China falha lançamento do Gaofen-10



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A China levou a cabo o lançamento de um novo satélite de detecção remota. Porém, até esta hora não há qualquer notícia oficial acerca do lançamento e não foi detectado qualquer novo objecto em órbita, apesar de terem sido reveladas fotografias dos destroços do primeiro estágio do lançador.

Várias equipas foram enviadas para as montanhas na zona de impacto dos destroços do foguetão lançador para recuperar o que resta do satélite e do foguetão. Aguarda-se um anuncio oficial dos acontecimentos, deste que será o primeiro lançamento falhado de 2016.

O lançamento do GF-10 Gaofen-10 terá ocorrido às 18:53UTC do dia 31 de Agosto de 2016 e foi levado a cabo por um foguetão CZ-4C Chang Zheng-4C a partir do Complexo de Lançamento LC9 do Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan.

Rumores apontam para que a falha esteja associada à não reignição do motor YF-40 do terceiro estágio do foguetão CZ-4C.

Este foi o 20º lançamento de um foguetão Chang Zheng-4C e o primeiro acidente com um lançador deste tipo.

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Gaofen em Mandarim significa ‘Alta resolução’.

Em Maio de 2010, a China iniciou oficialmente o desenvolvimento do China High-Resolution Earth Observation System (CHEOS), que foi estabelecido como um dos maiores projectos científicos e tecnológicos. O Earth Observation System and Data Center of China National Space Administration (EOSDC-CNSA) é responsável pela organização do CHEOS.

Em Março de 2010 é estabelecido o Earth Observation System and Data Center que é principalmente responsável pela organização e implementação, bem como da gestão do CHEOS. É também responsável pela aplicação de serviços de observação da Terra, desenvolvimento comercial, consultoria tecnológica e cooperação internacional na área. 

Ao seguir um arranjo de observação integral a partir do espaço, do ar e do solo, o CHEOS desenvolve um sistema espacial, um sistema quase espacial, um sistema aéreo, um sistema no solo e um sistema de aplicação como um todo para assim materializar a observação da Terra em altas resoluções temporais, espaciais e espectrais. Assim, são cumpridas as demandas estratégicas do desenvolvimento económico nacional da China e do seu progresso social.

O plano inicial previa o lançamento de cinco satélites. O GF-1 Gaofen-1 foi baseado na plataforma CAST2000 e está configurado para a obtenção de imagens com uma resolução pancromática de 2 metros e uma resolução multi-espectral de 8 metros, tendo também uma câmara de resolução médio multi-espectral de 16 metros. O satélite permite a integração de imagens com uma resolução espacial média e elevada, com uma grande área de varrimento. O seu tempo de vida é de cinco anos, tendo sido colocado em órbita a 26 de Abril de 2013.

O satélite GF-2 Gaofen-2 é baseado na plataforma CS-L3000A e está equipado com uma câmara com uma resolução pancromática de 1 metro e uma resolução multi-espectral de 4 metros. O seu tempo de vida útil é de cinco anos e foi colocado em órbita a 19 de Agosto de 2014.

Desenvolvido pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial, o GF-3 é baseado na plataforma CS-L3000B e está equipado com um radar SAR de banda-C multi-polarizado com uma resolução de 1 metro. O satélite tem uma vida operacional de oito anos e será principalmente utilizado pela Administração Oceânica Estatal da China. O desenvolvimento do Gaofen-3 foi iniciado em Dezembro de 2010, com o desenvolvimento ao nível de engenharia a ter início em Setembro de 2013. A construção do satélite foi finalizada em Março de 2016. O lançamento do GF-3 teve lugar a 9 de Agosto de 2016.

O Gaofen-4 foi o primeiro satélite Chinês de detecção remota a ser colocado na órbita geostacionária e está equipado com um sistema de observação óptica e infravermelho com um sistema óptico comum. O satélite está estacionário a 105,6º longitude Oeste. A resolução óptica é superior a 50 metros, enquanto que a resolução em infravermelho é superior a 400 metros. O GF-4 pode fornecer imagens com uma área de 7.000 km × 7.000 km com imagens detalhadas com uma área de 400 km x 400 km, e uma capacidade para alta resolução temporal de detecção remota ao nível do minuto. No lançamento, o satélite tinha uma massa de 4.600 kg e deverá estar operacional durante 8 anos.

O satélite combina a capacidade de uma resolução temporal extremamente elevada com uma alta resolução espacial, características óptimas que têm várias aplicações tais como monitorização de desastres, observação meteorológica, agricultura, segurança nacional, etc.

O satélite GF-5 Gaofen-5 é baseado na plataforma SAST5000B e será colocado em órbita em 2017. Este satélite está configurado com cinco cargas de observação, incluindo uma câmara de luz visível e de onda custa hiper-espectral, um sistema de observação espectral, um detector de gases causadores do efeito de estufa, um detector infravermelho de ambiente atmosférico com uma resolução espectral muito elevada, um espectrómetro de absorção diferencial para a detecção de gases atmosféricos e um detector polarizador de multi-ângulo.

Para além destes satélites, a China lançou outros dois satélites na série Gaofen. O satélite GF-8 Gaofen-8 foi colocado em órbita a 26 de Junho de 2015, enquanto que o GF-9 Gaofen-9 foi colocado em órbita a 14 de Setembro de 2015. O GF-8 foi desenvolvido pela China Aerospace Science and Technology Corporation (CASC) e faz parte do um programa civil cujo objectivo é facilitar a observação do clima, proporcionar uma melhor resposta a desastres naturais e humanos, facilitar a precisão no mapeamento de agricultura, planeamento urbano e desenho de redes. O GF-9 é possivelmente uma versão civil do satélite Yaogan Weixing-2 (Jianbing-6), proporcionando imagens com uma resolução óptica inferior a 1 metro que serão utilizadas para o planeamento urbano, desenho de vias de comunicação, determinação do uso de terras, etc.

O foguetão CZ-4C Chang Zheng-4C

CZ-4CO desenvolvimento do foguetão CZ-4C Chang Zheng-4C (Longa Marcha-4C) de três estágios tem como base o foguetão CZ-4B Chang Zheng-4B e surge pela necessidade de se desenvolver um lançador cujo estágio superior tivesse a capacidade de múltiplas ignições em órbita com o motor YF-40A. Para além desta capacidade, o CZ-4C possui anéis estruturais na base do primeiro e do segundo estágio, uma cobertura climatérica na secção inter-estágio (que é ejectada no lançamento) e uma carenagem de maiores dimensões (que foi pela primeira vez introduzida com o CZ-4B). Outras características incluem um sistema de de gestão de propolente no terceiro estágio, um sistema de controlo de lançamento automatizado e controlado de forma remota, novos procedimentos no teste dos sistemas do lançador, transmissão de dados e de telemetria melhorada, e um novo sistema de fornecimento de energia, para além de um novo computador de voo com uma melhor performance de calculo e um sistema de fornecimento de energia mais pequeno, porém mais eficaz, e um novo sistema de orientação com obtenção de dados de GPS. Assim, todas estas características permitem que o CZ-4C Chang Zheng-4C seja capaz de colocar em órbita cargas de maiores dimensões e com uma maior precisão em relação ao CZ-4B Chang Zheng-4B.

O lançador adopta também um novo procedimento de verificação e em vez de ser testado numa posição horizontal antes de ser erigido na plataforma de lançamento, o veículo pode ser montado e testado na plataforma ao mesmo tempo, reduzindo num terço assim o tempo de preparação para o lançamento.

O CZ-4C é capaz de colocar uma carga de 4.200 kg numa órbita terrestre baixa, 2.800 kg numa órbita sincronizada com o Sol a 900 km de altitude ou 1.900 kg numa órbita de transferência para a órbita geossíncrona.

No lançamento desenvolve uma força de 2.960.000 kN e a sua massa total é de cerca de 250.000 kg. Tem um comprimento total de 48,50 metros e um diâmetro de 3,35 metros. 

Dados Estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 5567

– Lançamento orbital sem sucesso: 353

– Lançamento orbital China: 248

– Lançamento orbital China sem sucesso: 13

– Lançamento orbital desde Taiyuan: 63

– Lançamento orbital desde Taiyuan sem sucesso: 13

Ao se referir a ‘lançamentos com sucesso’ significa um lançamento no qual algo atingiu a órbita terrestre, o que por si só pode não implicar o sucesso do lançamento ou da missão em causa.

2016-F01 1

2016-F01 2

Dos lançamentos bem sucedidos levados a cabo: 26,4% foram realizados pela Rússia; 28,3% pelos Estados Unidos (incluindo ULA (46,7%), SpaceX (53,3%) e Orbital SC); 22,6% pela China; 11,3% pela Arianespace; 7,5% pela Índia, 1,9% pelo Japão e 1,9% pela Coreia do Norte.

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC):

03 Set (07:00:00) – Falcon-9 (029) – Cabo Canaveral AFS, SLC-40 – AMOS-6

08 Set (11:22:00) – GSLV MkII F05 – Satish Dawan SHAR, SLP – INSAT-3DR

08 Set (23:05:00) – Atlas-V/411 (AV-067) – Cabo Canaveral AFS, SLC-41 – OSIRIS-Rex

15 Set (18:30:00) – Atlas-V/401 (AV-062) – Vandenberg AFB, SLC-3E – WorldView-4

16 Set (01:43:35) – Vega (VV07) – CSG Kourou, ZLV – PeruSat-1; SkySat-C2; SkySat-C3; SkySat-C4; SkySat-C5

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