Eclipse espacial



Graças a uma peculiaridade do nosso cosmos, a distância média da Lua à Terra é simplesmente perfeita para que esta aparente ter, no céu, o mesmo tamanho que o Sol, significativamente maior. De vez em quando, a Lua desliza directamente entre a Terra e o Sol, de modo que parece cobrir completamente a nossa estrela, bloqueando temporariamente a luz e criando um eclipse solar total para aqueles ao longo do estreito caminho da sombra da Lua.

Na próxima semana, a 21 de agosto, os observadores situados ao longo de uma faixa de 115 km de extensão, que se estendem de Oregon para a Carolina do Sul, nos EUA, estarão neste caminho da ocultação total, com o pico a ocorrer às 18:26 GMT (verifique aqui os horários detalhados). Durante 2 minutos e 40 segundos, os observadores, num local determinado, serão banhados por um misterioso crepúsculo no meio do dia.

Não é possível ver a ocultação total a partir da Europa, embora aqueles na região mais ocidental, possam ver um eclipse parcial antes que o Sol despareça abaixo do horizonte ao pôr-do-sol.

Uma equipa de astrónomos da ESA irá estudar o eclipse a partir dos EUA e, como muitos outros, com a esperança que os céus estejam limpos para que possam capturar os fenómenos visíveis apenas durante os eclipses. Estes incluem gránulos de luz que brilham através de lacunas no terreno lunar e o efeito brilhante do anel de diamante, à medida que o último e o primeiro resplendor da luz do sol atravessam imediatamente antes e depois da ocultação total.

Também procurarão obter imagens da atmosfera alargada do Sol, a coroa, que é visível a olho nu apenas durante a ocultação total, quando o resto da luz do Sol está bloqueada.

As observações da coroa estão a cargo, como de costume, do Observatório Solar e Heliosférico da ESA/NASA, SOHO, que pode usar um filtro especial para bloquear a luz do Sol. Durante o eclipse total da Terra, SOHO proporcionará um contexto importante da coroa e da atividade do Sol, a partir do seu ponto de vista no espaço.

Fora do caminho da ocultação total, os observadores vivenciarão um eclipse parcial – vendo a Lua a dar uma “dentada” do disco do Sol. Isto é semelhante ao que nosso satélite Proba-2 verá – um exemplo é mostrado na imagem aqui apresentada, que foi obtida durante o eclipse anular no início deste ano. Mostra o turbulento disco solar e a coroa giratória em comprimentos de onda ultravioleta extremos.

Na verdade, o Proba-2 irá observar, hoje, uma série de eclipses parciais a partir da órbita terrestre. O Proba-2 orbita a Terra cerca de 14,5 vezes por dia, e graças à constante mudança no ângulo de visão, mergulhará dentro e fora da sombra da Lua várias vezes durante o eclipse solar.

Além disso, os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional, incluindo o Paolo Nespoli da ESA, também poderão observar alguns aspetos do eclipse. Do seu exclusivo ponto de vista, irão ver os eclipses parciais e também esperam capturar a sombra da Lua na superfície do nosso planeta.

Acompanhe as atividades da ESA a partir do solo através de http://cesar.esa.int e participe da conversa no Twitter com #solareclipse e #eclipse2017. Mantê-lo-emos informado sobre as nossas atividades – do solo e do espaço – via @esascience.

Lembre-se: nunca olhe directamente para o Sol, mesmo quando parcialmente eclipsado, sem a protecção adequada para os olhos, tal como óculos especiais do eclipse solar, ou arriscará danos oculares permanentes.

Notícia e imagem: ESA

Texto corrigido para Língua Portuguesa pré-AO90

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