Rússia lança satélites de detecção remota desde Vostochniy



Após desaire registado a 28 de Novembro de 2017 com a perda do satélite meteorológico Meteor-M (2-1) (Метеор-М №2-1) lançado a partir do Cosmódromo de Vostochniy devido a um erro de programação do estágio superior Fregat-M, a Roscosmos levou a cabo com sucesso uma nova missão orbital a partir do seu cosmódromo mais recente.

Este foi o primeiro lançamento orbital da Rússia em 2018.

O lançamento do foguetão 14A14-1A Soyuz-2.1A/Fregat-M (N15000-002/122-03) com os satélites Kanopus-V n.º 3 (Канопус-В №3) e Kanopus-V n.º 4 (Канопус-В №4), juntamente com outros nove pequenos satélites, teve lugar às 0207:18,130UTC do dia 1 de Fevereiro de 2018 a partir do Complexo de Lançamento LC-1S.

Juntamente com a carga principal seguiram os satélites S-Net-1 a S-Net-4, Lemur-2 z1 a Lemur-2 z4, e D-Star ONE v.1.1 Phoenix.

Todas as fases do lançamento decorreram como previsto com o lançador a abandonar a plataforma de lançamento às 0207:18UTC. A separação do primeiro estágio ocorre ás 0209:19UTC, seguindo-se a separação das duas metades da carenagem de protecção às 0211:01UTC. A separação do segundo estágio ocorre às 0216:07UTC, com o estágio Fregat-M a entrar numa trajectória balística antes de iniciar a sua primeira queima.

A primeira queima do estágio Fregat-M decorre entre as 0216:12UTC e as 0217:07UTC. A sua segunda queima decorre entre as 0303:10UTC e as 0304:35UTC. Esta segunda queima coloca o conjunto na órbita na qual se dará a separação dos satélites Kanopus-V n.º 3 e Kanopus-V n.º 4, que ocorre entre entre as 0306:15UTC e as 0312:05UTC. 

A terceira queima do estágio Fregat-M ocorre entre as 0343:58UTC e as 0345:05UTC, enquanto que a quarta queima decorre entre as 0426:28UTC e as 0427:34UTC. Nesta altura o conjunto encontra-se na órbita na qual se dá a separação das cargas secundárias. A separação sequencial dos quatro satélites S-Net ocorre entre as 0433:02UTC e as 0433:32UTC. Por sua vez, os quatro satélites Lemur-2 e o satélite D-Star ONE v.1.1 Phoenix separam-se entre as 0437:12UTC e as 0450:32UTC. 

O estágio Fregat-M ainda leva a cabo duas novas queimas entre as 0518:08UTC e as 0609:48UTC, realizando uma última queima entre as 0658:58UTC e as 0700:46UTC para iniciar a sua remoção orbital, ocorrendo a sua reentrada por volta das 0734:44UTC sobre o Oceano Pacífico.  

Os satélites Kanopus-Vulkan-3 (Канопус-В №3) e Kanopus-Vulkan-4 (Канопус-В №4) são dois veículos de detecção remota que serão utilizado pelo ministério russo para a Defesa Civil, pelo departamento de Emergências e Eliminação de Consequências de Desastres Naturais, pelo Ministério dos Recursos Naturais da Federação Russa, pelos Serviços Federais de Hidrometeorologia e Monitorização Ambiental e pela Academia de Ciências da Rússia.

Os principais objectivos dos satélites, tal como o seu antecessor Kanopus-Vulkan-1 (Канопус-В №1) lançado a 22 de Julho de 2012, são a monitorização de emergências naturais e originadas pelo homem, incluindo fenómenos meteorológicos naturais; mapeamento; detecção de bolsas de fogos florestais e emissões de poluentes no ambiente; registo de fenómenos anormais para a previsão de terramotos; monitorização da agricultura, clima e recursos costeiros; e utilização do solo.

Os satélites são construídos pela NPO VNII Elektromekhaniki que subcontratou o desenvolvimento dos sistemas aviónicos à SSTL. Os satélites deverão operar durante cinco anos e estão equipados com dois painéis solares que fornecem energia que é armazenada em baterias. As suas massas no lançamento são de 490 kg.

A bordo dos satéltes encontram-se três instrumentos protótipos, nomeadamente o PSS (um sistema de observação pancromático), o MSS (um sistema de observação multiespectral) e o MSU-200 (uma unidade de rastreio multiespectral). O PSS é um instrumento que deverá fornecer imagens pancromáticas para monitorização ambiental, agricultura e florestação. Fornece imagens de alta resolução de 2,5 metros com uma largura de 20 km. O instrumento funciona num leque espectral entre 0,5 e 0,8 µm. O MSS irá fornecer imagens multiespectrais do solo e das superfícies costeiras, além da cobertura de gelo. Proporciona uma resolução espectral de 12 metros com uma largura de 20 km, funcionando em quatro bandas espectrais: 0,5 a 0,6 µm / 0,6 a 0,7 µm / 0,7 a 0,8 µm / 0,8 a 0,9 µm. O instrumento MSU-200 irá fornecer imagens do solo, das superfícies costeiras e da cobertura de gelo. A sua resolução espacial é de 25 metros com uma largura de 250 km. O instrumento funciona num leque espectral entre 0,54 e 0,86 µm.

Os quatro satélites S-Net serão utilizados para investigar e demonstrar tecnologias de inter-comunicações entre satélites numa rede operacional autónoma entre satélites. Os satélites foram desenvolvidos pela Universidade Técnica de Berlim e a bordo transportam uma carga de comunicações denominada ‘SLink’ com uma capacidade de ligação cruzada entre satélites de 100 kbps e de downlink de 1 Mbps. Cada satélite tem uma massa de 8 kg e a sua missão deverá ter uma duração de 1 ano.

Desenvolvidos pela Spire, os satélites Lemur-2 são satélites de observação da Terra a nível meteorológico e de monitorização de tráfego. São baseados na plataforma CubeSat-3U e têm uma massa de 4 kg. A bordo transportam uma carga de ocultação de sinal de GPS (STRATOS) e uma carga AIS (SENSE). Neste lançamento foram colocados em órbita os satélites Lemur-2 z1 a Lemur-2 z4.

A bordo ainda estará o satélite D-Star One v.1.1 Phoenix que será utilizado para demonstração tecnológica para uma futura rede de comunicações. Este é um CubeSat-3U com uma massa de 4 kg, projectado e construído pela German Orbital Systems GmbH e tem como objectivo a demonstração tecnológica para a sua futura constelação de comunicações utilizando CubeSats. O satélite está equipado com dois módulos de comunicações D-Star que serão inteiramente dedicados para a utilização pela comunidade de rádio-amadores. 

Um satélite semelhante foi perdido a 28 de Novembro de 2017 juntamente com o satélite meteorológico Russo Meteor-M (2-1) lançado a partir do Cosmódromo de Vostochniy devido a um erro de programação do estágio superior Fregat-M.

O foguetão 14A14 Soyuz-2

O foguetão 14A14 Soyuz-2 (14A14-1A Союз-2.1А) representa a mais recente evolução do épico míssil balístico intercontinental R-7 desenvolvido por Sergei Korolev nos anos 50 do século passado. O novo lançador apresenta motores melhorados, modernosSoyuz-2_2014-03-23_14-08-06 sistemas aviónicos digitais e uma reduzida participação de componentes de fabrico não russo.

O lançador é também conhecido pela designação Soyuz-ST (quando lançado desde o CSG Kourou) e foi especialmente desenhado para uma utilização comercial aumentando a sua performance geral apesar de o desenho básico do veículo permanecer o mesmo. As alterações foram realizadas ao nível de uma melhoria da performance dos motores do primeiro e do segundo estágio com novos injectores e alteração da mistura dos propolentes; aumento na performance do terceiro estágio; introdução de um novo sistema de controlo permitindo uma alteração do plano orbital já durante o voo ; introdução de um novo sistema de telemetria digital para a monitorização do lançador e a introdução de uma nova ogiva de protecção de carga com um diâmetro de 3,6 metros.

O foguetão 14A14 Soyuz-2 pode ser equipado com um quarto estágio, nomeadamente o estágio Fregat, utilizando as carenagens de protecção do tipo ST e SF.
 
Este lançador é capaz de colocar uma carga de 7.800 kg numa órbita terrestre a 240 km de altitude com uma inclinação de 51,80º. No lançamento desenvolve uma força de 4.144.700 kN. A sua massa total é de 310.000 kg, o seu diâmetro no estágio principal é de 2,95 metros e o seu comprimento total é de 43,40 metros.

O primeiro estágio do 14A14 Soyuz-2 é composto pelos quatro propulsores laterais (Blok B, V, G e D) com uma massa bruta de 44.400 kg, tendo uma massa de 3.810 kg sem combustível. Cada propulsor tem um motor RD-107A (14D22) que desenvolve uma força de 1.021.097 kN (vácuo), com um Ies 310 s e um Tq de 120 s. Têm um comprimento de 19,60 metros, um diâmetro de 2,69 metros e consomem LOX e querosene.

O segundo estágio (Blok-A) tem um comprimento de 27,80 metros, um diâmetro de 2,95 metros, um peso bruto de 105400 kg e um peso sem combustível de 6.975 kg. Está equipado com um motor RD-108A que no lançamento desenvolve 999.601 kgf (vácuo), com um Ies de 311 s e um Tq de 286 s. Consome LOX e querosene.

O terceiro estágio (Blok-I) tem um comprimento de 6,74 metros, um diâmetro de 2,66 metros, um peso bruto de 25.200 kg e um peso sem combustível de 2.355 kg. Está equipado com um motor RD-0110 que no lançamento desenvolve 294.000 kgf (vácuo), com um Ies de 359 s e um Tq de 300 s. Consome LOX e querosene.

As modificações introduzidas no novo lançador foram sendo testadas em duas versões do mesmo veículo o 14A14-1A Soyuz-2-1A e o 14A14-1B Soyuz-2-1B. Este último veículo é um lançador a três estágios no qual o motor RD-0124 é já empregado no último estágio.

Soyuz-2-1a 1

Com dimensões semelhantes ao motor RD-0110 utilizado nas versões anteriores dos lançadores Soyuz, o motor RD-0124 apresenta como principal diferença a introdução de um sistema de ciclo fechado no qual o gás do oxidante que é utilizado para propulsionar as bombas do motor é então direccionado para a câmara de combustão onde é queimado com restante propolente em vez de ser descartado. Esta melhoria no motor aumenta a performance do sistema e, como consequência, aumenta a capacidade de carga do lançador em 950 kg. Um propolente especial de ignição é utilizado para activar a combustão do motor e são utilizados dispositivos pirotécnicos para controlar o funcionamento do motor. Cada uma das quatro câmaras de combustão pode ser movimentada ao longo de eixos para manobrar o veículo.


Em 1996 tiveram início os testes do motor RD-0124 e foram finalizados em Fevereiro de 2004 nas instalações da Khimavtomatika em Voronezh. Nesta altura previa-se que a produção em série do novo motor teria início em 2005. A 27 de Dezembro de 2005 teve lugar outro teste do motor, abrindo caminho para os ensaios em grupo de todo o terceiro estágio do lançador 14A14-B Soyuz-2-1B nas instalações da NIIKhimMash em Sergiev Posad.

No início de 2005 a Arianespace anunciava que a primeira missão de teste do foguetão 14A14-1B Soyuz-2-1B teria lugar desde o Cosmódromo GIK-5 Baikonur para colocar em órbita o satélite astronómico CoRoT. Este lançamento dependeria dos resultados de novos ensaios do motor RD-0124 que tiveram lugar em Março e Abril de 2006. Um último teste teve lugar a 20 de Outubro de 2006 e o satélite CoRoT acabaria por ser lançado a 21 de Dezembro desse ano.

Dados estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 5715

– Lançamento orbital Rússia: 3218 (56,31%)

– Lançamento orbital desde Vostochniy: 3 (0,05%)

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC):

02 Fev (0743:00) – CZ-2D Chang Zheng-2D – Jiuquan, LC43/94 – ZH-1 Zhangheng-1; Fengmaniu-1; Shaonian Xing; ÑuSat-4 ‘Ada’ (Aleph-1 4); ÑuSat-5 ‘Maryam’ (Aleph-1 5); GomX-4A (Ulloriaq); GomX-4B

03 Fev (0500:00) – SS-520-5 – Uchinoura – TRICOM-1R

06 Fev (1830:00) – Falcon Heavy-01 (B1023.2, B1025.2, B1033) – CE Kennedy, LC-39A – Tesla Roadster towards Mars

10 Fev (1422:00) – Falcon-9 – Vandenberg AFB, SLC-4E – PAZ; MicroSat-2a; MicroSat-2b

11 Fev (0858:44) – Soyuz-2.1A – Baikonur, LC31 PU-6 – Progress MS-08

Deixe um comentário