A sonda especial Mars Express espia uma cratera de impacto antiga e sem nome



Mars Express crater 1

Esta impressionante perspectiva da imagem observada pela Mars Express da ESA mostra uma cratera de impacto em Marte, anónima mas muito apelativa. Esta região encontra-se a sudoeste de uma planície escura denominada Mare Serpentis (literalmente ‘mar de serpentes’), a qual por sua vez, se localiza em Noachis Terra (literalmente ‘a terra de Noah’).

Noachis Terra é uma das regiões mais antigas e conhecidas do Planeta Vermelho, que remonta pelo menos a 3.9 mil milhões de anos – de fato, a era marciana inicial, a época ‘Noachian’, é assim nomeada em sua homenagem. Noachis Terra é representativa da antiga superfície de Marte, a qual é caracteristicamente matizada de crateras que foram preservadas durante milhares de milhões de anos, embora muitas se possam ter degradado ao longo do tempo.

A cratera visível no canto superior direito da imagem tem cerca de 4 km de profundidade e 50 km de diâmetro. No centro encontra-se uma pequena depressão conhecida como poço central. Estes são comuns em crateras em mundos rochosos por toda a parte do Sistema Solar, especialmente em Marte, e pensa-se que se formam à medida que material gelado vaporiza explosivamente e se transforma em gás no calor da colisão inicial da formação da cratera.

As paredes exteriores à volta da cratera estão ligeiramente elevadas em relação aos arredores. Estes depósitos empilhados podem ter-se formado durante o impacto que esculpiu a cratera em si. Quando um pêndulo rochoso chocou contra a superfície de Marte é provável que tenha compactado material solto e poeirento – partículas pequenas de pó e solo apelidado de ‘regolito’ – formando assim um pequeno planalto que tem resistido ao teste do tempo.

Precisamente dentro das paredes da cratera encontram-se canais e vales rosqueando e tecendo para o fundo a inclinação interna – pensa-se que estes foram talhados e esculpidos por água corrente. Esta água, presa dentro do solo na forma de água subterrânea e gelo, terá descongelado à medida que o Sol iluminava as paredes da cratera, conduzindo a processos de erosão fluvial e desenhando finas linhas para baixo até ao centro da cratera.

Esta imagem foi criada a partir de dados recolhidos pelos canais stereo da Câmara Stereo de Alta Resolução da Mars Express (resultando nesta perspectiva oblíqua), assim como a sua cor e canais nadir (criando a cor). Os dados foram obtidos no dia 29 de Julho de 2015 durante a órbita 14680. A resolução é de aproximadamente 14 m por pixel e a imagem encontra-se centrada a 37° Este e 35° Sul.

A imagem é uma vista em perspectiva a partir de uma série que inclui uma vista de cor nadir, um modelo digital de terreno de código de cores e um anáglifo 3D.

Notícia e imagem: ESA

Deixe um comentário