Japão lança novo satélite meteorológico



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Após um adiamento de 24 horas devido às más condições atmosféricas que impediram o transporte do lançador para a plataforma de lançamento, o Japão levou a cabo o lançamento do satélite meteorológico Himawari-9 às 06:20:00UTC do dia 2 de Novembro de 2016. O lançamento foi levado a cabo pelo foguetão H-2A/202 (F-31) a partir da Plataforma de Lançamento LP1 do Complexo de Lançamento Yoshinobu do Centro Espacial de Tanegashima.

Todas as fases do lançamento decorreram como previsto com o satélite a separar-se às 0544UTC e a uma altitude de 263 km.

O lançamento iniciou-se com a ignição dos motores laterais de combustível sólido bem como com a ignição do primeiro estágio do H-2A/202 a T=0s. A T+1m 32s (alt. 45 km / vel. 1,5 km/s) ocorria do final da queima dos dois propulsores laterais de combustível sólido que se separaram a T+1m 48s (alt. 53 km / vel. 1,5 km/s). A separação das duas metades da carenagem de protecção ocorria a T+4m 5s (alt. 142 km / vel. 2,6 km/s) e o final da queima do primeiro estágio tinha lugar a T+6m 36s (alt. 218 km / vel. 5,3 km/s).

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A separação entre o primeiro e o segundo estágio tem lugar a T+6m 44s (alt. 222 km / vel. 5,3 km/s) e a primeira ignição do segundo estágio ocorre a T+6m 50s (alt. 225 km / vel. 5,3 km/s). Esta queima tem uma duração de 5 minutos e 22 segundos, terminando a T+12m 12s (alt. 271 km / 7,7 km/s) e com o conjunto a atingir uma órbita preliminar onde irá permanecer até T+23m 50s (alt. 264 km / 7,7 km/s), altura em que se inicia a segunda queima do segundo estágio. Este queima tem uma duração de 3 minutos e 14 segundos, terminando a T+27m 7s (alt. 250 km / vel. 10,2 km/s). A separação do satélite Himawari-9 ocorre a T+27m 57s (alt. 263 km / 10,2 km/s).

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Himawari-9

A agência meteorológica japonesa desenvolveu os satélites meteorológicos geostacionários da próxima geração Himawari-8 (ひまわり8) e Himawari-9 (ひまわり9), como sucessores da série MTSAT e ambos os veículos estão equipados com o AHI (Advanced Himawari Imager). 

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A função mais valiosa dos satélites meteorológicos é a sua capacidade de monitorizar de forma global e uniforme os fenómenos atmosféricos ao longo de vastas áreas tais como oceanos, desertos e montanhas, locais onde a observação a partir da superfície é difícil. A World Weather Watch (WWW; uma parte do programa da World Meteorological Organization, WMO) é apoiada por vários satélites geostacionários e em órbitas polares que formam redes espaciais de observação, para as quais o Japão contribui desde 1977 na região do Este Asiático e do Pacífico Ocidental.

Equipados com novos sensores, o Himawari-8 e o Himawari-9 deverão apoiar ainda mais e melhorar os serviços meteorológicos numa variedade de campos tais como a previsão meteorológica, monitorização climática, prevenção de desastres naturais e sistemas de transportes seguros.

O instrumento AHI possui 16 bandas de observação (3 para o visível, 3 para o infravermelho próximo e 10 para o infravermelho), ao contrário das 5 bandas com as quais estavam equipadas os satélites MTSAT (1 para visível e 4 para o infravermelho). Esta melhoria permite uma melhor compreensão das condições das nuvens da Terra.

Adicionalmente, o intervalo de tempo entre observações completas do disco terrestre é de 10 minutos para o Himawari-8/9 em oposição dos cerca de 30 minutos para a série MTSAT. Juntamente com tal observação, o HImawar-8/9 também observa certas áreas de forma tão frequente que todo o território japonês é coberto em intervalos de 2,5 minutos. Ainda num melhoramento em relação à série MTSAT, a resolução horizontal do Himawari-8/9 é o dobro da série anterior.

Estas melhorias significativas trazem um nível de precisão sem precedentes na monitorização do movimento dos ciclones tropicais e das nuvens que transportam chuvas locais intensas. É também possível observar a distribuição de cinzas vulcânicas e de aerossóis com grande precisão. Os dados fornecidos são utilizados para a visualização de nuvens e utilizados em previsão meteorológica numérica bem como campos relacionados baseados em cálculos para estimar valores tais como temperatura e direcção / velocidade do vento na alta atmosfera.

Como funciona o sistema de observação AHI? O sistema observa a Terra ao mover uma série interna de espelhos na direcção Este-Oeste iniciando a partir do Norte. Durante os 10 minutos que demora a observar o disco completo, a unidade também observa uma região limitada, tal como a área em torno do Japão ao alterar a direcção dos espelhos. A luz acumulada pelos espelhos é dispersa em 16 comprimentos de onda antes de ser convertida em sinais eléctricos por detectores para cada banda, com os sinais a serem posteriormente transmitidos para estações no solo.

Baseado da plataforma DS-2000, o Himawari-9 irá operar numa órbita geossíncrona equatorial. O satélite tem um tempo de vida útil de mais de 15 anos e a sua missão meteorológica deverá ter uma duração superior a 8 anos. No lançamento o satélite tem uma massa de cerca de 3.500 kg (1.500 kg sem propelentes a bordo) e um comprimento total de cerca de 8 metros. Em órbita é estabilizado nos seus três eixos espaciais utilizando pequenos propulsores e rodas de reacção.

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H-2AO foguetão H-2A/202

O desenvolvimento do lançador H-2A surgiu após os maus resultados obtidos com o lançador H-2 que resultaram na perda de vários satélites nas suas missões finais.

O H-2A na sua versão 202 é um lançador a três estágios auxiliados por dois propulsores laterais de combustível sólido SRB-A que entram em ignição no lançamento. Assim, o H-2A/202 tem a capacidade de colocar 10.000 kg numa órbita baixa de 300 km de altitude com uma inclinação de 30,4º ou então pode colocar 4.100 kg numa órbita de transferência para a órbita geossíncrona. No lançamento é capaz de desenvolver 5.600 kN, tendo uma massa total de 285.000 kg. A sua envergadura é de 9 metros. O seu diâmetro é de 4,0 metros e o seu comprimento atinge os 53,00 metros.

Cada SRB-A (Solid Rocket Boosters-A), considerado por muitos como o estágio 0 (zero), tem um peso bruto de 75.500 kg, pesando 10.500 kg sem combustível. Cada propulsor tem um diâmetro de 2,5 metros, um comprimento de 15,1 metros e desenvolve 229.435 kgf no lançamento, com um Ies de 282,5 s (vácuo), um Ies-nm de 230 s e um Tq 101 s.

O primeiro estágio do H-2A/202 (H-2A-1) tem um peso bruto de 113.600 kg, pesando 13.600 kg sem combustível. Tem um diâmetro de 4,0 metros, um comprimento de 37,2 metros e desenvolve 111.964 kgf no lançamento, com um Ies de 440 s (vácuo), um Ies-nm de 338 s e um Tq 390 s. Está equipado com um motor LE-7A, desenvolvido pela Mitsubishi, que consome LOX e LH2. O LE-7A pode variar a sua potência em 72%.

Finalmente o segundo estágio tem um peso bruto de 16.900 kg, pesando 3.100 kg sem combustível. Tem um diâmetro de 4,0 metros, um comprimento de 9,2 metros e desenvolve 13.970 kgf no lançamento, com um Ies de 448 s e um Tq 534 s. Está equipado com um motor LE-5B, desenvolvido pela Mitsubishi, que consome LOX e LH2.

O esquema seguinte mostra as diferentes configurações do foguetão H-2A. Presentemente só as versões 202 e 204 estão operacionais.

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Dados Estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 5578

– Lançamento orbital com sucesso: 5225

– Lançamento orbital Japão: 103

– Lançamento orbital Japão com sucesso: 94

– Lançamento orbital desde Tanegashima: 67

– Lançamento orbital desde Tanegashima com sucesso: 65

Ao se referir a ‘lançamentos com sucesso’ significa um lançamento no qual algo atingiu a órbita terrestre, o que por si só pode não implicar o sucesso do lançamento ou da missão em causa.

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Dos lançamentos bem sucedidos levados a cabo em 2016: 23,4% foram realizados pela Rússia; 26,6% pelos Estados Unidos (incluindo ULA – 47,1%, SpaceX – 47,1% e Orbital SC – 5,9%); 21,9% pela China; 12,5% pela Arianespace; 9,4% pela Índia, 3,1% pelo Japão, 1,6% pela Coreia do Norte e 1,6% por Israel.

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC):

03 Nov (10:00:00) – CZ-5 Chang Zheng-5/YZ-2 – Wenchang, LC101 – SJ-17 Shijian-17

06 Nov (18:30:00) – Atlas-V/401 (AV-062) – Vandenberg AFB, SLC-3E – WorldView-4; RAVAN; U2U; Aerocube-8C (IMPACT-C); Aerocube-8D (IMPACT-D); Prometheus-2.1; Prometheus-2.2; CELTEE

16 Nov (21:42:00) – Atlas-V/541 (AV-069) – Cabo Canaveral AFS, SLC-41 – GOES-R

17 Nov (16:06:48) – Ariane-5ES (L594/VA233) – CSG Kourou, ELA3 – Galileo-FOC FM07 (Antonianna); Galileo-FOC FM13 (Kimberley); Galileo-FOC FM14 (Tijmen); Galileo-FOC FM12 (Lisa)

17 Nov (20:20:00) – 11A511U-FG Soyuz-FG (R15000-060) – Baikonur, LC31 PU-6 – Soyuz MS-03

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