O Projecto 7K-9K-11K



7K-9K-11K

Em Dezembro de 1962 Serguei Korolev terminava o seu plano inicial para um veículo espacial versátil para suceder à Vostok. O veículo 7K Soyuz foi inicialmente desenhado para servir como um veículo para transportar os cosmonautas em missões de encontro e acoplagem em órbita terrestre, e mais tarde para missões lunares, indo buscar as suas origens ao projecto Sever. Este projecto tinha como objectivo o estudo dos problemas relacionados com a manobrabilidade em órbita terrestre, e o encontro e acoplagem, de uma forma semelhante ao Projecto Gemini dos Estados Unidos.

Inicialmente, em 1961, o veículo Soyuz derivava da modernização das cápsulas Vostok-3KA e era composto por três estágios que seriam acoplados em órbita terrestre utilizando um veículo de reboque tripulado do tipo Vostok, com a cápsula Soyuz a ser colocada em órbita mais tarde para uma missão lunar e regresso à Terra.

Em Dezembro de 1962 todos os vestígios da Vostok haviam desaparecido do projecto e a Soyuz surgia então como uma cápsula tripulada por dois cosmonautas e incluía dois outros veículos, sendo o bloco de aceleração 9K e o veículo de abastecimento 11K Soyuz-V, com uma massa de cerca de 5.900 kg, sendo ambos colocados em órbita pelo foguetão 11A511 Soyuz.

Uma missão circumlunar começaria pelo lançamento do veículo 9K, seguindo-se vários veículos 11K que iriam acoplar de forma automática com o veículo 9K. Após a acoplagem, proceder-se-ia à transferência do propolente para o 9K e no final o veículo 7K seria colocado em órbita com os dois cosmonautas a bordo. Após a acoplagem com o veículo 9K, o conjunto seria propulsionado para uma trajectória circumlunar.

Porém, cedo surgiram as dificuldades no desenvolvimento do projecto e Korolev compreendeu que tal só seria possível com o financiamento do Ministério da Defesa Soviético que por seu lado não via com bons olhos os gastos em projectos que não tivessem aplicação militar. Assim, Korolev juntou ao seu projecto inicial o desenvolvimento de dois outros veículos: o Soyuz-P, um veículo de intercepção orbital, e o Soyuz-R, um veículo de reconhecimento orbital. Com estes dois projectos, os militares acabariam por apoiar o desenvolvimento da Soyuz.

Assoberbado de trabalho, Korolev acaba por criar uma linha de produção paralela pois as suas oficinas (OKB-1) estava a trabalhar em três projectos espaciais tripulados, nomeadamente no veículo Voskhod-3KV com capacidade para três cosmonautas, no veículo Voskhod-3KD com capacidade para dois cosmonautas e actividades extraveículares, no foguetão lançador 11A52 N-1 e suas variantes 11A53 N-11 e 11A54 N-111, além de outros veículos não tripulados. Assim, foi decidido que o OKB-1 deveria concentrar-se no desenvolvimento do veículo 7K e que o desenvolvimento dos veículos 9K e 11K seriam transferidos para outras oficinas, nomeadamente para a Filial 3 do OKB-1 em Samara.

No entanto, os acontecimentos não seguiram o caminho que Korolev desejava e previra, e enquanto que a sua filial recebia o orçamento desejado para o desenvolvimento dos veículos 9K e 11K, a versão Soyuz-A não receberia o apoio para ser incluída no programa espacial soviético. De facto, o projecto 7K-9K-11K requeria que durante a missão fossem realizadas com sucesso cinco acoplagens automáticas sucessivas, coisa que parecia impossível na altura. Assim, as autoridades soviéticas deram preferência ao projecto de Vladimir Chelomei, rival de Korolev, para conquistar a Lua. O projecto de Chelomei previa o lançamento do veículo LK-1 tripulado por um único cosmonauta por um foguetão 8K82K Proton-K. O projecto de Chelomei seria apresentado a 3 de Agosto de 1964, no mesmo dia que as autoridades soviéticas emitiam um decreto para fazer avançar os planos soviéticos para chegarem à Lua antes dos Estados Unidos. Enquanto que Chelomei desenvolvia o veículo LK-1, Korolev ficaria responsável pelo desenvolvimento do projecto N1-L3 para uma alunagem tripulada.

O projecto 7K-9K-11K acabaria por ser cancelado, mas o projecto da Soyuz-A seria desenvolvido em segredo por Korolev para no futuro se transformar noutras missões.

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