A «chegada» da Índia a Marte



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A sonda indiana MOM ‘Mangal Yaan’ (MOM – Mars Orbiter Mission) entrou em órbita de Marte na manhã do dia 24 de Setembro de 2014 após uma viagem de cerca de 11 meses até ao planeta vermelho.

A MOM accionou o seu motor LAM (Liquid Apogee Motor) às 0147:32UTC, numa queima que teve uma duração de 1.388,67 segundos, terminando às 0210:31UTC. Esta manobra alterou a velocidade da sonda em 1.099 m/s, permitindo que entrasse numa órbita elíptica em torno de Marte com um perigeu a 421,7 km, apogeu a 76.993,6 km, inclinação orbital de 150º e um período orbital de 72 horas 51 minutos e 51 segundos.

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A chegada da MOM a Marte deu-se dias depois da chegada da sonda norte-americana MAVEN à órbita do planeta vermelho para estudar a sua atmosfera. A chegada quase simultânea dos dois veículos levou às mais ridículas comparações entre duas missões completamente distintas em todos os sentidos. Sendo um passo importante para a exploração espacial por parte da Índia, a missão da MOM é extremamente simples se a compararmos com a MAVEN ou com outras sondas lançadas em direcção a Marte. Não deixando de ser um feito tecnológico notável por parte da Índia, este não revela um avanço significativo em relação ao outras nações e somente no limite pode ser vista como uma resposta perante o colosso chinês. A diferença entre os dois programas espaciais é significativa em todos os aspectos e até se pode dizer, utilizando uma terminologia desportiva, que os «campeonatos» nos quais as duas nações «jogam» são de diferentes divisões.

Ainda em relação que foi estabelecida entre os custos da missão da MOM e da MAVEN só pode revelar um total desconhecimento acerca dos dois veículos, principalmente quando a comparação entre ambos é apenas baseado no diferencial existente entre os dois orçamentos afectados a cada sonda.

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A Mars Orbiter Mission

A MOM ‘Mangal Yaan’ foi lançada às 0908UTC do dia 5 de Novembro de 2013 a partir do Complexo de Lançamento FLP do Centro Espacial Satish Dawan SHAR, localizado na Ilha de Sriharikota. O lançamento foi levado a cabo pelo foguetão PSLV-C25 (PSLV-XL).

Esta é uma missão de demonstração tecnológica considerando os requisitos operacionais e de propulsão necessários para a missão. A sonda foi projectada para levar a cabo observações das características físicas de Marte e levar a cabo um estudo limitado da sua atmosfera utilizando cinco instrumentos a bordo.

Os objectivos tecnológicos da missão são: a projecção e concretização de uma sonda orbital em torno de Marte com uma capacidade de resistir e executar manobras orbitais, sobreviver a uma jornada de 300 dias em direcção a Marte e ser capaz de entrar e operar na órbita de Marte; executar comunicações no espaço profundo, além de navegação, planeamento e gestão da missão; incorporação de características autónomas para lidar com situações de emergência. Por outro lado, os objectivos científicos da MOM são: exploração das características superficiais de Marte, sua morfologia, topografia, mineralogia e atmosfera, utilizando instrumentos fabricados na Índia.

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No lançamento a sonda tinha uma massa de 1.337 kg. Os cinco instrumentos a bordo da MOM são o Lyman Alpha Photometer (LAP), o Methane Sensor for Mars (MSM), o Mars Exospheric Neutral Composition Analyser (MENCA), a Mars Color Camera (MCC) e o Thermal Infrared Imaging Spectrometer (TIS).

A missão foi composta por três fases: a Fase Geocêntrica, a Fase Heliocêntrica e a Fase Marciana. Após o lançamento a MOM foi injectada numa órbita elíptica de parqueamento. Com seis queimas principais por parte do seu sistema de propulsão, a sonda gradualmente manobrou para uma órbita hiperbólica com a qual escapou da esfera de influência da Terra. Esta esfera termina a uma distância de 918.347 km, para além da qual a principal força de perturbação tem origem no Sol. A MOM utilizou a denominada Órbita de Transferência de Hohmann (ou Órbita de Transferência de Energia Mínima) para chegar a Marte com o menor gasto possível de propolentes.

A MOM deixou a Terra numa direcção que é tangencial à órbita terrestre e encontrou Marte de forma tangencial à sua órbita. O percurso até ao planeta vermelho foi aproximadamente metade de uma elipse em torno do Sol. Eventualmente, a sonda intersectou a órbita de Marte no exacto momento no qual este se encontrava na «mesma posição» da sonda. Esta trajectória é possível quando a posição relativa da Terra, de Marte e do Sol formam um ângulo de cerca de 44º. Tal arranjo orbital ocorre de forma periódica em intervalos de cerca de 780 dias. As oportunidades de trajectórias de energia mínima para o sistema Terra – Marte ocorrem em Novembro de 2013, Janeiro de 2016, Maio de 2018, etc.

A sonda atingiu a esfera de influência de Marte a uma distância de 573.473 km numa trajectória hiperbólica. Nesta altura a sonda atingiu a sua distância mais próxima de Marte e foi capturada na órbita do planeta ao utilizar uma retro-travagem com o seu sistema de propulsão.

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Imagens: ISRO

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