Missão BepiColombo: À descoberta de Mercúrio

Nesta edição de “Space” vamos olhar para um dos planetas mais misteriosos do sistema solar – Mercúrio. O programa conta com as explicações de alguns dos cientistas que dedicam o seu trabalho a este planeta enigmático.  As melhores imagens que temos de Mercúrio foram captadas pela sonda Messenger da NASA. Mostram um planeta cheio de crateras e com características intrigantes na superfície.

Veja o vídeo


A sonda BepiColombo, resultado da missão conjunta entre a Europa e o Japão, está preparada para um estudo mais aprofundado.

Jörn Helbert e Hauke Hubmann são cientistas no Centro de Pesquisa DLR, em Berlim.

Jörn Helbert:  “O mais importante na missão BepiColombo é que temos, finalmente, uma visão completa de Mercúrio. Com a missão da sonda Messenger vimos muito bem o hemisfério Norte, mas com dificuldade o hemisfério Sul. Para os cientistas que estudam os planetas isto é muito frustrante porque só conhecem uma parte. Não sabem se o resto é igual ou completamente diferente”.

Hauke Hubmann: “Pelo menos para mim, é um mistério a forma como este planeta se formou e como evoluiu durante milhões de anos”.  A Agência Espacial Europeia e a Agência Espacial do Japão juntaram-se para descobrir os mistérios de Mercúrio. A bordo da BepiColombo, cada uma das agências tem uma investigação independente. Vão voar juntas até Mercúrio e antes de entrarem em órbita vão fazer um cruzeiro de sete anos à volta de Vénus e do Sol. É uma missão complicada.

Johannes Benkhoff é cientista e faz parte da equipa que trabalha no projeto da sonda BepiColombo, “Uma característica especial de Mercúrio é a sua rápida rotação à volta do Sol. Assim, por um lado vamos ter de travar em relação à gravidade do Sol e, por outro, vamos ter de acelerar a nossa sonda para voarmos ao lado de Mercúrio. Quando chegarmos ao nosso destino, podemos colocar as nossas duas órbitas e conseguir o máximo de informação para o avanço da ciência”.

A bordo vão mais de 16 instrumentos de análise, um recorde para uma missão a Mercúrio.

Hauke Hubmann: Estamos a desenhar um mapa em três dimensões. Estamos a analisar toda a superfície de Mercúrio com disparos de laser. Com a informação da órbita da sonda e com a informação da própria sonda vamos poder reconstruir a topografia da superfície em três dimensões.

O modelo da superfície em três dimensões vai servir para estudar um dos aspectos mais intrigantes de Mercúrio – o facto do planeta estar a encolher. Desde a sua formação até agora, Mercúrio perdeu sete quilómetros de raio.

Johannes Benkhoff “O planeta está a contrair ou a encolher e acreditamos que conseguimos ver na superfície características que são consequência desse fenómeno. Este é um dos aspectos que gostávamos de compreender. Será uma característica de todos os planetas ou é algo único, que só acontece com Mercúrio?”.

Outro objetivo importante do BepiColombo é descobrir a composição da superfície de Mercúrio. Os cientistas da DLR, em Berlim , construíram uma estrutura que pode conseguir amostras com temperaturas de 450 graus celsius, a temperatura diurna em Mercúrio.

Jörn Helbert: “Vamos estudar uma superfície muito quente e queremos ter dados reais para podermos comparar. (…) Não é como estudar a Lua de onde temos amostras. A única coisa que podemos fazer é olhar de longe. Estudamos algo que é muito quente e precisamos comparar com materiais com mesma temperatura. Não é uma tarefa fácil”.

As missões anteriores encontraram gelo de água nos pólos e identificaram muito menos ferro e muito mais materiais como enxofre e potássio do que era esperado.

O entusiasmo aumenta à medida que sabemos mais sobre Mercúrio e sobre as origens do planeta no sistema solar. Em particular, os cientistas querem saber se é um planeta ativo do ponto de vista geológico.

A sonda Messenger da NASA identificou vulcões e gases que saem de cavidades da superfície.

Johannes Benkhoff “É um dos nossos objetivos: perceber se há diferenças em relação às imagens e dados captados pela Messenger. Se existirem, temos a prova que atualmente há coisas a acontecer em Mercúrio. Seria um resultado fantástico”.

Jörn Helbert: “Uma das razões pelas quais gosto de estudar Mercúrio é porque precisamos de o entender para entender a forma como os planetas se formaram. Temos um modelo sobre a formação de todos os planetas, excepto a de Mercúrio. É basicamente inútil”.

Está a começar a longa jornada para responder a estas perguntas.  A missão BepiColombo usará a gravidade da Terra, de Vénus e de Mercúrio para, gradualmente, se posicionar.

Só entrará em órbita em Dezembro de 2025, quando começarem as medições científicas.

Notícia e imagem: ESA

Edição: Rui C. Barbosa

Texto corrigido para Língua Portuguesa pré-AO90

 

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