Orion mais perto do lançamento



Z2A-350x139Anos de planeamento e o primeiro passo da NASA no regresso à exploração do espaço profundo, Exploration Flight Test -1 (EFT-1), encontra-se agora na fase de preparativos na plataforma de lançamento. Com o foguetão Delta-IV Heavy transportado para a plataforma de lançamento SLC-37B, a missão Orion EFT-1 encontra-se agora na fase final de junção de forças com a United Launch Alliance (ULA) em preparação para o seu lançamento em Dezembro de 2014.

A missão EFT-1

Z317Enquanto que o planeamento para esta missão – originalmente designada Orion Test Flight-1 (OFT-1) – teve início em 2010, os primeiros sinais físicos da missão começaram a tomar forma em Nova Orleães quando as primeiras soldas dos componentes do Orion tiveram lugar nas famosas instalações MAF (Michoud Assembly Facility). A NASA representou o início da construção como “a primeira nave espacial da NASA a ser construída para transportar o homem para a órbita terrestre desde que o Endeavour deixou a fábrica em 1991”.

Apesar da missão EFT-1 Orion não transportar qualquer tripulação durante o seu lançamento no final do ano, o voo irá marcar o regresso histórico das missões tripuladas no espaço profundo, que foram vistas pelo última vez na Era Apollo.

Para regressar às missões tripuladas ao que se denomina por BEO (Beyond Earth Orbit), iniciando-se pela missão de teste EFT-1, estabeleceu-se Z11um processo incremental, seguindo-se a primeira viagem da Orion no Space Launch System (SLS) em 2018. As missões tripuladas a bordo da Orion deverão ter início no princípio da próxima década, eventualmente, assim a NASA o espera, levando a missões tripuladas a Marte para lá de 2030. Tecnicamente, a missão EFT-1 marca a intenção da NASAem alcançar o sonho de uma descida no Planeta Vermelho.

Anteriormente cunhada como sendo uma ‘Apollo Com Esteróides’ durante os dias dos programas VSE (Vision for Space Exploration) e CxP (Constellation Program), a Orion é porém outra cápsula, apesar de altamente avançada se comparada com a sua famosa avó. Por debaixo da sua familiar forma OML (Outer Mold Line), encontra-se um veículo espacial da mais recente geração que será colocada à prova numa intensa primeira missão para testar vários elementos críticos, tais como o seu escudo térmico.

Transportada a uma altitude de mais de 6.600 km, a Orion irá aventurar-se muito para lá dos usuais 460 km do vaivém espacial e da estação espacial internacional, antes de um regresso à Terra numa reentrada a alta velocidade de mais de 9,0 km/s. O teste irá permitir a obtenção de dados da performance durante a reentrada e demonstrar as capacidades de integração do veículo, com os resultados a serem utilizados na avaliação Critical Design Review (CDR) a ser realizada no próximo ano.

Z515Devido à actual indisponibilidade do SLS, a missão EFT-1 Orion será lançada num foguetãi Delta-IV Heavy da ULA. Este grande lançador utiliza três Common Booster Cores (CBC) equipados com um motor RS-68 que consome hidrogénio líquido como propolente e oxigénio líquido como oxidante. Os três CBC para esta missão começaram a sua produção em 2013, quando se iniciou o processo de soldagem longitudinal por fricção e mistura mecânica dos tanques e de soldagem por arco de plasma para as soldas circunferênciais. Estes processos – realizados nas instalações de Decatur da ULA no Alabama – garante a melhor integridade estrutural para as intensas cargas que os veículos suportam durante a viagem para a órbita terrestre.

2014-10-03-13_50_04--350x242Após as soldagens dos tanques por por fricção e mistura mecânica, estes passaram pela instalação do material isolador, recebendo uma camada de tinta, antes da montagem final e posterior transporte para a Florida. Após a finalização dos trabalhos no Alabama, os CBC foram transportados no navio de carga Delta Mariner ao longo do Rio Tennesse e do canal Tombigdee para o Golfo do México. Daqui viajaram para o Cabo Canaveral onde chegaram a 6 de Maio. Inicialmente foram transportados dois CBC com o terceiro a chegar dias depois. os três CBC foram depois acoplados nas instalações HIF (Horizontal Integration Facility) no Cabo Canaveral AFS, com o primeiro CBC a ser acoplado ao CBC central em Junho e o segundo em princípios de Agosto.

2014-10-03-13_46_07-oct2014.pdf-Foxit-Reader-350x211Engenheiros do LSP (Launch Services Program) monitorizaram os trabalhos através de consolas no Hangar AE no Cabo Canaveral, que é a casa do melhorado Launch Vehicle Data Center do Centro Espacial Kennedy.

O segundo estágio do Delta-IV Heavy é um Delta Cryogenic Second Stage (DCSS) de 5 metros de diâmetro, propulsionado por um motor RL10-B-2 que utiliza os mesmos propolentes que são utilizados pelos CBC. A integração deste estágio superior – que deverá ser substituído pelo EUS (Exploration Upper Stage) nos primeiros voos do SLS – foi finalizada durante o Verão, sendo transferido para o HIF a 29 de Agosto e integrado a 12 de Setembro.

2014-10-03-14_27_34-NASA-Media-Item-350x327Um grande marco nos preparativos para o lançamento constituiu o transporte do lançador para a plataforma de lançamento. O transporte evolveu a transição do lançador da posição horizontal para a posição vertical – seguindo-se a colocação de ligações e estruturas de acesso ao veículo.

Será agora iniciada a próxima fase de processamento com a realização de um ensaio de alta fidelidade que inclui a activação eléctrica total do veículo e o abastecimento dos seus tanques com os propolentes criogénicos. A parte final da integração será a colocação da cápsula Orion – que finalizou o seu processo de abastecimento nas instalações Payload Hazardous Servicing Facility (PHSF) – e que agora se encontra nas instalações de colocação do sistema de emergência LASF (Launch Abort System Facility). Uma vez colocado o sistema de emergência na Orion, esta deverá ser transportada para a plataforma de lançamento em Novembro.

Se tudo correr como previsto a NASA espera lançar a missão EFT-1 Orion às 1205:00UTC do dia 4 de Dezembro, com uma janela de lançamento com uma duração de cerca de 60 minutos.

Artigo original “Orion EFT-1 mission enters pad flow milestones“, por Chris Bergin

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