Como ‘caçar’ rapidamente os sinais de um satélite



 

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Viajando pelo espaço, bem altos no céu, os satélites não são um objecto fácil de seguir. Agora, uma nova técnica desenvolvida na Europa permite às estações de seguimento adquirir sinais dos satélites de forma mais rápida e precisa que nunca.

Durante o lançamento, os satélites são injectados na sua órbita com uma força tremenda, e atingem velocidades superiores a 28.000 quilómetros por hora -40 vezes mais rápido do que um avião comercial. 

Um dos momentos críticos é quando o satélite se separa do lançador e começa a transmitir sinais de rádio. Em terra tem de haver uma estação preparada, à espera, orientada para um ponto preciso do céu de onde virá o sinal do satélite: um feixe muito estreito que se desloca rapidamente.

Tipicamente, mesmo as melhores estações, como as antenas da ESA de 15 e 35 metros de diâmetro, são sensíveis apenas a um arco de alguns graus”, diz Magdalena Martínez de Mendijur, engenheira de sistemas no Centro de Operações da ESA, na Alemanha. 

Se a antena não está bem apontada, ou se o satélite sai do seu campo de visão antes de se conseguir captar o sinal, este pode perder-se”. 

Uma diferença incrível

Aqui entra em jogo o SARAS, acrónimo para “Aquisição Rápida para Satélites e Lançadores”. 

O sistema consiste num dispositivo circular composto por oito pequenos sensores de radiofrequência que se instala ao lado de uma antena já existente. 

Os sinais recebidos pelos oito sensores combinam-se e o sistema estima a direcção de chegada do feixe; assim, a antena pode ser apontada de novo directamente para o satélite com maior precisão, mesmo quando o sinal que chega é fraco ou está distorcido”, diz Magdalena. 

O sistema foi montado em 2013 na antena de 15 metros da ESA no ESAC (Centro Europeu de Astronomia Espacial), em Villanueva de la Cañada (Madrid). Desde então tem sido testado em profundidade, captando sinais de missões como CryoSat-2, XMM, GOCE e Swarm.

Esta nova estratégia amplia para mais do dobro o tamanho da janela da antena, e podemos captar sinais de um novo satélite em menos de 12 segundos”, diz Klaus Juergen Schulz, responsável de engenharia das estações de seguimento. 

A próxima versão do sistema reduzirá este tempo a apenas dois segundos”. 

Esta tecnologia foi desenvolvida pela empresa espanhola Isdefe, apoiada em parte pelo Programa Geral de Apoio à Tecnologia da ESA –criado para transformar conceitos prometedores de engenharia em produtos maduros-. 

O sistema, que está sendo desenvolvido para se tornar num produto comercial, foi patenteado em Espanha e está sendo patenteado na Europa. 

É um excelente exemplo de como, com o apoio do financiamento e da gestão técnica da ESA, a investigação em tecnologia gera produtos e serviços comerciais mundialmente competitivos”, diz Juan Miro, chefe do departamento de Engenharia e Sistemas de Terra da ESA. 

Notícia e imagem: ESA

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