Arianespace lança primeiro Ariane-5ECA de 2015



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A primeira missão de um foguetão Ariane-5ECA em 2015 teve lugar a 26 de Abril de 2015 com a colocação em órbita com sucesso dois satélites de comunicações a partir da Guiana Francesa. O lançamento teve lugar às 2000:00UTC, após um adiamento de vários minutos devido a uma anomalia nas verificações iniciais na contagem decrescente, e foi levada a cabo pelo foguetão Ariane-5ECA (L576) na missão VA222 a partir do Complexo de Lançamento ELA3 do CSG Kourou.

O lançamento estava originalmente previsto para ter lugar a 15 de Abril, sendo adiado para 24 de Abril e posteriormente para dia 25 devido a problemas técnicos.

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A carga da missão VA222

A bordo do Ariane-5ECA na missão VA222 encontravam-se os satélites Thor-7 e Sicral-2.

O satélite Thor-7 é o segundo satélite colocado em órbita pela Arianespace para o operador privado Norueguês Telenor Satellite Broadcasting (TSBc), após o lançamento do Thor-6 em Outubro de 2009. O satélite foi construído pela Space Systems/Loral tendo por base a plataforma LS-1300 e no lançamento tem uma massa de 4.590 kg. A bordo transporta 21 repetidores de banda-Ku e 25 repetidores de banda-Ka, sendo posicionado a 0,8º longitude Oeste. O Thor-7 irá fornecer serviços de transmissão de TV para a Europa Central e de Leste, fornecendo também comunicações de banda larga para a industria marítima, junto com feixes localizados cobrindo as águas Europeias. O seu tempo de vida útil será de 15 anos.

A cobertura de banda-Ku irá abranger a Escandinávia, a Europa Central e de Leste. A cobertura de banda-Ka irá abranger o Mar do Norte, o Mar Báltico, o Mar de Barents, o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico, o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico Norte, além da Antárctida.

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O satélite Sicral-2 é a 63ª carga militar a ser transportada pela Arianespace e o segundo satélite militar Franco-italiano, após o Athena-Fidus, que foi lançado em Fevereiro de 2014.

O Sicral-2 (também designado Syracuse-3C) foi construído pela Thales Alenia Space (TAS) tendo por base uma plataforma Spacebus-4000B3, tendo no lançamento uma massa de 4.364 kg. A bordo transporta uma carga de repetidores UHF e SHF, e tendo um tempo de vida útil de 15 anos. O satélite irá oferecer comunicações estratégicas e tácticas para as forças armadas Italiana e Francesa, bem como proporcional reservas adicionais para a capacidade de comunicação dos países da NATO.

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O Ariane-5ECA

O super lançador europeu Ariane-5ECA é um lançador a dois estágios, auxiliados por dois propulsores laterais a combustível sólido. O Ariane-5ECA tem um peso bruto de 777.000 kg, podendo colocar 16.000 kg numa órbita a 405 km de altitude com uma inclinação de 51,6º em relação ao equador terrestre ou então 10.500 kg numa órbita de transferência para a órbita geossíncrona. No lançamento desenvolve 1.566.000 kgf. Tem um comprimento total de 59,0 metros e o seu diâmetro base é de 5,4 metros.

Transfert lanceur en ZL, le 23/04/2015 - VA222.

Transfert lanceur en ZL, le 23/04/2015 – VA222.

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Os propulsores laterais de combustível sólido desenvolvem mais de 90% da força inicial no lançamento. Designados P241 (Ariane-5 EAP “Etage Acceleration a Poudre”) cada propulsor tem um peso bruto de 278.330 kg, pesando 38.200 kg sem combustível e desenvolvendo 660.000 kgf no vácuo. O Ies é de 275 s (Ies-nm de 250 s) e o Tq é de VA217_2014-02-06_15-36-19130s. Os propulsores laterais têm um comprimento de 31,6 metros e um diâmetro de 3,05 metros. Estão equipados com um motor P241 que consome combustível sólido constituído por uma mistura de 68% de perclorato de amónia (oxidante), 18% de alumínio (combustível) e 145 polibutadieno (substância aglutinante).

Cada propulsor é composto por três segmentos. O segmento inferior tem um comprimento de 11,1 metros e está abastecido com 106,7 t de propolente; o segmento central tem um comprimento de 10,17 metros e está abastecido 107,4 t de propolente, finalmente o segmento superior (ou frontal) tem um comprimento de 3,5 metros e está abastecido com 23,4 t de propolente. Sobre o segmento superior está localizada uma ogiva com um sistema de controlo. O processo de ignição é iniciado por meios pirotécnicos (assim que o motor criogénico Vulcain do primeiro estágio estabiliza a sua ignição) e o propolente sólido queima a uma velocidade radial na ordem dos 7,4 mm/s (a queima é realizada de dentro para fora). O controlo de voo é feito através da tubeira móvel do propulsor que é conduzida actuadores controlados hidraulicamente.

O primeiro estágio do foguetão Ariane-5ECA, denominado H173 (EPC “Etage Principal Cryotechnique”), tem um comprimento de 30,5 metros e um diâmetro de 5,46 metros. Tem um peso bruto de 186.000 kg e um peso sem combustível de 12.700 kg. No lançamento desenvolve 113.600 kgf (vácuo), com um Ies de 434 s (Ies-nm de 335 s) e um Tq de 650 s. O seu motor criogénico Vulcain-2 (com um peso de 1.800 kg, diâmetro de 2,1 metros e comprimento de 3,5 metros) é capaz de desenvolver 132.563 kgf no vácuo, com um Ies 440 s e um Tq de 605 s. Tal como o Vulcain, utilizado no primeiro estágio do Ariane-5G, o Vulcain-2 consome LOX e LH2. O Vulcain-2 é desenvolvido pela Snecma.

O H173 é capaz de transportar mais 15.200 kg de propolente devido a modificações feitas no tanque de oxigénio líquido. Na parte superior do H173 encontra-se a secção de equipamento VEB (Vehicle Equipment Bay) do Ariane-5ECA onde são transportados os sistemas eléctricos básicos, sistemas de orientação e telemetria, e o sistema de controlo de atitude. A secção de equipamento é desenvolvida pela Astrium SAS e tem uma altura de 1,13 metros e um peso de 950 kg.

O veículo L576 e a missão VA222

A missão VA222 foi o 78º lançamento do foguetão Ariane-5 e o 1º em 2015, seguindo uma série de 63 voos bem sucedidos consecutivos. Este foi o 22º Ariane-5ECA da fase de produção PB que foi assinado em Março de 2009 para garantir a continuidade dos serviços de lançamento após a finalização da fase de produção PA que foi constituída por 30 veículos. A fase de produção PB é composta por 35 Ariane-5ECA e cobre o período de 2010 a 2016. Consequentemente, o lançador L576 é o 52º lançador a ser entregue à Arianespace, integrado e verificado sob a responsabilidade da Airbus Defence and Space.

Na sua configuração de carga dupla e utilizando o sistema Sylda-5 “A” (Sylda-5 n.º 60-A, desenvolvido pela Airbus Defence and Space) e uma carenagem longa (construída pela RUAG Aerospace AB) com uma altura total de 17 metros e um diâmetro de 5,4 metros, o satélite Thor-7 ocupou a posição superior colocado sobre um adaptador PAS 1194C (desenvolvido pela Airbus Defence and Space) e o satélite Sicral-2 ocupou a posição inferior colocado sobre um adaptador PAS 1194C (construída pela RUAG Aerospace AB) no interior do Sylda-5A. A carenagem estava protegida pelo produto FAP (Fairing Acoustic Protection), que é utilizado desde a missão V175 (veículo L534).

VA222 Transfert lanceur du BIL vers le BAF, le 19/01/2015

VA222 Transfert lanceur du BIL vers le BAF, le 19/01/2015

O lançador pode ser dividido em duas partes: o Sistema Composto Superior (SCS) e o Sistema Composto Inferior (SCI). O SCS é composto pela carenagem, pela estrutura de transporte de carga Sylda-5 e pelo conjunto formado pelo estágio superior criogénico ESC-A, pela secção de equipamento (VEB – Vehicle Equipment Bay) e por um Cone 3936. Por sua parte, o SCI incorpora o estágio criogénico principal EPC (H175) com o motor Vulcain-2 e dois propulsores laterais de combustível sólido EAP (P240).

O principal objectivo da missão VA222 era o de colocar os satélites Thor-7 e Sicral-2 numa órbita geossíncrona de transferência com um apogeu a 35.786 km de altitude, perigeu a 249,45 km de altitude, inclinação orbital de 6º, argumento do perigeu a 177,981º e longitude do nodo ascendente a -122,873º.

Tendo em conta os adaptadores de carga e a estrutura Sylda-5, a performance total requerida do lançador para a órbita descrita era de 9.790 kg (dos quais 8.954 kg corresponde à carga útil). Parte da margem de performance é utilizada para reduzir a inclinação da órbita alvo.

Tomando H0 como a referência temporal básica (1 segundo antes da abertura da válvula de hidrogénio na câmara de combustão do motor Vulcan do primeiro estágio EPC), a ignição do Vulcain ocorre a H0+2,7s. A confirmação da operação normal do Vulcain autoriza a ignição dos dois propulsores laterais de combustível sólido (EAP) a H0+7,05s, levando ao lançamento.

A massa no lançamento é de cerca de 774.400 kg e a força inicial é de 13.000 kN (dos quais 90% é originada pelos EAP). Após uma ascensão vertical de 5 segundos para permitir que o lançador deixe o complexo ELA3, incluindo, em particular, os pilões eléctricos, o foguetão executa uma operação de inclinação no plano da trajectória, seguindo-se uma operação de rotação cinco segundos mais tarde para posicionar o plano dos EAP perpendicularmente ao plano da trajectória. O ângulo de azimute de lançamento foi de 90º em relação a Norte.

Transfert lanceur en ZL, le 23/04/2015 - VA222.

Transfert lanceur en ZL, le 23/04/2015 – VA222.

A fase de voo dos EAP continua a um ângulo de incidência nulo ao longo do voo atmosférico e até à separação dos propulsores laterais. O propósito destas operações é o de optimizar a trajectória e assim maximizar a performance, obter uma ligação rádio satisfatória com as estações no solo, e cumprir as cargas estruturais e limites de controlo de atitude. A sequência de separação dos EAP é iniciada quando um limite de aceleração é detectado, quando o nível de força do propolente sólido baixa. A separação ocorre no segundo imediato. Este é o tempo de referência H1, e ocorre a cerca de H0+141,4s a uma altitude de 67,1 km e a uma velocidade relativa de 2,022 km/s.

No resto do voo na fase EPC, o veículo segue uma regra de altitude controlada em tempo real pelo computador de bordo tendo por base informações recebidas pela unidade de navegação. Esta regra optimiza a trajectória ao minimizar o tempo de queima e consequentemente o consumo de propolente.

A carenagem de protecção é separada durante a fase de voo EPC logo que os níveis de fluxo aerodinâmico são suficientemente baixos para não terem impacto na carga. Para a missão VA222, a separação da carenagem ocorreu a uma altitude de 109,4 km, 200 segundos após o lançamento. A fase de propulsão EPC tem como objectivo uma órbita predeterminada estabelecida em relação a requisitos de segurança e à necessidade de controlar a operação quando o EPC cai de volta para a Terra no Oceano Atlântico.

Transfert lanceur en ZL, le 23/04/2015 - VA222.

Transfert lanceur en ZL, le 23/04/2015 – VA222.

O final da queima do motor Vulcain ocorre quando se atinge uma órbita com perigeu a -1.041,2 km, apogeu a 158,2 km, inclinação orbital de 6,90º, argumento do perigeu de -40,55º e longitude do nodo ascendente de -123,66º. Este é o tempo de referência H2 e ocorre a H0+530,2s.

O estágio criogénico principal cai então para o Atlântico após a separação, destruindo-se numa reentrada atmosférica a uma altitude entre os 80 km e os 60 km devido às cargas geradas pelo atrito. O estágio deve ser despressurizado para evitar o risco de explosão devido ao sobreaquecimento do hidrogénio residual. Uma válvula lateral do tanque de hidrogénio, actuada por um temporizador que é activado pela separação do EPC, é utilizada para este propósito. Esta força lateral é também utilizada para fazer com que o EPC entre numa rotação, reduzindo assim a dispersão dos detritos originados na reentrada. O ângulo de reentrada do estágio criogénico é de -2,20º e a longitude do ponto de impacto é registada a 7,04º O.

O voo do ESC-A tem uma duração de cerca de 16 minutos. Esta fase de voo é finalizada por um comendo enviado pelo OBC, quando o computador estima, a partir de dados calculados pela unidade de orientação inercial, que a órbita alvo foi atingida. Esta é a referência temporal H3 e ocorre a H0+1.489,0 segundos.

O propósito da fase balística seguinte é o de: orientar o conjunto na direcção requerida para a separação dos dois satélites e na direcção necessária para a separação do adaptador Sylda-5; estabilização transversal antes da separação do satélite Thor-7; estabilização nos três eixos espaciais antes da separação do adaptador Sylda-5;  estabilização longitudinal antes da separação do satélite Sicral-2; separação dos satélites Thor-7 e Sicral-2, além do adaptador Sylda-5; rotação final do conjunto a 45º/s; e despressurização do estágio ESC-A (tanques de oxigénio líquido e hidrogénio líquido), precedida de uma fase de despressurização que envolve a abertura simultânea de oito escapes SCAR. Estas operações contribuam para a gestão a curto e médio prazo da distância mútua dos objectos em órbita. A fase balística da missão é composta por 21 fases elementares que incluem a separação dos dois satélites e do adaptador Sylda-5.

Preparativos para o lançamento

O estágio EPC começou a ser preparado para a missão nos dias 18 e 19 de Novembro de 2014, sendo colocado na posição vertical no edifício de integração do lançador. A transferência dois dois propulsores laterais de combustível sólido ocorreu nos dias 19 e 20 de Novembro, tendo a sua integração no lançador ocorrido no dia 22 de Novembro. Os preparativos com o sistema compósito superior começaram a 25 de Novembro.

No dia 10 de Dezembro tinha lugar a denominada Launcher Synthesis Control na qual se analisam os preparativos do foguetão lançador que era transferido e aceite pela Arianespace a 15 de Dezembro. Entre 16 de Dezembro e 18 de Janeiro de 2015, o veículo foi colocado em estado de armazenamento no BIL. No dia 19 de Janeiro o lançador é transferido para o BAF onde fica em armazenamento entre 20 de Janeiro e 23 de Março.

O abastecimento do satélite Thor-7 ocorria entre 6 e 9 de Março, sendo colocado no seu adaptador no dia 10 e transferido para o BAF a 11 de Março. A integração com o adaptador Sylda tinha lugar a 12 de Março. Por seu lado, o abastecimento do satélite Sicral-2 ocorria entre 25 e 28 de Março, sendo colocado no seu adaptador no dia 31 e transferido para o BAF a 1 de Abril. A integração com o lançador tinha lugar a 2 de Abril, no dia seguinte ao Thor-7 ter sido colocado no interior da carenagem de protecção.

A integração da carenagem de protecção com o adaptador Sylda contendo o satélite Thor-7 ocorria a 1 de Abril e a integração do conjunto Thor-7 + PAS 1194C + Sylda-C + carenagem, com o lançador tinha lugar a 7 de Abril.

O ensaio geral para o lançamento teve lugar a 9 de Abril e os sistema do foguetão foram armados a 10 e 13 de Abril, com a revisão de prontidão para o voo a ter lugar a 13 de Abril. No dia 14 o foguetão era transferido para o Complexo de Lançamento ELA3, mas o lançamento era adiado neste dia devido a problemas técnicos. A 16 de Abril a Arianespace anunciava que o lançamento teria lugar a 24 de Abril. O foguetão Ariane-5ECA (L576) foi transportado para a zona de lançamento ELA3 no dia 23 de Abri (para uma tentativa de lançamento agendada para as 1938UTC do dia seguinte), mas na fase inicial da contagem decrescente deu-se a separação de uma conduta de hélio entre o primeiro e o segundo estágio levando a que a empresa Europeia decidisse adiar de novo o lançamento. No dia 25 de Abril, e resolvidos os problemas técnicos que levaram ao adiamento da missão VA222, a Arianespace anunciou que o lançamento da missão VA222 com dois novos satélites de comunicações teria lugar às 1937UTC do dia 26 de Abril de 2015.

Transfert lanceur en ZL, le 23/04/2015 - VA222.

Transfert lanceur en ZL, le 23/04/2015 – VA222.

Lançamento

A contagem decrescente final inicia-se a H0-7h 30m e inclui todas as operações de preparação do lançador, satélites e base de lançamento. A execução correcta de todas as operações leva à autorização da ignição do motor Vulcain seguindo-se a ignição dos propulsores laterais de combustível sólido na hora de lançamento seleccionada, o mais cedo possível dentro da janela de lançamento para os satélites. A contagem decrescente termina com uma sequência sincronizada gerida pelos computadores do Ariane-5ECA e que se inicia a H0-7 m. Em alguns casos, uma sequência pré-sincronizada pode ser necessária para optimizar o abastecimento do estágio criogénico principal. Se uma paragem na contagem decrescente coloca o tempo Ho fora da janela de lançamento, o lançamento é adiado para D+1 ou D+2, isto é um ou dois dias depois da data inicial de lançamento, dependendo do problema e da solução adoptada. A janela de lançamento para a missão VA220 decorria entre as 2100UTC e as 2151UTC do dia 16 de Outubro, com uma duração de 51 minutos.

Ariane-5ECA (VA220) 000006

A H0-7h 30m, no início da contagem decrescente final, procede-se á verificação dos sistemas eléctricos e aos procedimentos de preparação e configuração do EPC e do motor Vulcain para o condicionamento térmico e posterior abastecimento. Os preparativos finais da plataforma de lançamento decorrem a H0-6h com o encerramento de portas, remoção das barreiras de segurança e configuração dos circuitos de fluidos em preparação do abastecimento do lançador. Nesta fase, o programa de voo é inserido nos computadores do Ariane-5ECA e procede-se ao teste das ligações de rádio entre o lançador e o centro de controlo. O alinhamento das unidades de orientação inercial decorre nesta fase dos preparativos para o lançamento. A evacuação do pessoal técnico da plataforma de lançamento ocorre a H0-5h e inicia-se o abastecimento do EPC em quatro fases: primeiro, dá-se a pressurização dos tanques de abastecimento (este procedimento tem uma duração de 30 minutos); segundo, procede-se ao condicionamento térmico das condutas de abastecimento para assim poderem lidar com as baixas temperaturas dos propolentes criogénicos (este procedimento tem uma duração de 30 minutos); terceiro, dá-se o abastecimento dos tanques de propolente com hidrogénio líquido e com oxigénio líquido (o abastecimento tem uma duração de 2h); e finalmente quarto, mantém-se o abastecimento até ao início da sequência sincronizada.

A pressurização dos sistemas de controlo de atitude e de comando ocorre a H0-5h. A H0-4h inicia-se o abastecimento do estágio superior criogénico ESC-A, sendo também feito em quatro fases: pressurização dos tanques de abastecimento (este procedimento tem uma duração de 30 minutos); condicionamento térmico durante 30 minutos das condutas de abastecimento para assim poderem lidar com as baixas temperaturas dos propolentes criogénicos; abastecimento dos tanques de propolente com hidrogénio líquido e com oxigénio líquido (o abastecimento tem uma duração de 1h); e finalmente mantém-se o abastecimento até ao início da sequência sincronizada.

O condicionamento térmico do motor Vulcain ocorre a H0-3h. Os preparativos para o início da sequência sincronizada têm lugar a H0-30m e a sequência sincronizada iniciou-se a H0-7m. As operações da sequência sincronizada são controladas de forma automática e exclusivamente pelo computador operacional de verificação e comando CCO (Operational Checkout-Computer) localizado no Complexo de Lançamento ELA3. Durante esta sequência, todos os elementos que estão envolvidos no lançamento são sincronizados pelo tempo de contagem decrescente distribuídos por todo o centro espacial. Durante a fase inicial, e até H0-6s, o lançador é gradualmente transferido para a sua configuração de voo pelo computador CCO. Se a sequência sincronizada é suspensa, o lançador é transferido de forma automática para a sua configuração a H0-7m. Na segunda fase da sequência (uma fase irreversível) que decorre entre H0-6s até H0-3,2s, a sequência sincronizada já não é dependente da contagem decrescente do centro espacial, operando de acordo com um relógio interno. A fase final é a ignição do lançador. A sequência de ignição é controlada exclusivamente pelo computador de bordo OBC (On-Board Computer). Os sistemas no solo executam um número de acções em paralelo com a sequência de ignição de bordo.

A H0-6m 30s finaliza o abastecimento de hidrogénio líquido e de oxigénio líquido com os volumes de propolente ao nível necessário para a missão. Nesta altura são abertas as válvulas de inundação de segurança da plataforma de lançamento e são armadas as barreiras das condutas de segurança pirotécnicas. A esfera de hélio do estágio ESC-A é isolada a H0-6m. A H0-4m dá-se a pressurização dos tanques do estágio EPC, o isolamento dos tanques e início da purga da interface umbilical entre os sistemas do solo e o estágio EPC. Nesta altura é finalizado o abastecimento de oxigénio líquido ao estágio superior, fazendo-se a transição do oxigénio líquido para a pressão de voo. O final do abastecimento de hidrogénio líquido ao estágio superior dá-se a H0-3m 40s e procede-se ao cálculo do tempo H0, verificando-se que o segundo computador de bordo foi alterado para ‘modo de observação’. A H0-3m 10s o hidrogénio líquido do estágio superior criogénico encontra-se na pressão de voo. O valor do H0 é inserido nos dois computadores de bordo a H0-3m e é comparado com o valor a H0 no solo.

O aquecimento eléctrico das baterias do EPC e da secção de equipamento do lançador dá-se a H0-2m 30s ao mesmo tempo que se procede à desactivação do sistema de aquecimento eléctrico do sistema de ignição do motor Vulcain-2. A H0-2m dá-se a abertura das membranas das válvulas do Vulcain-2 e a válvula do condicionamento térmico do motor é encerrada. A pré-deflexão da tubeira HM7B ocorre a H0-1m 50s e o fornecimento de energia eléctrica ao lançador é transferido para a fonte a bordo do lançador a H0-1m 5s. Nesta fase termina a pressurização dos tanques do estágio ESC-A a partir do solo e inicia-se a verificação da selagem das válvulas do estágio. O início do sistema de controlo automático da sequência de ignição tem lugar a H0-37s, ao mesmo tempo que são activados os gravadores de bordo e são armadas as linhas de segurança pirotécnicas. Segue-se a H0-30s a verificação da purga do circuito umbilical entre o solo e o lançador e são abertas as válvulas do estágio EPC. Os sistemas de controlo de atitude do estágio EPC são activados a H0-22s, dando-se nesta altura a autorização para a transferência para o controlo de bordo. O sistema de correcção do efeito POGO é activado a H0-16,5s e procede-se à ventilação da carenagem e da secção de equipamento do lançador. As válvulas do sistema de supressão de ondas de choque são abertas a H0-12s.

A sequência irreversível inicia-se a H0-6s com a activação e ignição do sistema AMEF para queimar o hidrogénio residual que se possa ter acumulado na plataforma de lançamento. São enviados os comandos para a retracção dos braços de abastecimento criogénico. O fusível de controlo de comunicação de informação é transferido para o lançador.

A sequência de ignição inicia-se a H0-3s com a verificação do estado do computador, transferência dos sistema de orientação inercial para o modo de voo, monitorização das pressões do oxigénio e do hidrogénio líquido, e activação das funções de controlo de navegação, orientação e atitude. A deflexão da tubeira HM7B é verificada a H0-2,5s e a H0-1,4s é encerrada a válvula de purga do motor. A H0-0,2s é verificada a recepção do sinal de ‘retracção dos braços criogénico’ enviado pelo computador de bordo.

Entre H0 e H0+6,65s dá-se a ignição do motor Vulcain-2 e a verificação da sua operação correcta (o tempo a H0+1s corresponde à abertura da válvula da câmara de hidrogénio). O final da verificação da operação motor principal ocorre a H0+6,9s e a ignição dos propulsores laterais de combustível sólido ocorre a H0+7,05s.

O lançamento da missão VA222 teve lugar às 1937:00UTC com o lançador a abandonar a plataforma de lançamento a T+7,30s. A T+13s termina o voo vertical e iniciava-se a manobra de inclinação (terminando a T+23s) e a T+17s iniciava-se a manobra de rotação do lançador em torno do seu eixo longitudinal (esta manobra terminava a T+32s). O lançador atinge a velocidade do som (Mach 1) a T+48s. A separação dos dois propulsores laterais de combustível sólido dava-se a T+2m 22s (entrando-se na fase propulsionada EPC) e a separação das duas metades da carenagem de protecção ocorreu a T+3m 20s.

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A telemetria do lançador começava a ser recebida pela estação de Natal a T+8m 15s e a T+8m 50s terminava a queima do estágio criogénico principal EPC (com a exaustão do fornecimento de hidrogénio líquido), com a sua separação a ter lugar a T+8m 56s. Entrando-se na fase de propulsão ESC-A, a ignição do estágio criogénico superior ocorria a T+9m 0s. Os dados telemétricos do lançador começam a ser recebidos pela estação da Ilha de Ascensão a T+13m 35s. O veículo atinge a altitude mínima a T+14m 47s (143,1 km). Os dados telemétricos do lançador começam a ser recebidos pela estação de Libreville a T+18m 20s e pela estação de Malindi a T+22m 50s. O final da queima do estágio superior ESC-A ocorre a T+24m 49s com o lançador a entrar na fase balística.

Estando colocado na posição superior, o satélite Thor-7 é o primeiro a separar-se do estágio superior. A manobra de orientação para a separação ocorre a T+24m 54s e ao início da estabilização por rotação transversal inicia-se a T+27m 9s. A separação do Thor-7 ocorre a T+28m 0s. O conjunto é agora formado pelo estágio ESC-A, pelo adaptador Sylda-5 e pelo satélite Sicral-2. Logo após a separação do Thor-7, procede-se à estabilização do conjunto e iniciava-se o procedimento de orientação em preparação da separação do adaptador Sylda-5 que ocorria a T+32m 31s. De seguida (T+32m 41s) iniciava-se a manobra de orientação e estabilização longitudinal (T+31m 14s) para a separação do satélite Sicral que ocorria às T+34m 20s.

Com os dois satélites agora em órbita, era tempo de colocar o estágio ESC-A numa órbita segura e afastada dos satélites. O estágio era estabilizado e orientado para a manobra de separação e depois orientado para a manobra de estabilização por rotação. O ESC-A é então colocado com uma rotação de 45º/s e o tanque de oxigénio era então colocado em modo passivo.

Dados Estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 5449

– Lançamento orbital com sucesso: 5100

– Lançamento orbital Arianespace: 237

– Lançamento orbital Arianespace com sucesso: 228

– Lançamento orbital desde CSG Kourou: 246

– Lançamento orbital desde CSG Kourou com sucesso: 234

– Lançamento orbital desde CSG Kourou em 2015 com sucesso: 3

Ao se referir a ‘lançamentos com sucesso’ significa um lançamento no qual algo atingiu a órbita terrestre, o que por si só pode não implicar o sucesso do lançamento ou da missão em causa.

A seguinte tabela mostra os totais de lançamentos executados este ano em relação aos previstos para cada polígono à data deste lançamento (os valores referentes ao lançamentos por parte da China não são precisos).

2015-022 1

2015-022 2

Dos lançamentos bem sucedidos levados a cabo: 30,4% foram realizados pela Rússia; 34,8% pelos Estados Unidos (incluindo ULA, SpaceX e Orbital SC); 4,3% pela China; 13,0% pela Arianespace; 8,7% pelo Japão, 4,3% pela Índia e 4,3% pelo Irão.

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC):

27Abr (2214:00) – Falcon-9 v1.1 (F-18) – Cabo Canaveral AFS, SLC-40 – TürkmenÄlem-52E (MonacoSat)

28 Abr (0709:50) – 14A14-1A Soyuz-2-1A (G15000-022) – Baikonur, LC31 PU-5 – Progress M-27M (Прогресс М-27М) (ISS-59P)

15 Maio (????:??) – 14A14-1A Soyuz-2-1A (78072171) – GIK-1 Plesetsk, LC43/4 – Kobalt-M n.º 565

19 Maio (????:??) – 8K82KM Proton-M/Briz-M – Baikonur, LC81 PU-24 – Garpun n.º 2L

20 Maio (1300:00) – Atlas-V/501 (AV-054) – Cabo Canaveral AFS, SLC-41 – AFSPC-5: X-37B OTV-4 (OTV-2 voo-2 ?); LightSail-A; ULTRASat

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