O desastre do Challenger foi há 30 anos



STS-51L Challengera

Naquela manhã fria de 28 de Janeiro de 1986, e mesmo após vários adiamentos, a tripulação do Challenger saiu das instalações do Centro Espacial Kennedy a caminho da plataforma de lançamento com os sorriso estampados nos seus rostos.

Esta seria uma missão muito especial. Christa MacAullife, iria tornar-se a primeira professora a ensinar a partir do espaço e no fundo era a primeira representante da sociedade civil a participar numa missão espacial. Com a missão STS-51L, o espaço abria-se a todos nós de uma maneira como nunca havia acontecido e os sonhos e as promessas de um acesso fácil e barato ao espaço iriam tornar-se realidade.

O sonho evaporou-se naquela nuvem que se formou em torno do vaivém espacial que se desintegrava devido às forças aerodinâmicas resultantes da falha estrutural do depósito exterior de combustível líquido. O Challanger não explodira, mas milhares de destroços caíram do céu e com ele desfazia-se o sonho de um voo espacial seguro.

A tripulação do Challenger era composta por veteranos e outros que pela primeira vez iam orbitar a Terra. O Comandante Francis R. Scobee, de 46 anos de idade, havia sido seleccionado para a NASA em 1978 e a sua primeira missão espacial foi como Piloto do vaivém espacial Challenger na missão STS-41C. Para o Piloto, Michael J. Smith, de 40 anos de idade, esta seria a sua primeira missão espacial. Ellison S. Onizuka, de 39 anos de idade, iria fazer a sua segunda missão espacial após ter participado na missão militar STS-51C a bordo do vaivém espacial Discovery. Judith A. Resnick, de 36 anos de idade, iria fazer também a sua segunda missão espacial após ter participado na missão STS-41D, o voo inaugural do vaivém espacial Discovery. Ronald E. McNair, de 35 anos de idade, teria na missão STS-51L a sua segunda viagem espacial, após ter participado na missão STS-41B a bordo do vaivém espacial Challenger. Esta missão seria o primeiro voo espacial tanto para S. Christa McAuliffe (37 anos) como para Gregory B. Jarvis (41 anos).

O relatório completo (em inglês) sobre o acidente do Challenger pode ser acedido aqui.

STS-51L emblema

O Challenger explodiu?

Na realidade o Challenger não explodiu e é essa é uma concepção errada que ficou do acidente.
O vaivém espacial Challenger foi destruído aos 73 segundos de voo pelas forças aerodinâmicas resultantes da expansão dos gases originados pela falha estrutural do tanque exterior de combustível líquido.

Uma concepção errada que ficou do acidente foi a de que o vaivém teria explodido, o que não é verdade. Da mesma forma não é verdade dizer que os sete astronautas morreram a quando da destruição do tanque. Na realidade a expansão dos gases que levou à destruição do Challenger em milhares de destroços, terá resultado na perda de pressurização da cabina onde se encontrava a tripulação que possivelmente terá ficado inconsciente.

No entanto é sabido que alguns sistemas de suporte de vida foram activados o que leva a supor que alguns tripulantes teriam estado conscientes logo após a destruição do tanque ou na queda para o Oceano Atlântico. O acidente ocorre a uma altitude de 14 km e a cabine da tripulação atinge os 19,8 km de altitude antes de iniciar a queda para o mar que dura 2 minutos e 45 segundos. Todas as investigações indicam que a tripulação se encontra viva na altura em que se dá o impacto nas águas do Atlântico a uma velocidade de 3.222 km/h.

Com a despressurização os sete astronautas teriam dificuldade em respirar e segundo o relatório da Comissão Rogers que investigou o acidente, a tripulação “…possivelmente, mas sem haver uma certeza, terá perdido a consciência.” O impacto nas águas do mar resulta numa desaceleração de 200 g, esmagando a estrutura da cabina e destruindo tudo no seu interior. A cabina do Challenger pode ter sido suficientemente forte para não sofrer qualquer despressurização. No entanto caso a tripulação tenha perdido a consciência não se sabe se os astronautas poderiam ter readquirido a consciência à medida que a atmosfera se tornava mais espessa durante os últimos segundos da queda.

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