‘It’s Business Time’ para a Rocket Lab

Depois de vários adiamentos devido a problemas técnicos, a empresa Rocket Lab levou a cabo a sua primeira missão operacional, denominada ‘It’s Business Time’, utilizando o foguetão Electron/Curie (F3).

O lançamento teve lugar às 0350UTC do dia 11 de Novembro de 2018 e foi levado a cabo desde o Complexo de Lançamento LC-1 do Centro de Lançamentos de Máhia, Nova Zelândia.


A bordo do Electron encontravam-se oito pequenos satélites, nomeadamente o CICERO-10, o Lemur-2 (78) ‘Zupanski’, o Lemur-2 (79) ‘Chanusiak’, o Irvine-01, o NABEO (Pride of Bavaria), Proxima-I e Proxima-II.

Todas as fases do lançamento decorreram como previsto, com os elementos da Rocket Lab a transferir o foguetão lançador para o complexo de lançamento após analisarem as condições meteorológicas. A T-7h 00m as equipas de emergência, os oficiais locais e a equipa da Rocket Lab, eram informadas sobre as condições da missão e deslocavam-se para as suas posições. A T-6h 00m eram encerrados os acessos para o local de lançamento.

O foguetão Electron era colocado na sua posição vertical a T-4h 00m e iniciava-se o processo de abastecimento de querosene. O pessoal de apoio na plataforma de lançamento deixava a área a T-2h 30m e o abastecimento de oxigénio líquido (LOX) iniciava-se a T-2h 00m.

As autoridades de aviação locais eram informadas sobre o lançamento a T-1h 00m para assim poderem avisar os aviadores naquele espaço aéreo. Os preparativos finais para o lançamento iniciam-se a T-10m. A sequência automática de lançamento inicia-se a T-2m, com o computador de bordo do Electron a tomar conta das operações. A ignição dos motores do lançadores inicia-se a T-2s.

O foguetão abandona a plataforma de lançamento a T=0s, com uma ascensão lenta nas fases iniciais e ganhando velocidade à medida que ganha altitude. O final da queima do primeiro estágio termina a T+2m 33s e a sua separação ocorre três segundos mais tarde. A ignição do motor do segundo estágio ocorre a T+2m 39s. A separação da carenagem de protecção ocorre a T+3m 8s.

O segundo estágio atinge a órbita terrestre a T+9m 2s, terminando a sua ignição a 9m 5s. A separação entre o segundo estágio e o estágio Curie ocorre e T+9m 9m, com a sua ignição a ter lugar a T+51m 00s. O final da queima do estágio Curie ocorre a T+52m 45s. A T+54m 10s todos os satélites estão separados do último estágio.

Esta missão transportou sete cargas distintas, dos quais seis satélites e um demonstrador tecnológico, demonstrando a versatilidade da missão entre várias empresas e a capacidade do lançador no mercado do lançamento de pequenos satélites.

Segundo a Rocket Lab, a a massa total inicial para esta missão era pouco superior a 40 kg, muito menos do que os 225 kg de carga máxima que o Electron pode colocar em órbita e do que os 150 kg de carga nominal que o lançador é capaz de colocar numa órbita sincronizada com o Sol a uma altitude de 500 km. Isto permitiu que no período que decorreu após a tentativa inicial de lançamento desta missão, fossem acrescentados dois satélites ao manifesto de lançamento.

Estes novos satélites juntaram-se assim aos dois satélites Lemur-2, ao satélite da GeoOptics Inc., ao Cubesat Irvine-01 e ao NABEO da High Performance Space Structure Systems GmbH.

Os dois satélites Lemur-2, denominados Lemur-2 (78) ‘Zupanski’ e Lemur-2 (79) ‘Chanusiak’, são lançados para a empresa Spire Global, que anteriormente havia já lançado dois satélites Lemur-2 na missão anterior do Electron. Os dois novos satélites juntam-se assim à constelação de mais de 50 nano-satélites da Spiral actualmente em órbita. Cada satélite tem uma massa de 4 kg e é baseado no modelo CubeSat-3U.

Os Lemur-2 são utilizados pela empresa para o seguimento do sistema Automatic Identification System (AIS) para monitorizar os movimentos de navios nas regiões mais remotas do globo. Os satélites também utilizam a ocultação do sinal rádio de GPS para monitorizar o tempo meteorológico. Os dois satélites lançados nesta missão serão os primeiros a utilizar o denominado Automatic Dependent Surveillance-Broadcast (ADS-B) para permitir o serviço de seguimento de aviões AirSafe da Spiral.

Juntamente com os satélites Lemur-2 foi colocado em órbita o satélite Irvine-01 construído para a GeoOptics Inc. pela Tyvak Nano-Satellite Systems sediada en Irvine, Califórnia. O satélite resulta de uma colaboração de 150 estudantes de seis escolas secundárias Irvine como parte do programa Irvine CubeSat STEM Program e foi financiado por donativos do sector privado para a Irvine Public Schools Foundation. O satélite transporta uma câmara de baixa resolução que deverá obter imagens de Vénus, das estrelas e de outros corpos celestes. As imagens serão utilizadas para calcular as distâncias às estrelas e determinar a precisão e estabilidade do satélite.

O satélite NABEO (Pride of Bavaria) é um demonstrador tecnológico que uma vela de arrasto projectada e construída pela High Performance Space Structure Systems GmbH e que irá testar a fiabilidade para remover da órbita terrestre de forma passiva, pequenos satélites inactivos utilizando o arrastamento do atrito atmosférico. O satélite, baseado no modelo CubeSat-1U, tem uma massa de 1,3 kg, enquanto que a vela solar tem uma massa de cerca de 100 g.

O NABEO irá utilizar uma pequena vela, uma membrana ultra-fina, que está enrolada no satélite no lançamento e que será aberta uma vez que o satélite atinja o fim da sua vida operacional. Esta membrana ultra-fina tem uma área de 2,5 m2 e irá aumentar de forma sequencial o atrito contra as partículas da atmosfera presentes na sua altitude operacional.

Os satélites CICERO (Community Initiative for Cellular Earth Remote Observation) são um conjunto de de satélites em órbita terrestre baixa que levam a cabo a ocultação dos sinais de rádio do sistema GPS e Galileo e detecção remota da superfície terrestre por reflexão GNSS. Os satélites são operados pela GeoOptics Inc. e desenvolvidos pela Tyvak Nano-Satellite Systems, Inc., sendo baseados no modelo CubeSat-6U e tendo uma massa de cerca de 10 kg.

Os satélites Proxima-I e Proxima-II são os primeiros satélites para a rede de satélites Centauri da Fleet Space Technologies’ que irão formar uma rede global de satélites para a Internet of things (IoT). Os satélites são baseados no modelo CubeSat-1.5U e tê uma massa de cerca de 1,5 kg.

O foguetão Electron

O Electron é um lançador a dois estágios com um comprimento de 17 metros e um diâmetro de 1,2 metros. É capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 150 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico, o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.

O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e super leve. Da mesma forma, os tanques de propolente são fabricados em materiais compósitos.

O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford e tem uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 303 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.

O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, e que foi especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alta performance que reduzem a sua massa e que substituem hardware por software. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alta performance alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.

O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para uma excelente performance em condições de vácuo. É capaz de desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 333 s.

O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo a nível mundial operado de forma privada. A localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.

Dados estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 5779

– Lançamento orbital Rocket Lab: 3 (0,05%)

– Lançamento orbital desde Máhia: 3 (0,05%)

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC):

14 Nov (1138:00) – GSLV Mk-III (D2) – Satish Dawan SHAR, SLP – GSat-29

15 Nov (0949:00) – Antares-230 – MARS Wallops Island, LP-0A – Cygnus NG-10 (CRS-10) “John Young”; SASSI2; NSLSat-1; ThinSat-1A; ThinSat-1B; ThinSat-1C; ThinSat-1D; ThinSat-1E; ThinSat-1F; ThinSat-1G; ThinSat-1H; ThinSat-1I; ThinSat-1J; ThinSat-1K; ThinSat-1L; TechEdSat-8; CAPSat; CySat-1; HARP; KickSat-2; SPACE-HAUC; UNITE
TJREVERB; VCC-A (Aeternitas); VCC-B (Libertas); VCC-C (Ceres); MYSAT-1

15 Nov (2046:00) – Falcon-9 (B1050) – CE Kennedy, LC-39A – Es’hail-2 (AMSAT-P4A)

16 Nov (1814:00) – 11A511U-FG Soyuz-FG (N15000-068) – Baikonur, LC1 PU-5 – Progress MS-10

19 Nov (1832:00) – Falcon-9/SHERPA (B1048.3) – Vandenberg AFB, SLC-4E – ORS-7A (Polar Scout 1); ORS-7B (Polar Scout 2); MinXSS-2; Audacy-0; Eu:CROPIS; BlackSky Global 2; STPSat-5; NEXTSat-1; Hawk-A; Hawk-B; Hawk-C; Fox-1C (Fos 1Cliff); KNACKSAT; Elysium-Star 2; JY1-Sat; KazistiSat (KazSTSAT); KazSaySat-1 (KazSciSat-1); ROSE-1 (RFT Orbital Satellite Experiment); ICEYE-X2; CSIM-FD; Hiber-2; Orbital Reflector (ORS-1); PW-Sat-2; Hamilton-1; MOVE-2; Centauri-2; Eaglet-1; SpaceBEE-9; SpaceBEE-10; SpaceBEE-11; Flock-3s (1); Flock-3s (2); Flock-3s (3); SkySat-14; SkySat-15; AISTECHSAT-2; Al-Farabi 2; Astrocast-0.1; BeeSat-5; BeeSat-6; BeeSat-7; BeeSat-8; BlackHawk; BRIO; Capella-1; ESEO; eXCITe; ExseedSat-1; FalconSat-6; ICE-Cap; Irvive-02; ITASAT-1; K2SAT; Landmapper-BC 4 (Corvus-BC 4); RAAF-M1; RANGE-A; RANGE-B; SeaHawk-1; SeeMe; SIRION Pathfinder 2; SNUGLITE; SNUSAT-2; Suomi-100; THEA; VESTA; VisionCube; WeissSat-1; ZACUBE-2; ENOCH

 

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