Últimas palavras da Rosetta: a ciência desce para um cometa



A Rosetta da ESA completou a sua incrível missão a 30 de Setembro, obtendo imagens e dados sem precedentes até ao momento do contacto com a superfície do cometa.

O sinal da Rosetta desapareceu dos ecrãs no controlo da missão da ESA às 11:19:37 GMT, confirmando que a sonda havia chegado à superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e desligado cerca de 40 minutos antes e a 720 milhões de quilómetros da Terra.

Uma das últimas informações recebidas da Rosetta foi enviada pelos seus ‘rastreadores de estrelas’ de navegação: um relatório de um “objecto grande” no campo de visão – o horizonte do cometa.

A última imagem da Rosetta

A reconstrução da descida final mostrou que a sonda tocou suavemente a superfície apenas a 33 m do ponto-alvo.

A precisão destacou, mais uma vez, o excelente trabalho dos especialistas em dinâmica de voo que apoiaram toda a missão.

O local, no interior de um antigo poço na região de Ma’at, na cabeça do cometa, foi denominado Sais, depois de uma cidade onde a Pedra da Rosetta foi originalmente localizada.

Numerosas imagens foram tiradas do poço vizinho, capturando detalhes incríveis das suas paredes em camadas, que serão usadas para ajudar a decifrar a história geológica do cometa.

A imagem final foi adquirida a cerca de 20 m acima do ponto de impacto. Além disso, uma série de instrumentos da Rosetta de análise de pó, gás e plasma recolheu dados.

Foi observado um aumento da pressão da saída de gás do cometa à medida que a superfície se aproximava. Análises revelaram temperaturas entre cerca de -190ºC e -110ºC até alguns centímetros abaixo da superfície. A variação foi provavelmente devida a sombras e topografia local à medida que a Rosetta voou através da superfície.

Uma última medida da emissão de vapor de água foi feita a 27 de Setembro, estimando-se que o cometa estava a emitir o equivalente a duas colheres de sopa de água por segundo. Durante o seu período mais activo, em Agosto de 2015, as estimativas eram na escala de duas banheiras de água a cada segundo.

Locais de desembarque de cometa no contexto

As primeiras indicações das leituras espectrais mostram que não há diferenças significativas na composição da superfície a altas resoluções obtidas até ao final, e não houve indicação óbvia de pequenos campos gelados perto do local de aterragem.

As medições também sugerem um aumento em grãos de poeira muito pequenos – possivelmente cerca de um milionésimo de milímetro – perto da superfície.

A última observação do coma de gás em torno do cometa foi feita no dia anterior à descida final. O dióxido de carbono estava ainda a ser emitido, e para distâncias maiores do que quando o cometa se estava a aproximar do Sol.

As condições de vento solar estáveis reinaram durante as medições finais do vento solar e do campo magnético interplanetário, fornecendo valores de fundo “silenciosos” que serão importantes para a calibração.

Foram observadas densidades plasmáticas do cometa decrescentes a partir de cerca de 2 km acima da superfície, sem a detecção óbvia de desgaseificação local a partir dos poços de Ma’at.

As medições do campo magnético até 11 metros acima da superfície confirmaram as observações anteriores do cometa como um corpo não-magnético.

Não foram recolhidas grandes partículas de poeira durante a descida, um resultado interessante. As primeiras impressões são de que a produção de vapor de água observada era demasiado baixa para levantar grãos de poeira acima de um tamanho detectável a partir da superfície.

É óptimo ter estas primeiras informações do último conjunto de dados da Rosetta“, diz Matt Taylor, Cientista do Projecto Rosetta da ESA. “As operações foram completadas há mais de dois meses e as equipas dos instrumentos estão muito focadas em analisar os enormes conjuntos de dados recolhidos durante os mais de dois anos de Rosetta no cometa.

Os dados deste período serão eventualmente disponibilizados nos nossos arquivos, da mesma forma que todos os outros dados da Rosetta.”

Notícia e imagens: ESA

Texto corrigido para Língua Portuguesa pré-AO90

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