STS-135 – a última missão do vaivém espacial (III)



Esta é a terceira e última parte do artigo sobre a última missão do vaivém espacial

No último dia da última visita de um vaivém espacial, no Dia de Voo n.º 10, a tripulação irá finalizar as últimas transferência de carga do módulo MPLM Raffaello para o complexo orbital, encerrando depois a escotilha do MPLM, proceder à despressurização do vestíbulo entre o Harmony e o módulo e preparar para a sua separação da ISS.

Operando o Canadarm2, Hurley e Magnus irá agarrar o Raffaello e, após os seus pontos de fixação serem desparafusados, o módulo de carga cheio com items para serem trazidos de volta para a Terra, será removido da estação e baixado para o porão de carga do Atlantis onde será fixado no seu devido lugar para a viagem de regresso.

Então, será a altura para os astronautas do Atlantis dizerem adeus à tripulação da Expedição 28. No final do Dia de Voo n.º 10, serão encerradas as escotilhas entre o porto de acoplagem do Pressurized Mating Adapter-2 e o Atlantis, sendo iniciados os preparativos para a separação definitiva no dia seguinte.

Na manhã do Dia de Voo n.º 11, 12,5 anos após ter sido iniciada a construção da estação espacial internacional pelo vaivém espacial Endeavour com a união entre o módulo Unity e o módulo russo Zarya na missão STS-88, o vaivém espacial Atlantis separar-se-á da ISS pela última vez.

Com Hurley a comandar o Atlantis a partir do convéns posterior, o vaivém irá separar-se lentamente do complexo orbital, deixando para trás quase 453 toneladas de equipamentos internacionais e um laboratório espacial totalmente abastecido e que se espera que venha a funcionar por mais uma década.


Hurley irá levar a cabo uma volta final de despedida em torno da estação espacial á medida que os seus companheiros de tripulação obtêm fotografias e imagens de vídeo de alta-definição, a última vez que uma tripulação de um vaivém espacial irá ver a ISS desta forma. Pouco mais de uma hora a voar em torno da ISS a uma distância de cerca de 180 metros, Hurley irá activar os motores de manobra do Atlantis para se afastar do complexo orbital.

No fianl deste dia, Fergusson, Hurleu e Magnus irão levar a cabo uma última inspecção do escudo térmico do Atlantis com o OBSS antes de ser armazenado de volta no porão de carga do vaivém. Será a última vez que o braço robótico do vaivém espacial será utilizado, tendo-o sido pela primeira vez a bordo do vaivém espacial Challenger em Abril de 1983 durante a missão STS-7, tendo na altura sido operado pela primeira astronauta norte-americana a voar no espaço, Sally Ride.

O Dia de Voo n.º 12 verá Fergusson e Hurley a activar uma das unidades de energia auxiliares para procederem à tradicional verificação das superfícies aerodinâmicas do vaivém  seguindo-se a activação dos seus motores de manobra para garantir que o vaivém espacial está pronto para suportar a sua última descida para a Terra no dia seguinte.

Logo após a verificação dos sistemas de controlo, a tripulação irá enviar os comandos para a colocação em órbita a partir do porão de carga de um pequeno satélite de demonstração denominado PicoSat. Este satélite irá enviar dados para os investigadores acerca da performance das células solares que cobram o nanossatélite, sendo estes dados analisados para determinar a sua utilização futura noutros satélites.

A tripulação irá então arrumar os materiais utilizados durante a missão, armazenar a antena Ku pela última vez e finalizar os preparativos para a aterragem.

No Dia de Voo n.º 13, a tripulação irá envergar os seus fatos espaciais pressurizados, encerrar as portas do porão de carga do Atlantis pela última vez, e com a aprovação do Director de Reentrada, Anthony Ceccaci, no  Centro de Controlo de Missão em Houston, Texas, activar os motores do sistema de manobra orbital para dar início à última etapa da sua derradeira viagem.

A aterragem está prevista para ter lugar a 20 de Julho, o 42º aniversário da histórica alunagem da Apollo-11, na Shuttle Landing Facility no Centro Espacial Kennedy pouco antes do nascer do Sol. A demanda de 30 anos do vaivém espacial para alargar as fronteiras da exploração, para fornecer uma nova visão do Universo e para construir uma via internacional para o espaço, terá então terminado.


Imagens: NASA

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