STS-135 – a última missão do vaivém espacial (II)



Esta é a segunda parte do artigo iniciado ontem sobre a última missão do vaivém espacial.

Após a acoplagem e da palestra de segurança, as primeiras tarefas a levar a cabo será a remoção do sistema de sensores do porão de carga do Atlantis. Garan e Furukawa irão utilizar o Canadarm2 para chegarem ao OBSS que será entregue pelo Canadarm operado por Fergusson e Hurley. O OBSS será utilizado uns dias mais tarde para inspeccionar de novo o escudo térmico do Atlantis.

O Dia de Voo n.º 4 será dedicado à remoção e instalação do MPLM Raffaello no módulo Harmony. Hurley e Magnus estarão a controlar o Canadarm2 para elevar o módulo de 12,5 toneladas do porão de carga do Atlantis e lentamente o manobrarem para a sua instalação no porto de acoplagem na posição nadir do Harmony onde um conjunto de parafusos o irá fixar ao mecanismo de fixação do módulo. 

A tripulação irá então levar a cabo uma verificação da não existência de fugas e pressurizar a curta passagem entre o Harmony e o Raffaello antes de abrirem as escotilhas para dar início à transferência da carga crítica que irá manter o laboratório espacial armazenado durante quase um ano.

No final do dia, a tripulação do vaivém espacial irá juntar-se aos membros da tripulação da ISS, Fossum e Garan, para rever os procedimentos  para a única actividade extraveícular (passeio espacial) da missão que será conduzido por Fossum e Garan no dia seguinte. Os últimos passeios espaciais realizados por membros da tripulação de um vaivém espacial foram realizados no mês de Maio de 2011 na missão STS-134.


Em vez de passarem a noite no módulo Quest, tal como foi feito em quase todos os passeios espaciais, será utilizado um novo procedimento que foi ensaiado na missão STS-134. O procedimento, denominado ISLE (In-Suit Light Exercise) é um protocolo que requer a utilização de menos consumíveis para os dois astronautas e necessita de menos tempo para se fazer a purga de nitrogénio das suas correntes sanguíneas para assim evitar a doença da descompressão quando deixarem o Quest para o vácuo espacial. A técnica ISLE, inaugurada pelos astronautas Drew Feustel e Michael Fincke, antes do terceiro passeio espacial da missão STS-134, será utilizada por Fossum e Garan na manhã do Dia de Voo n.º 5. O procedimento é melhor exemplificado com os astronautas a flexionarem as suas pernas e a realizarem pequenos exercícios para aumentar o fluxo de sangue enquanto permanecem envergando os fatos extraveículares.

O passeio espacial a partir do Quest será o 160º passeio espacial dedicado à manutenção ou construção da estação espacial internacional. Será o 7º passeio espacial de Fossum, que já acumulou 42 horas e 1 minuto de tempo em passeio espacial em dois voos anteriores,  e o 4º para Garan, que acumulou 20 horas e 32 minutos de tempo em passeio espacial. Ironicamente os dois levaram a cabo três passeios espaciais na missão STS-124 em Junho de 2008 na missão que transportou o módulo experimental japonês Kibo.

Fossum e Garan irão em primeiro lugar deslocar-se do Quest até uma plataforma de armazenamento de partes sobressalentes denominada External Stowage Platform-2 na parte lateral da escotilha. Aparafusada ao ESP-2 encontra-se o módulo de bombagem de amoníaco que falhou inesperadamente a 31 de Julho de 2010, eliminando metade da capacidade de arrefecimento da ISS. O módulo será removido do ESP-2 por Garan cujos pés estarão fixados num bloqueador de transporte portátil na extremidade do Canadarm2 operado por Hurley e Magnus.

Com a assistência de Fossum, Garan irá ser baixado em direcção à parte posterior do porão de carga do Atlantis onde irá instalar o módulo avariado num contentor de transporte de carga denominado Lightweight Multi-Purpose Experiment Support Structure Carrier (LMC). A direcção do programa da estação espacial internacional está ansiosa por conseguir analisar o módulo de bombagem avariado para assim determinar a causa exacta da sua falha e determinar se o módulo pode ser reparado e reutilizado.

Com esta tarefa completa, Fossum e Garan irão trocar de lugares na extremidade do Canadarm2. Fossum irá então remover um dispositivo do LMC denominado Robotic Refuelling Mission (RRM). A carga experimental, que se assemelha a uma máquina de lavar roupa, tem as dimensões de 1,09 x 0,84 x 1,14 m e um peso de cerca de 250 kg na Terra.


A RRM é uma experiência desenhada para demonstrar novas tecnologias para reabastecer roboticamente satélites em órbita, em forma particular satélites que nunca foram desenhados para serem reabastecidos. Fossum será transportado no Canadarm2 para o sistema de manipulação canadiano Dextre onde o RRM será transferido para a plataforma Enhanced Orbital Replacement Unit Temporary Platform (EOTP) do Dextre, que é uma área de armazenamento de ferramentas e experiências de alta tecnologia.

Posteriormente, e após a partida do Atlantis, o RRM será transferido pelo Dextre para o ExPRESS LOgistics Carrier-4 (ELC-4), um contentor de parte sobressalentes para assim permitir a realização de várias experiências para testar os componentes de reabastecimento.

Os dois astronautas irão também mover uma carga de uma experiência de materiais montada na estrutura transversal da ISS para o ELC-2 para assim finalizarem a última tarefa da sua excursão de 6,5 horas.

Caso seja necessário, poderá ser feita uma inspecção mais detalhada do escudo de protecção térmica do Atlantis no Dia de Voo n.º 6 por parte da tripulação do vaivém espacial utilizando o OBSS ligado à extremidade do Canadarm. Mas se os directores da missão acharem que tal é desnecessário, os membros da tripulação irão então iniciar vários dias de actividades de transferência de carga que foi transportada a bordo do Raffaello e a bordo de contentores no Atlantis. Esta transferência final de itens para abastecer a estação é considerada a tarefa mais crítica de toda a missão.

Imagens: NASA

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