A épica viagem da Apollo-11 (VII)



Apollo-11 12

Uma das maiores audiências da História assistiu aos momentos que marcaram a vida de muitas pessoas: o Homem ia pela primeira vez pisar o solo lunar.

Passeio lunar

No plano de missão, o passeio lunar deveria ocorrer quando as antenas de Goldstone e do Observatório de Parkes na Nova Escócia do Sul, Austrália, tivessem uma linha de visão livre e capaz de fornecer 100% de redundância nestas grandes antenas. Porém, com o avançar das actividades, significava que a antena de Parkes, que não se podia deslocar completamente até ao horizonte, não podia receber os sinais até que a Lua estivesse bem alta no céu; e em qualquer caso, as rajadas de vento ameaçavam interferir nas operações. E como um problema na antena de Goldstone estava a degradar o sinal de televisão, uma antena mais pequena localizada no Centro de Rastreio de Honeysuckle Creek, a 40 km de Camberra, Austrália, tornara-se o principal receptor para a cobertura da saída. Construída em 1967, Honeysuckle Creek havia feito a cobertura de algumas missões anteriores mas, e tal como notou o oficial administrativo Bernie Scrivner, “Por alguma razão isto parecia ser muito mais importante; este era o dia pelo qual toda a gente na estação havia trabalhado e treinado.” O Primeiro-ministro australiano, John Gordon, juntou-se a um grande grupo de técnicos para testemunhar o evento. Às 11.15 locais, a Lua elevou-se no horizonte e o sinal era forte. A câmara Westinghouse a preto e branco fornecia 320 linhas de resolução a uma taxa de varrimento de 10 frames por segundo. Tal como reflectiu o técnico de televisão Ed von Renouard, “Quando estava sentado ali em frente do conversor esperando por um padrão no monitor de entrada, não me apercebia que o resto do mundo. Eu ouvi o Buzz Aldrin dizer ‘O fusível da televisão está instalado’.” O sinal chegou. “Quando a imagem apareceu pela primeira vez, era um puzzle indecifrável de blocos de negro no fundo e cinzentos no topo, e estava bissectada por uma linha diagonal brilhante. Apercebi-me que o céu deveria estar em cima – e na Lua o céu é negro.” Várias semanas antes, a NASA havia notado que quando a MESA estava aberta a câmara que nela estava fixada estaria orientada ‘de pernas para o ar’, e um interruptor havia sido instalado em cada estação de rastreio para colocar a imagem na posição correcta. Quando von Renouard accionou o interruptor “de repente tudo fez sentido”.

À medida que um dos ecrãs Eidophor de 3 x 3 metros no controlo da missão piscou, originou aplausos na galeria dos observadores. “Estamos a receber uma imagem na TV,” anunciou McCandless.

Recebem uma boa imagem?” perguntou Aldrin.

Tem um grande contraste,” respondeu McCandless, “e está de pernas para o ar no nosso monitor, mas podemos discernir muitos detalhes.” De facto, a transmissão inicial para Houston era feita por um cabo desde Goldstone, onde os técnicos esperaram 30 segundos para colocar a imagem na posição correcta. Infelizmente, o problema com o sistema de conversão tornava a imagem cheia de contrastes.

Será que podes verificar a abertura que devo ter na câmara?” perguntou Aldrin, referindo-se à Maurer.

Aguarda,” respondeu McCandless.

Como o movimento de rotação da MESA havia parado quase nos 90º, a imagem da televisão mostrava o horizonte ligeiramente inclinado para a direita. Vista por uma audiência em total espanto, Armstrong desceu cuidadosamente a escada de nove degraus.

Neil, conseguimos ver-te agora a descer a escada,” referia McCandless.

As especificações do fato extraveícular requeriam que fosse capaz de proteger o astronauta de temperaturas entre os -155ºC e os 155ºC que se verificam nas zonas de sombra e nas zonas totalmente iluminadas pelo Sol mais o calor irradiado pela superfície, respectivamente. Apesar da escada de acesso à superfície se encontrar na sombra, Armstrong foi capaz de se agarrar a ela sem qualquer efeito nefasto. Como referiria mais tarde, “Em nenhuma altura senti alguma variação de temperatura a penetrar nas luvas à medida que tocava nas coisas.” Sem uma atmosfera, a superfície lunar é exposta a um constante bombardeamento de micrometeoritos. A protecção exterior mais dura era suficiente para proteger os astronautas contra possíveis impactos a velocidades cósmicas.

Na alunagem, a secção inferior do suporte deveria servir como um pistão e deslizar para um suporte mais largo e, ao esmagar uma estrutura em forma de favos de abelha, absorver o choque do veículo a cair na superfície. Mas a descida do Eagle foi tão suave que não se deu uma compressão significativa e o intervalo entre o último degrau e o suporte do trem de descida era quase a sua distância máxima de 1 metro – algo que Armstrong descobriu quando saltou de costas desde o último degrau e, deslizando as suas mãos nos varões para manter a estabilidade, caiu com ambos os pés no interior do suporte com um diâmetro de 0,9 metros. Saltou de novo para a escada para verificar que esta subida era possível, e depois para baixo de novo. Entretanto, Aldrin estabelecia a abertura da Maurer por sua própria iniciativa. Apesar de isto iluminar em demasia o solo para lá da sombra, melhorou de forma significativa a imagem de Armstrong. Vinte segundos mais tarde, McCandless dizia a Aldrin as suas recomendações em relação à câmara, “Buzz, f/2 e 1/160 para fotografar nas sombras.”

Nesta altura o controlador da rede no Mission Operations Control Room notou que o vídeo proveniente de Honeysuckle Creek, que estava a ser transmitido por microondas para Sydney e depois retransmitido por um satélite geostacionário Intelsat sobre o Oceano Pacífico, estava mais claro, e então trocou para esta transmissão. Apesar de a ligação da NASA exibir a imagem proveniente de Honeysuckle para as televisões comerciais, manteve a ligação de áudio de Goldstone.

(Continua)

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