RocketLab lança com sucesso missão ‘Still Testing’

Depois de vários adiamentos devido às más condições meteorológicas e a pequenos problemas técnicos, a empresa Rocket Lab levou a cabo a sua segunda missão orbital, denominada ‘Still Testing‘, utilizando o foguetão Electron (F2).

O lançamento teve lugar às 0143UTC do dia 21 de Janeiro de 2018 e foi levado a cabo desde o Complexo de Lançamento LC-1 do Centro de Lançamentos de Máhia, Nova Zelândia.


A bordo do Electron encontravam-se três pequenos satélites, sendo este o Dove Pioneer e dois satélites Lemur-2.

Atingindo a órbita terrestre na sua segunda missão de teste, a Rocket Lab marca assim o início de uma nova era no acesso comercial ao espaço.

Todas as fases do lançamento decorreram como previsto, com os elementos da Rocket Lab a transferir o foguetão lançador para o complexo de lançamento após analisarem as condições meteorológicas. A T-7h 00m as equipas de emergência, os oficiais locais e a equipa da Rocket Lab, eram informadas sobre as condições da missão e deslocavam-se para as suas posições. A T-6h 00m eram encerrados os acessos para o local de lançamento.

O foguetão Electron era colocado na sua posição vertical a T-4h 00m e iniciava-se o processo de abastecimento de querosene. O pessoal de apoio na plataforma de lançamento deixava a área a T-2h 30m e o abastecimento de oxigénio líquido (LOX) iniciava-se a T-2h 00m. 

As autoridades de aviação locais eram informadas sobre o lançamento a T-1h 00m para assim poderem avisar os aviadores naquele espaço aéreo. Os preparativos finais para o lançamento iniciam-se a T-10m. A sequência automática de lançamento inicia-se a T-2m, com o computador de bordo do Electron a tomar conta das operações. A ignição dos motores do lançadores inicia-se a T-2s.

O foguetão abandona a plataforma de lançamento a T=0s, com uma ascensão lenta nas fases iniciais e ganhando velocidade à medida que ganha altitude. O final da queima do primeiro estágio termina a T+2m 34s e a sua separação ocorre quatro segundos mais tarde. A ignição do motor do segundo estágio ocorre a T+2m 36s. A separação da carenagem de protecção ocorre a T+3m 4s. 

O segundo estágio atinge a órbita terrestre a T+8m 8s, terminando a sua ignição a 8m 14s. A separação sequêncial da carga ocorre a T+8m 31s.

Os satélites Lemur-2 acabariam por ser colocados em órbita mais elevadas com o auxílio de um terceiro estágio denominado ‘Curie’ numa parte da missão que só mais tarde seria revelada pela Rocket Lab.

A bordo do Electron seguiam os satélites Dove Pioneer, Lemur-2 (72) ‘Tallhamn-ATC’ e Lemur-2 (73) ‘Marshall’.

O satélite Dove Pioneer é um nano-satélite que é parte de uma frota de satélites de detecção remota que têm como função observar o planeta Terra de forma contínua para propósitos comerciais, ambientais e humanitários. Os satélites são projectados, construídos e operados pela Planet Inc., São Francisco – EUA. Têm por base o modelo CubeSat-3U e a sua massa é de 5 kg.

Desenvolvidos pela Spire, os satélites Lemur-2 são satélites de observação da Terra a nível meteorológico e de monitorização de tráfego. São baseados na plataforma CubeSat-3U e têm uma massa de 4 kg. A bordo transportam uma carga de ocultação de sinal de GPS (STRATOS) e uma carga AIS (SENSE). Neste lançamento foram colocados em órbita os satélites Lemur-2 (68) e Lemur-2 (69)

A 24 de Janeiro, a Rocket Lab revelava que mais um satélite havia sido colocado em órbita nesta missão. O satélite The Humanity Star é um satélite passivo com uma superfície altamente reflectora e visível ao olho humano. O satélite tem por objectivo encorajar todas as pessoas a levantar os seus olhos para o céu nocturno e reflectir sobre o nosso lugar no Universo.

O foguetão Electron

O Electron é um lançador a dois estágios com um comprimento de 17 metros e um diâmetro de 1,2 metros. É capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 150 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico, o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.

O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e super leve. Da mesma forma, os tanques de propolente são fabricados em materiais compósitos.

O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford e tem uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 303 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.

O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, e que foi especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alta performance que reduzem a sua massa e que substituem hardware por software. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alta performance alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.

O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para uma excelente performance em condições de vácuo. É capaz de desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 333 s. 

O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo a nível mundial operado de forma privada. A localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.

 

 

%d blogueiros gostam disto: