Equipa de estudantes portugueses selecionada para programa da ESA



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Quatro estudantes portugueses foram seleccionados, entre centenas, para participar no programa Spin Your Thesis, da Agência Espacial Europeia. O projeto AngioGravity, da equipa da Universidade do Porto, será agora testado em Setembro deste ano, no Centro Europeu de Pesquisa e Tecnologia Espacial (ESTEC), na Holanda.

A equipa portuguesa integra um grupo de cinco, seleccionadas para a edição de  2014 dos programas Spin Your Thesis! e Drop Your Thesis! Uma oportunidade única, que permite aos estudantes fazer as suas experiências em campos gravitacionais de grande nível. Os dados depois serão usados nas suas teses de mestrado ou doutoramento.

Instalações deste nível só estão acessíveis, normalmente, a investigadores já estabelecidos. Neste caso, o acesso é disponibilizado através da iniciativa do Gabinete Educacional da ESA, com os programas Spin Your Thesis! e Drop Your Thesis!

Uma vez por ano, os estudantes têm oportunidade de concorrer, através das suas universidades, com experiências de microgravidade e hipergravidade. Não há qualquer restrição na área da ciência que pode ser investigada. A única condição é que o acesso às instalações experimentais seja crucial para o estudo.

Cada equipa é constituída por dois a quatro estudantes universitários. A ESA oferece financiamento que cobre parte das despesas com a experiência, as viagens e o alojamento.

O Spin Your Thesis! usa as instalações do Large Diameter Centrifuge, localizadas no  ESTEC, em Noordwijk, Holanda. Trata-se de uma instalação de hipergravidade. Com oito metros de diâmetro, esta centrifugadora pode reproduzir uma força gravitacional de 1 a 20 vezes a gravidade da Terra.

Este ano será a quinta edição do Spin Your Thesis!. As experiências serão feitas no ESTEC entre 8 e 19 de Setembro de 2014. Foram escolhidas quatro equipas:

Da portuguesa AngioGravity fazem parte Daniel Carvalho, Guilherme Aresta e Miguel Ferreira, do mestrado em Bioengenharia, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, e Raquel Almeida, da Universidade do Minho, que está a fazer o doutoramento no âmbito do programa MIT Portugal. O estudo envolve bioengenharia, em particular a capacidade de as células endoteliais formarem novos vasos sanguíneos em condições de hipergravidade, o que pode ter aplicação na área da medicina regenerativa ou no tratamento de situações patológicas relacionadas com a vascularização.

Uma das equipas holandesas é conhecida como Sponges in Space. É composta por dois estudantes de mestrado e um estudante de doutoramento da Universidade de Amesterdão. Estudam ecologia aquática, ecotoxicologia e biologia da evolução. O seu objectivo é estudar o gasto de energia durante a formação das esponjas. Para isso, irão variar a força gravitacional durante a sua formação.

A equipa Transformers é composta por três estudantes de doutoramento do Instituto Italiano de Tecnologia. Está em estudo a micro-biorrobótica, e será investigada a aplicação de protocolos de hipergravidade em processos de transfeção celular em células mamárias, na medicina regenerativa. Isto envolve a introdução de DNA nas células sem a introdução de vírus nas células.

A equipa Glacier, também holandesa, é composta por dois estudantes de mestrado em Ciências da Terra, da Universidade de Amesterdão. O seu objectivo é testar a influência da gravidade nas propriedades de um material análogo ao gelo. Com este projecto Drop Your Thesis! os estudantes pretendem usar a drop tower de 123 metros, localizada no Center of Applied Space Technology and Microgravity (ZARM), em Bremen, Alemanha.

As experiências tanto podem ser largadas da torre ou catapultadas de baixo para cima. Durante os ‘lançamentos’, a experiência passa por 9.3 segundos de microgravidade, semelhante a estar em órbita.

Esta será a sexta campanha e acontecerá de 3 a 14 de Novembro de 2014. A equipa seleccionada é italiana e é conhecida como FELDs de Flexible Electromagnetic Leash Docking system.

A equipa é composta por quatro estudantes de mestrado da Universidade de Padova, Itália, que estudam engenharia aeroespacial e telecomunicações. A experiência tem dois objectivos principais: o primeiro é demonstrar um sistema inovador de acoplagem para as naves espaciais, que usa a acoplagem electromagnética, com recurso a um cabo flexível. O segundo é estudar a resposta dinâmica do sistema de captura e os seus efeitos na nave em microgravidade.

Para o conseguir, passarão duas semanas no ZARM, onde a experiência será feita durante uma série de 5 lançamentos, cada um com 4.7s de microgravidade.

As equipas têm agora cerca de seis meses para preparar as experiências. Durante este período, terão o apoio do Gabinete Educacional da ESA e pelos peritos responsáveis pelas instalações experimentais. Membros da European Low Gravity Research Association (ELGRA) também estarão disponíveis para lhes fornecer aconselhamento na pesquisa em microgravidade e hipergravidade.

Com iniciativas como esta, a ESA ajuda a estimular o desenvolvimento de uma nova geração de investigadores altamente especializados. Quando chegarem ao mercado de trabalho irão contribuir para manter a Europa na linha da frente do progresso científico e tecnológico, beneficiando-nos a todos.

Notícia e imagem: ESA

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