50 anos da morte de Valentin Bondarenko



Comemoram-se este ano os 50 anos do primeiro voo espacial tripulado por Yuri Gagarin a 12 de Abril de 1961. No entanto, o caminho que levou ao triunfal voo da Vostok-1 foi um caminho difícil marcado por desastres que só muito mais tarde o mundo teria conhecimento.

Uma dessas tragédias foi a morte de Valentin Bondarenko, o mais jovem cosmonauta até hoje seleccionado. O texto a seguir é um excerto de um artigo que irá surgir na Edição Dourada do Boletim Em Órbita que será editado a 12 de Abril próximo para assinalar o 50º aniversário do épico voo de Gagarin.

Lembrando Valentin Bondarenko

O sucesso inequívoco do Korabl-Sputnik 4 foi uma injecção de moral no programa Vostok, que até então não tinha tido uma missão sem qualquer problema desde Agosto de 1960. A euforia em relação à missão foi, porém, um pouco ofuscada por uma tragédia que atingiu a equipa de cosmonautas da maneira mais inesperada.

A 23 de Março, somente dois dias antes do lançamento do último Vostok 3A precursor, o cosmonauta Bondarenko encontrava-se no décimo dia de um exercício de quinze dias na câmara de isolamento nas instalações do Instituto de Aviação e Medicina Espacial em Moscovo. A câmara continha 50% de oxigénio a uma pressão reduzida para simular a atmosfera de um veículo espacial, e era completamente à prova de som para testar os efeitos do isolamento. Após a finalização de alguns testes médicos na conclusão do seu período de isolamento, Bondarenko removeu os sensores que estavam fixados ao seu corpo e com algodão ensopado em álcool, limpou as zonas onde os sensores estavam colocados. Sem olhar, ele atirou o algodão com álcool que acabou por cair no anel de um aquecedor eléctrico que estava ligado. O algodão começou a arder de imediato e a chama tornou-se muito intensa numa atmosfera rica em oxigénio. Ao princípio, em vez de fazer soar o alarme, Bondarenko tentou apagar o fogo por ele próprio, mas o seu fato de treino de lã começou também a arder. O médico de serviço, Mikahil A. Novikov, tentou abrir a porta da câmara mal se apercebeu do incêndio, mas esta operação demorou vários minutos durante os quais Bondarenko ficou completamente queimado. Enquanto era retirado da câmara, repetia constantemente, "Foi culpa minha, não se culpa mais ninguém."

O principal médico do hospital para onde Bondarenko foi transportado referiu mais tarde que "o corpo do cosmonauta estava totalmente sem pele, a cabeça de cabelo, não havia olhos na face – tudo tinha sido queimado. Era uma lesão total do pior grau."

Bondarenko acabou por falecer às 1200UTC do dia 23 de Março, oito horas após o acidente, de choque resultante das queimaduras. Foi a primeira morte de um treinando espacial na história do programa espacial. Somente com 24 anos de idade e o mais novo da equipa, ele foi enterrado no seu local de nascimento em Kharkov, onde moravam os seus pais.

A sua esposa Anya e o seu filho Sasha permaneceram em Zelenyy, recebendo uma pensão especial do estado por ordem directa do Ministro da Defesa Marechal Rodion Ya. Malinovskiy . As notícias do acidente foram completamente suprimidas no interesse da moral, especialmente considerando que a primeira missão pilotada Vostok estava então prevista para menos de três semanas. Não é claro se algum dos outros cosmonautas foi na altura ou várias semanas de pois informado acerca da tragédia. O acidente ou a existência de Bondarenko só foram revelados em 1986 como parte de uma série de artigos do jornal Izvestia celebrando o 25º aniversário do primeiro voo espacial pilotado.

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