Coreia do Norte lança Kwangmyongsong-4



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Apesar de proibida pelas Resoluções 1718 e 1874 das Nações Unidas que claramente e de forma inequívoca a impedem de levar a cabo lançamentos que utilizam tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais, a Coreia do Norte levou a cabo a 7 de Fevereiro de 2016 o lançamento do satélite Kwangmyongsong-4 (광명성 4호) utilizando o foguetão Kwangmyongsong (ou Unha-3 ‘은하-3’).

O lançamento teve lugar às 0030:00UTC e foi levado a cabo a partir da Estação de Lançamento de Satélites de Sohae.

Mais uma vez, o lançamento deste novo satélite mereceu a reprovação por parte da maior parte da comunidade internacional preocupada com o desenvolvimento deste tipo de tecnologia por parte da Coreia do Norte.

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Segundo as autoridades norte-coreanas, o Kwangmyongsong-4 é um satélite de observação da Terra, estando equipado com dispositivos de comunicações e dispositivos de obtenção de imagens. O satélite entrou em órbita terrestre às 0039:46UTC, tendo ficado colocado numa órbita com um perigeu a 494,6 km, apogeu de 500 km, inclinação orbital de 97,4º e período orbital de 94 minutos e 24 segundos.

O foguetão Unha-3

A Coreia do Norte está impedida por várias resoluções das Nações Unidas de desenvolver tecnologias que sejam aplicadas no desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais. Por outro lado, a Coreia do Norte sempre fez tábua rasa dessas resoluções, fazendo salientar o seu direito legítimo ao desenvolvimento destas tecnologias como forma de garantir a sua independência e segurança.

KMS4 2O que é o Unha-3 (은하-3), lendo-se ‘Un-ha’, – um foguetão pacífico ou um míssil ameaçador? Na verdade é um pouco de ambos. Ryu Gum Chol, Director Executivo da Exploração Espacial no Departamento de Tecnologia Espacial da Coreia do Norte, referiu que o Kwangmyongsong-3, colocado em órbita a 12 de Dezembro de 2012, pesava somente 100 kg e que para uma arma, este peso seria pouco eficaz. Por outro lado, sublinhou que o lançamento de um míssil balístico intercontinental necessitaria de uma tecnologia mais avançada e que não teria lugar de uma posição fixa. Ora, a referência à massa do Kwangmyongsong-3 como forma de justificar a veia pacífica deste lançador pode levar em erro, pois um míssil balístico de dois estágios baseado no Unha-3 teria uma capacidade de carga muito superior a 100 kg. Sabendo que os Estados Unidos possuem ogivas nucleares com uma massa de cerca de 100 kg e admitindo que a Coreia do Norte ainda não foi capaz de fabricar ogivas deste tipo, logo este míssil desenvolvido a partir do Unha-3 poderá ser utilizado para o transporte destas ogivas mais pesadas. A referência à necessidade de se proceder a um lançamento a partir de uma posição móvel para se justificar a natureza militar de um vector deste tipo, também é enganadora. Tanto a União Soviética (R-7, etc.) como os Estados Unidos (Redstone, Atlas, Titan, etc.) desenvolveram mísseis balísticos intercontinentais que eram lançados a partir de posições fixas.

O Unha-3 (ou o Kwangmyongsong) é um lançador a três estágios com um comprimento de 32 metros e uma massa de cerca de 85.000 kg no lançamento. O primeiro estágio tem um diâmetro de 2,40 metros e um comprimento de 15 metros, o segundo estágio um diâmetro de 1,5 metros e um comprimento de 9,3 metros (valor estimado), e o terceiro estágio um diâmetro de 1,2 metros e um comprimento de 3,7 metros (valor estimado). O compartimento de transporte de carga tem um comprimento de 2 metros. É muito semelhante ao foguetão Unha-2 utilizado em Abril de 2009, com a excepção do terceiro estágio parecer ligeiramente mais alongado.

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Possivelmente o primeiro estágio está equipado com quatro motores Nodong derivados dos motores Scud, com o segundo estágio a utilizar tecnologia derivada do míssil balístico R-27. Aparentemente o terceiro estágio do Unha-3 é semelhante ao segundo estágio do foguetão iraniano Safir que está equipado com dois motores orientáveis.

Todos os estágios do Unha-3 consomem UDMH/N2O4 em vez de UDMH/AK-27 como acontecia com o Unha-2, sendo os motores de maior potência. A força que desenvolve no lançamento será de 1.1312 kN em vez dos 1.137 kN como acontecia com o Unha-2.

Dados Estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 5522

– Lançamento orbital com sucesso: 5170

– Lançamento orbital Coreia do Norte: 5

– Lançamento orbital Coreia do Norte com sucesso: 2

– Lançamento orbital desde Soahe: 3

– Lançamento orbital desde Soahe com sucesso: 2

Ao se referir a ‘lançamentos com sucesso’ significa um lançamento no qual algo atingiu a órbita terrestre, o que por si só pode não implicar o sucesso do lançamento ou da missão em causa (como foi o caso do lançamento do Progress M-27M).

A seguinte tabela mostra os totais de lançamentos executados este ano em relação aos previstos para cada polígono à data deste lançamento.

2016-009 1

2016-009 2

Dos lançamentos bem sucedidos levados a cabo: 22,2% foram realizados pela Rússia; 22,2% pela China; 22,2% pelos Estados Unidos (incluindo ULA (50%), SpaceX (50%) e Orbital SC); 11,1% pela Arianespace; 11,1% pela Índia, 0% pelo Japão, 0% pelo Irão e 11,1% pela Coreia do Norte.

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC): 

10 Fev (1100:00) – Delta-IV-M+(5,2) – Vandenberg AFB, SLC-6 – NROL-45 (Topaz-4)

12 Fev (0845:00) – H-2A/202 (F30) – Tanegashima, Yoshinubo, LP1 – ASTRO-H (NeXT); Horyu-4; ChubuSat-2; ChubuSat-3

16 Fev (1753:31) – Rokot/Briz-KM – GIK-1 Plesetsk, LC133/3 – Sentinel-3A

?? Fev (????:??) – Falcon-9 Upgrade – Cabo Canaveral AFS, SLC-40 – SES-9

10 Mar (????:??) – PSLV-C32 (PSLV-XL) – Satish Dawan SHAR, FLP – IRNSS-1F

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