Primeiras imagens do Sentinel



 

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Lançado a 3 de Abril, o satélite da ESA Sentinel-1A já enviou as suas primeiras imagens de radar para a Terra. Estas imagens oferecem-nos uma pequena amostra do tipo de imagens operacionais que esta nova missão nos irá fornecer, no âmbito do ambicioso programa de monitorização ambiental europeu, Copernicus.   

Bem a propósito, a primeira imagem mostra Bruxelas, na Bélgica, onde fica a sede da Comissão Europeia.

A Comissão Europeia lidera o programa Copernicus e coordena a vasta gama de serviços que melhoram a gestão do ambiente, protegendo o nosso quotidiano. A ESA é responsável pelo desenvolvimento da família de satélites Sentinel e por garantir que o fluxo de dados está disponível para estes serviços.  

A primeira imagem da Bélgica foi captada a 12 de Abril, apenas um dia depois de o satélite ter sido posto na sua atitude operacional, e demonstra o potencial da visão de radar do Sentinel-1A.  

Desde que foi lançado do Porto Espacial Europeu da Guiana Francesa, o Sentinel-1A passou por uma complicada rotina para desenrolar o seu radar de 12 metros e os painéis solares de 10 metros, bem como por uma série de verificações iniciais dos instrumentos. 

O satélite ainda não está na sua órbita operacional, nem está calibrado para enviar dados reais. Estes passos serão concluídos durante a fase de comissionamento, que tardará cerca de três meses. Este conjunto preliminar de imagens são apenas uma amostra do que ainda está para vir.

No entanto, são uma amostra muito agradável, como observou o director da ESA dos Programas de Observação, Volker Liebig, «estamos excepcionalmente satisfeitos com este primeiro conjunto de imagens.»

«Estamos nos primórdios da vida dos satélites em órbita e operações de segmento terrestre, mas estas imagens mostra seguramente o calibre dos dados que esta missão de radar nos irá trazer, com Namibia_from_Sentinel-1A_mediumos seus diferentes modos de imagem, e de que forma irá fornecer dados essenciais, de modo a que o Copernicus nos possa beneficiar a todos.»

A primeira imagem, que foi captada no modo ‘strip map’ do satélite, com uma largura da amostra de 80 km, capta claramente o denso ambiente urbano de Bruxelas, que se pode ver a branco no meio da imagem. Pode ainda ver-se Antuérpia, no canto superior esquerdo, em cores vermelho-azul e a verde as zonas de floresta à volta. Os cursos de água ou áreas de baixa reflexividade, tais como os aeroportos, surgem a preto.

Entre outras aplicações, imagens como esta serão usadas para o planeamento urbano, para monitorizar a agricultura, mapear a desflorestação e a gestão dos recursos de água.

O primeiro lote de aquisição de dados também incluiu uma área na Namíbia que actualmente está inundada pelo rio Zambezi (em cima à direita). 

Pine_Island_and_Thwaites_Glaciers_from_Sentinel-1A_mediumApesar de o comissionamento ter acabado de começar, a equipa ordenou ao satélite que fizesse uma imagem da cheia como se fosse rotina, num caso de emergência, quando a missão estiver a pleno vapor. 

As imagens ficaram então disponíveis em menos de uma hora, a partir do momento em que foram recebidas na estação em terra.

 

A capacidade de o Sentinel-1A ‘ver’ através das nuvens e da chuva e em plena escuridão tornam-no particularmente útil na monitorização de cheias, oferecendo imagens para uma resposta de emergência. De facto, esta área da planície de Caprivi estava coberta de nuvens espessas quando o satélite captou a imagem a 13 de Abril.  

Uma das imagens captadas no mesmo dia foca Pine Island, na Antárctida. Este glaciar está num estado de ‘recuo irreversível’ daí que seja tão importante manter a vigilância de glaciares como este àAntarctica_Peninsula_from_Sentinel-1A_medium medida que perdem gelo para o oceano.

Outra mostra uma parte por cima do norte de parte da Península Antárctica. 

Além de monitorizar os glaciares, o Sentinel-1A está preparado para gerar mapas oportunos das condições dos gelos marinhos, em particular nas águas cada vez mais ‘ocupadas’ do Árctico. As imagens do seu avançado radar podem ser usadas para distinguir entre os gelos finos do primeiro ano e os perigosos e muito mais espessos, com vários anos, garantindo a navegabilidade nas águas polares ao longo de todo o ano. 

Tal como mostram estas primeiras imagens, o Sentinel-1A já está a demonstrar que terá um papel vital no maior programa civil de observação da Terra de sempre.  

Notícia e imagens: ESA

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