa espacial tripulado em Março de 2010, tendo a patente de capitão na Força Aérea do Exército de Libertação do Povo.

Wang Yaping tornou-se numa cadete da Força Aérea com 17 anos de idade e formou parte do sétimo grupo de pilotos femininos a voar em quatro tipos distintos de aviões. Participou em vários exercícios de prontidão, nas operações de socorro após o terramoto de Wenchum e nas operações de eliminação de nuvens durante os Jogos Olímpicos de Pequim. Em Maio de 2009 foi aprovada num rigoroso processo de selecção de astronautas femininas para o programa espacial da China.

Wang Yaping torna-se juntamente com Zhai Zhigang no 361.º ser humano e no 4.º taikonauta a realizar duas missões espaciais orbitais.

Ye Guangfu (叶光福) nasceu a 1 de Setembro de 1980 na cidade de Chengdu, província de Sichuan. Piloto de caça da Força Aérea do Exército de Libertação do Povo, foi seleccionado para o grupo de taikonautas da China a 5 de Maio de 2010, tendo sido seleccionado para a tripulação suplente da Shenzhou-12.

O voo da Shenzhou-13 é a sua primeira missão espacial orbital, tornando-se assim no 574.º ser humano e no 13.º taikonauta a realizar um voo espacial orbital.

Não foram anunciados os nomes da tripulação suplente.

Yuhangyuan, ou como dizer ‘astronauta’ em chinês?

A palavra ‘yuhangyuan’ é uma tradução de uma das três palavras que em chinês são utilizadas para referir ‘astronauta’. A publicação chinesa “Aerospace China“, começou a utilizar a palavra ‘taikonauta’ no seu número de Janeiro de 2003, sendo a primeira vez que uma publicação oficial chinesa utiliza uma palavra para designar de forma especial os astronautas chineses.

De facto, as palavras chinesas para ‘astronauta’ constituem uma história linguística peculiar e um pouco complicada. Comecemos pelos princípio… O termo ‘yu hang yuan’ (separados todos os caracteres chineses por forma a mostrar as suas formas originais) tem sido utilizado desde o voo da Vostok-1 em 1961. Assim, ‘yu’ significa ‘yu zhou’ («cosmos» ou «espaço»), ‘hang’ significa ‘hang xing’ («viagem») e ‘yuan’ significa o termo ‘ante’ («viajante»). Ao mesmo tempo, Taiwan, Hong Kong e as populações chinesas fora da pátria, começaram a utilizar a palavra ‘tai kong ren’. Aqui, ‘tai kong’ também significa «espaço» ou «cosmos», enquanto que ‘ren’ significa «pessoa». Esta palavra foi introduzida na China continental nos anos 80 e é agora de uso muito popular. Por outro lado, em finais dos anos 70, foi introduzida uma nova palavra, ‘hang tian yuan’. ‘Hang tian’ é um novo termo oficial para viagem espacial. ‘Hang’ é o primeiro caracter de ‘hang xing’, ou «viagem», e ‘tiam’ significa «céu» – qualquer coisa acima do chão incluindo a atmosfera e o espaço. Muitas organizações chinesas receberam novas designações com o termo ‘hang tian’ e agora quase todos os organismos espaciais chineses possuem este termo na sua designação.

Assim, na China estas três palavras são utilizadas em comum: o termo mais comum é ‘yu hang yuan’ que é muito utilizado pelos meios de comunicação social; o segundo termo mais comum é ‘tai kong ren’, sendo utilizado também utilizado pelos meios de comunicação social e é a única palavra utilizada fora da China continental; finalmente, o terceiro termo ‘hang tian yuan’ é o termo oficial e é utilizado pelas organizações e organismos espaciais chineses, e algumas vezes pelos órgãos de comunicação social.

Em português, as palavras ‘astronauta’ e ‘cosmonauta’ são utilizadas para referir respectivamente os viajantes espaciais dos Estados Unidos e da Rússia (com o termo ‘espaçonauta’ a identificar os viajantes espaciais franceses), e não existe uma palavra específica para designar os viajantes espaciais chineses.

A publicação “Aerospace China” foi a primeira a utilizar a palavra ‘taikonauta’. A utilização das palavras ‘yuhangyuan’ ou ‘hangtianyuan’ Não deverá ser alguma vez considerada por serem termos muito estranhos. Esta é a mesma razão pela qual se utiliza a palavra ‘taikonauta’ – as duas palavras anteriores são muito compridas. Em chinês, são palavras muito bonitas, mas em Português são terrivelmente feias…

Para saber mais sobre as cápsulas espaciais Shenzhou.

Lançamento da Shenzhou-13

 

Após chegarem à plataforma de lançamento, e depois das usuais saudações, a tripulação da Shenzhou-13 entrou no elevador que os transportou até uma antecâmara que lhes daria acesso ao módulo orbital da cápsula espacial a partir do qual ingressariam no módulo de descida. Mais uma vez, todos os procedimentos são muito semelhantes aos realizados a quando dos lançamentos espaciais tripulados russos. Os taikonautas sentaram-se na antecâmara e antes de ingressar na Shenzhou-13 verificaram o estado dos seus fatos espaciais pressurizados. Após ingressarem na cápsula espacial, Wang Yaping ocupou o assento do lado direito, Zhai Zhigang ocupou o assento central e Ye Guangfu o assento do lado esquerdo.

Os preparativos para o lançamento foram decorrendo como previsto. Com a tripulação já interior da Shenzhou-13 e nos seus respectivos assentos, procedeu-se ao encerramento da cápsula e à evacuação da antecâmara de acesso. Posteriormente, a torre de serviço foi evacuada bem como toda a plataforma de lançamento. De seguida procedeu-se à abertura das diferentes secções da torre de serviço. À medida que as diferentes secções se iam abrindo e colocando na posição final de lançamento, a figura do foguetão Chang Zheng-2F/G (Y13) ia-se mostrando resplandecente.

A T-20m a tripulação reportava que se encontrava bem e todos os sistemas estavam prontos para o lançamento. A T-15 m procedeu-se à verificação final dos sistemas da Shenzhou-13, do seu foguetão lançador, da plataforma de lançamento e de todos os sistemas em terra incluindo a rede de estações que iriam seguir o veículo nas fases iniciais de voo.

Com tudo a correr como previsto, deu-se a ignição dos motores do primeiro estágio do foguetão Chang Zheng-2F/G (Y13) bem como dos quatro propulsores laterais de combustível líquido e o lançamento a teve lugar às 1623:56,469UTC.

A T=0s ocorre a ignição dos quatro motores do primeiro estágio do foguetão lançador juntamente com a ignição dos quatro propulsores laterais de combustível líquido, fazendo com que o veículo deixe a plataforma de lançamento. O lançador eleva-se na vertical durante alguns segundos e a T+20s inicia uma manobra de arfagem para se colocar no azimute de voo e no perfil de voo correcto para a missão. Esta manobra minimiza as cargas aerodinâmicas sobre a estrutura do veículo.

A T+1m 2s, o foguetão atinge a velocidade do som e a T+1m 15s passa para zona de máxima pressão dinâmica. A T+2m 1s ocorre a separação da torre do sistema de emergência e os quatro propulsores laterais de combustível líquido são separados a T+2m 34s. Sete segundos mais tarde, os motores do primeiro estágio terminam a sua queima, iniciando assim o processo de separação do primeiro estágio e a ignição do segundo estágio.

A carenagem de protecção separa-se a T+3m 28s. Não sendo mais necessária, a separação das duas metades da carenagem expõe a cápsula espacial Shenzhou-12.

O final da queima do motor do segundo estágio ocorre a T+7m 41s. Quatro motores vernier continuam a sua função propulsionando e estabilizado o conjunto durante mais 115 segundos. O final da queima dos quatro vernier ocorre a T+9m 36s.

A separação entre a Shenzhou-13 e o segundo estágio do seu foguetão lançador ocorre 9 minutos e 44 segundos após ter deixado a plataforma de lançamento. A cápsula espacial ficou coloocada numa órbita com um perigeu a 200 km de altitude, apogeu a 356 km de altitude, inclinação orbital de 41,3.º e período orbital de 90 minutos. A abertura dos dois painéis solares necessários para o fornecimento de energia ocorre 3 minutos após a separação da cápsula espacial. A Shenzhou-13 manobrou depois em órbita, colocando-se na trajectória ideal para o seu voo de seis horas até atingir o módulo Tianhe.

O módulo Tianhe e a estação espacial Tiangong

A construção da estação espacial modular é o grande salto no programa espacial tripulado da China e surge após o aperfeiçoamento sucessivo das diferentes técnicas do voo espacial, nomeadamente o lançamento de um veículo tripulado (Shenzhou-5), o lançamento de uma tripulação (Shenzhou-6 com dois elementos e Shenzhou-7 com três elementos), a realização de actividades extraveículares (Shenzhou-7), a colocação em órbita de um módulo laboratorial do tipo Salyut-1 (Tiangong-1 e Tiangong-2), a ocupação de uma estação espacial e voo de longa duração (Shenzou-9 e Shenzou-10) e o lançamento de um veículo de carga (Tianzhou-1) para o abastecimento regular de estações em órbita.

Em poucos anos, e seguindo um programa devidamente faseado, a China passou do voo espacial tripulado de curta duração para a construção de uma estação espacial modular que irá permitir permanências de seis meses em órbita terrestre, atingindo assim o nível e a capacidade da Rússia e dos Estados Unidos.

O final da construção em órbita da estação espacial Tiangong deverá ocorrer em 2022 após a realização de onze missões, incluindo três lançamentos de diferentes módulos, quatro lançamentos de veículos de carga e quatro lançamentos tripulados.

O módulo Tianhe

O módulo Tianhe (天和) tem uma massa de 20.500 kg, orbitando a Terra a uma altitude média de 393 km com uma inclinação orbital de 42.º e irá servir de núcleo da estação espacial Tiangong.

Esquema do módulo Tianhe. Imagem: http://shymkent.info

O Tianhe está dividido em duas grandes secções cilíndricas, a maior com um diâmetro de 4,2 metros. O seu comprimento total é de 16,6 metros e o seu volume habitável é de cerca de 50 m3.

O módulo nuclear da Tiangong é ainda composto por uma cabe de recursos, uma secção de acoplagem e uma secção cilíndrica com um diâmetro de 2,8 metros com cinco pontos de acoplagem que irão permitir a junção de novos módulos experimentais. Pode albergar três tripulantes e o seu tempo de vida útil é de 15 anos com manutenção orbital.

O Tianhe está equipado com os sistemas de suporte de vida para os seus tripulantes, bem como com pequenos módulos para a realização de experiências, equipamento de comando e orientação, equipamento para exercício físico e instalações sanitárias. O Tianhe tem uma capacidade de armazenamento de 8.000 kg de propelente para a realização de manobras orbitais, sendo este UDMH/N2O4.

A estação espacial Tiangong

A estação espacial modular Tiangong é um laboratório orbital do tipo ‘Mir’, sendo constituída por um módulo central ao qual serão acrescentados outros módulos de forma gradual.

A estação será composta numa primeira fase pelos módulos Tianhe (módulo central), pelos módulos científicos Wentian e Mengtian, e pelo Xuntian (módulo em voo livre). Com uma cápsula Shenzhou acoplada, a massa total do complexo orbital (três módulos) será de 62.000 kg.

Os módulos Wentian e Mengtian serão módulos científicos com uma massa de cerca de 20.000 kg, comprimento de 14,4 metros e um diâmetro de 4,2 metros. Serão módulos pressurizados construídos a partir das experiências obtidas com o módulo orbital Tiangong-2 e serão utilizados para levar a cabo experiências nas áreas das ciências da vida, biotecnologia, física, ciências dos materiais, microgravidade, etc. Para além das experiências localizadas no interior pressurizado, ambos os módulos serão capazes de albergar experiências exteriores tanto e plataforma de exposição ao ambiente espacial, como fixadas nas respectivas fuselagens. Os módulos serão acoplados no porto de acoplagem axial do módulo Tianhe e posteriormente transferidos para um porto lateral utilizando um sistema de manipulação remota operado a partir do interior da estação espacial ou de forma remota a partir do centro de controlo.

A zona habitável no Tianhe é de 50 m3, atingindo os 110m3 se se combinar as áreas habitáveis dos outros dois módulos.

O módulo Wentian terá sistemas de controlo adicionais que poderão ser utilizados caso surja algum problema com o Tianhe. O módulo Mengtian possui funções similares ao Wentian, mas está equipado com uma escotilha especial para permitir as entrada e saída de carga e instrumentos com o auxílio dos tripulantes ou de forma autónoma utilizando o sistema de manipulação remota.

No total, haverá dezesseis prateleiras experimentais (racks) entre o módulo principal, os dois módulos experimentais e uma plataforma externa de experimentos. As prateleiras experimentais terão cerca de 1,8 metros de altura, 1 metro de largura e 0,9 metros de profundidade, pesando menos de 500 kg.

Um outro módulo experimental, o Xuntian (Cruzador dos Céus), será um telescópio espacial com um espelho de dois metros de diâmetro. O módulo não estará acoplado ao complexo Tiangong, mas orbitando perto da estação, poderá ser acoplado à mesma para operações de reparação. Será usado para estudar o mecanismo de expansão acelerada do universo, para estudos sobre a energia e matéria escura, e a origem e evolução do universo.

A estação espacial será regularmente abastecida com os veículos de carga Tianzhou, cujo primeiro (Tianzhou-2) foi lançado a 29 de Maio de 2021.

Os próximos passos

Em órbita terrestre, o Tianhe entrou na sua fase de comissionamento e após tudo verificado, e o módulo totalmente operacional, foi lançado o primeiro veículo logístico no dia 29 de Maio pelo foguetão Chang Zheng-7 (Y3) a partir do Complexo de Lançamento LC201 de Wenchang. A acoplagem com o Tianhe-1 foi feita em modo automático. O Tianzhou-2 transportou combustível, água, mantimentos e experiências que serão utilizadas pela primeira tripulação a visitar o novo laboratório em órbita terrestre.

A primeira tripulação é lançada a bordo da cápsula espacial Shanzhou-12 pelo foguetão Chang Zheng-2F/G (Y12) a partir da Plataforma de Lançamento 91 do Complexo de Lançamento LC43 do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan. A acoplagem com o conjunto Tianhe/Tianzhou-2, com a acoplagem a ter lugar cerca de seis horas após o lançamento.

A primeira tripulação deverá permanecer em órbita até Setembro de 2021, preparando a estação espacial através da realização de várias tarefas de manutenção e com várias actividades extraveículares durante as quais serão colocadas experiências na fuselagem exterior da estação, bem como um braço robótico que no futuro será utilizado para a recolocação dos futuros módulos.

Assim, em Setembro de 2021 a Shenzhou-12 regressa à Terra, deixando o módulo Tianhe a operar em modo automático na órbita terrestre. O veículo Tianzhou-2 irá também separar-se da estação, dando assim lugar para o Tianzhou-3 que será lançado neste mês pelo foguetão Chang Zheng-7 (Y4) a partir do Complexo de Lançamento LC201 de Wenchang

Uma nova tripulação (possivelmente constituída por Zhai Zhigang, Wang Yaping e Ye Guangfu) será lançada em Outubro de 2021 a bordo da Shenzhou-13. O lançamento será levado a cabo pelo foguetão Chang Zheng-2F/G (Y13) a partir da Plataforma de Lançamento 91 do Complexo de Lançamento LC43 de Jiuquan. Esta tripulação deverá permanecer no módulo Tianhe até Março de 2022.

O veículo de carga Tianzhou-4 deverá ser lançado em Março ou Abril de 2022 utilizando o foguetão Chang Zheng-7 (Y5) a partir do Complexo de Lançamento LC201 de Wenchang.

Em Abril de 2022 será feita uma avaliação tecnológica da estação espacial antes do lançamento de uma nova tripulação a bordo da Shenzhou-14. O lançamento será levado a cabo pelo foguetão Chang Zheng-2F/G (Y14) a partir da Plataforma de Lançamento 91 do Complexo de Lançamento LC43 de Jiuquan. Será esta tripulação que irá assistir à chegada dos módulos laboratoriais da Tiangong.

O módulo Wentian deverá ser lançado entre Maio e Junho de 2022, seguindo-se o módulo Mangtian em Agosto ou Setembro de 2022. Ambos serão lançados por foguetões Chang Zheng-5B desde Wenchang.

O veículo de carga Tianzhou-5 deverá ser lançado em Outubro de 2022, seguindo-se o lançamento da Shenzhou-15 em Novembro de 2022. A tripulação da Shenzhou-15 irá permanecer com a tripulação da Shenzhou-14 durante dez dias, antes desta regressar à Terra e neste período estarão seis tripulantes a bordo da Tiangong.

Experiências na Tiangong

No âmbito da cooperação espacial entre a China e várias nações, foram selecionadas nove experiências a serem realizados a bordo da estação espacial Tiangong. O processo de seleção das experiências foi organizado com o Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior (UNOOSA – United Nations Office for Outer Space Affairs).

Essas experiências cobrem as áreas da astronomia, física de fluidos em microgravidade e combustão, ciências da Terra, tecnologia espacial, e ciências e tecnologia da vida espacial.

As experiências na área de astronomia vão estudar explosões de raios gama (Suíça, Polónia, Alemanha e China) e farão investigação espectroscópica do gás nebular (Índia e Rússia). As experiências de física e combustão de fluidos em microgravidade estudarão o comportamento de fluídos parcialmente miscíveis em microgravidade (Índia e Bélgica), usarão um sistema de resfriamento Micro 2-Phase de alto desempenho para aplicações espaciais (Itália e Quénia) e estudarão as instabilidades de chama afetadas por vórtices e ondas acústicas (China e Japão).

Vindo do México, a experiência em ciências da Terra vai usar uma plataforma de infravermelho médio para observações da Terra, e a experiência em tecnologia espacial (Arábia Saudita) vai estudar o desenvolvimento de células solares com multijunções GaAs para aplicações espaciais.

As ciências da vida espacial e as experiências de tecnologia vão estudar tumores no espaço (Noruega, França, Holanda e Bélgica) e o efeito da microgravidade no crescimento e produção de biofilme de bactérias causadoras de doenças (Peru e Espanha).

O lançador CZ-2F Chang Zheng-2F e o Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan

O foguetão CZ-2F/G Chang Zheng-2F/G

O foguetão CZ-2F/G Chang Zheng-2F/G é uma versão do foguetão lançador CZ-2F Chang Zheng-2F utilizado no programa espacial tripulado Shenzhou (Projecto 921). Este lançador também pode ser designado como CZ-2F Chang Zheng-2F ‘Fase Um’. Este lançador, desenvolvido pela Academia Chinesa de Tecnologia de Veículos Lançadores sobre coordenação da Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China, é diferente da versão original Shenjian (Seta Mágica) que foi desenvolvida a partir do foguetão CZ-2E Chang Zheng-2E que por sua vez foi baseado na tecnologia matura do lançador CZ-2C Chang Zheng-2C. O desenho conceptual do Chang Zheng-2E foi iniciado em 1986, com o veículo a ser colocado no mercado mundial de lançadores após um voo de teste em Julho de 1990.

Para satisfazer os requisitos da missão de encontro e acoplagem, o Chang Zheng-2F sofreu mais de 170 modificações e utilizou cinco novas tecnologias. Este veículo foi utilizado para o lançamento do Tiangong-1, da Shenzhou-8, da Shenzhou-9 e da Shenzhou-10, vindo também a ser utilizado para o lançamento dos futuros veículos do programa espacial tripulado até um lançador mais potente estar disponível, no caso o CZ-7 Chang Zheng-7.

As diferenças principais desta versão encontram-se na capacidade de propolente dos propulsores laterais de combustível líquido que foi aumentada alterando-se o formato do topo dos tanques de esférico para cónico. Em resultado, o lançador tem cerca de 450.000 kg de propolente, 493.000 kg na massa de lançamento e a sua capacidade de lançamento para missões para a órbita terrestre baixa foi aumentada para 8.600 kg. Por outro lado, o sistema de orientação por giroscópios foi substituído por unidades de medição de inércia por laser e o sistema original de orientação de perturbação foi substituído por um novo sistema interactivo que proporciona uma melhor precisão de inserção orbital.

Tal como o CZ-2F, o CZ-2F/G Chang Zheng-2F/G é um lançador a dois estágios auxiliado por quatro propulsores laterais de combustível líquido durante a ignição do primeiro estágio. O comprimento total do CZ-2F/G é de 52,0 metros com um estágio central de 3,35 metros de diâmetro e um diâmetro máximo de 8,45 metros na base e contando com os propulsores laterais. No lançamento a sua massa é de 493.000 kg, sendo capaz de colocar numa órbita baixa uma carga de 8.600 kg.

No foguetão Chang Zheng-2F, os propulsores laterais LB-40 têm um comprimento de 15,326 metros, 2,25 metros de diâmetro, um peso bruto de 40.750 kg e uma massa de 3.000 kg sem propolente. Cada propulsor está equipado com um motor YF-20B de escape fixo que consome UDMH/N2O4 desenvolvendo uma força de 740,4 kN ao nível do mar. o seu tempo de queima é de 127,26 segundos (será de 137 segundos para o CZ-2F/G). Os propulsores no CZ-2F/G têm um maior comprimento e maior capacidade de propolente o que permite um maior tempo de queima.
O primeiro estágio L-180 tem um comprimento de 28,465 metros, diâmetro de 3,35 metros, peso bruto de 198.830 kg e uma massa de 12.550 kg sem propolentes. Está equipado com um motor YF-21B composto de quatro motores YF-20B que desenvolvem 2.961,6 kN ao nível do mar. Os motores consomem UDMH/N2O4. O seu tempo de queima é de 160,00 segundos (poderá ser superior na versão CZ-2F/G).

O segundo estágio L-90 tem 14,223 metros de comprimento, 3,35 metros de diâmetro, uma massa bruta de 91.414 kg e uma massa de 4.955 kg sem propolente. Está equipado com um motor YF-24B composto de um motor YF-22B de escape fixo e por quatro motores vernier de escape amovível YF-23B. Os motores consomem UDMH/N2O4 desenvolvendo 738,4 kN (motor principal) e 47,04 kN (motores vernier) de força em vácuo. O tempo total de queima é de 414,68 segundos (motor principal) e de 301,18 segundos (motores vernier).

O sistema de emergência montado no topo do lançador fornece uma força de 73.000 kgf e é accionado durante 3 segundos em caso de emergência podendo deslocar o veículo a uma distância de 1,5 km na vertical e a 500 metros na horizontal.

O Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan

Criado em 1960, no alvorecer da Era Espacial, o Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan está localizado no noroeste da China, a cerca de 150 km a Sul da fronteira entre a China e a Mongólia.

O centro foi construído para apoiar o teste de mísseis balísticos da China e em Abril de 1970, um míssil balístico de alcance intermediário modificado lançado a partir de Jiuquan colocou em órbita o primeiro satélite artificial da China, o Dongfanghong-1. Desde então, Jiuquan tem sido usado para lançamentos orbitais da China para a órbita terrestre baixa, principalmente para satélites de observação da Terra e de reconhecimento militar.

O centro consiste numa série de plataformas de lançamento na Mongólia Interior e várias zonas de impacto alvo nas províncias vizinhas de Gansu e Xinjiang, cobrindo uma área total de 2.800 km2. A área de lançamentos, localizada no Condado de Ejin-Banner, parte da Liga de Alashan da Região Autónoma da Mongólia Interior, inclui uma base residencial principal (Zona 10), vários complexos de lançamento, áreas técnicas e instalações de instrumentação espalhadas por de 50 km ao longo do rio Ruoshui, na borda ocidental do deserto de Badain Jaran. A região tem um clima tipicamente interior, principalmente seco e ensolarado, mas frio no Inverno, com uma temperatura média anual de 8,7 ° C. Existem cerca de 260 a 300 dias por ano adequados para actividades de lançamento espacial.

Durante a Guerra Fria, a Base 20 foi identificada pelos serviços secretos Ocidentais como o “Centro Espacial e de Testes de Mísseis Shuang Cheng Tzu”. Nos anos 80, o centro foi parcialmente desclassificado e abriu sua porta para visitantes estrangeiros. Como resultado, tornou-se oficialmente conhecido como o Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, em homenagem a uma pequena cidade a 200 km de distância, na vizinha Província de Gansu. Isto, e tal como aconteceu com Baikonur, causou alguma confusão, já que o centro de lançamento não está realmente situado dentro da jurisdição da cidade de Jiuquan. É possível que esse engano tenha sido uma tentativa deliberada de disfarçar sua verdadeira localização. O centro continua a ser uma instalação militar, conhecida como a 20.ª Base de Testes e Treino na sua designação militar.

O centro de lançamento operou um único local de lançamento conhecido como “Complexo de Lançamento 3” até 1966, quando o novo “Complexo de Lançamento 2” (Zona de Lançamentos Norte) ficou operacional. O local de lançamento tornou-se o principal centro de lançamento de mísseis e espaciais da China desde o início dos anos 70, tendo levado a cabo uma série de testes de mísseis balísticos intercontinentais e actividades de lançamento de satélites. Este local de lançamento foi desactivado em 1996 após 30 anos de serviço e três anos depois, um novo local de lançamento (Zona de Lançamentos Sul) foi comissionado em 1999 para apoiar os lançamentos dos veículos tripulados Shenzhou. Uma segunda plataforma de lançamento para missões de lançamento de satélites não tripulados foi adicionada em 2003. Mais instalações de lançamento para lançadores de combustível sólido foram adicionadas por volta de 2012.

O Complexo de Lançamento 3 (三号 发射 阵地) foi a primeira instalação de lançamento permanente em Jiuquan. O complexo de lançamento consistia em duas plataformas de lançamento de betão armado, com uma escala no solo para medir a quantidade de propulsor adicionado ao míssil. Não havia torre umbilical nas plataformas de lançamento. Os mísseis eram transportados para a sua posição de lançamento em veículos rebocados por camiões, que também servia como suporte de lançamento. O complexo de lançamento tornou-se operacional em 1960 para apoiar o teste de mísseis balísticos de curto e médio alcance, e foi desactivado no final dos anos 1960.

A Zona de Lançamentos Norte, também conhecida como Complexo de Lançamento 2 (二号发射 阵地), foi construída na década de 1960 para apoiar o teste de mísseis balísticos de alcance intermédio a intercontinental e lançamento de satélites. O complexo de lançamento consistia em duas plataformas de lançamento (“5020” e “138”), uma torre de serviço móvel e uma sala de controlo subterrânea. O processamento de veículos e a sua verificação eram levados a cabo na área técnica norte (Zona 7) localizada a 22 quilómetros a Sul do complexo de lançamento. O local de lançamento foi desactivado em 1996 e desde então tornou-se uma atracção turística.

A Plataforma de Lançamento 5020 (também designada LC2A) foi activada em Dezembro de 1966 para ser utilizada pelo míssil balístico de alcance intermédio DF-4 Dongfeng-4 e pelo foguetão CZ-1 Chang Zheng-1. A plataforma tem uma torre umbilical fixa com seis pares de braços oscilantes, que serviram como plataformas operacionais para permitir o acesso ao veículo lançador, e também forneciam energia, gases e propelentes para o veículo e para a carga útil. Os braços oscilantes eram recolhidos segundos antes do lançamento. O lançador era montado numa mesa de lançamento de aço, abaixo da qual existia buraco de terra arredondado que levava ao deflector de chamas de cimento armado. Durante o lançamento, a exaustão  dos gases do veículo de lançamento era conduzida para o deflector que se encontrava cheio de água e era direccionada para longe do veículo para o ar livre. O primeiro lançamento desta plataforma foi realizado a 26 de Dezembro de 1966 e o ​​último lançamento em 21 de Maio de 1980.

A Plataforma de Lançamento 138 (LC2B) foi adicionada ao Complexo e Lançamento 2 em 1970 para suportar os veículos de lançamento mais pesados ​​DF-5 Dongfang-5, CZ-2C Chang Zheng-2C e CZ-2D Chang Zheng-2. A torre umbilical tinha 45 metros de altura e 7,8 metros de largura. A torre era equipada com um elevador com capacidade de carga de 1 tonelada e possuía 5 andares de plataformas rotativas, além de 2 andares de plataformas móveis que permitiam o acesso ao lançador. Estava equipada com um sistema de verificação do lançador semiautomático e um sistema de abastecimento de propelente totalmente automatizado. O primeiro lançamento desta plataforma foi realizado a 10 de Setembro de 1971 e o último lançamento em 20 de Outubro de 1996.

A torre de serviço móvel fornece uma plataforma operacional para montagem de foguetões e integração dos satélites. O corpo da torre é uma estrutura de aço de 11 andares com 55,23 metros de altura, 30,52 metros de comprimento e 20,9 metros de largura. A torre está equipada com uma ponte rolante com capacidade de elevação de 15 toneladas no gancho primário e 5 toneladas no gancho secundário. Existiam dois elevadores com capacidade de elevação de 500 kg nos dois lados da torre. Existiam seis andares na plataforma operacional no corpo da torre. O processamento de satélites era feito numa “sala limpa” localizada de 29 metros a 42 metros dentro do corpo da torre.

O centro de controle de lançamento subterrâneo era responsável por monitorizar e controlar remotamente a montagem do veículo de lançamento e dos satélites, coordenando as comunicações entre o complexo de lançamento e a área técnica, a previsão do tempo e a assistência médica. Consistia numa sala de tiro, três salas de teste de satélites e duas salas de teste de veículos lançadores, apoiadas por fonte de alimentação, sistema de ar condicionado e sistema de comunicação.

O Centro Técnico Norte (Zona 7), localizado a 22 quilómetros a Sul do local de lançamento, era a área de lançamento e processamento de foguetes e satélites. Os veículos lançadores e satélites eram transportados a partir dos seus locais de fabrico para o centro técnico via caminho-de-ferro. Depois de concluído o processamento inicial, os diferentes estágios dos lançadores eram transportadas em reboques rebocados por camião até à plataforma de lançamento, onde eram içadas para a posição na plataforma de lançamento, verificados e abastecidas.

A estrutura central do centro técnico era o complexo de processamento de veículos de lançamento e de cargas espaciais. O edifício consistia numa sala de processamento de 90 x 8 metros para preparação dos foguetões e satélites e uma sala de processamento de 24 x 8 metros para abastecimento de satélites. Havia também uma sala limpa para testes dos satélites. Os estágios dos lançadores e os satélites eram transportados para o edifício através de uma linha férrea dedicada. Um segundo edifício no centro era o Edifício de Verificação e Processamento de Motores de Propulsão Sólida, onde os motores de prepolente sólido nos satélites eram preparados.

A Zona de Lançamentos Sul é actualmente o único complexo de lançamento activo em Jiuquan. É composto por duas plataformas de lançamento (“921” e “603”) no Complexo de Lançamento LC43 e um centro técnico para processamento e verificação.

A Plataforma de Lançamento 91 (SLS-1), também conhecida como “Plataforma Shenzhou”, ou Plataforma 921, (Longitude: 100 ° 17.4’E; Latitude: 40 ° 57.4’N; Elevação acima do nível do mar: 1.073 m) é a principal plataforma de lançamento. A plataforma de lançamento é dedicada ao lançamento das missões do programa espacial tripulado utilizando o veículo de lançamento CZ-2F Chang Zheng-2F. As instalações da plataforma de lançamento incluem uma torre umbilical, uma plataforma de lançamento móvel, um par de condutas de chamas, uma sala de equipamentos subterrâneos, armazéns de propulsores e oxidantes, sistema de abastecimento de foguetes, fonte de alimentação, fornecimento de gás e sistema de comunicação.

A torre umbilical é uma estrutura de aço com 11 andares e 75 metros de altura, projectada para fornecer a carga de propelente e drenagem, gás, energia e ligações de comunicação para o veículo lançador e para a sua carga. Na torre existem instalações para verificações antes do lançamento, entrada da tripulação e saída de emergência. A torre está equipada com um guindaste de carga, um elevador de carga e um elevador à prova de explosão para a tripulação em caso de emergência. Em caso de emergência, um sistema de escape de lona está disponível para os astronautas saírem da plataforma de lançamento. A fonte de alimentação e outros equipamentos de suporte estão localizados dentro de uma sala subterrânea por debaixo da torre umbilical.

A torre umbilical é composta por uma estrutura fixa e um par de plataformas giratórias de seis andares. Uma vez chagado à plataforma de lançamento, as plataformas giratórias são balançadas para “abraçar” o foguetão para permitir que os procedimentos de abastecimento e verificações finais sejam conduzidas. A torre também contém uma área ambientalmente controlada e protegida para os astronautas entrarem na cápsula espacial. As plataformas rotativas são abertas uma hora antes do lançamento. Quatro braços oscilantes fornecem conexões para electricidade, gases e fluidos ao lançador e são recolhidos alguns minutos antes do lançamento.

Durante o lançamento, as chamas e a exaustão de alta temperatura dos motores do foguetão são direccionadas para a vala de chamas de betão armado através de um grande buraco redondo sob a plataforma de lançamento móvel. As chamas e gases são então desviados do veículo de lançamento através de dois canais de chama rectangulares localizados em ambos os lados da plataforma de lançamento.

A plataforma de lançamento móvel transporta o foguetão desde o edifício de integração e montagem de veículos situado na área técnica até a torre umbilical. A plataforma tem 24,4 metros de comprimento, 21,7 metros de largura e 8,34 metros de altura, e pesa 750 t. Move-se em carris de 20 metros de largura a uma velocidade máxima de 25 m/min, com uma taxa de aceleração inferior a 0,2 m/s. A plataforma demora 60 minutos para completar a viagem de 1.500 metros entre o edifício de montagem e a plataforma de lançamento.

A Plataforma de Lançamento 94 (SLS-2), também conhecido como “Plataforma Jianbing” (ou Plataforma 603), foi comissionada em 2003 para suportar lançamentos de satélites não tripulados para a órbita terrestre baixa usando os veículos de lançamento CZ-2C, CZ-2D e CZ-4B Chang Zheng-4B. As instalações da plataforma incluem uma torre umbilical de betão armado e um único canal de chamas. A plataforma adoptou um método de lançamento tradicional, onde o veículo de lançamento é montado verticalmente usando um guindaste para içar cada estágio. O veículo de lançamento é verificado na vertical, abastecido e, posteriormente, lançado.

As instalações de apoio da Zona de Lançamentos Sul, colectivamente conhecidas como Centro Técnico Sul, incluem o Edifício de Processamento Horizontal de Veículos de Lançamento (BL1), o Edifício de Montagem Vertical de Veículos de Lançamento (BLS), o Edifício de Operações Não Perigosas (BS2), o Edifício de Operações Perigosas de Veículos Tripulados (BS3) , Edifício de Verificação e Processamento de Motores de Propelente Sólido (BM), o Edifício de Processamento e Armazenamento de Pirotecnia (BP1, BP2) e o Centro de Controle de Lançamento (LCC). A instalação foi projectada para receber o foguetão lançador e a sua carga útil para montagem e testes, antes de serem movidos para a plataforma de lançamento.

Para uma missão dos veículos tripulados Shenzhou, a campanha de lançamento geralmente começa aproximadamente dois meses antes do lançamento. O veículo de lançamento CZ-2F é transportado em segmentos separados desde as Instalações 211 em Pequim até o Centro Técnico Sul via caminho-de-ferro. Após a sua chegada, o veículo é mantido no Edifício de Processamento Horizontal do Veículo de Lançamento para testes iniciais e preparação. O núcleo do veículo e os propulsores laterais são então montados dentro do BLS (o Edifício de Montagem Vertical).

A cápsula Shenzhou é transportada de Pequim para a Base Aérea de Dingxin por um avião de carga, e depois transportada por estrada até o local de lançamento, a 76 km de distância. A cápsula espacial é então integrada e testada no Edifício de Operação Não Perigosa de Naves Espaciais (BS2) e, em seguida, movida para o Edifício de Operação Perigosa de Veículos Tripulados (BS3) para abastecimento de combustível. O próximo passo é integrar a cápsula com a carenagem de carga e instalar a torre de escape emergência. A cápsula é então transportada para o BLS, onde é integrada no seu foguetão.

O edifício de integração vertical, oficialmente conhecido como o Edifício de Montagem Vertical do Veículo de Lançamento (BLS) serve como uma plataforma para a integração e montagem dos lançadores e da sua carga útil. O edifício é composto por duas salas de processamento vertical de 26,8 x 28 x 81,6 metros, cada uma equipada com uma plataforma móvel de 13 andares e uma grua de carga de 50 t. As duas salas permitem o processamento simultâneo de dois veículos lançadores. Na época da construção, dizia-se ser o edifício de betão armado de piso único mais alto do mundo, com o tecto de betão armado mais alto do mundo (86,1 metros acima do solo) e mais pesado (13.000 t).

O Centro de Controle de Lançamento (LCC) localizado ao lado do BLS monitoriza e coordena a campanha de lançamento. O centro é dividido em quatro salas funcionais: a Sala de Controle do Veículo de Lançamento, a Sala de Controle da Cápsula Espacial, a Sala de Comando de Exame e Lançamento e o Centro de Comunicações.

Lançamento Veículo Missão

Plataforma

Data Hora (UTC) Carga
2021-026 Chang Zheng-4C

(Y36)

01- (?)

LC43/94

30/Mar/21 22:45 Gaofen-12 (02)
2021-037 Chang Zheng-4C

(Y34)

01- (?)

LC43/94

30/Abr/21 07:27 Yaogan-34
2021-043 Chang Zheng-4B

(Y48)

01- (?)

LC43/94

19/Mai/21 04:03 Haiyang-2D
2021-053 Chang Zheng-2F/G

(Y12)

01- (TGZR1/SZ-12)

LC43/91

17/Jun/21 01:22:31,693 Shenzhou-12
2021-062 Chang Zheng-4C

(Y43)

01- (?)

LC43/94

04/Jul/21 23:28 Fengyun-3E
2021-067 Chang Zheng-2D

(Y62)

01- (?)

LC43/94

29/Jul/21 04:01 Tianhui-1 (04)
2021-F04 Shian Quxian-1 (Y5) ‘Tianshu’ 01- (?)

LC43/95B

03/Ago/21 07:39:30 Jilin-1 Mofang-01A
2021-076 Chang Zheng-2C/YZ-1S

(Y31/Y2)

01-136 (?)

LC43/94

24/Ago/21 11:15 Ronghe Tongxin Shiyan Weixing 01

Ronghe Tongxin Shiyan Weixing 02

Tongxin Jishu Shiyan Weixing

2021-086 Khuaizhou-1A

(Y4)

01-(?)

LC43/95A

27/Set/21 06:19 Jilin-1 Gaofen-02D
2021-092 Chang Zheng-2F/G

(Y13)

01-(?)

LC43/91

15/Out/21 16:23:56,469 Shenzhou-13

Imagens: Internet Chinesa e arquivo fotográfico do autor (quando não assinaladas)



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