Irá a China aceitar os erros do Brasil?




Para 2013 a China prevê o lançamento de 16 missões orbitais para colocar em órbita mais de duas dezenas de satélites. Entre estes satélites supostamente encontra-se o CBERS-3 (China-Brazil Earth Resources Satellite-3) cujo lançamento estava originalmente previsto para ter lugar entre 20 de Novembro e 10 de Dezembro de 2012.

O lançamento do CBERS-3 iria marcar o início da segunda geração destes satélites após o lançamento do CBERS-1 a 14 de Outubro de 1999, do CBERS-2 a 11 de Outubro de 2003 e o CBERS-2B a 19 de Setembro de 2007. Um segundo satélite da segunda geração, o CBERS-4, tem o seu lançamento previsto para 2014.

No entanto, o lançamento do CBERS-3 foi adiado devido a problemas encontrados em conversores DC/DC de origem norte-americana. Curiosamente, vários problemas com estes conversores haviam já sido reportados em satélites lançados anteriormente por outras nações, no entanto parece que as autoridades espaciais brasileiras nada fizeram em relação a este problema, deixando este erro se propagar por todo o projecto, o que levou ao seu inevitável adiamento quando o satélite foi testado já na China.

Segundo a Agência Espacial Brasileira, o lançamento do CBERS-3 é um dos seus principais objectivos para o ano de 2013. Os conversores DC/DC problemáticos terão sido substituídos por dispositivos de fabrico brasileiro que serão integrados no satélite.

Segundo o Blogue Brazilian Space, que cita vários especialistas, "não é prudente lançar esse satélite sem testar adequadamente os novos equipamentos que serão instalados no mesmo, e na visão deles todo processo (testes, integração e lançamento) deveria levar com segurança em média de um ano e meio a dois anos. Assim sendo, lançá-lo em 2013 seria muito arriscado e só se justificaria por pressão política irresponsável."

De facto, e perante tal cenário, é legítimo questionar se a China pretende aceitar novos erros no desenvolvimento do projecto do CBERS-3 e do CBERS-4, que certamente verá o seu lançamento adiado. Nos últimos anos, a China tem-nos habituado a uma excelência na sua tecnologia espacial e nos seus feitos espaciais que numa altura destas não se coaduna com a aparente trapalhada que tem sido o desenvolvimento do CBERS-3. Fugindo de uma febre de lançamento, as autoridades espaciais chinesas certamente que preferirão adiar o lançamento do CBERS-3, a terem no futuro de justificar a falha de um satélite resultante de uma cooperação internacional que deu valorosos frutos no passado, e falha essa que certamente poderá vir a resultar da vontade de colocar em órbita custe o que custar um satélite condenado antes do seu lançamento, deitando-se assim a perder milhares de fundos.

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