Blue Origin lança missão suborbital NS-22

A empresa norte-americana Blue Origin realizou a sua sexta missão suborbital transportando turistas espaciais.

O lançamento da missão NS-22 (New Shepard 22) teve lugar às 1356:07 UTC do dia 4 de Agosto de 2022 a partir do complexo de lançamento de Corn Ranch, situado numa área desértica perto de Van Horn, Texas.

Após um curto voo suborbital de 10 minutos e 13 segundos, a cápsula RSS First Step contendo os seis turistas espaciais aterrou sem problemas às 1406:27UTC. O foguetão propulsor NS4 bem como a cápsula tripulada atingiram uma altitude máxima de 107 km.

A tripulação era constituída pelos turistas espaciais Coby Cotton, Mário Ferreira, Vanessa O’Brien, Clint Kelly, Sara Sabry e Steve Young.

Ao ultrapassar os 100 km de altitude, Mário Ferreira tornou-se no primeiro português a ultrapassar o limite inferior do espaço internacionalmente estabelecido pela Federação Internacional de Astronáutica.

O voo da New Shepard foi um voo suborbital, isto é, a velocidade que o veículo atinge não é a suficiente para o colocar em órbita em torno da Terra.

Poderemos dizer que Mário Ferreira é um astronauta?

No início da Conquista Espacial vulgarizaram-se dois termos que estavam associados ao ambiente político da época e que reflectiriam os objectivos a que tanto os Estados Unidos como a União Soviética se propunham.

Enquanto que o termo ‘astronauta’ foi utilizado pelos Estados Unidos para definir os seus viajantes espaciais quer estes realizassem voos suborbitais (Alan Shepard e Virgil Grissom) como voo orbitais (John Glenn e seguintes), o termo ‘cosmonauta’ foi utilizado para definir os seus viajantes espaciais.

Depois da missão de Yuri Gagarin e após o curto voo suborbital de Alan Shepard, o Presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, estabelecia o objectivo de chegar à Lua antes do final da década de 60. Assim, o termo ‘astronauta’ ficava definido como «aquele que viaja entre os astros». Por seu lado, a União Soviética não respondia ao ‘desafio’ de Kennedy e referia que os seus viajantes espaciais era viajantes do cosmos, logo «cosmonautas».

Curiosamente, mais tarde a França utilizaria o termo «espaçonauta« para se diferenciar das duas superpotências!

O termo ‘astronauta’ foi também aplicado aos pilotos de teste de caça que em missões de ensaio ultrapassavam a altitude dos 100 km, como aconteceu várias vezes com o avião norte-americano X-15.

Assim, os dois termos mais vulgares foram sendo utilizados ao longo da História Espacial para diferenciar os viajantes espaciais norte-americanos ou Ocidentais, dos viajantes espaciais soviéticos, russos ou do Bloco de Leste (missões Intercosmos).

Com o advento dos voos espaciais orbitais com tripulantes não profissionais, isto é, “turistas espaciais” ou “participantes em voos espaciais” (como foi o caso de Dennis Tito em Abril de 2001), tanto o termo ‘astronauta’ como ‘cosmonauta’ foi sendo aplicado sem se colocar a diferenciação específica da sua profissionalização. De igual forma, mas sofrendo um pouco de uma falta de rigor, o termo seria aplicado aos turistas espaciais em voos suborbitais.

Não sendo uma regra com uma precisão que possa agradar a todos os gostos, o Boletim Em Órbita considera a aplicação do termo ‘astronauta’ ou ‘cosmonauta’ (e já agora do termo ‘taikonauta’) àqueles que realizem um voo espacial orbital.

Assim, é utilizado o termo genérico “turista espacial” ou “participante em voo espacial” para definir a viagem a bordo da missão NS-22 por parte de Mário Ferreira.

Fotografias: Blue Origin



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