Ecos de radar

A busca por indícios de gelo em Marte é complexa. Para explorar se o gelo se esconde sob a superfície do Planeta Vermelho, a sonda Mars Express da ESA utiliza o seu radar para investigar o interior.

Envia pulsos de rádio de baixa frequência para Marte e regista como estes são devolvidos à aeronave. Estes pulsos podem penetrar em alguns dos materiais que compõem a crosta do planeta, retornando à Mars Express quando atingem uma camada de densidade ou composição diferente. Ao analisar os atrasos de tempo desses pulsos devolvidos, os cientistas podem determinar as propriedades do material que se encontra sob a superfície.


Esta imagem mostra ecos de radar do Meridiani Planum, uma área perto do equador de Marte que também está a ser explorada pelo rover Opportunity da NASA.

Na imagem, ecos reflectidos da superfície e da sub-superfície, separados no tempo de atraso, são traçados ao longo da rota no solo da órbita da aeronave. A linha branca brilhante que cruza o quadro marca a superfície de Marte, enquanto a linha ténue e mais difusa, logo abaixo, representa ecos da base de uma camada de material enterrado localizado muito abaixo da superfície.

A superfície do Meridiani Planum está cheia de areias vulcânicas, que são conhecidas por conter minerais que se formaram na presença de água, no passado distante do planeta. Anteriormente, não estava claro que tipos de materiais estavam abaixo da superfície, mas o radar da Mars Express penetrou os depósitos e revelou que estes têm uma propriedade similar ao gelo.

No entanto, um estudo recente sugere uma explicação sem gelo, mostrando que essas propriedades do radar poderiam ser facilmente explicadas por uma camada espessa de areia porosa – talvez trazida para a região pelos ventos. Ao contrário de outros materiais geológicos, como cinza vulcânica ou poeira muito fina, uma camada espessa de partículas do tamanho de areia pode produzir propriedades no radar semelhantes às de um depósito rico em gelo.

Acredita-se que os ecos sejam reflexos da fronteira entre os depósitos de Meridiani Planum abaixo da superfície e o terreno com crateras que jaz mais profundo.

Estes resultados destacam a dificuldade em encontrar gelo enterrado e ajudarão os cientistas a identificar áreas com e sem água gelada acessível: um recurso crítico para a futura exploração humana e possível colonização de Marte.

Este radargrama foi obtido pelo instrumento Mars Advanced Radar for Subsurface and Ionosphere Sounding (Radar Avançado de Marte para Sons de Sub-superfície e Ionosfera), MARSIS, em abril de 2016. A imagem cobre uma largura de cerca de 80 km. O norte está à esquerda (veja a versão anotada no artigo publicado para mais detalhes).

Notícia e imagem: ESA

Texto corrigido para Língua Portuguesa pré-AO90

 

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