Antiga frente fria em Perseus

Uma gigantesca frente fria, no aglomerado de galáxias Perseus, foi observada por um trio de telescópios de raios-X.

A antiga frente fria pode ser vista à esquerda da imagem, afastando-se da parte interna muito mais jovem e mais próxima do centro. As frentes frias galácticas não se assemelham em nada com as frentes frias que sentimos na Terra – ao contrário, estas são causadas por aglomerados de galáxias colidindo uns com os outros. A força gravitacional de um aglomerado maior puxa um aglomerado menor para mais perto, resultando em gás no núcleo do aglomerado, sendo este espalhado como um líquido num copo. Isto cria uma frente fria num padrão espiral movendo-se para fora do núcleo e essas frentes frias podem fornecer uma sonda do meio interaglomerado.


As frentes frias são as estruturas coerentes mais antigas em aglomerados de núcleos frios e esta afastou-se do centro do aglomerado durante mais de cinco mil milhões de anos – mais tempo do que o nosso Sistema Solar já existiu. A longa estrutura curva estende-se por cerca de dois milhões de anos-luz e está a viajar a cerca de 50 quilómetros por segundo.

A imagem combina dados do observatório Chandra X-Ray da NASA, do XMM-Newton da ESA e do satélite ROSAT, da Alemanha. Chandra também obteve uma imagem muito próxima, em separado, do canto superior esquerdo da frente fria, revelando alguns detalhes inesperados.

O aglomerado de galáxias Perseus contém milhares de galáxias e um buraco negro super-massivo no centro. O buraco negro é responsável por criar um ambiente hostil de ondas sonoras e turbulência que deverá corroer uma frente fria ao longo do tempo, suavizando as arestas anteriormente afiadas e criando mudanças graduais na densidade e na temperatura. Em vez disso, a imagem Chandra de alta resolução mostrou uma borda surpreendentemente afiada na frente fria, e um mapa de temperatura revelou que o canto superior esquerdo da frente fria se encontra dividido em dois.

A nitidez da frente fria sugere que esta foi preservada por fortes campos magnéticos à sua volta, actuando essencialmente como um escudo contra o ambiente hostil. Este “drapejar” magnético impede a difusão da frente fria e é o que permitiu que esta sobrevivesse tão bem por mais de cinco mil milhões de anos, à medida que se afastava do centro do aglomerado.

Notícia e imagem: ESA

Texto corrigido para Língua Portuguesa pré-AO90

 

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