O segundo instrumento do telescópio espacial James Webb está pronto



 

A ESA concluiu o Espectrógrafo de Infravermelho Próximo, um dos dois instrumentos com que a Agência contribui para o Telescópio Espacial Internacional James Webb, um observatório espacial que será lançado num foguetão Ariane 5 em 2018.

O Telescópio Espacial James Webb, ou JWST na sigla inglesa, está a ser construído numa parceria entre a ESA, a NASA e a Agência Espacial Canadiana e será o sucessor do Hubble, um telescópio espacial de enorme sucesso. 

O JWST contará com um espelho segmentado de 6,5 metros de diâmetro, tornando-o o maior telescópio astronómico no espaço. Este espelho será a fonte de luz de quatro instrumentos científicos de ponta, incluindo o Espectrógrafo de Infravermelho Próximo, ou NIRSpec na sigla inglesa, que foi construído para a ESA pela empresa Astrium GmbH, na Alemanha. 

O NIRSpec foi desenhado para detectar a luz das primeiras estrelas e galáxias que se formaram no Universo jovem, cerca de 400 milhões de anos após o Big Bang, numa altura em que as condições eram muito diferentes das de hoje, cerca de 13.800 milhões de anos mais tarde.

O espectrógrafo vai dividir a luz infravermelha dessas estrelas e galáxias nas suas componentes de cor – o espectro – fornecendo aos cientistas informações vitais sobre a composição química, propriedades dinâmicas, idade e distância desses objectos primordiais. O NIRSpec será capaz de observar até cem desses objectos simultaneamente. 

Como é um instrumento muito versátil, o NIRSpec também será usado para estudar as fases iniciais do nascimento estelar na nossa galáxia, a Via Láctea, e analisar as propriedades atmosféricas de planetas na órbita de outras estrelas, avaliando o potencial para a vida noutras outras partes do Universo. 

“A entrega formal do NIRSpec da Astrium à ESA é um marco importante e emocionante na contribuição da Europa para a missão JWST”, disse Alvaro Giménez, director do Programa de Ciência e Exploração Robótica da ESA, numa cerimónia realizada sexta-feira, 6 de Setembro, na empresa Astrium GmbH em Ottobrunn, Alemanha. 

“Em conjunto com a entrega da Câmara e do Espectrógrafo de Infravermelho-Médio [o MIRI na sigla inglesa] à NASA o ano passado, estamos muito satisfeitos por os engenheiros e cientistas europeus estarem a desempenhar um papel fundamental nesta importante missão internacional”. 

Tendo já sido submetido a rigorosos testes na Europa, o NIRSpec será enviado à NASA no final de Setembro para ser integrado no JWST, a que se seguirão mais testes e calibrações passo a passo com a montagem de todos os módulos do observatório.

“Estamos encantados por podermos confirmar a conclusão do NIRSpec da ESA e muito animados por vê-lo juntar-se aos outros instrumentos científicos Webb no Centro Espacial Goddard da NASA”, disse Eric Smith, director do Programa da NASA para o JWST. 

O lançamento do JWST está agendado para 2018 no Ariane 5 do Porto Espacial Europeu em Kourou, na Guiana Francesa. Será, então, posicionado a 1.500 mil quilómetros além da órbita da Terra, à volta do ponto gravitacionalmente estável conhecido como L2. Aí, o observatório e respectivos instrumentos, protegidos por um escudo solar gigante, vão arrefecer até temperaturas inferiores a -233 °C e realizar observações científicas durante 10 anos. 

“Com a conclusão do NIRSpec estamos mais perto de cumprir as metas científicas do JWST e de poder responder a perguntas proeminentes em astrofísica, por exemplo como é que as primeiras galáxias e estrelas se formaram e evoluíram”, diz Peter Jensen, gestor do Projecto JWST da ESA.

Notícia e imagem: ESA

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