As plataformas de Cabo Canaveral

Existem lugares na Terra que se tornaram quase tão comuns como qualquer lugar das nossas vidas. Isto acontece não só para aqueles que se interessam no seu dia a dia pela exploração espacial. O principal local de lançamento de satélites dos Estados Unidos, Cabo Canaveral, é um desses lugares.

Tal como os grandes polígonos espaciais existentes na Rússia, o Cabo Canaveral é composto por um grande grupo de complexos, centros de controlo e unidades de apoio a nível de segurança, comunicações, centros operacionais e áreas recreativas. Desde o início da era dos mísseis e posteriormente a Era Espacial, foram construídos em Cabo Canaveral várias dezenas de complexos de lançamento que foram utilizados para o desenvolvimento de vários programas militares e civis.

Este trabalho tem por objectivo dar a conhecer estes complexos e um pouco da sua história e dos programas que suportaram.

Snark e Matador, os Complexos 1 e 2

O Complexo 1 e o Complexo 2 foram construídos para o desenvolvimento do míssil Snark, sendo também utilizado no lançamento de alguns mísseis Matador nos anos 50.

O míssil Snark (SSM-A-3/B-62/SM-62) foi o único míssil intercontinental terra-terra desenvolvido pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF – United States Air Force), mas manteve-se operacional por um curto período de tempo pois estava já obsoleto devido ao advento dos mísseis balísticos intercontinentais (ICBM – InterContinental Balistic Missile). Por seu lado, o míssil Matador (SSM-A-1/B-61/TM-61/MGM-1) foi o primeiro míssil operacional terra-terra das forças armadas dos Estados Unidos. As suas origens encontram-se no período imediatamente após a Segunda Guerra Mundial que à empresa Marntin Co foi atribuído um contrato para o desenvolvimento de um míssil terra-terra subsónico de curto alcance no âmbito do projecto MX-771 da USAF. Os últimos mísseis Matador foram retirados do serviço em 1962.

Lançamento de um míssil Snark em 1960. Imagem: 45 Space Wing Office of History

Lançamento de um míssil Matador a 18 de Julho de 1951. Imagem: 45 Space Wing Office of History

Os Complexos 1 e 2 foram entregues à USAF em 1953, tendo continuado a ser utilizados para o lançamento do Snark até 5 de Dezembro de 1960. Ambos os locais foram posteriormente utilizados como locais de aterragem de helicópteros de apoio ao Programa Mercury no início dos anos 60 e depois foram utilizados para o lançamento de aeróstatos entre 1983 e 1989.

No umbral do espaço, os Complexos 3 e 4

Os Complexos 3 e 4 foram construídos para o programa do míssil interceptor Bomarc, tendo também sido utilizados nas operações dos programas Bumper, Jason, Draco, Redstone, X-17 e Polaris.

O míssil interceptor Bomarc (Boeing F-99/IM-69/IM-99/CIM-10) foi o único programa de um míssil terra-ar desenvolvido pela USAF, pois todos os restantes programas deste tipo de míssil foram desenvolvidos pelo exército dos Estados Unidos. Capaz de atingir uma velocidade de Mach 3, o Bomarc foi posteriormente convertido em míssil alvo sendo lançado desde a Base Aérea de Vandenberg. Quando a produção deste míssil foi finalizada em 1965 haviam sido construídos aproximadamente 700 veículos pela Boeing.

Um míssil Bomarc durante os preparativos para o lançamento em Agosto de 1952. Imagem: 45 Space Wing Office of History.

O míssil Bumper era um veículo de dois estágios no qual o primeiro estágio era composto por um V-2 e o segundo estágio por um WAC-Corporal. Esta era uma configuração experimental destinada a investigar os factores então desconhecidos que poderiam estar associados à separação entre dois estágios e à ignição de um motor de foguetão a alta altitude. Seis destes mísseis foram lançados desde White Sands (Proving Gound), situado no Novo México, e dois foram lançados desde o Cabo Canaveral.

O pequeno foguetão-sonda Jason era um veículo de cinco estágios desenvolvido pela USAF e destinado a estudar o ambiente de radiação a uma altitude de 700 km a 800 km após a detonação de dispositivos nucleares a alta altitude. Estes veículos foram utilizados entre Julho e Setembro de 1958 para estudar os efeitos antes e após essas detonações no âmbitos dos testes Argus. Este veículo consistia num estágio Honest John (primeiro estágio), enquanto que o segundo e terceiro estágios eram compostos por estágios Nike, seguindo-se como quarto estágio um veículo Recruit e finalmente um estágio T-55. Em testes posteriores o Jason foi substituído pelos foguetões-sonda Javelin.

Ao lado: um foguetão-sonda Jason. Imagem: arquivo fotográfico do autor.

O veículo X-17 foi um programa de ensaios da força aérea dos Estados Unidos destinado a estudar os problemas na reentrada atmosférica ao simular as velocidades de reentrada e as condições que aí se desenvolviam utilizando um veículo lançador composto por três estágios de combustível sólido desenvolvido pela Lockheed. No total foram realizados 26 voos deste programa até Março de 1957. Os lançamentos eram levados a cabo desde o Complexo 3.

A 24 de Julho de 1950 (1429UTC) o Complexo 3 foi utilizado para o lançamento do Bumper-8 e em Novembro de 1951 o complexo era aceite pela USAF.

O segundo Bumper (Bumper-7) é lançado desde Cabo Canaveral a 29 de Julho de 1950 (1125UTC), atingindo um apogeu de 35 km de altitude e uma distância de 305 km. Este teste tinha como objectivo ser um ensaio à máxima distância para estudar os problemas associados à separação entre dois estágios. O lançamento foi inicialmente adiado devido à formação de humidade no veículo, mas quando foi finalmente lançado o estágio WAC-Corporal atingiu a máxima velocidade na atmosfera até à data (Mach 9 ou 2500 m/s).

Os mísseis Bumper-7 e Bumper-8 foram lançados desde Cabo Canaveral. Na imagem no topo vemos a chegada do míssil Bumper-8 ao então denominado Long Range Proving Ground após o seu transporte por terra desde White Sands. O centro de controlo de lançamentos do Complexo 3 (imagem ao centro) era uma pequena construção de madeira com o chão em e protegida por terra. Esta construção fornecia muito pouca protecção perante a explosão de um foguetão a apenas algumas centenas de metros de distância. Na imagem inferior vemos o Bumper-8 na plataforma de lançamento do Complexo 3 do Cabo Canaveral durante os preparativos para o seu lançamento. As plataformas visíveis no topo da estrutura de serviço permitiram aos técnicos a colocação do estágio WAC-Corporal no topo do estágio V-2. Curiosamente esta estrutura foi a primeira torre de lançamento móvel existente no Cabo Canaveral e consistia numa estrutura utilizada por pintores assente em rodas. Os técnicos tinham de subir pelos tubos da estrutura para atingir as partes superiores do lançador. Uma torre de lançamento utilizada mais tarde foi adaptada de uma torre de prospecção de petróleo e denominada ‘gantry’ em honra do homem que a idealizou, ‘Sr. Gantry’. Não existe registo do seu primeiro nome. Imagens: Air Force Space & Missile Museum.

O Complexo 3 foi também utilizado para o teste do míssil Polaris-A1 (UGM-27). Este míssil foi o primeiro veículo SLBM (Submarine-Launched Ballistic Missile) utilizado pela Marinha dos Estados Unidos (USN – United States Navy). A sua aparente imunidade a ataques preventivos fez dos SLBM um dos principais vectores das forças nucleares americanas. O primeiro e único lançamento de um Polaris desde o Complexo 3 teve lugar a 17 de Janeiro de 1958 e o veículo TV 1-204-10 atingiu um apogeu de 500 km.

Lançamento de um X-17 desde o Complexo 3. Imagem: arquivo fotográfico do autor

Um míssil Polaris-A1 no Complexo 3 de Cabo Canaveral em Abril de 1957 durante testes de compatibilidade. Imagem: 45 Space Wing Office of History

Os primeiros testes do míssil Redstone foram levados a cabo no Complexo 4 com o primeiro lançamento o ter lugar a 20 de Agosto de 1953 (1437UTC). Este lançamento (imagem em baixo do arquivo fotográfico do autor) resultou em fracasso quando o sistema de controlo teve uma avaria seguida de uma falha no sistema de fornecimento de energia a T+80s de voo. O segundo lançamento levado a cabo a 27 de Janeiro de 1954 (1520UTC) foi bem sucedido com o míssil Redstone RS-2 a atingir um apogeu de 90 km mas a falhar o alvo por 8,4 km.

Um outro pequeno lançador que utilizou o Complexo 4 foi o Draco. Este era um veículo de dois estágios composto por um TX-20 Sargeant e um segundo estágio composto por um X-30. Foram realizadas três missões teste a partir do Complexo 4 a 16 de Fevereiro de 1959, 16 de Março de 1959 e 27 de Abril de 1959, tendo esta última resultado em fracasso e as duas primeiras atingido um apogeu de 30 km de altitude.

Após o último lançamento de um míssil Bomarc a 15 de Abril de 1960 (míssil 631-8), o Complexo 4 foi convertido numa área de suporte médico para o Programa Mercury, sendo também utilizados para o lançamento de aeróstatos.

Os primeiros satélites, os Complexos 5 e 6

Muitos dos complexos do Cabo Canaveral estão hoje abandonados e deixados aos elementos, porém outros foram transformados em marcos históricos na conquista do espaço. Isto mesmo aconteceu ao Complexo 5 e ao Complexo 6. O primeiro lançamento de um míssil Redstone a partir do Complexo 6 teve lugar a 20 de Abril de 1955, três meses antes do complexo ter sido aceite pelo governo norte-americano. Por seu lado, o Complexo 5 assistiu a 19 de Julho de 1956 ao primeiro lançamento de um foguetão Jupiter-A.

Para além dos lançamentos levados a cabo pelos foguetões Redstone e Jupiter, estes complexos foram utilizados para o lançamento dos primeiros satélites Explorer e das primeiras sondas lunares Pioneer, além dos voos suborbitais do Programa Mercury.

A 31 de Janeiro de 1964 os dois complexos foram transferidos para a USAF para fazerem parte do seu museu espacial.

Imagem superior: a 1 de Março de 1959 (2151UTC) iniciava-se desde o Complexo 5 o voo primeiro míssil Jupiter-A (AM-1A) a ser lançado desde Cabo Canaveral. No entanto este voo terminaria a uma altitude de 14 km com a destruição do veículo devido a um sobreaquecimento na secção posterior.
Imagem inferior: Às 0510:56UTC do dia 3 de Março de 1959 era lançada desde o Complexo 5 a sonda Pioneer-4 (00113 1959-013A) por um foguetão Juno-II (AM-14). Esta foi a quarta sonda lunar desenvolvida no âmbito do Ano Internacional da Geofísica e consistia num projecto conjunto entre a ABMA (Army Ballistic Missile Agency) e o JPL (Jet Propulsion Laboratory) sobre a direcção da NASA. A Pioneer-4 tinha como objectivo um impacto na superfície lunar, mas passou a 60.200 km da Lua antes de entrar numa órbita solar.
Imagens: arquivo fotográfico do autor.

O Complexo 5 em Abril de 1961 e em baixo o Complexo 6 nos preparativos para o lançamento do Jupiter (AM-30) a 4 de Fevereiro de 1960 numa missão ABMA.

Complexos 9 e 10, a casa do míssil Navaho

Os Complexos 9 e 10 foram construídos no âmbito do programa do míssil balístico intercontinental alado Navaho. A USAF aceitou os dois complexos no dia 29 de Junho de 1956 e o primeiro lançamento a partir do Complexo 9 teve lugar a 6 de Novembro de 1956, enquanto que o primeiro lançamento a partir do Complexo 10 foi realizado a 22 de Março de 1957.

O projecto do míssil Navaho foi iniciado pela USAF logo após a Segunda Guerra Mundial quando se considerava que o desenvolvimento dos mísseis balísticos intercontinentais era impraticável do ponto de vista técnico. No entanto o míssil Navaho necessitava de um grande propulsor de combustível líquido para atingir a sua velocidade de ignição a Mach 3. Tornou-se também evidente que dominar os problemas de orientação e de materiais a Mach 3 era mais complicado do que inicialmente se previa, sendo mais problemático do que nos mísseis balísticos. Eventualmente o míssil balístico intercontinental Atlas iniciou os seus testes antes do voo do primeiro Navaho.

O programa de desenvolvimento do Navaho proporcionou as tecnologias que permitiram aos Estados Unidos o desenvolvimento rápido dos mísseis balísticos intercontinentais de forma a manter uma paridade com a União Soviética. A partir dos desenvolvimentos conseguidos com o míssil Navaho, surgiram os motores para os foguetões Redstone, Thor, Jupiter, Atlas, Titan e Saturn-I.

No total foram levados a cabo 11 lançamentos do míssil Navaho XSM-64 a partir dos dois complexos que acabaram por ser demolidos em 1959 para dar lugar à construção dos complexos que seriam utilizados pelos mísseis balísticos Minutman (Complexos 31 e 32).

O míssil Navaho G-26 antes do seu lançamento partir do Complexo 9. Esta imagem estará provavelmente relacionada com o último lançamento que teve lugar a 18 de Novembro de 1958.

Os Complexos 11, 12, 13 e 14 – Desenvolvimento do Atlas

Uma das principais forças motrizes do programa espacial americano foi o foguetão Atlas derivado do míssil balístico intercontinental com o mesmo nome. Para o desenvolvimento do Atlas foram construídos em Cabo Canaveral quatro complexos de lançamento que foram aceites para serviço entre Agosto de 1957 e Abril de 1958.

O Complexo 11 foi palco de 28 lançamentos de foguetões Atlas e 5 Atlas ABRS (Advanced Ballistic Reentry System) entre 19 de Julho de 1958 e 2 de Abril de 1964. Por seu lado, o Complexo 12 foi inaugurado a 10 de Janeiro de 1958 e assistiu ao lançamento de 9 missões Ranger e 4 missões Mariner entre 12 de Agosto de 1961 e 15 de Junho de 1967. O Complexo 13 foi inaugurado a 2 de Agosto de 1958, com o último lançamento de um Atlas a ter lugar a 13 de Fevereiro de 1962 sendo posteriormente convertido para os lançamentos do foguetão Atlas equipado com o estágio Agena. Este complexo foi entregue à NASA em 1966 sendo devolvido à USAF em Março de 1968. Entre 6 de Agosto de 1968 e 7 de Abril de 1978 o complexo assistiu ao lançamento de 11 Atlas / Agena que colocaram em órbita cargas para o departamento de defesa norte-americano.

Lançamento da sonda lunar Ranger-4 (00280 1962-012A) a 23 de Abril de 1962 por um foguetão Atlas Agena B (Atlas 133D / Agena B 6004 AA4) a partir do Complexo 12. Imagem: 45 Space Wing Office of History

O Complexo 14 foi utilizado para 32 lançamentos do foguetão Atlas e Atlas / Agena, incluindo 4 missões Mercury tripuladas e 7 lançamentos de alvos Agena e ATDA não tripulados para o Programa Gemini.

Em 1967 os Complexos 11, 12 e 13 são desactivados, enquanto que o Complexo 14 é desactivado em Abril de 1978. O Complexo 14 e a estrutura de serviço do Complexo 13 foram declarados marcos históricos americanos em Abril de 1984.

Nas duas páginas a seguir encontram-se duas imagens de lançadores Atlas no Complexo 14. A primeira é referente ao lançamento da missão MA-7 (Mercury Atlas-7) Aurora-7 (00295 1962-019A). O astronauta Malcom Scott Carpenter foi colocado em órbita por um foguetão Atlas-D (107D) que foi lançado às 1245:13UTC do dia 24 de Maio de 1962. A segunda imagem é referente ao lançamento do foguetão Atlas-D (130D) que colocou em órbita a missão MA-9 (Mercury Atlas-9) Faith-7 (22576 1963-015A) tripulada pelo astronauta Leroy Gordon Cooper. O lançamento teve lugar às 1304:13UTC do dia 15 de Maio de 1963.

Nos ombros do Titan, os Complexos 15, 16, 19 e 20

Estes complexos foram construídos para o programa do míssil balístico intercontinental Titan. Os complexos foram aceites pelo governo americano entre Fevereiro e Setembro de 1959 e foram utilizados para os testes e lançamento do míssil Titan-I em 1959 e nos princípios dos anos 60, com os Complexos 15 e 16 a serem utilizados para o programa do míssil Titan-II entre 16 de Março de 1962 e 10 de Abril de 1964.

O Titan-I foi o verdadeiro primeiro míssil balístico intercontinental multiestágios a ser desenvolvido nos Estados Unidos. Sendo o primeiro de uma série de lançadores, é único entre eles por utilizar uma combinação de oxigénio líquido e querosene RP-1 como propelentes enquanto que as versões posteriores utilizaram propelentes hipergólicos armazenáveis.

O Complexo 15 foi desactivado em Março de 1967 e desmantelado em Junho desse mesmo ano, enquanto que os restantes complexos foram modificados para serem utilizados noutros programas.

O Complexo 16 foi transferido para a NASA em Janeiro de 1966 para ser utilizado nos testes estáticos do motor de propulsão do módulo de serviço Apollo, sendo desactivado em 1969 e posteriormente transferido para a USAF em 1972. Em 1974 o complexo foi transferido para o exército americano e foi utilizado para 79 lançamentos do míssil Pershing-1A e 49 lançamentos do míssil Pershing-II entre 7 de Maio de 1974 e 22 de Março de 1978. O Complexo 16 foi desactivado em 1988 no âmbito do tratado INF (Internediate Nuclear Forces), com o equipamento utilizado nos lançamentos Pershing a ser removido.

Em 1962 e 1963 o Complexo 19 foi convertido no único complexo do programa Titan capaz de ser utilizado para lançamentos tripulados. Entre 8 de Abril de 1964 e 16 de Novembro de 1966 o complexo foi utilizado para dois lançamentos não tripulados e 10 lançamentos tripulados no Programa Gemini, sendo desactivado a 10 de Abril de 1967 e declarado um marco histórico americano em Abril de 1984.

O Complexo 20 foi modificado para quatro lançamentos do foguetão Titan-IIIA entre 1 de Setembro de 1964 e 7 de Maio de 1965. O complexo foi desactivado em Abril de 1967, sendo reactivado em finais dos anos 80. Este complexo foi seleccionado para o Programa Starbird em 1987 com um lançamento a ter lugar a 18 de Dezembro de 1990. Entre 18 de Junho de 1991 e 29 de Maio de 1993 o complexo foi utilizado para o lançamento da missão JOUST-I e quatro lançamentos Red Tigress e Red Tigress-II da SDIO (Strategic Defence Initiative Organization). A quase totalidade do equipamento electrónico e dos sistemas de lançamento foram removidos em 1995 tornando assim o complexo inactivo. A autoridade SFE (Spaceport Florida Authority) reactivou o complexo em 1999 com novos sistemas electrónicos e de lançamento a serem montados e com o complexo a ser reactivado em Janeiro de 2000.

Um míssil Pershing-1A é lançado desde o Complexo 16 do Cabo Canaveral a 17 de Fevereiro de 1977.

Lançamento do foguetão Titan-IIIA (3A-3) no dia 11 de Fevereiro de 1965 (1519:05UTC) a partir do Complexo 20 do Cabo Canaveral. Neste lançamento foi colocado em órbita o satélite LES-1 Lincoln Experimental Satellite-1 (01002 1965-008C).

Complexo 17, Thor e Delta

O Complexo 17 possui duas plataformas de lançamento que ainda são utilizadas nos nossos dias. O complexo foi construído para o programa do míssil balístico Thor em 1956. O míssil Thor (SM-75/PGM-17) foi o primeiro IRBM (Intermediate Range Ballistic Missile) utilizado pelas forças americanas, apesar da sua carreira militar ter sido muito curta os seus descendentes ainda são utilizados como lançadores espaciais. O primeiro lançamento a partir da Plataforma A foi levado a cabo a 30 de Agosto de 1957 (Thor DM-18 (104)), enquanto que o primeiro lançamento a partir da Plataforma B teve lugar a 25 de Janeiro de 1957 (Thor DM-18 (101)). Para além dos lançamentos dos mísseis Thor, o Complexo 17 começou a ser utilizado para missões espaciais nos finais dos anos 50.

O Complexo 17 de Cabo Canaveral com as plataformas A e B em 1961.

O complexo foi modificado no princípio dos anos 60 para poder ser utilizado por uma variedade de lançadores derivados do míssil Thor. Um total de 35 lançamentos de foguetões Delta foi levado a cabo entre 1960 e 1965. Por outro lado seis missões ASSET (Aerothermodynamic/Elastic Structural Systems Environmental Test) foram levadas a cabo no Complexo 17 entre 18 de Setembro de 1963 (Thor DSV-2F (232) ASSET-1) e 24 de Fevereiro de 1965 (Thor DSV-2G (248) ASSET-6).

A USAF transferiu o Complexo 17 para a NASA na Primavera de 1965, mas o completo voltou para a responsabilidade da força aérea americana em Outubro de 1988 para ser utilizado no programa do foguetão Delta-2. Com a continuação deste programa, a Plataforma B foi modificada em 1997 para poder ser utilizada por um novo lançador mais potente, o Delta-III. O Delta-III fez o seu primeiro lançamento a 23 de Agosto de 2000 (Delta-3 8930 (D280)).

Na totalidade o Complexo 17 levou a cabo 312 lançamentos de mísseis e missões espaciais entre Janeiro de 1957 e Setembro de 2006.

O foguetão Thor DSV-2F (232) fotografado na Plataforma de lançamento B do Complexo 17 de Cabo Canaveral a 28 de Agosto de 1963. Este veículo seria lançado às 0940UTC do dia 18 de Setembro e a sua missão foi a realização de um teste sub-orbital de um pequeno modelo de um avião espacial para testar os materiais para o X-20 Dynasoar, transportando o veículo ASV (Aero-thermodynamic structural test vehicle). O foguetão atingiu os 62 km de altitude e iniciou um voo em direcção ao solo, tendo o veículo ASV se separado a uma altitude de 59 km e a uma velocidade de 4,9 m/s. Após a amaragem o veículo foi observado com o seu pára-quedas na zona de recolha ao largo da Ilha de Ascensão, mas devido a um problema com o sistema de flutuação acabou por se afundar nas águas do Oceano Atlântico.

O Complexo 18

O Complexo 18 incluía duas plataformas de lançamento (18A e 18B). A Plataforma A foi utilizada para o lançamento de 14 foguetões Vanguard para a NASA e para a Marinha dos Estados Unidos entre 8 de Dezembro de 1956 (Vanguard TV0) e 19 de Setembro de 1959 (Vanguard / X-248 SLV-7). A Plataforma B foi utilizada para o lançamento de 17 mísseis Thor entre 4 de Junho de 1958 (Thor DM-18 (115)) e 2 de Março de 1960 (Thor DM-18A (272)).

A 5 de Dezembro de 1957 (1645UTC) o foguetão Vanguard (TV-3) explodia no Complexo LC18A do Cabo Canaveral após de elevar uns centímetros do solo.

Após o final do Programa Vanguard, a Plataforma A foi utilizada para o lançamento dos foguetões Blue Scout Junior da USAF entre 21 de Setembro de 1960 (Blue Scout Junior D-1) e 10 de Junho de 1965 (Blue Scout Junior 22-5). Por seu lado a Plataforma B foi utilizada para o lançamento dos foguetões Blue Scout-I, Blue Scout-II e Scout entre 7 de Fevereiro de 1961 e 13 de Abril de 1962.

O Complexo 18 foi desactivado a 1 de Fevereiro de 1967.

Um foguetão Blue Scout na Plataforma A do Complexo 18 do Cabo Canaveral a 19 de Maio de 1961.

Outros mísseis alados, os Complexos 21 e 22

Em meados dos anos 50 foi decidido reservar uma área perto do denominado Cape Lighthouse para a construção dos complexos destinados a serem utilizados para o desenvolvimento do míssil SM73 Bull Goose da USAF. Os trabalhos de construção tiveram início em 1956 e a USAF aceitou os dois complexos a 26 de Fevereiro de 1957.

No total os dois complexos levaram a cabo cinco lançamentos de modelos de mísseis Bull Goose e Goose, bem como 15 lançamentos de mísseis reais entre 13 de Março de 1957 (modelo) e 6 de Dezembro de 1958 (Goose 6). Em 1959 e 1960 os dois complexos foram reconstruídos para serem utilizados em 44 lançamentos do míssil de cruzeiro alado Mace-B, o último dos quais teve lugar a 17 de Julho de 1963. A partir desta data os dois complexos aguardaram outro programa de testes mas acabaram por ser desactivados no início dos anos 70.

Lançamento de um míssil Mace-B (57) a partir com Complexo 22 a 11 de Fevereiro de 1960. Imagem: 45 Space Wing Office of History

Primeiro lançamento de um míssil Mace a partir do Complexo 21 a 11 de Julho de 1960. Imagem: 45 Space Wing Office of History

Um míssil Bull Goose. Imagem: USAF

A ‘detent’ no mar – Complexos 25 e 29

Os Complexos 25 e 29 foram construídos para suportar os testes e lançamentos do programa de mísseis balísticos da USN, o Polaris. A marinha norte-americana ocupou as Plataformas 25A e 25B em Dezembro de 1957 e em Janeiro de 1958, respectivamente. O Complexo 25 levou a cabo 68 lançamentos de mísseis UGM-27 Polaris A-1 entre 18 de Abril de 1958 (Polaris TV 1-204-11 a partir da Plataforma 25A) e 6 de Março de 1965. Duas novas plataformas, 25C e 25D, foram construídas em 1967 para serem utilizadas no programa do míssil UGM-73 Poseidon. No total foram lançados 17 destes mísseis desde as plataformas 25C e 25D entre 16 de Agosto de 1968 (Poseidon-C3 C3X-1 desde a Plataforma 25C) e 30 de Junho de 1970 (Poseidon-C3 C3X-24 desde a Plataforma 25C).

Preparativos para o lançamento de um míssil Polaris a partir da Plataforma 25A a 24 de Setembro de 1958

As Plataformas 25A e 25B foram desmanteladas em Setembro de 1969, mas a Plataforma 25C foi utilizada para o lançamento do primeiro míssil UGM-96 Trident-1 desde Cabo Canaveral a 18 de Janeiro de 1977 (Trident C-4 C4X-1). Mais 17 mísseis Trident-1 foram lançados desde a Plataforma 25C entre 15 de Fevereiro de 1977 (Trident C-4 C4X-2) e 24 de Janeiro de 1979 (Trident C-4 C4X-21). O Complexo 25 foi desactivado e posteriormente desmantelado em 1979.

O míssil Polaris-A3 (A3X-01) na Plataforma 29A a 26 de Julho de 1962.

A construção do Complexo 28 teve início em Agosto de 1958. A marinha norte-americana ocupou este complexo em Julho de 1959 e a Plataforma 29A foi utilizada para 47 lançamentos do míssil Polaris entre 21 de Setembro de 1959 (Polaris-A1 A1X-1) e 2 de Novembro de 1967. O complexo foi colocado em estado de prontidão permanente em 1968 e foi melhorado para ser utilizado nos ensaios dos mísseis britânicos Chevaline (uma versão do míssil Polaris) em meados dos anos 70. O Complexo 29 foi utilizado para o lançamento de 10 mísseis Chevaline entre 12 de Setembro de 1977 (Polaris-A3 A3TK-PA) e 20 de Maio de 1980 (Polaris-A3 A3TK PT-3). O Complexo 29 foi desactivado em 1980.

Complexo 26, Redstone e Jupiter

O Complexo 26, com as suas duas plataformas de lançamento, foi construído para o exército norte-americano desenvolver o programa dos mísseis Redstone e Jupiter (SM-78/PGM-19). A sua construção teve início em 1956 e ambas as plataformas foram ocupadas em Maio de 1957. O primeiro lançamento a partir da Plataforma A teve lugar a 28 de Agosto de 1957 (às 2102UTC com o lançamento do míssil Jupiter (AM-2) num voo de pesquisa e desenvolvimento) enquanto que o primeiro lançamento da Plataforma B teve lugar a 22 de Outubro de 1957 (às 0107UTC com o lançamento do míssil Jupiter (AM-3) num voo de pesquisa e desenvolvimento).

Panorâmica da Plataforma A do Complexo 26 do Cabo Canaveral a 23 de Janeiro de 1961. Imagem: 45 Space Wing Office of History

Lançamento de treino da NATO de um míssil Jupiter (CM-209) a partir da Plataforma A do Complexo 26 do Cabo Canaveral a 22 de Abril de 1961. Imagem: 45 Space Wing Office of History

No total foram lançados 36 Redstone, Jupiter, Jupiter-C e Juno-II a partir do Complexo 26 antes da sua desactivação em 1964. A 20 de Novembro de 1964 o complexo foi destinado para o desenvolvimento do museu espacial da USAF que abriu ao público em 1966. O museu inclui a casa forte do Complexo 26, uma sala de exposição e uma área exterior de exposição com cerca de 70 mísseis e foguetões. O Complexo 26 foi declarado um marco histórico americano em Abril de 1984.

Preparativos para o lançamento do míssil Jupiter (AM-26) na Plataforma B do Complexo 26. O míssil seria lançado às 0003UTC do dia 17 de Dezembro de 1959 num voo de pesquisa e desenvolvimento. Imagem: 45 Space Wing Office of History

Desenvolvimento do Pershing, o Complexo 30

O Complexo 30 foi construído como uma instalação com duas plataformas de lançamento para o míssil Pershing (M-14/MGM-31) no início dos anos 60. O complexo foi ocupado pelo exército norte-americano a 8 de Janeiro de 1960 e entre 25 de Fevereiro de 1960 (míssil Pershing-I (105) lançado às 1832UTC a partir da Plataforma 30A) 25 de Abril de 1963 (míssil Pershing-I (521)), foram levados a cabo 49 lançamentos de mísseis Pershing a partir das suas plataformas ou de sistemas de lançamento colocados ou nas plataformas ou perto destas.

Lançamento do míssil Pershing-1 (105) às 1802UTC do dia 25 de Fevereiro de 1960 a partir da Plataforma A do Complexo 30 do Cabo Canaveral, numa missão de teste que atingiu uma altitude de 250 km. Imagem: 45 Space Wing Office of History

Após o final do programa de voo de ensaio dos mísseis Pershing, a estrutura de serviço móvel do Complexo 30 foi desmantelada em Fevereiro de 1968. Os testes do míssil Pershing-1A continuaram a partir do Complexo 31 a 21 de Fevereiro de 1973.

Complexos 31 e 32

Estes complexos foram construídos entre Julho de 1959 e Julho de 1960 para o programa do míssil Minuteman. Cada complexo possuía uma casa forte e duas plataformas de lançamento. As duas plataformas A foram construídas como plataformas planas convencionais, enquanto que as duas plataformas B foram construídas como silos de mísseis subterrâneos. Os complexos foram posteriormente modificados para serem utilizados por novas versões do míssil Minuteman.

Vista aérea dos Complexos 31 e 32 do Cabo Canaveral que foram utilizados para o lançamento dos mísseis Minuteman. Esta imagem data de 13 de Novembro de 1964. Imagem: 45 Space Wing Office of History

A Plataforma 31A foi utilizada pela primeira vez para o lançamento de um míssil Minuteman-1 (SM-80/LGM-30) a 1 de Fevereiro de 1961 (lançado às 1559UTC, o míssil Minuteman-1A (401) atingiu um apogeu de 1300 km). Por seu lado a Plataforma 32B levou a cabo os primeiros lançamentos dos mísseis Minuteman-II a 24 de Setembro de 1964 (Minuteman-2 (449)) e Minuteman-III a 6 de Agosto de 1968. No total foram lançados 92 mísseis Minuteman desde os complexos entre 1 de Fevereiro de 1961 e 14 de Dezembro de 1970 (lançado às 1530UTC, o míssil Minuteman-3 (STM-2) atingiu os 1300 km de apogeu).

A plataforma A do Complexo 32 do Cabo Canaveral a 18 de Julho de 1960. Imagem: 45 Space Wing Office of History

Em 1973 a Plataforma 31A foi utilizada por um curto espaço de tempo para o programa de testes do míssil Pershing-1A. As baterias do 84º Batalhão e do 41º Batalhão do Sétimo Exército americano dispararam 12 mísseis Pershing-1A desde a Plataforma 31A entre Fevereiro e Março de 1973.

Primeiros passos para a Lua, os Complexos 34 e 37

Os Complexos 34 e 37 foram utilizados no desenvolvimento do programa do foguetão Saturn-I e Saturn-IB. A construção do Complexo 34 teve início em Junho de 1959 e a NASA aceitou as suas instalações a 10 de Janeiro de 1962. O Complexo 37 foi construído em 1962 e foi ocupado pela NASA em Janeiro de 1963. No total foram lançados 4 foguetões Saturn-I e 3 foguetões Saturn-IB desde o Complexo 34 entre 27 de Outubro de 1961 (lançado às 1506UTC, o foguetão Saturn C-1 (SA-1) fez uma demonstração esplêndida do programa espacial americano de então) e 12 de Outubro de 1968 (lançado às 1502UTC, o foguetão Saturn-IB (SA-205) colocou em órbita a cápsula Apollo-7 tripulada pelos astronautas Walter Marty Schirra, Jr., Donn Fulton Eisele e R. Walter Cunningham). Por seu lado o Complexo 37 levou a cabo 8 lançamentos do foguetão Saturn-I e do foguetão Saturn-IB, incluindo o primeiro lançamento de um módulo lunar Apollo, entre 29 de Janeiro de 1964 (lançado às 1625UTC, o foguetão Saturn-I (SA-5) colocou em órbita o estágio Saturn-5 (00744 1964-005A)) e 22 de Janeiro de 1968 (lançado às 2248UTC, o foguetão Saturn-IB (SA-204) colocou em órbita a Apollo-5 (03107 1964-007B) com um módulo lunar não tripulado).

O complexo 34 a 14 de Agosto de 1963. Imagem: 45 Space Wing Office of History

O complexo 34 do Cabo Canaveral na actualidade. Imagem: arquivo fotográfico do autor

Após o último lançamento a 12 de Outubro de 1968, o Complexo 34 foi colocado em ‘stand-by’ pela NASA para uma futura utilização no Programa Skylab. Porém, a NASA decidiu posteriormente utilizar o Complexo 39B em Merrit Island em vez do Complexo 34 para os voos tripulados Skylab.

Os dois complexos foram abandonados em Novembro de 1971 e as suas estruturas de serviço foram desmanteladas em Abril de 1972. A NASA manteve o controlo dos dois complexos e ambos se tornaram paragens obrigatórias nas visitas da NASA. O Complexo 34 foi declarado um marco histórico americano em Abril de 1984.

Construção do Complexo 37 datada de 28 de Janeiro de 1963. Imagem: 45 Space Wing Office of History

Ambos os complexos permaneceram inactivos até aos anos 90, altura em que o Complexo 37 reemergiu para ser utilizado por um novo foguetão lançador. A 8 de Junho de 1998 a Boeing recebeu o direito de entrada no Complexo 37 para o seu programa EELV (Evolved Expendable Launch Vehicle). A empresa Raython (subcontratada da Boeing) finalizou a construção de uma nova torre de serviço móvel em Março de 2000 e em Novembro desse mesmo ano eram finalizados os trabalhos na torre umbilical. O primeiro Delta-4 foi lançado desde o Complexo 37 a 20 de Novembro de 2002, enquanto que a primeira missão militar foi lançada a 11 de Março de 2003. O primeiro Delta-4 Heavy foi lançado desde o Complexo 37 a 21 de Dezembro de 2004.

Lançamento do primeiro Delta-4 Heavy (Delta-4 Heavy/4050H (D310)) a partir do Complexo 37B às 2150UTC do dia 21 de Dezembro de 2004. Imagem: Gene Blevins/LA Daily News

O Complexo 36

O Complexo do Cabo Canaveral foi construído para o desenvolvimento do Programa Atlas/Centaur e foi operado com o apoio da NASA desde o nascimento do programa até ao final dos anos 80. O complexo foi construído e ocupado como uma única plataforma de lançamento em Fevereiro de 1961, mas uma segunda plataforma de lançamento (36B) foi construída entre Fevereiro de 1963 e Julho de 1964.

O Complexo 36 em Janeiro de 1961. Imagem: 45 Space Wing Office of History

O Complexo 36 foi o palco para o lançamento de muitas missões históricas nos programas não tripulados Surveyor, Mariner, Pioneer, Intelsat-IV e Intelsat-V ao longo de muitos anos. O Complexo 36 foi utilizado para o lançamento do primeiro satélite Fleet Satellite Communications (FLTSATCOM) a 9 de Fevereiro de 1978 (às 2117UTC com o foguetão SLV-3D Centaur (AC-44) / Centaur D-1AR (5024)). Mais seis missões FLISATCOM foram lançadas desde o Complexo 36 na seguinte década. Após o lançamento do satélite FLTSATCOM-8 a 25 de Setembro de 1989 (ás 0841UTC por um foguetão Atlas-G Centaur (AC-68) / Centaur D-1AR (5047G)), a NASA transferiu o Complexo 36 para a USAF e para a General Dynamics para operações militares e comerciais. O complexo foi modificado para poder operar com o foguetão Atlas-II/Centaur e a primeira missão comercial foi lançada desde a Plataforma 36B a 7 de Dezembro de 1991 (um foguetão Atlas-II (AC-102) / Centaur-II (8102) colocou em órbita às 2247UTC o satélite Eutelsat-II F3 (21803 1991-083A)). A primeira missão militar foi lançada desde a Plataforma 36A a 31 de Agosto de 2004 (um foguetão Atlas-2AS (AC167) colocou em órbita o satélite USA-179 ‘NRIL-1 Nemesis’ (28384 2004-034A)), concluindo o programa Atlas-II/Centaur.

Ao lado: SLV-3C Centaur (AC-17/5104C) lançado às 2233UTC do dia 10 de Agosto de 1968 que colocaria em órbita o satélite ATS-4 (03344 1968-068A). 

A Lockheed Martin introduziu o novo programa do Atlas-III com o primeiro lançamento a ter lugar da Plataforma 36B a 24 de Maio de 2000 (às 2310UTC um foguetão Atlas-3A (AC-201) colocaria em órbita o satélite Eutelsat-W4 (26369 2000-028A). A Lockheed Martin lançaria o primeiro Atlas-3B a partir da Plataforma 36B a 21 de Fevereiro de 2002 (às 1243UTC um foguetão Atlas-3B (AC-204) colocaria em órbita o satélite EchoStar-7 (27378 2002-006A)). Mais dois Atlas-3B seriam lançados da Plataforma 36B em 2003. No total o complexo foi utilizado para o lançamento de 145 missões entre 8 de Maio de 1962 e o final do programa do Atlas-3B.

Complexo 39, plataformas para a Lua

O Complexo 39 foi construído em Merrit Island situada a nor-noroeste do Cabo Canaveral para o Programa Apollo. O projecto inicial previa a construção de três plataformas de lançamento (39A, 39B e 39C), mas a construção da Plataforma 39A acabou por ser cancelada no decorrer já da construção das restantes plataformas (a designação da Plataforma 39C foi posteriormente alterada para 39A). O complexo foi posteriormente modificado para o Programa do Vaivém Espacial.

A construção do Complexo 39 teve início a Dezembro de 1963, com o Complexo 39A a ser finalizado a 4 de Outubro de 1965 e o Complexo 39B a ser finalizado a 30 de Novembro de 1966. O Complexo 39A foi utilizado para o lançamento de duas missões Saturn-V/Apollo não tripuladas e nove missões tripuladas. Desta mesma plataforma foi colocada em órbita a estação espacial Skylab a 14 de Maio de 1973. Por seu lado, o Complexo 39B fui utilizado para o lançamento da missão Apollo-10 a 18 de Maio de 1969 e após algumas modificações fui utilizado para o lançamento das três missões tripuladas Skylab a 25 de Maio de 1973, 28 de Julho de 1973 e 16 de Novembro de 1973. A plataforma B foi também utilizada para o lançamento da missão Apollo/Soyuz a 15 de Julho de 1975.

Ambas plataformas foram modificadas para serem utilizadas pelos vaivéns espaciais com a Plataforma 39A a ser utilizada para o primeiro lançamento do vaivém espacial OV-102 Columbia a 12 de Abril de 1981. O Complexo 39B foi utilizado pela primeira vez a 28 de Janeiro de 1986 para o lançamento da missão STS-51L do vaivém espacial OV-099 Challenger.

Juntamente com a construção do Complexo 39 em Merrit Island foi construído o edifício de montagem VAB (Vehicle Assembly Building) no interior do qual se procedia à integração e montagem dos foguetões Saturn-IB, Saturn-V e actualmente dos vaivéns espaciais. Esta imagem foi obtida em princípios de 1965 e são visíveis também as três torres móveis de lançamento. Imagem: NASA

O foguetão Saturn-V (SA-501) com a cápsula Apollo-4 (03032 1967-113A) não tripulada, encontra-se no Complexo 39A a 26 de Agosto de 1967. O seu lançamento teria lugar às 1200UTC do dia 9 de Novembro de 1967. Imagem: 45 Space Wing Office of History

Lançamento do vaivém espacial OV-102 Columbia a partir do Complexo 39B a 22 de Fevereiro de 1996 (2018:00UTC) para a missão STS-75 USMP-3. Imagem: NASA

Complexos 40 e 41

Estes complexos foram construídos como parte das instalações ITL (Integrated-Tranfer-Launch) na ponta Norte do Cabo Canaveral no início dos anos 60. Ambos os complexos foram originalmente desenhados para o lançamento do foguetão Titan-IIIC que tiveram início a 18 de Junho de 1965 (veículo 3C-7 lançado às 1400:04UTC que colocou em órbita uma carga de balastro (01412 1965-047A) e o Transtage-7 (01413 1965-047B)). Após o primeiro lançamento de um Titan-IIIC a partir do Complexo 40 a 18 de Junho, o Complexo 41 realizou o seu primeiro lançamento a 21 de Dezembro de 1965 (veículo 3C-8 lançado às 1400:01UTC que colocou em órbita os satélites OV2-3 (01863 1965-108A), LES-3 (01941 1965-108D), LES-4 (01870 1965-108B), Oscar-4 (01902 1965-108C) e o Transtage-8 (01863 1965-108A)). Nas décadas seguintes os dois complexos levaram a cabo uma grande variedade de missões militares com os foguetões Titan-IIIC, Titan-34D e Titan-IV. O Complexo 41 foi utilizado pela NASA para o lançamento das missões Viking a Marte por foguetões Titan-IIIE/Centaur em 1975 e para o lançamento das duas sondas Voyager em 1977. Apesar do Complexo 41 ter sido desactivado em finais de 1977, foi posteriormente melhorado para o foguetão Titan-IV entre 1986 e 1988. O primeiro lançamento de um Titan-IV a partir do Complexo 41 teve lugar a 14 de Junho de 1989 (um foguetão Titan-402A/IUS (K-1 45D-1) lançado às 1318UTC, colocou em órbita o satélite militar DSP-F14 (20066 1989046A)). Entre Junho de 1990 e Junho de 1993 o Complexo 40 foi quase completamente reconstruído para ser utilizado pelo lançador Titan-IV. O primeiro lançamento deste veículo a partir do Complexo 40 teve lugar a 7 de Fevereiro de 1994 quando um foguetão Titan-401A/Centaur (K-10 45E-3) colocou em órbita o satélite militar Milstar DFS-1 (22988 1994-009A).

Construção do Complexo 40 a 2 de Janeiro de 1964. Imagem: 45 Space Wing Office of History

No final de Dezembro de 2004 os dois complexos haviam sido palco de 81 lançamentos de foguetões Titan-IIIC, Titan-IIIE, Titan-34D, Titan-III Commercial e Titan-IV.

Após a última missão de um Titan-IV no Complexo 41 a 9 de Abril de 1999 (às 1701:00UTC um foguetão Titan-402B/IUS (4B-27 k-32) colocou em órbita o satélite USA-142 ‘DSP-F19’ (25669 1999-017A)), a Lockheed Martin demoliu a velha torre móvel de serviço para dar lugar ao novo Atlas-5. No complexo procedeu-se à construção das instalações de integração vertical VIF (Vertical Integration Facility) em Março de 2000 e o novo centro de operações Atlas ASOC (Atlas-5 Spaceflight Operations Center) foi finalizado em 2001. O primeiro lançamento de um Atlas-5 teve lugar a 21 de Agosto de 2002.

Às 1400:01UTC do dia 16 de Junho de 1966 era lançado o foguetão Titan-IIIC (3C-11) a partir do Complexo 41. Este veículo colocaria em órbita sete satélites IDCSP. Imagem: arquivo fotográfico do autor

O foguetão Titan-402B/IUS (4B-27 k-32) que colocou em órbita o satélite USA-142 ‘DSP-F19’ (25669 1999-017A) a 9 de Abril de 1999 a guarda a hora do seu lançamento a partir do Complexo 41. Imagem: arquivo fotográfico do autor

Os Complexos 43 e 47

Estes dois complexos foram utilizados para o lançamento de foguetões meteorológicos no Cabo Canaveral, tendo sido lançados aproximadamente 4680 veículos a partir do Complexo 43 entre 1962 e 1984. Em Março de 1984 as operações relacionadas com estes lançamentos foram transferidas para o Complexo 47, facilitando assim a construção do Complexo 46.

Para além do lançamento dos foguetões meteorológicos, o Complexo 47 foi utilizado para o lançamento de foguetões sonda comerciais de combustível sólido, os Loft-1, em Novembro de 1988. O complexo foi também utilizado para o lançamento de dois foguetões sonda suborbitais PWN-10 Super Loki a 14 de Outubro de 1992 (missão integrada no Student Launch Prog Education tendo atingido um apogeu de 75 km de altitude) e 7 de Novembro de 2003 (lançamento de demonstração que atingiu um apogeu de 60 km, tendo sido considerado um fracasso).

A USAF transferiu o Complexo 47 para a autoridade espacial da Florida a ‘custo zero’ a partir de 5 de Junho de 2003.

Complexo 45

Construído em 1975 para ser utilizado para o lançamento dos mísseis Roland, o projecto foi finalizado pelo exército americano em 1976 antes de se proceder a qualquer lançamento.

As instalações do Complexo 45 do Cabo Canaveral a 27 de Fevereiro de 1976 (imagem superior). Em baixo: sistema de transporte e lançamento do míssil Roland no Complexo 45 em Fevereiro de 1976. Imagens: 45 Space Wing Office of History

O míssil Trident e operações comerciais, o Complexo 46

Com o desenvolvimento do míssil Trident-II da Marinha dos Estados Unidos foi necessário se proceder à construção do Complexo 46 no Cabo Canaveral. A sua construção teve início em Fevereiro de 1984 e o complexo foi certificado em Novembro de 1986. O primeiro lançamento de um Trident-II foi levado a cabo a 15 de Janeiro de 1987 (o lançamento teve lugar às 1525UTC e o míssil Trident-II D-5 (D5X-1) atingiu um apogeu de 1000 km). Mais 18 mísseis Trident-II foram lançados desde o Complexo 46 entre 17 de Março de 1987 (lançado às 1725UTC e o míssil Trident-II D-5 (D5X-2) atingiu um apogeu de 1000 km) e 26 de Janeiro de 1989 (lançado às 0907UTC e o míssil Trident-II D-5 (D5X-20) atingiu um apogeu de 1000 km). Quando as operações do míssil Trident-II foram transferidas para o mar em finais de 1989, o complexo foi colocado em ‘stand-by’ aguardando qualquer requerimento especial por parte do programa dos mísseis Trident-II. Porém, tais requerimentos não surgiram nos anos 90 e a autoridade espacial da Florida ganhou um contrato da USAF para redesenhar o Complexo 46 para poder levar a cabo lançamentos de veículos espaciais de pequeno porte, tal como o foguetão LMLV-2 da Lockheed Martin. Em Março de 1996 é levada a cabo uma revisão crítica do complexo e os trabalhos de construção têm início pouco tempo depois. As modificações introduzidas no complexo incluíram uma nova estrutura de lançamento, uma estrutura de acesso móvel ao lançador uma fundação umbilical, e condutas e trincheiras de serviço.

A 15 de Janeiro de 1987 (1525UTC) tinha lugar o lançamento do míssil Trident-II D-5 (D5X-1) que atingiu um apogeu de 1000 km. Imagem: 45 Space Wing Office of History

O novo Complexo 46 foi aberto para operações espaciais a 29 de Maio de 1997 e o primeiro lançamento espacial teve lugar a 7 de Janeiro de 1998 quando um foguetão Athena-II (LM-004) transportou a sonda Lunar Prospector (25131 1998-001A).

A 7 de Janeiro de 1998 o foguetão Athena-II (LM-004) transportou a sonda Lunar Prospector para a órbita lunar (25131 1998-001A).

 

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