Japão lança novo satélite espião



O Japão levou a cabo o lançamento de um novo satélite espião capaz de levar a cabo observações em todas as condições atmosféricas.

O lançamento do satélite IGS Radar-5 (IGS-10A) teve lugar às 0120UTC do dia 17 de Março de 2017 e foi levado a cabo pelo foguetão H-2A/202 (F-33) a partir da Plataforma de Lançamento LP1 do Complexo de Lançamento Yoshinobu do Centro de Lançamento de Satélites de Tanegashima.

Poucas foram as informações dadas relativamente ao lançamento, mas aparentemente todas as fases da missão decorreram sem problemas e o satélite foi colocado na órbita prevista, com a separação do IGS Radar-5 a ter lugar pelas 0142UTC.

O lançamento estava inicialmente previsto para as 0100UTC do dia 16 de Março, mas foi adiado devido às más condições meteorológicas.

O foguetão foi transportado para a plataforma de lançamento a 16 de Março.

Os satélites IGS

O desenvolvimento dos satélites Joho Shushu Eisei, IGS (Information Gathering Satellite), foi iniciado em 1998 após a Coreia do Norte ter levado a cabo o teste de um míssil que sobrevoou o território japonês. Os satélites têm como objectivo fornecer dados de aviso antecipado de lançamento de mísseis na região.

Construídos pela Mitsubishi Electric (MELCO), os satélites dividem-se em dois tipos: observação óptica e radar. Inicialmente a resolução dos satélites ópticos era de cerca de 1 metro (pancromático) e 5 metros (multiespectral), com os satélites radar a terem uma resolução de 3 metros. A segunda geração de satélites ópticos tem uma resolução de cerca de 0,6 metros.

O primeiro par de satélites IGS foi colocado em órbita em Março de 2003. Este par era composto por um satélite de observação óptica e por um satélite de observação por radar. No mesmo ano, o lançamento de dois novos satélites IGS acabaria por não ser bem sucedido, sendo tomada a decisão de se suspender o lançamento destes satélites até ao desenvolvimento de um satélite de observação óptica em 2006. No ano seguinte foi colocado em órbita um satélite de observação por radar juntamente com um protótipo de um satélite de observação óptica de segunda geração.

A série entrou na sua segunda geração com o lançamento do quarto satélite IGS Optical em Novembro de 2009, com um novo satélite de observação óptica a ser lançado em Setembro de 2011. Por seu lado, os satélites de observação por radar entraram na sua segunda geração a 12 de Dezembro de 2011 (IGS Radar-3), com um outro veículo a ser colocado em órbita a 27 de Janeiro de 2013 (IGS Radar-4). Neste lançamento foi também colocado em órbita um protótipo de um satélite de observação óptica de terceira geração. O primeiro satélite operacional deste tipo seria colocado em órbita a 26 de Março de 2015 (IGS Optical-5). Um satélite de observação por radar suplente foi colocado em órbita a 1 de Fevereiro de 2015.

H-2AO foguetão H-2A/202

O desenvolvimento do lançador H-2A surgiu após os maus resultados obtidos com o lançador H-2 que resultaram na perda de vários satélites nas suas missões finais.

O H-2A na sua versão 202 é um lançador a três estágios auxiliados por dois propulsores laterais de combustível sólido SRB-A que entram em ignição no lançamento. Assim, o H-2A/202 tem a capacidade de colocar 10.000 kg numa órbita baixa de 300 km de altitude com uma inclinação de 30,4º ou então pode colocar 4.100 kg numa órbita de transferência para a órbita geossíncrona. No lançamento é capaz de desenvolver 5.600 kN, tendo uma massa total de 285.000 kg. A sua envergadura é de 9 metros. O seu diâmetro é de 4,0 metros e o seu comprimento atinge os 53,00 metros.

Cada SRB-A (Solid Rocket Boosters-A), considerado por muitos como o estágio 0 (zero), tem um peso bruto de 75.500 kg, pesando 10.500 kg sem combustível. Cada propulsor tem um diâmetro de 2,5 metros, um comprimento de 15,1 metros e desenvolve 229.435 kgf no lançamento, com um Ies de 282,5 s (vácuo), um Ies-nm de 230 s e um Tq 101 s.

O primeiro estágio do H-2A/202 (H-2A-1) tem um peso bruto de 113.600 kg, pesando 13.600 kg sem combustível. Tem um diâmetro de 4,0 metros, um comprimento de 37,2 metros e desenvolve 111.964 kgf no lançamento, com um Ies de 440 s (vácuo), um Ies-nm de 338 s e um Tq 390 s. Está equipado com um motor LE-7A, desenvolvido pela Mitsubishi, que consome LOX e LH2. O LE-7A pode variar a sua potência em 72%.

Finalmente o segundo estágio tem um peso bruto de 16.900 kg, pesando 3.100 kg sem combustível. Tem um diâmetro de 4,0 metros, um comprimento de 9,2 metros e desenvolve 13.970 kgf no lançamento, com um Ies de 448 s e um Tq 534 s. Está equipado com um motor LE-5B, desenvolvido pela Mitsubishi, que consome LOX e LH2.

 

O esquema seguinte mostra as diferentes configurações do foguetão H-2A. Presentemente só as versões 202 e 204 estão operacionais.

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O Centro Espacial de Tanegashima (種子島宇宙センター Tanegashima Uchū Sentā) foi fundado em 1969 e é actualmente o principal polígono de lançamentos orbitais do Japão. O centro espacial está localizado na Ilha de Tanegashima, a 115 km a Sul de Kyushu. Originalmente o centro espacial era dirigido pela então National Space Development Agency of Japan (NASDA), fundada na mesma altura, sendo agora operado pela agência espacial JAXA.

No Centro Espacial de Tanegashima decorrem todas as actividades relacionadas com a montagem, teste, lançamento e rastreamento de satélites. Em Tanegashima a JAXA também realiza o ensaio de motores de foguetões.

Actualmente, o centro espacial opera o Complexo de Lançamento Yoshinobu que possuí duas plataformas de lançamento: LP1 e LP2, sendo esta utilizada pelos foguetões H-2B. O Complexo de Lançamento Osaki, que foi utilizado para o lançamento dos foguetões N-I, N-II e H-1, foi desactivado em 1992.

Dados estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 56143

– Lançamento orbital com sucesso: 5259

– Lançamento orbital Japão: 108

– Lançamento orbital Japão com sucesso: 98

– Lançamento orbital desde Tanegashima: 70

– Lançamento orbital desde Tanegashima com sucesso: 68

Ao se referir a ‘lançamentos com sucesso’ significa um lançamento no qual algo atingiu a órbita terrestre, o que por si só pode não implicar o sucesso do lançamento ou da missão em causa.

Dos lançamentos bem sucedidos levados a cabo em 2017: 13,3% foram realizados pelos Estados Unidos (incluindo ULA – 100,0% (2) e Orbital ATK – 0,0%); 20,0% (3) pela China; 6,7% (1) pela Rússia; 20,0% (3) pela Arianespace; 6,7% (1) pela Índia; 13,3% (2) pelo Japão e 20,0% (3) pela SpaceX.

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC):

18 Mar (2344:00) – Delta-IV+(5,4) (D377) – Cabo Canaveral AFS, SLC-37B – WGS-9

21 Mar (2031:07) – Ariane-5ECA (VA236) – CSG Kourou, ELA3 – SGDC-1; Koreasat-7 (Mugungwa 7)

25 Mar (0100:00) – Atlas-V/401 (AV-070) – Cabo Canaveral AFS, SLC-41 – Cygnus OA-7 (CRS-7)

27 Mar (????:??) – Falcon-9 – CE Kennedy, LC-39A – SES-10

?? Mar (????:??) – 4A14-1B Soyuz-2-1B/Fregat-M – GIK-1 Plesetsk, LC43/4 – Glonass n.º 56

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